Espacial
Espacial
Vê, a lua tem lugar determinado neste espaço.
Na distância, no eixo, no quadrante.
Casas de vidro transparecem.
Junto a crateras percebemos
colossais escadas com degraus equidistantes
e mínimos caudais.
É, talvez, em lógica
o que há de se esperar
por evidência maior
de vida racional.
Porém a intuição sacode
músculos e nervos num
salto fisiológico abissal.
Não é por não ser visto
que inexiste equilíbrio
no caos; nesse infinito cosmo, o que existe pode mesmo não estar.
O vento norte e o vento sul,
o vento insular, fazem ali
sua morada; suas calmas tempestades corroem pacientemente,
tornando rochas em areia, aterrando arquipélagos flutuantes.
Em anchos vazios vales sombrios, minúsculas plantas se assemelham a
torres orgânicas com observadores.
As flores parcas que possuem são apenas uma vez a cada dez anos fecundadas.
Lua é sempre descansada, estando ela acesa ou apagada. Nautilus submerso.
Por que vemos sua silhueta nos bastonetes da retina?
Ela nos assiste, ignorantes e assustados.
Depreciadores
depauperados,
imersos em gradual
confusão.
Nos assiste em nossa sina; o lado escuro expõe,
não diminui, a necessária
teleologia.
A mente desequilibrada
e pouco esclarecida,
tenta paulatinamente imaginar o que de fato é. Sonho, voo e pouso, enquanto estende, controvertida, ao pensamento um lunático deserto.
Microparalelepípedos encaixados auxiliam a escalada desse plano vertical.
Nascituro episcopal com sua ousadia belicista, geração após geração tu caminha apenas um passo por dia e já entende o desenho sonoro das faixas de ondas no relevo do papel?
Diagramas, criptografia, biologia digital.
O espírito que se revolve, em torpor ou epilepsia, luta por abandonar o domínio material.
Lua, que alegria te aguarda? — Filhos condenados, água, gelo filtrado, pólipos inflamados, reinos consumidos.
Lua, suas toxinas existenciais são defesas que mantêm o escuro colorido.
Lua, a humana ciência não te faz menos romântica,
nem o olhar desassossegado dessa infância encantada.
O boi na montanha, laranjeira no quintal
e a Lua logo ali, no espaço
sideral.
Lua, o uivo do lobo já te alcança!
P.Gavrouge


















