sobreviver
o dia é 14 de abril, às 01:45 da manhã no meio de uma pandemia avassaladora. O mundo parou, estamos diante de um dos maiores desafios da contemporaneidade. E eu estou aqui, parada. Quarentena desafiadora. Depois de um mês em casa, sem sair na rua, percebo que sou bem mais forte do que eu achei que fosse. Já faz um tempo que não abraço ou beijo o meu namorado, os meus amigos ou bebo tranquilamente num barzinho. Mas apesar de estar conseguindo sobreviver dia a dia, quero quase sempre sumir, ir embora. Sigo vivendo, mas por dentro quero chorar. Math me diz “tchau, preciso dormir”, e minha vontade é de quebrar o celular e chorar. Chorar. Chorar. Mas nada disso vai fazer com que eu o veja naquele instante, nem que o tempo volte, nem que o vírus suma do mundo. Ver tudo que você entende como sociedade se transformar brutalmente em pouco tempo é um processo doloroso. E o pior é saber que jamais voltaremos a ser o que eramos antes. O medo de uma nova onda como essa se perpetuará por mais um tempo, mas isso pode ser a chave para evoluirmos como humanidade. É hora de dar as mãos, mesmo que figurativamente. Precisamos sobreviver.













