At least we had a ending for the Dark Ocean/Dagomon/Demon plot that was left open in 02 with the novelization of Digimon Adventure -BEYOND-.
True. Like how, despite Tri being a mess overall, it at least granted a resolution to the "there were Digidestined before Tai's group, who sealed the Dark Masters initially" plot thread from Digimon Adventure.
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
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Flight, the director of Digimon Adventure and 02, Hiroyuki Kakudou, has released a novelization of the Digimon Adventure 25th Anniversary PV "Digimon Adventure -BEYOND-" which has 180 pages. In it, all the context of the scenes of the short film are explained and even includes crossovers with other Digimon seasons.
Thanks, I read a translation summary of it! (It was what I could find). Seems like a mess of a plot, and the crossover elements seemed pointless and tacked on, but I liked how it seemed to basically be using the Mandela Effect to explain timeline and backstory inconsistencies, that was interesting.
I keep thinking about this part among others and maybe a more cleaned up translation will come along (this is based on the ones we got) but--
For the longest, people have wondered about the whole "everyone gets a Digimon eventually" path that the 02 finale showed. More in terms of the Chosen Child/Digidestined terminology and the question of, well, if everyone gets the thing, then nobody is special, right? (Special = Chosen Child/Digidestined.)
But then Kakudou approaches that so simple in linguistic terms. (My interest~)
Everyone knows who Taichi, Daisuke and co. are--their appeal to society as a whole is prevalent. (Still thinking about the whole Stingmon thing that Ken correctly guesses as the possible actual reason for his new job as a cop/detective.) But if everyone has a Digimon, then Beyond says that the terms should get updated. If everyone is special, then everyone is a "Partner Human."
At the risk of sounding cringe, it's just so egalitarian 🤌
A simple solution to a decades-long question lol. And it keeps in line with the "partner" terminology used since Adventure, of course.
Really also just...creates a very normal situation where now old terms become part of history, and now future generations may even approach it the way terms are nowadays. Studied or argued about. (Boy, sure hope social media is better over there. DigiDestined Discourse XD)
Confira a tradução da primeira parte de 13+ a novelização de Digimon Adventure Beyond divulgada por Hiroyuki Kakudou, diretor das duas primeiras temporadas do anime.
(Parte I)
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Dois anos atrás
Está tudo bem, não precisa ter medo. Eu sou Yuri. Vim da Rússia. Esse ao seu lado é um Digimon, não é? O que está atrás de mim também é um Digimon. A aparência é bem diferente, e o meu é maior, mas nós dois somos companheiros que têm parceiros Digimon. Eu sei que você não pode voltar para sua família agora. Ouvi dizer que passou por momentos difíceis. Mas já está tudo bem. Logo virão nos buscar. Vamos para um lugar onde se pode viver com muita segurança. Eles já nos salvaram de perigos antes. São pessoas muito confiáveis. O mundo não mudou tanto até agora, mas você conhece um país chamado Japão? Eles vêm de lá, são pessoas boas. Yagami Taichi-san e Ishida Yamato-san.
Nas montanhas de um país do norte da Europa. Não há postes de luz, apenas uma única estrada que segue ao longo da montanha. Um pouco acima dessa estrada, há uma caverna. Diante dela, um enorme Digimon com aparência de inseto esperava imóvel. Era o parceiro Digimon de Yuri, Kuwagamon.
Foi só três horas depois que o som de um motor pôde ser ouvido à distância.
“Yuri, desculpa pela demora!”
Da luz dos faróis, surgem uma figura humana e uma pequena sombra se aproximando. Quem fala primeiro é Yagami Taichi, vestindo um casaco térmico azul, de aparência simples, comprado em uma loja de equipamentos para atividades ao ar livre. E a pequena sombra é Agumon, um Digimon que parece um pequeno dinossauro laranja, dizendo: “Desculpa a demora!”
Do outro lado do carro, saindo do banco do motorista, aparece Ishida Yamato, vestindo um casaco de couro preto. Logo atrás, vem Gabumon, um Digimon coberto por uma pele azul. Yuri se aproximou da entrada da caverna.
“Taichi-san, Yamato-san.”
Yamato ajustou a gola do casaco.
“Brr, está frio. Vamos voltar logo para onde dá pra fechar a porta.”
“Quer que eu te empreste meu pelo, Yamato?” sugeriu Gabumon.
“Acho que em inglês dá pra se comunicar, mais ou menos.”
Taichi também conseguia entender o suficiente.
“Ótimo. Então deixo com você, Yamato.”
“Beleza.”
“O Iori também consegue falar inglês, da-gyaa!” veio uma voz do banco traseiro.
Um Digimon em forma de tatu em pé, Armadillomon, tinha descido do carro. Mais atrás dele, Hida Iori, vestindo um casaco um pouco antigo, respondeu meio sem jeito:
“Ah… mais ou menos.”
Um mundo em que crianças possuem “parceiros Digimon”.
Não, não apenas crianças. Adultos também os possuem. Eles são chamados coletivamente de “PH (Partner Human / Humanos Parceiros)”. O número de PHs está aumentando rapidamente, e sua proporção dobra a cada ano. Esse fenômeno acabou gerando problemas sociais e religiosos. Alguns PHs estão envolvidos em crimes, e houve até tentativas do governo de utilizá-los para fins militares. Sem um Digimon, um PH é apenas um ser humano comum. Mas, ao possuir um Digimon, ele passa a ser visto como alguém especial — e, em alguns casos, torna-se alvo de discriminação.
Iniciativas para apoiar PHs que não conseguem levar uma vida normal começaram a ser gradualmente institucionalizadas ao longo de alguns anos. Isso teve início por volta da época em que Taichi ainda estava no ensino médio.
Izumi Koushiro mantinha contato com PHs de todo o mundo para reunir informações. Como muitas vezes se tratava de regiões perigosas, eram Taichi e Yamato — que possuíam Digimon com grande poder de combate — os que se deslocavam. Entre os seis que possuíam a habilidade de abrir portais para o DigiMundo, um deles sempre acompanhava a missão para ativar o acesso.
O cuidado mental das crianças resgatadas também fazia parte da operação: Sora e Hikari acolhiam os pequenos e organizavam sua nova vida. O mais jovem, Iori, só foi autorizado a participar quando chegou ao ensino médio, acompanhando o grupo para abrir os portais.
A função de apenas proteger o garoto até a chegada de Taichi e dos outros havia terminado, e Yuri montou em Kuwagamon.
“Então, deixo o resto com vocês!”
Iori acenou com a mão.
“Muito obrigado!”
Kuwagamon alçou voo, enquanto o carro de Taichi e Yamato começava a percorrer a estrada da montanha.
No banco traseiro do carro, Iori falava em inglês com suavidade ao garoto:
“E você, qual é o seu nome? Eu sou Hida Iori, tenho dezesseis anos.”
Ele já sabia o nome, mas fez a pergunta mesmo assim.
Na frente, quem dirigia era Ishida Yamato; ao lado dele estava Yagami Taichi.
Yamato, sem tirar os olhos da estrada, falou de lado:
“Taichi, você também já consegue falar inglês, não é? Isso ajuda até na hora de conseguir emprego.”
“Eu sei. Em francês eu até me viro um pouco…”
“Hmm? Ah, foi naquele programa que vocês foram pra França, né?”
