Coldplay soundchecking ETIAW @ Soldier Field in Chicago | 28th May 2022 | via Coldplay’s IG stories

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COLDPLAY: The Singles
Every Teardrop is a Waterfall (2011)
ETIAW in São Paulo - November 7
algum dia de setembro
Eu acordei mais cedo para te ver dormir. Em paz, tranquilo e leve. Sorri levemente e fechei meus olhos por alguns segundos, pensando: "sou tão sortuda assim?". Minha mente saiu das cobertas e se transportou para o futuro. Comecei a pensar no quanto nós dois daríamos certo, nos nossos 3 filhos e na casa bem bonita toda de madeira e vidro perto da praia. Nos fins de semana com cheiro de mar e nas corridas na areia. No dia a dia monótono de trabalho terminado na cama com nós dois se amando e despindo a alma. Eu, você. Nós. Minha mente foi mais longe ainda: viagens para o interior, famílias, Roma, Austrália, Fernando de Noronha, Tailândia. O mundo é pequeno demais para duas vidas imensas e cheia de sonhos para realizar. Daí você acordou, minha cabeça voltou para o presente junto aos seus olhos me olhando: "Bom dia, meu amor, estava me observando dormir?". Cheguei mais perto, dei um beijo de leve, e respondi "se soubesse de tudo que eu vi, perderia a graça de nos ver viver tudo aquilo."
21 de outubro de 2017
Levantei, afastei as cortinas, abri as janelas e fui fazer o meu café. Enquanto passava a pasta de amendoim nas torradas, o telefone tocou e, quando vi que era você, meu coração tremeu. Faziam exatos três meses desde o dia em que tinhas ido embora mas, de certa forma, eu já tinha me acostumado com a tua ausência. "Alô?", pude ouvir tua voz meio embaçada pelo nervosismo ou vergonha, que ainda não sei dessifrar. Quanto a mim, porém, travei. Não consegui dizer nada: meu coração parou por alguns segundos e minha única saída foi desligar. Respirei fundo, pedindo a deus um pouco de calma e sabedoria para não passar o dia inteiro pensando nisso. Você não me retornou. Eu não retornei. Aquele abismo existente entre nós não foi embora. No trabalho, entre um cliente e outro, minha mente ia ao encontro de nós, no passado: você me pedindo em noivado, juntando nossos nomes e fazendo planos de viagem para Tailândia. Eu, de inocente, acreditei que estaria contigo agora. Construímos um castelo de cartas na areia movediça. Você foi embora por que não sentia o suficiente e, eu, te deixei ir por que o amava demais para prendê-lo. O que tivemos ficará sempre na minha memória e espero que encontre sua metade, assim como eu tentarei encontrar. À noite, quando esse dia acabou, fechei meus olhos no sofá de casa e lembrei da ligação: não sei por quê me ligou, mas, meu caro, se não pretende ficar, por favor, não prometa eternidades, pois levo a sério as palavras de quem amo. Mandei uma mensagem, de boba que sou, para o teu número: "você esqueceu seu livro preferido na minha estante, mas não se preocupe, ele está bem guardado"

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Era para ser só um café da manhã na mesma padaria de sempre, numa manhã normal de trabalho naquela quarta feira de novembro. Era pra ser, mas não foi. Você estava lá. Fazia anos que não tínhamos nos visto e, de lá pra cá, muita coisa mudou. Vi em seus olhos um certo espanto que, depois de alguns minutos, misturou-se com um pouco de nostalgia pelos bons momentos que passamos juntos. Fiz meu pedido no balcão e pedi para sentar na sua mesa - que estava vazia. "Tudo bem?". "Sim, quanto tempo". "Realmente, muito tempo". Conversa foi e voltou diversas vezes. Ele continuava com o mesmo sorriso e o olhar puro de sempre e, nós, solteirões recentemente declarados, rimos juntos de algumas situações atuais da nossa vida. Sobre nossa história, desviamos o assunto. Ele me falou sobre seu novo trabalho perto daquela padaria e disse que provavelmente iríamos nos esbarrar mais vezes: sorri e soltei um "vamos ver, então". Eu o conhecia bem e não esperava outra resposta além de "estava com saudade do seu sorriso". Viajei 7 anos no tempo: show na cidade da minha melhor amiga, short preto e florido, euforia e um pedido de dança bem engraçado: "A senhorita tem cara de capital, mas poderia ceder a graça de uma valsa com um moço meio matuto e sem jeito?". Eu, de difícil que sempre fui, não consegui negar nada para aquele olhar tão penetrante e convincente. A partir dali, nada mais foi como antes. Um emaranhado de distância, intensidade e primeiras vezes tomaram conta de nossas vidas. Acho que aquele foi o café mais intenso que tomei. Vê-lo me fez perceber o quanto ainda havia de nós em mim e o quanto eu estava feliz por saber que ele estava perto, e não longe, como antes. Não trocamos nossos novos números, nem disse onde morava. Espero ter feito a coisa certa ao esperar o destino dizer sim, novamente, a nós sem precisar avançar o sinal recém aberto tão rapidamente. Apenas fui embora assim como quando acabamos. Às vezes um segundo muda tudo. No meu caso, porém, um olhar muda mais ainda. Espero revê-lo em breve.
MACIEL, Caroline.
17 de setembro de 2017
A expectativa que nós criamos sobre os outros é um peso nosso, não deles. Venho aprendido isso aos poucos e a cada dia me convenço mais sobre minha responsabilidade frente ao que decido e sinto. As pessoas que realmente importam nos fazem sonhar com um futuro pessoal, intimo e só nosso. Essas mesmas pessoas, porém, são um universo totalmente diferente e sem obrigação nenhuma de corresponder a algo que nós projetamos. Lembre-se: um milhão vezes zero, é zero. Não adianta colocar intensidade onde não há correspondência. Assim, se por isso você está sofrendo, saiba que, infelizmente, a culpa é sua; não dele.
Toronto, Ontario - August 21