Quando a Imagem foi exposta, vi o braço de Jesus em movimento, traçando um grande sinal da cruz. Diário 416.
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Quando a Imagem foi exposta, vi o braço de Jesus em movimento, traçando um grande sinal da cruz. Diário 416.

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nesse momento eu sinto medo, medo de ser vista e de saber que tudo que eu escrevo está sendo lido. eu gostaria de poder digitar aqui tantas coisas que explodem dentro de mim, mas, não quero que ninguém saiba porque seria cômico se toda essa situação não fosse bastante trágica. fui exposta. fui descoberta. isso é estranho porque eu pensei que estivesse segura por aqui. não faz sentido nenhum uma pessoa que supostamente está feliz voltar ao passado para conhecer novamente alguém que um dia já esteve na palma de suas mãos. todavia, deve ser bastante empolgante ficar à espreita quietinho apenas devorando todas as informações possíveis e depois as utilizá-las para ficar remoendo sua própria dor ao saber que aquilo que o seu amigo contou não era verdade, as pessoas não são substituíveis e esquecer o amor da sua vida não é tão simples assim.
Um dia me falaram que quando amamos alguém de verdade, criamos um tipo de chama no peito que significa o nosso amor por ele, e no fim se torna impossível de apagar essa chama, porque de um jeito ou de outro as cinzas continuarão lá. E eu nunca quis que isso fosse verdade, porque eu quero te tirar do meu peito, eu preciso te tirar do meu peito. Depois de toda a dor que me causou, nós decidimos e continuamos amigos, o que eu não sabia era que essa seria a minha ruína. Não importava o quanto eu esquecesse os detalhes do nosso efêmero amor, esquecesse das risadas, das brigas, a chama continuava lá, me martirizando. Todos os dias eu jurava para mim mesma que eu tinha te esquecido, mas era só passar um tempo com você que tudo isso era banalizado. Todas as vezes que você falava que tinha conhecido alguém legal, ou agisse como se o que vivemos não tivesse significado nada para ti, me despedaçava. Sempre que se trata de você eu só sinto vontade de chorar como uma criança órfã da Síria. Sempre que se trata de você o meu peito dói, e falo de uma dor real e física. O que me surpreende é que se aproveitou da minha alma ingênua e apaixonada para ser só mais uma aventura. Eu não queria, eu não queria ser só mais uma aventura. Mas não se trata disso, eu não tenho a menor mágoa ou ressentimento de você. Eu sou boa demais para guardar qualquer sentimento ruim dentro de mim. Eu quis ser todas as tuas metáforas de amor, mas não passei de uma qualquer. Eu quis te dar todo o amor do mundo, mas você não estava pronto para recebê-lo. Eu quis ser o teu lar nos dias de inverno, mas não era, e sabia disso. E se, eu nunca conseguir me apaixonar de novo? E se, eu nunca conseguir tirar essas cinzas que sobraram do nosso amor de dentro de mim? E se, eu acabar me prendendo a ti, sendo para sempre uma amiga e nunca encontrar a verdadeira felicidade? E se?

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Te Amei!
Eu te amei, mesmo em todos os momentos ruins. Eu te amei, mesmo quando todos foram contra. Eu te amei, mesmo quando você não me amou. Eu te amei, mesmo quando você não merecia. Eu te amei, em cada lágrima que derramei, em cada briga mal resolvida, em cada "adeus", em cada "me deixe em paz". Eu te amei, mesmo na sua ausência, e te amei ainda mais na sua presença. Te amei com todo o meu amor, te amei com todo o meu calor. Te amei antes mesmo de me amar, e em cada intervalo da minha respiração eu te amava um pouco mais e mais... Até que percebi que tanto amor não foi o suficiente. Tanto amor, mas não foi recompensado. Tanto amor, mas não era correspondido. Dizem que sempre há um que ama mais, mas lutamos para acreditar que não no nosso relacionamento, que entre nós não existe isso, que entre nós é a mesma medida, mesma intensidade. Será que o amor foi o mesmo? mas por que com a gente seria diferente do que dizem?... Você se fez ausente quando eu mais precisei e se fez presente pra quem nunca moveu um dedo por você. E eu aqui, movendo cada músculo do meu corpo para declarar o meu amor, movendo céus e terras para salvar aquilo que você já tinha enterrado a sete palmos abaixo do chão... e apesar de tudo, ainda te amei, no momento mais delicado, ainda te amei, no momento que mais sofri, ainda te amei, mesmo sabendo que amava sozinha, aí sim que mais te amei, amei por nós dois, amei, amei aquilo que você nunca amou, amei por nós dois. E se eu ainda amo? Evito essa questão. Mas ainda sinto a sua ausência, ainda sinto a dor que ela causa, ainda sinto os restos de um amor tão grande que me consumiu, um amor que quando se foi, levou também metade de mim, metade do meu coração e junto, tudo aquilo que eu tinha de mais bonito, deixando como lembrança apenas uma velha blusa azul...