“Isso mesmo. Aliás, Yamato, eu sabia que você tinha carteira de motorista, mas não que tinha tirado até a internacional.”
“Foi o último pedido do meu avô, antes de falecer. E você também devia tirar pelo menos a sua carteira — se precisar, até como assistente de produção em animação já ajuda pra conseguir emprego
“Não quero isso, não.”
Agumon e Gabumon estavam no banco de trás, na terceira fileira do carro.
De repente, Agumon gritou:
“Taichi! Estou sentindo cheiro de Digimon!”
Gabumon completou:
“Não vem deste carro.”
Ao lado de Iori, Armadillomon virou-se para trás:
“Está atrás de nós, da-gyaa!”
Iori imediatamente olhou para trás.
Do céu noturno, sem postes de luz ou reflexos de cidades distantes, algo parecido com um pássaro se aproximava.
“É enorme. Não é o Kuwagamon do Yuri.”
Taichi também conseguiu ver: as garras afiadas do Digimon alado já estavam quase sobre eles.
“Desvia!”
Yamato girou o volante.
Kuuh!
O carro desviou para a esquerda, e as garras rasgaram apenas o ar.
O Digimon negro em forma de pássaro voou à frente, depois subiu e fez uma grande curva, que Taichi acompanhou com os olhos.
“Ele vai voltar!”
"Droga! Ainda temos um longo caminho a percorrer antes de podermos abrir o portal!"
Taichi virou-se para o banco de trás:
“Iori, dá para abrir o portal pelo smartphone, não é?”
“Sim, desde que haja conexão com a internet. Mas—”
“Tem sinal agora!”
Taichi estendeu o celular diante de Iori.
“Abre o portal, Iori. Você e o garoto vão na frente.”
“Mas—”
O Digimon alado, em curva, avançava pela lateral.
Yamato desviou rápido, as garras rasparam a dianteira do carro. Ele acelerou imediatamente.
“Não temos tempo para hesitar!”
“Entendido!”
Iori apontou o Digivice D3, o dispositivo capaz de abrir portais, para o smartphone de Taichi.
“Digital Gate, Open!”
A tela de cristal líquido começou a brilhar intensamente, tomada por uma luz pulsante.
“Vamos, você primeiro,” incentivou Iori.
O garoto, que até então permanecia inquieto, abraçou seu pequeno Digimon e se aproximou da luz. Sua decisão firme sugeria que já estava acostumado a enfrentar perigos. Em seguida, sua figura se dissolveu em sombra e foi absorvida pelo clarão. Iori e Armadillomon o seguiram. Então a luz diminuiu e a escuridão retornou.
Do banco traseiro, Agumon e Gabumon espiaram:
“E nós, o que fazemos?”
Yamato deixou escapar um leve sorriso no canto da boca.
“É óbvio, né?”
Taichi olhou para o banco traseiro.
“Pronto, Agumon?”
“Claro!”
Os dois Digivices foram apontados simultaneamente para o banco traseiro. Os indicadores nas telas começaram a subir rapidamente, e dois feixes de energia se estenderam do carro até o alto do céu.
Ali havia uma fronteira invisível: o banco de dados do DigiMundo, inacessível aos sentidos humanos. Uma rede invisível que cobria todo o planeta como uma fina camada de nuvem.
Quando o sinal dos indicadores alcançou esse limite, uma explosão de luz ocorreu no ponto de contato.
Dentro do imenso banco de dados de evoluções dos Digimon, duas formas compatíveis com aquelas luzes foram selecionadas e enviadas de volta à superfície.
Duas hélices duplas de luz desceram em alta velocidade até a parte traseira do carro, enchendo o interior do veículo de luz.
O sinal provocou uma transformação em Agumon e Gabumon. As informações de suas formas foram reescritas, e até sua massa foi reconstruída.
“Agumon… digivolve para…!”
“Gabumon… digivolve para…!
O porta-malas do carro em alta velocidade se abriu, e de dentro da explosão de luz surgiu aquilo que antes era Agumon.
Antes mesmo de tocar o chão, seu corpo já havia crescido várias vezes o seu tamanho.
“Greymon!”
Em seguida, aquilo que antes era Gabumon saltou para fora e se transformou em uma grande criatura semelhante a um lobo.
“Garurumon!”
As duas formas atacaram o Digimon semelhante a um pássaro que vinha pela retaguarda. O inimigo tentou reagir com suas garras e bater as asas enormes para afastá-los, conseguindo se livrar de Greymon, mas—
“Mega Flame!”
Da boca de Greymon foi disparada uma esfera de fogo que atingiu em cheio o alvo. O pássaro cambaleou e começou a cair em direção às montanhas.
Sobre ele, Garurumon saltou. De sua boca, expeliu chamas azuis.
“Fox Fire!”
O ataque de fogo foi evitado por pouco. Ainda assim, o próprio corpo de Garurumon colidiu com o inimigo, e ambos se enroscaram e caíram juntos dentro da floresta.
Greymon também avançou em seguida, entrando na mata. Ao fundo, a batalha continuava: várias árvores eram arrancadas, e flashes de fogo e luz escapavam entre a vegetação, indicando o confronto intenso que se desenrolava ali.
Mesmo do ponto da estrada que fazia uma grande curva ao redor da encosta da montanha, era possível ver a luz da batalha. Taichi percebeu que aquilo não iria se resolver tão rápido.
“Um no nível Perfeito, hein…”
Yamato respondeu sem tirar as mãos da direção:
“Vamos evoluir mais uma etapa?”
“Não, espera.”
O Digimon em forma de pássaro saiu da floresta. Sua postura estava instável, mas parecia não ter sofrido muitos danos. Ele subiu até uma altura fora do alcance de Greymon e dos outros, então virou-se novamente.
As garras de ambas as asas começaram a emitir uma luz escura.
“Isso é ruim! Desvia, Greymon!”
A energia disparada carbonizou instantaneamente uma parte da floresta.
Mas Greymon e Garurumon já não estavam mais naquele ponto.
Dois contra-ataques vieram de lados opostos da floresta incendiada: uma esfera de fogo e chamas azuis avançando em direção ao Digimon pássaro.
O histórico de cooperação entre Greymon e Garurumon era longo.
Com ataques vindos de duas direções quase impossíveis de evitar, o Digimon em forma de pássaro sofreu danos na asa direita e nas penas da cauda. Cambaleando, começou a cair em espiral.
Mas então, o espaço onde ele estava caindo se distorceu e passou a refletir outra paisagem.
Do outro lado havia um cenário iluminado pela luz do dia.
“Um portal.”
Enquanto Taichi observava, o Digimon pássaro mergulhou naquela abertura luminosa. Porém, o portal não se fechou.
Ele se ergueu suavemente ao longo da encosta da montanha, aproximando-se do carro de Taichi.
“Yamato, isso é ruim!”
“Eu sei!”
O carro avançava em alta velocidade, enquanto Greymon e os outros corriam ao lado.
Nesse ritmo, não deveriam conseguir ser alcançados pelo portal.
Mas, de repente, o portal que vinha pelo lado se deslocou rapidamente e apareceu à frente do veículo.
Do outro lado da estrada noturna, via-se um espaço claro — e dentro dele, o sol era visível.
O carro e Greymon não conseguiram parar a tempo.
E acabaram sendo engolidos pelo portal.
Aos poucos, os olhos se acostumaram à luz.
