Dissociação Existencial
“Sou uma força mútua entre a sensibilidade e emoção além do esperado, mas ainda sou a razão que se limita a ações para um bem dual na singularidade da carne em que habito.” Do tanto que fui já não sei mais quem sou, das grandes paixões até das mais sinceras amizades, tantas vezes falhei em ser e ao mesmo me recriei no que nunca fui; daquilo que ainda sonho em ter, me faço hoje a não mais idealização do que me esperam, me faço (re)existir nesse mundo, não mais atriz da minha motivação egoísta, mas sim almejo ser a essência em constante transformação presente em vida nesse lapso existencial. Por meio há um desequilíbrio e talvez desânimo do tudo, por pouco quase esqueci do que prometi a mim em um rito final, uma promessa de que mesmo ao caos buscaria o entendimento do que me fere e a paz energética pessoal. Da ficção de ser aquela ao qual criei para meios manipuladores e às vezes de defesa deixei de ser quem sou em essência, um alguém melhor do que o ontem e menos propensa a decair a instabilidade da vida. Apesar que tente eu por meio da duplicidade de personalidade me fazer forte e às vezes sensitiva, noto que não há muito que se expressar além da neutralidade. Dessa tal reflexão é notável que há algo mais profundo ao qual devo me realinhar ou mesmo revolucionar em mim, seja o físico ao qual em disforia me desânimo; seja da saúde do organismo ao qual me recupero; mesmo da mentalidade ao qual em processo temporal se ajeita; sei que de todas essas coisas o energético -ou dito aqui como espiritual- deva ser também transmutado. Se reinventar ou talvez apenas se entender não é nada fácil, pois desacredito na frase de “encontra-se” afinal quando mais pensamos que nos encontramos é aí já nos perdemos, dando vida a novos questionamentos dos "porquês" dentre esse limbo existencial que se cria em nossos seres. Mesmo tendo em mente o caminho a seguir para buscar maior compreensão, vou a passos curtos buscando o conhecimento real sem me freiar ao puro ego da não aceitação. Que ainda em vida busque eu um conforto dentro de mim, em meio a essa duplicidade de perspectivas interna. -Agatha Neumann