A verdade é que eu não consigo deixar ir. Não consigo me desprender do sentimento, aquele de algum tempo atrás. Você chegou aos poucos, como quem não quer nada e sem que eu percebesse foi construindo algo entre nós, algo que eu não sei mais como nomear, mas que iria se tornar minha coisa favorita no mundo todo. De pouco a pouco, no dia-a-dia, se fez presente. Estava ali para mim, comigo, me fazendo rir ou até mesmo me irritando, e eu me acostumei a isso. Fui além e fiz pior... Me apeguei. Acordava com uma mensagem de bom dia e dali saía meu ânimo para tudo, passávamos horas conversando, meu peito sempre cheio com uma sensação calorosa, eu via graça e cor em todas as coisas. Antes de dormir ficávamos enrolando com mensagens, quase uma disputa para ver quem conseguia ser mais meloso. As luzes apagadas e meu sorriso involuntário preenchendo a escuridão. Você havia se tornado uma necessidade, mas eu ainda não havia percebido. Foi quando algo pareceu mudar. Você não estava tão presente quanto antes. Seu entusiasmo comigo não era o mesmo. Só então eu compreendi que o sentimento que você havia feito nascer e crescer em mim, havia morrido em ti, ou talvez nunca de fato existido... E ali começava meu inferno. Aos poucos você se afastou, aos poucos você foi me deixando sozinha naquilo que antes parecia um cômodo claro, quente e confortável (uma referência para o que tínhams cultivado), mas que agora estava se tornando frio e cinzento sem sua presença. Te perdi antes mesmo de perceber que te tinha. Mesmo com toda a dor, ainda seguro comigo meu sentimento por ti, sem saber onde depositá-lo. Me pergunto se algum dia deixarei ir... ou se voltará para recebê-lo.
O quão longe nós fomos
Vai falar que não fomos muito longe? Essa é a hora que o choro costuma se instalar, as vontades somem todas e parece que a única solução é voltar no auge do nosso sucesso e amar tudo de novo. Pois eu prefiro diferente. Tudo que eu quero lembrar é o quão longe nós fomos! Acalme as tristezas, os ressentimentos e faça uma viagem agora de trás pra frente para o primeiro segundo de nós dois. Enquanto faz isso repare nas mudanças do seu coração. Veja o quanto ele cresceu e aprendeu coisas lindas nessas delícias todas que vivemos... Provavelmente daí você já não pensaria mais se tudo isso foi um erro. Temos impressão que a dor é sempre maior que as felicidades, mas não é. Lembre bem dos seus estados de plena felicidade perto do mar. Dá pra sentir lá dentro as mesmas coisas daquele tempo, não é? É o poder do que é pleno. Isso é maior do que qualquer dor que possa te chegar. É que nós nos acostumamos muito com o que é bom, mas o coração não. Nele está registrado toda e qualquer aventura onde ele precisou pulsar mais forte, desde o beijo surpresa até correr pra ver quem chega primeiro em qualquer lugar. Está tudo guardado e é sempre prova de que valeu a pena. Quando penso o quão longe nós fomos, penso logo em gratidão. Não seria o que sou e nem sentiria o que sinto se não fosse por nós, mesmo que isso fale também sobre algumas tristezas. O coração também pulsa mais forte e registra momentos assim. Aliás, tristezas nunca foram o fim para nós, mas sempre oportunidades de recomeçar. As nossas tristezas nos trouxeram afagos, abraços, muitos dos melhores beijos e dias de paz como nunca... Lá estava a maior prova de que todo esse tempo era digno de nós dois, porque não nos abandonávamos e nem desistíamos de tudo que sentimos desde esse primeiro segundo que te propus a lembrar. E não estamos fazendo isso agora, meu bem. Continuamos não desistindo e não nos abandonando a partir do momento que carregamos no peito toda a gratidão de chegar até aqui, e assim seguimos bem para as próximas aventuras, mesmo que não juntos mais.
E assim continuo voltando e lembrando, e a cada reprise percebo imensos detalhes que não recordava mais. Aprendizados dentro de segundos, felicidades inseridas em milésimos e a soma de uma infinitude de nós dois onde juntos fomos muito mais do que pensávamos ser possível ser. Isso é a vida e a razão de existirmos com cor, o talento pleno de dedicarmos o coração como nunca ao que pode nos fazer sorrir. E a cada vez que nos esquecermos, que alguém disser que fomos um problema um para o outro ou que a dor parecer maior do que nossa história, lembre-se bem do que está registrado pra sempre no peito. O coração é a memória da alma, e ali nada morre com o tempo.