Ele olhou ao redor.
Era um deserto.
Exceto por algumas elevações e algumas estruturas que não se podia identificar ao longe, tudo o que havia até onde a vista alcançava era areia. O sol brilhava intensamente sobre a paisagem.
“Que lugar é esse?”
1
“Naquela época foi bem complicado…”
Claro que eles sabiam que aquele deserto era o DigiMundo. Mas mesmo assim, o DigiMundo era vasto — não havia como saber em que parte exatamente estavam.
No entanto, eles pensaram de forma tranquila que, se conseguissem contatar Koushiro e os outros, não haveria problema.
“Acabou levando três dias, né.”
Pensando que já tinham se passado dois anos desde então, Taichi levou o copo de chá gelado à boca.
“Bem, nós também passamos por muita coisa.”
Do outro lado de Taichi, Inoue Miyako segurava um copo de suco de acerola. Talvez combinasse com o macacão vermelho cheio de bolsos que ela usava.
“Ainda não está totalmente claro por que a conexão com o DigiMundo foi interrompida… e provavelmente algum tipo de prenúncio do terremoto que aconteceu depois teve influência nisso."
Na orla oposta de Odaiba, em um canto do distrito de armazéns de Shibaura, havia um depósito um pouco menor do que os demais, mas de aparência robusta. Ao observar com atenção, via-se uma placa dizendo “Instituto Izumi”.
Era o instituto de pesquisa dirigido por Izumi Koushiro.
Taichi estava na sala de recepção desse lugar.
Miyako ainda era universitária e, oficialmente, não era funcionária do instituto, mas sim uma trabalhadora de meio período. No entanto, como o diretor e o outro pesquisador viviam imersos em seus estudos, ela acabava assumindo praticamente todas as tarefas administrativas.
Ela nunca se separava de uma bolsa transversal cheia de ferramentas e equipamentos.
A sala de recepção, que antes tinha uma aparência fria e sem vida, agora era relativamente aconchegante graças a ela, que cuidou da decoração e da iluminação.
“Mesmo que tenham dito que o tremor veio depois de várias horas… ainda assim é estranho que a conexão tenha sido afetada antes disso.”
Taichi pensava que, se nem Koushiro e os outros conseguiam encontrar a causa, ele certamente também não conseguiria entender. Para começar, ele nem sabia ao certo como a comunicação com o DigiMundo funcionava.
“Mas pelo menos foi bom ter conseguido resgatar Iori e aquele garoto em segurança.”
O portal aberto por Iori foi imediatamente detectado por Koushiro, que conseguiu contatar a equipe de recepção. Foi logo depois disso que a conexão caiu.
“O Izumi-senpai… quer dizer, o diretor ainda está incomodado com isso. Ele fica irritado quando não consegue descobrir a causa.”
“Bom, isso é a cara dele mesmo.”
Agora mesmo, ele ainda estava preso no meio de uma pesquisa e não podia ser interrompido.
“Depois do tremor, não tinha mais como manter a conexão…”
Miyako continuou o relato como quem revive uma lembrança. Taichi também ficou sabendo daquilo depois.
Naquele dia, dois anos atrás.
Algumas horas depois de Taichi, Yamato e os outros terem se perdido no deserto do DigiMundo, uma catástrofe atingiu este mundo.
Um grande terremoto ocorreu de Kanto até Tohoku, acompanhado de tsunamis.
Naquele momento, o instituto em Shibaura ainda havia sido recém-inaugurado.
Com telefones e redes de transporte se tornando instáveis, Sora Takenouchi, Kido Jou e Ichijouji Ken se reuniram ali.
Eles discutiram o que deveriam fazer.
Quem defendeu que deveriam sair imediatamente para ajudar as pessoas afetadas pelos desastres foi Tachikawa Mimi, que por acaso havia acabado de voltar dos Estados Unidos.
Ela havia vivido um grande incidente em Nova Iorque, em 2001, dez anos antes. Naquele momento, crianças com parceiros Digimon de todo os Estados Unidos se reuniram e ajudaram no resgate de pessoas sob os escombros.
Embora Koushiro tivesse se comunicado com eles online, ele não tivera a oportunidade de conhecer seus amigos americanos pessoalmente até então. Era desnecessário dizer que os Digimon possuem poderes que humanos comuns não têm. Por isso, eles se reuniram na esperança de poder ajudar de alguma forma.
“Talvez, olhando de forma geral, não tenha feito tanta diferença… mas o importante foi que todos tentaram fazer o que podiam. Foi isso que a Mimi-san disse.”
Mimi estava ansiosa, sentindo que também precisava fazer algo naquele momento.
No entanto, os Digimon de todos eles estavam justamente no DigiMundo naquela época.
Os Digimon não podem permanecer no mundo humano por muito tempo; aos poucos, sua condição física começa a piorar. Por isso, eles precisam retornar periodicamente ao DigiMundo.
Embora existam limites claros para o que podem fazer sozinhos, tudo seria diferente se tivessem seus Digimon com eles. O problema era justamente que não conseguiam entrar em contato com esses Digimon.
Kido Jou defendia uma postura mais cautelosa. Ir naquele momento não mudaria muito o que eles poderiam fazer. Mesmo que fossem atuar como voluntários sem depender dos Digimon, ainda assim precisariam de preparação adequada e meios de transporte. Ir apenas por impulso poderia não só ser inútil, como também atrapalhar. Além disso, no fim das contas, eles eram apenas estudantes.
Enquanto discutiam isso, começaram a chegar notícias sobre os danos causados pelo tsunami.
O poder que eles tinham adquirido através dos Digimon… seria incapaz de fazer qualquer coisa em momentos como aquele?
Eles foram tomados por uma sensação de impotência e frustração.
“Naquele momento… se o Taichi-san ou o Daisuke-kun estivessem aqui, acho que o clima entre todos teria sido um pouco diferente.”
Motomiya Daisuke e Takaishi Takeru tinham ido ao DigiMundo para resgatar Iori e o garoto, enquanto Yagami Hikari dava suporte à operação.
“Quando finalmente conseguimos voltar, todo mundo estava meio abatido…”
Taichi lembrava daquilo com uma expressão um pouco complexa. Ele e Yamato também tinham passado por situações difíceis naquele período — mas isso já era outra história.
“E então… aquele desastre.”
“Isso, isso. Independente de vocês, Taichi-san, seria impossível alguém no Japão não saber disso — ainda mais estando em Tohoku.”
“Mas ele disse que não sabia.”
Miyako estava falando sobre a pessoa que havia aparecido ali no dia anterior.
“E não foi só isso… tem várias coisas estranhas nele. Ou melhor, coisas que chamam atenção, como se estivessem meio fora do lugar.”
“Mas, ainda assim, não foi a primeira vez que você encontrou esse cara, foi?”
“Foi por volta desta época no ano passado… só uma vez. Bem, ninguém da geração de vocês, Taichi-san, chegou a encontrar essa pessoa, certo?”
Os únicos que tinham tido contato com esse indivíduo eram Miyako, Daisuke, Takeru, Ken, Hikari e Iori.
“Nós também não o vimos mais depois daquela vez… e agora que ele apareceu de novo, tem algo estranho.”
As memórias do encontro do ano passado divergiam bastante entre o grupo e o próprio rapaz.
“Eu, o Daisuke-kun e os outros lembramos mais ou menos da mesma coisa… só ele que conta uma versão diferente. Mas também seria estranho simplesmente ignorar isso só porque somos maioria. E, pelo que ele diz, nem conseguimos encontrar o endereço do lugar onde ele supostamente vivia.”
“Então foi por isso que o Takeru levou ele até lá… até Tohoku?”
“Sim, porque o irmão mais velho do Jou-senpai mora naquela região.”
“Ah, o Shuu-san. O Takeru parece se dar surpreendentemente bem com ele.”
“Bem… não foi só por isso que o Takeru-kun decidiu levá-lo até lá.”
2
Embora a neve já tivesse diminuído bastante, Aomori ainda estava fria.
Saindo do carro que haviam parado um pouco mais acima da cidade, em direção à montanha, Shuu — o irmão mais velho de Kido Jou— pisou em um campo vazio e se virou.
“É aqui mesmo, certo?”
O endereço que você mencionou… o lugar onde disse que morava.
Comparado a Jou, que ainda mantinha um ar um tanto frágil e desajeitado, Shuu era mais robusto e também mais alto. Seu casaco, apesar de parecer leve, tinha uma excelente proteção contra o frio. Era ideal para trabalho de campo. Nos bolsos internos, carregava um caderno grande e resistente, embora isso não fosse perceptível à primeira vista.
Logo atrás dele, Takaishi Takeru também se virou. Sua roupa parecia leve — um casaco fino sobre uma camiseta de manga longa mais grossa —, mas suas botas eram firmes e adequadas.
“Sim… é aqui. Rui-kun?”
O jovem que havia aparecido no instituto no dia anterior, Owada Rui, permanecia parado ao lado do carro, completamente atônito.
Não havia o menor vestígio, naquele campo à frente, de que ali algum dia tivesse existido a casa dos parentes onde ele dizia ter vivido.
3
“Não é só sobre o desastre… as memórias dele de quando conheceu a Miyako e os outros, e até mesmo as lembranças anteriores de Hikarigaoka, já eram estranhas desde o início.”
Depois de finalmente sair do laboratório e ir até a sala de recepção, Izumi Koushiro tomou um gole de chá e começou a explicar.
“Ele disse que sempre viveu em Hikarigaoka, não foi?”
Taichi estava tomando café. Na verdade, preferia estar bebendo uma cerveja, mas decidiu esperar até ouvir toda a explicação de Koushiro. Enquanto escutava, ainda pensava se sequer havia cerveja naquele instituto.
“Isso. Até dez anos atrás, em 2003. E mesmo assim… ele diz que a primeira vez que viu um Digimon lutando foi na primavera daquele mesmo ano, pela televisão.”
Um ano antes, quando Rui encontrou Miyako, Ken e Daisuke pela primeira vez, um enorme Digitama havia aparecido perto da Tokyo Tower.
Rui e Daisuke entraram naquele Digitama.
“E então ele viu a Hikari e eu quando éramos pequenos.”
Dentro do Digitama, Daisuke havia assistido a imagens do passado de Hikarigaoka.
“Por isso, o Daisuke-kun achou que o mundo dentro daquele Digitama era Hikarigaoka em 1995.”
Depois disso, ele também viu cenas da família de Rui e do momento em que Rui conheceu um Digimon.
“Mas ele não sabe nada sobre o Greymon e o Parrotmon.”
“A próxima lembrança que o Rui-kun tem envolvendo Digimon que não têm relação direta com ele são notícias de Odaiba — a batalha contra Armagemon, na primavera de 2003. Nesse intervalo, ele não sabe nada sobre a luta entre Mammothmon e Birdramon em Hikarigaoka no verão de 1999, nem sobre outro confronto que também aconteceu lá no fim de 2002.”
“Isso já parece forçado demais. Nessa época ele já devia estar no final do ensino fundamental, não? Ou ele não estava realmente em Hikarigaoka… ou estava em uma versão de Hikarigaoka de outro mundo.”
“Também há outra interpretação possível.”
“Ah é? Qual?”
“O Ukkomon de que o Rui-kun falou… a habilidade de conceder a todas as pessoas um Digimon parceiro.”
Segundo Rui, o Digimon que se tornou seu parceiro em 1995, Ukkomon, decidiu realizar o desejo dele dando um Digimon parceiro a toda a humanidade.
“É uma capacidade grande demais para um Digimon comum… mas nós também não conhecemos tudo sobre os Digimon, então não é impossível. Ainda assim, isso é apenas algo que o Rui-kun ouviu — não há nenhuma evidência que sustente.”
Depois de acrescentar que nem mesmo era certo se Ukkomon poderia ser considerado um Digimon “comum”, Koushiro continuou:
“Sabemos que existe um mundo onde desejos podem ser realizados… ou melhor, materializados.”
No final de 2002, o lugar onde Daisuke e os outros enfrentaram BelialVamdemon era exatamente esse tipo de espaço.
Algo parecido também era lembrado por Koushiro e os outros. Quando foram ao DigiMundo pela primeira vez, ocorreram fenômenos estranhos — como um computador ligar em um lugar sem qualquer fonte de energia, ou um chapéu macio se tornar rígido. Ainda assim, dentro de toda a natureza misteriosa do DigiMundo, isso não parecia tão fora do comum.
“Essa ideia de realizar desejos é muito vaga… mas, se for algo no nível de criar Digimon, não dá para dizer que seja totalmente impossível.”
Eles já tinham encontrado diversos Digimon com habilidades muito além do que se poderia imaginar.
“Mas isso provavelmente exigiria uma quantidade absurda de energia. E, se for para produzir em massa, então seria um trabalho completamente fora de escala. Não parece algo que um único Digimon conseguiria fazer.”
“Seria mais plausível alguém simplesmente fazer o Rui-kun acreditar que foi ele quem fez isso.”
“Então ele foi enganado?”
Depois de dizer isso, Taichi percebeu que essa explicação também soava um pouco estranha.
Se a ideia fosse de engano, então fazer Rui acreditar que o aumento dos parceiros Digimon era resultado de seu próprio poder seria parte disso. No entanto, naquele momento ainda não existiam Digimon assim. Seria necessário prever com certeza que eles aumentariam depois.
“Talvez… as memórias dele tenham sido ligeiramente alteradas.”
“Alteradas em quê?”
“Primeiro, na linha do tempo.”
“Daqui em diante é só uma hipótese”, continuou Koushiro.
Em vez de saber que os Parceiros Digimon ainda iriam aumentar, se alguém já soubesse que eles estavam começando a aumentar, seria mais fácil prever que continuariam crescendo depois.
Uma das coisas mais difíceis de alterar nas memórias de Rui seria sua data de nascimento: 29 de fevereiro, um ano bissexto. Como ele é da mesma turma que Daisuke e os outros, deveria ter nascido em 1992.
“Mas se isso estiver deslocado em um ano, ele passaria a ter nascido em 1996. Se esse for o caso… algumas coisas ficam muito mais fáceis de explicar.”
Se ele tivesse nascido em 1996, não haveria nada de estranho em ele não saber nada sobre 1995 ou 1999. O caso de 2002 no fim do ano ainda seria ambíguo, mas mesmo assim ele teria apenas seis anos.
“Então o que o Daisuke viu em 1995, aquele cenário de Hikarigaoka…”
“Se o Daisuke foi usado como testemunha para aplicar um truque em nós…”
“Um truque?”
“Antes de mais nada, aquilo que ele viu dentro do Digitama era apenas uma projeção de imagens do passado. E parece que os materiais foram selecionados justamente para serem vistos pelo Daisuke-kun.”
“As notícias sobre a batalha contra o Armagemon em 2003 provavelmente ele realmente viu na televisão. Talvez tenha sido isso que desencadeou o aparecimento de Ukkomon, e então Ukkomon surgiu diante do Rui-kun… o que pode ter levado à alteração de suas memórias.”
“Mas essa hipótese não tem nenhuma prova, certo?”
“Há mais uma coisa que sabemos com certeza sobre as memórias do Rui-kun: seus pais não estão vivos. E isso envolve um caso com possível natureza criminal — se pesquisar, você vai encontrar registros.”
Koushiro operou um tablet com o símbolo de um abacaxi e exibiu uma matéria de jornal de 2003.
O artigo relatava que os corpos de um homem acamado e de sua esposa, exausta pelo cuidado constante, foram encontrados. O filho único deles havia sido localizado com ferimentos nos olhos, mas ainda vivo.
“Não há mais registros de continuação, então não sabemos os detalhes.”
O fato de o filho ter ferimentos sugere que pode ter havido uma tentativa de homicídio seguido de suicídio.
Na memória de Rui, isso teria ocorrido quando ele tinha onze anos. Mas, se isso recuar quatro anos, ele teria apenas sete — e o impacto psicológico seria imensamente maior. Nesse momento, também seria muito mais fácil manipular suas memórias.
Talvez Ukkomon tenha sido apresentado a ele como algo que sempre esteve ao seu lado desde muitos anos antes.
“E então ele teria sido induzido a ir para o mundo que era a casa dos pais em Tohoku, vivendo de uma forma que disfarçava a diferença de idade em relação a este mundo. Claro, como eu disse antes, também existe a possibilidade de que a versão dele esteja correta — de que ele realmente veio de um mundo assim. As duas hipóteses têm o mesmo peso.”
Mas não havia um fator decisivo.
“Só que, para nós, dentro deste mundo, é mais fácil aceitar uma explicação que justifique por que ele não sabia nada sobre os eventos de 1999…”
Miyako escutava com admiração. Quando Taichi e Koushiro conversavam, o ritmo era rápido demais; ambos tinham raciocínio ágil e alta capacidade de compreensão. Se não tomasse cuidado, era fácil ficar para trás.
Finalmente surgiu a oportunidade de acrescentar um ponto.
“Eu achei que o Rui-kun parecia bem mais magro do que alguém da mesma série do Daisuke-kun e do Ken-kun… Se ele for mais novo que o Iori, isso faria mais sentido.”
“Então ele acha que tem mais de vinte anos…”
Taichi ainda não tinha visto Rui pessoalmente. E outra dúvida começava a surgir em sua mente.
Por que Ukkomon teria feito aquilo…?
4
“Há uma lenda chamada Mayoiga.”
Enquanto dirigia, Kido Shuu continuava explicando.
“Ela ficou conhecida pelo Tono Monogatari, de Yanagita Kunio, mas é uma história que aparece em toda a região entre Kanto e Tohoku.”
Uma casa ilusória que aparece nas montanhas.
“Não é exatamente isso, mas o lugar onde fomos antes… Hachinohe, em Aomori. Você conhece os nomes dessas cidades, certo? De Ichinohe, Ninonohe, Sannohe, depois Yononohe, e assim por diante até Hachinohe, Kunohe… e o último, Tonohe (Herai). ‘Herai’ lembra ‘Hebrai’, não lembra? Existe até uma teoria de que Cristo teria vindo ao Japão…”
“Shuu-san.”
Takeru interrompeu do banco traseiro.
“Ah, tudo bem, tudo bem. Eu não vou fugir do assunto.”
“Entre Ichinohe e Kunohe, existe uma lacuna curiosa: não há ‘Shinohe’ (Quatro-Nohe). Depois de Sannohe, o próximo nome já passa para Gonohe.”[1]
“Eu morava em Shinohe”, Rui havia dito.
“Parece que esse nome teria desaparecido no período Edo. A explicação mais aceita é que foi apenas uma divisão administrativa de território que acabou apagando o nome. Existe uma justificativa histórica para isso… mas ainda assim dá uma sensação estranha, não acha?”
Ele continuou:
“Além disso, mesmo hoje em dia ainda aparecem relatos — ou melhor, testemunhos de experiências — sobre esse tal ‘Shinohe que não deveria existir’. Essa foi uma das razões desta nossa investigação.”
Shuu era um pesquisador de folclore, acostumado a investigações de campo sobre tradições e lendas.
“Você acabou de virar assistente, e já está tão ocupado assim.”
“O salário é baixo também. Por isso não consigo trocar esse carro nem tão cedo.”
“Mas mesmo assim…”
Takeru comentou, ainda um pouco preocupado com Rui.
“Realmente não havia nada ali em Shinohe, não é?”
“Além da área que vimos antes, há também as ruínas de um castelo chamado Shinohe-jo. Como fica no caminho, vamos passar por lá de qualquer forma.”
5
“Entendo. Então já conseguimos entender um pouco sobre o Rui.”
A conversa de Taichi e dos outros continuava na sala de recepção do instituto.
“Mas, se falarmos apenas do problema das memórias…”
Koushiro disse, mantendo o olhar um pouco baixo.
“Na verdade, nós também não nos lembrávamos muito de 1995, sabe.”
“Bem, faz sentido. Eu mesmo ainda estava no primeiro ano da escola primária.”
Taichi e os outros só haviam recuperado aquelas lembranças de forma repentina quando voltaram a Hikarigaoka em 1999.
Miyako também se lembrava do que Ken havia dito.
“O Ken-kun também fala que não consegue se lembrar muito bem da época em que estava… no lado errado. Mas ele diz que também há coisas antes disso…”
Pelo que parecia, Ken certa vez comentou com Miyako que tinha a sensação de ter lutado ao lado de outro garoto com um Digimon parceiro.[2]
Koushiro também tinha a impressão de já ter ouvido algo parecido.
“Isso é realmente um problema de memória… ou será que…”
Uma mulher que havia saído do laboratório entrou na conversa.
“…eles vieram de um mundo exatamente como o das memórias deles para este mundo atual?”
“Ah, Menoa-san também está numa posição parecida, né?”
Ao lado de Miyako, a mulher de cabelo curto chamada Menoa — vestindo o mesmo uniforme de trabalho do instituto de Koushiro — sentou-se e continuou a falar.
Assim como Rui, ela também era alguém que possuía memórias diferentes das de Taichi e dos outros.
Ela tinha a mesma idade de Taichi, mas se tornou uma professora universitária nos Estados Unidos, pesquisando Digimon. E acabou envolvida em uma das batalhas que também afetaram Taichi e os demais. Apenas ela se lembrava disso.
“Mas no mundo que eu me lembro…”
Ela fez uma pausa.
“A maior diferença… claro, é se MorphoMon existia ou não.”
“O Digimon parceiro da Menoa-san…”
“Uma pessoa que conseguiu, junto com esse Digimon, até dar um salto acadêmico e virar professora universitária… e nesse mundo o Izzy nem sequer percebeu a existência dela.”
“Por favor, pare de me chamar de ‘Izzy’…”
Koushiro finalmente conseguiu intervir.
“Ah, é verdade. Desculpe, senhor presidente.”
“E esse ‘presidente’ também não…”
“Isso, isso, neste mundo ele é o diretor do instituto. Mas na minha memória, o Izzy… ou melhor, Izumi Koushiro, era o presidente de uma empresa. Ainda não me acostumei.”
Era óbvio que ela fazia de propósito, mas esse parecia ser mesmo o jeito de Menoa.
“E não era só você, Menoa-san, que dizia que o Izumi-senpai era presidente.”
“Diretor ou presidente… não havia como uma pessoa como eu não ser notada ou desconhecida por ele. Pelo menos na minha memória, isso era impossível. Depois de trabalhar aqui com ele, entendi isso ainda mais claramente. A capacidade dele de coletar informações é de outro nível.”
“Bem, este próprio instituto só pôde ser fundado graças à Menoa-san.”
Koushiro dizia isso talvez como forma de disfarçar a própria timidez. Na prática, metade do capital inicial de criação havia sido financiado por Menoa, e, na realidade, ela era praticamente uma cofundadora. Ainda assim, quem ocupava oficialmente o cargo de diretor era Koushiro — e isso também foi ideia da própria Menoa.
“Seja virar presidente ou não, eu já estava ganhando dinheiro com royalties de patentes como no mundo das minhas memórias, então essa parte não está errada. Mas além disso…”
Menoa havia parado de falar tanto sobre o passado, mas a chegada de Rui pareceu trazer à tona algumas lembranças. Depois de citar alguns exemplos — como a existência de um assistente suspeito e outras partes até mesmo nebulosas em sua própria memória — ela continuou:
“O mais estranho é que eu não consigo me lembrar de como tive certas ideias… ou de como cheguei a certas conclusões.”
Menoa baixou levemente o olhar.
“Coisas como: ‘quando você cresce, suas possibilidades se estreitam’…”
“Mas, falando nisso…”
Taichi interrompeu a conversa.
“Seu japonês melhorou muito, Menoa.”
“Não é?”
Menoa respondeu com um sorriso.
“Isso mesmo, não é só o diretor… vocês também, Taichi e os outros.”
Yamato, Jou, Mimi — e Sora, mesmo que naquela época ela não estivesse presente.
“As pessoas que eu conhecia, as pessoas das minhas memórias… e vocês de agora têm uma diferença decisiva. O mesmo vale para Daisuke e Miyako. Isso foi algo que eu também disse ontem, quando ouvi a história do Rui-kun.”
6
“Se fossem as pessoas daqui, naquela época…”
Menoa havia dito isso a Rui no dia anterior.
No momento em que ele colocou um ponto final na situação envolvendo aquilo que deveria ter sido seu próprio Digimon parceiro.
“Com certeza teriam buscado outra solução. Provavelmente também fariam isso no seu caso.”
Rui se lembrava dessas palavras.
Na área das ruínas do Castelo de Shinohe — também chamado de ruínas do Castelo de Kindaichi — não havia nenhum vestígio de que ele tivesse realmente vivido ali.
Então… onde ele esteve até agora?
O que aconteceu no ano passado, quando encontrou Daisuke e os outros e aquilo ocorreu… até que ponto aquilo era real?
Ou melhor… quanto das memórias da época em que acreditava que seus pais estavam vivos era de fato verdade?
Enquanto ele pensava nisso, Takeru se aproximou e falou:
“Quando eu conheci o Patamon, meu parceiro Digimon, pela primeira vez…”
“Foi exatamente assim.”
Ele viveu muitas experiências diferentes. No entanto, neste mundo, tudo aquilo havia durado apenas alguns dias.
“Na minha percepção pessoal, parecia ter sido mais de meio ano… ou até mais. Tinha uma diferença enorme. Depois disso, por um tempo, eu nem conseguia conversar direito com os colegas da minha classe.”
Talvez a mudança tenha sido mais psicológica do que temporal.
“Eu ficava pensando coisas como… ‘será que aquilo tudo foi um sonho?’ Mas não, não podia ser um sonho… e, no fundo, eu nem queria que fosse. Foi difícil em muitos momentos, mas também houve coisas boas.”
“Ah… se não se importar…”
Rui falou pela primeira vez em várias horas.
“Você poderia me contar mais sobre isso?”
“Ah… claro, não tem problema.”
“Temos bastante tempo.”
Shuu falou do banco do motorista.
“De qualquer forma, vamos até Tóquio com esse carro — vai demorar bastante. Talvez nem cheguemos a tempo do jantar.”
“Sim.”
“Além disso, eu só ouvi partes da história pelo Jou e pelo meu irmão. Gostaria de ouvir tudo de forma organizada.”
“Ah, entendi. Então… posso falar do meu ponto de vista. Se isso estiver tudo bem.”
Takeru tomou um gole de água da garrafa PET antes de começar a falar.
“No começo era um acampamento de verão. A escola do meu irmão ia para as montanhas nas férias, e nossos pais acabaram se falando por alguma razão. Foi assim que eu também acabei participando.”
Rui começou a ouvir a história daquele verão que parecia, ao mesmo tempo, longo e curto.
7
“E Genebra, como foi?”
Koushiro perguntou.
Taichi respondeu enquanto apoiava as mãos atrás da cabeça e olhava para cima.
“Ah, aquilo lá… aqueles velhotes espertalhões. Mas bem, a família da Catherine-san ajudou a contornar a situação.”
Catherine era uma mulher que Taichi conheceu no final de 2002, quando foi a Paris pela primeira vez. Ela tinha Floramon como Digimon parceiro e parecia vir de uma família com influência no meio político e econômico francês.
Taichi havia acabado de voltar após ser chamado como testemunha para uma comissão de direitos humanos da ONU.
O número de crianças com parceiros Digimon crescia em ritmo de duplicação a cada ano.
Quando ainda eram poucos, foi possível criar áreas de convivência dentro de propriedades de famílias ricas de Partner Humans — especialmente nos Estados Unidos e na Índia — usando grandes jardins e fazendas como locais de moradia.
Antes que a atenção pública se tornasse inevitável, esses espaços foram gradualmente sendo transferidos para o próprio DigiMundo.
Provavelmente, o DigiMundo tinha uma extensão semelhante à da Terra. Nele não havia humanos, mas existiam diversas estruturas utilizáveis. Dependendo da localização, era possível acomodar um grande número de pessoas sem problemas de moradia, água ou alimento.
Embora houvesse casos em que Digimon perigosos se aproximavam dessas áreas, ali estavam apenas crianças acompanhadas por seus parceiros Digimon. No mínimo, sua própria segurança podia ser garantida.
Assim, surgiram algumas zonas de proteção. E, com o passar das gerações após Daisuke e os outros, aqueles que já estavam na faixa da universidade passaram a se revezar na administração desses locais.
Como esses jovens também não viviam constantemente com seus parceiros Digimon, havia um aspecto positivo: podiam ir ao DigiMundo com frequência e passar tempo com eles, o que trazia satisfação.
Com o aumento do número de crianças resgatadas, as atividades de resgate de Taichi e dos outros começaram a atrair atenção, ainda que de forma discreta.
Do ponto de vista da sociedade humana, surgiram até suspeitas de que eles seriam sequestradores. Nesse contexto, houve contato da ONU, e Taichi acabou indo como representante a uma reunião secreta do comitê de direitos humanos.
E, de alguma forma, conseguiram o reconhecimento da ONU — ainda que de forma não oficial.
“Mas, ficar lá tendo que usar roupa formal o tempo todo também era bem sufocante…”
Agora Taichi estava com seu habitual visual descontraído de moletom.
“E ainda tinha toda a parte de ter que ficar parado no avião na ida e na volta por horas…”
“Pois é, normalmente vocês sempre vão e voltam pelo portal do DigiMundo, né.”
Miyako respondeu, pensando que, apesar de ele reclamar como se fosse um incômodo, no fim era bem a cara do Taichi conseguir lidar com aqueles adultos complicados e dar um jeito neles.
“Mas voltando àquela história…”
Taichi direcionou o olhar levemente para Koushiro e Menoa.
“Já perdeu a conta? Quantas pessoas vieram dizer que tinham parceiros Digimon antes de nós?”
“Pessoalmente que encontramos, cinco. Só ouvimos falar de mais três… não, talvez quatro.”
“Não é muito preciso pra alguém como você, Koushiro.”
“É que, somando tudo, passa de oito pessoas. Nossa geração tem oito. Mas, ao calcular pelo aumento posterior, o número antes disso deveria ser sete.”
Koushiro fez uma pausa, como se o próprio dado não encaixasse completamente.
Koushiro e Taichi haviam encontrado os Digimon em 1999. Naquele ano, apenas os oito deles surgiram como novos PHs (Partner Humans). Depois disso, o número vinha dobrando a cada ano: em 1998 eram quatro, no ano anterior dois, e em 1996 apenas um — totalizando sete pessoas no passado.
“Mas se o número passa de oito, então a conta já não fecha… e, além disso, até o próprio ano em que dizem ter conhecido os Digimon já é estranho.”
“Foi por isso que o Izzy sugeriu a hipótese de que talvez nós tenhamos vindo de mundos paralelos.”
Menoa completou a ideia.
“Pode ser que eu e as outras pessoas também venhamos de mundos diferentes entre si.”
“Se dizem que o primeiro encontro com Digimon foi antes de 1995, isso entra em conflito com o que temos aqui.”
O exemplo citado por Koushiro não se referia a Menoa ou Rui, mas a outras pessoas.
“E se forem quatro pessoas, isso complica ainda mais.”
“Na prática, só uma pessoa realmente afirma isso.”
E uma dessas “quatro pessoas” de que Taichi falava estava, naquele momento, em um quarto de hospital, ao lado de outra pessoa que dormia profundamente.
8
Um sanatório localizado em uma colina em uma península na província de Kanagawa. Cercado por floresta e um tanto isolado da cidade, poucas pessoas o visitam. Embora seja chamado de “sanatório”, trata-se apenas de um nome informal; o local possui um nome oficial de hospital, mas, há muito tempo, os idosos que frequentam o lugar continuam chamando-o assim.
Apesar de o prédio ser relativamente pequeno, há quartos de internação. No entanto, há dois anos, apenas um único homem permanece ali, deitado em uma cama, em estado de inconsciência contínua.
“O quê? O que você acabou de dizer?!”
Himekawa Maki apertava o botão do chamado de enfermagem enquanto falava com o homem na cama, Nishijima.
A porta do quarto se abriu de repente, e uma enfermeira de cabelo arrepiado, mal preso sob uma touca, entrou apressada.
“O que aconteceu?”
“Ele falou agora. Parece que recuperou a consciência.”
“Vou chamar o médico!”
A enfermeira saiu apressada, mas a consciência de Nishijima não voltou imediatamente.
Aquele homem, Nishijima, teria sido o professor da turma de Taichi quando eles estavam no ensino médio. Mas aquela era apenas uma identidade falsa; na verdade, ele era um investigador ligado a uma agência governamental. Ele também já tivera um parceiro Digimon.
Após o longo incidente em que Taichi e os outros se envolveram, ele deveria estar morto.
Quem contou isso foi a mulher de roupa simples que vinha acompanhando-o o tempo todo, Himekawa Maki. Ela também pertencia à mesma organização e igualmente tinha tido um parceiro Digimon. Segundo ela, havia mais três pessoas — ao todo cinco “Digiescolhidos”.
Mas o que Maki relatava sobre o passado entrava em conflito com a hipótese de Koushiro.
Mesmo que o número de cinco pessoas antes da geração de Taichi estivesse correto, havia um problema: a diferença de idade era grande demais, superior a cinco anos.
Alguns anos atrás, Himekawa havia desaparecido na escuridão, e sua memória havia sido interrompida naquele ponto. Quando sua consciência retornou, não havia mais qualquer registro de uma organização à qual ela pertencesse — mas ela descobriu que Nishijima, que acreditava estar morto, ainda estava vivo. Porém, ele estava em estado de coma.
Ao relatar tudo o que sabia no hospital onde ele estava, não ficou claro por qual caminho a informação se espalhou, mas acabaram sugerindo que ela fosse transferida para aquele sanatório. Ela mesma passou a alugar um pequeno quarto nas proximidades e a visitá-lo regularmente.
Ela não sabia se suas memórias eram reais ou se havia sido deslocada para outro mundo muito semelhante. De qualquer forma, a chave para entender tudo estava em Nishijima — e apenas o fato de ele despertar poderia trazer respostas. Assim, ela apenas esperava por esse momento.
O sanatório não era antigo apenas em sua estrutura; o próprio diretor era bastante idoso. O médico jovem que havia vindo junto com Nishijima assumira a posição de vice-diretor e mantinha o funcionamento principal do local.
“É sério isso, Motomiya-kun?”
Kido Shin, o irmão mais velho de Kido Jou e vice-diretor do sanatório, girava parcialmente na cadeira, olhando de lado sem se levantar.
Ajustando levemente o ângulo de seu gorro de enfermeira — um acessório que já era pouco visto hoje em dia —, Motomiya Jun, irmã de Motomiya Daisuke, respondeu.
“É verdade mesmo!! É o quarto 104, rápido—”
“Antes disso.”
Shin apontou para um canto da sala.
“Você pode pedir para o seu Digimon não ficar andando por aí?”
“Ah~~~ Codochan!”
Jun pegou o Digimon no colo.
“Mesmo que quase não venham pessoas aqui, ainda assim tem pacientes que se assustam ou ficam incomodados, e começam a surgir rumores estranhos…”
“Sim, sim, eu entendi!”
“Não é que ele seja um mau Digimon, é só… a aparência dele, sabe.”
Era um Digimon ainda pequeno, mas com formato de aranha.
“Isso! Ele não é um mau garoto! Então fica quietinho aqui, tá?”
Jun o escondeu debaixo de uma prateleira e fechou a tampa. Quando se virou novamente, Shin já estava com um smartphone na mão.
“De qualquer forma, preciso entrar em contato com Jou.”
9
“Ele disse pra eu ir direto para o sanatório.”
Kido Jou falou com Gomamon dentro da grande bolsa que carregava.
“Bem, se foi o Shin nii-san que chamou, não tem muito o que fazer, né? Mas… pra quê será?”
“Parece que o Nishijima-san pode ter acordado.”
“Aquele cara que estava em coma esse tempo todo?”
“Bom, hoje nem está tão corrido assim, então até que foi bom.”
Jou era médico residente. Como trabalhava no hospital do pai, tinha certa flexibilidade — ou melhor, seu pai organizava as coisas de forma a facilitar esse tipo de deslocamento, pensando nele como um dos Partner Humans e tentando dar algum suporte dentro do possível.
“Queria chegar antes do anoitecer…”
Ele ajustou a bolsa no ombro e seguiu em direção à estação.
10
“Disseram que o Nishijima-san recuperou a consciência.”
Em uma das áreas de proteção existentes no DigiMundo — uma construção de concreto isolada em um planalto tranquilo — Takenouchi Sora falou isso para Yagami Hikari.
Sora vestia um boné esportivo azul, camiseta de manga longa em tom rosa claro sobre outra camiseta, além de jeans e um casaco de manga longa amarrado na cintura. Tudo parecia preparado para ser emprestado a alguém caso fosse necessário em uma emergência.
Hikari usava um moletom tipo vestido, com um Digivice dentro de uma pequena bolsa presa ao corpo. À primeira vista era simples, mas por baixo havia uma blusa de três quartos e um short saia, então até mesmo o vestido poderia ser usado como manta se precisasse.
O edifício onde estavam parecia pequeno de longe, mas ao se aproximar revelava-se surpreendentemente grande — como se várias construções diferentes tivessem sido unidas.
Os três irmãos que tinham Shakomon como Digimon parceiro, vindos de Hong Kong, disseram que o lugar parecia uma espécie de “edifício labiríntico em ruínas” que eles conheceram antes de terem idade para se lembrarem, e passaram a chamá-lo assim.
“Cidade Murada de Kowloon.”
A construção lembrava isso.
O trabalho de trazer água de um grande lago localizado um pouco acima do planalto teria exigido normalmente muitas pessoas, mas graças ao esforço dos três irmãos e dos Shakomon, foi concluído em um período surpreendentemente curto.
Isso acelerou o transporte de crianças do mundo real para essa área de proteção.
Era algo que ocasionalmente acontecia no DigiMundo: aquele prédio também podia utilizar energia de origem desconhecida, cuja procedência ninguém conseguia explicar bem.
Graças a isso, cerca de trinta pessoas que viviam ali podiam levar uma vida relativamente estável.
No entanto, como a estabilidade ainda era questionável, foram instalados painéis solares e baterias de armazenamento, além de um computador para comunicação com o mundo real, que ficava naquela sala.
“Parece que ele voltou ao normal bem rápido…”
“Se for sobre o Nishijima-san, acho que é melhor avisar a Mei-san.”
“É verdade… afinal, eles são do mesmo grupo.”
Mochizuki Meiko, conhecida como Mei, tinha a mesma idade de Sora. Ela não possuía um parceiro Digimon, mas havia se estabelecido nessa área de proteção e cuidava das crianças que viviam ali.
Ela tinha memórias em comum com Himekawa Maki e Nishijima Daigo. Segundo essas lembranças, eles teriam vivido diversas experiências junto com Taichi e os outros. Porém, Sora e Hikari não possuíam nenhuma recordação disso.
“Então… vou chamá-la agora.”
“Ah, espera. Sobre o Nishijima-san…”
Sora a interrompeu.
“Só… transmite uma coisa pra ele. O Nishijima-san disse…”
Sora parecia hesitar — algo raro, o que Hikari percebeu imediatamente. E logo entendeu o motivo.
“O Oceano Negro…”
“Isso… quer dizer… o Oceano Negro mesmo… não é…?”
Hikari não conseguiu se mover de imediato.
11
“Se for aquele oceano…”
Rui, que até então apenas ouvira a longa conversa dentro do carro, finalmente falou.
“Eu acho que também já fui lá. Ou melhor… tenho a sensação de que fui. Não consigo lembrar com clareza.”
A história que Takeru contava — sobre sua experiência na infância — já se situava no segundo grande incidente, em 2002. Era um período que ia da primavera até o fim do ano. Agora, no início do verão, ele falava sobre quando foram a um lugar que não era o DigiMundo comum.
“Eu também só fui lá uma vez, na prática… mas fiquei com uma sensação muito ruim o tempo todo. Naquela época, o portal se abriu de um jeito totalmente irregular.”
Uma cidade à beira-mar envolta em névoa constante, como se estivesse sempre sob uma luz apagada.
“Não fomos só eu e a Hikari-san… o Ken também teria ido antes disso, mas ele também diz que não lembra direito. Acho que o Daisuke e os outros só viram através do portal, não chegaram a atravessar de verdade.”
“Um lugar que não é aqui… e também não é o DigiMundo. Será que existem outros mundos assim?”
“Talvez a cidade onde você deveria ter vivido também faça parte disso.”
Shuu entrou na conversa a partir do banco do motorista.
“Se for isso, até fico um pouco com inveja. Eu só fui uma vez ao DigiMundo… e mesmo assim foi bem rápido.”
Rui ficou surpreso.
“Eh? Shuu-san também foi ao DigiMundo?”
“Sim, mas foi coisa de nada. Bem pouco mesmo.”
“Shuu-san, essa história vai complicar as coisas. Melhor deixarmos isso pra depois.”
Takeru puxou a conversa de volta ao rumo principal.
“Posso continuar a história? Naquele Oceano Negro tinha um Digimon bem estranho… ou melhor, nem sei se aquilo era realmente um Digimon.”
A fala de Takeru era calma, quase tranquila demais, como se estivesse escondendo algo por trás disso. Mas Rui apenas continuou ouvindo em silêncio.
A história que Takeru contava — sobre Taichi, Agumon e os outros — era suficientemente envolvente para prendê-lo por completo.
Mas então… e ele?
E aquilo que ele próprio havia vivido.
E suas memórias.
(Escute mais um pouco.)
Uma voz soou dentro da sua cabeça.
(Vai chegar um momento de pausa. Fazer perguntas depois disso ainda vai ser cedo demais.)
Essa não era a primeira vez. Há alguns dias, aquela voz vinha aparecendo de tempos em tempos — e foi guiado por ela que Rui acabou indo até o laboratório de Koushiro.
“Quem… é você?”
(Olha, agora é a melhor parte. Você vai entender sobre Ichijouji Ken.)
Era isso mesmo. Até então, o Ken que aparecia na história de Takeru era bem diferente do Ken que Rui conhecia — alguém sempre calmo, gentil, quase distante de qualquer conflito.
E agora essa diferença parecia prestes a atingir um ponto de virada importante.
As perguntas poderiam esperar.
Rui apenas ouviu.
[1] O trecho explora um jogo de palavras baseado na sequência numérica presente em topônimos com “-nohe” na região de Aomori. A ausência de “Shinohe” (四戸) se relaciona à leitura “shi” (morte), frequentemente evitada em japonês. Além disso, “Herai” é associado foneticamente a “Hebrai” (hebraico), sugerindo de forma especulativa uma conexão com lendas locais sobre a vinda de Cristo ao Japão.
[2] Ichijouji Ken, de Digimon Adventure 02, aparece em Digimon Adventure 02: Tag Tamers em uma versão anterior à de sua fase como Imperador Digimon, sendo retratado ainda como um gênio solitário e batalhando contra Ryo Akiyama.
O texto completo em japonês está no blog do Kakudou e pode ser encontrado aqui.
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So re: that time I went off the rails trying to figure out how long Adventure took place- we now have an answer in the 13+ notes. The answer is "six months or longer". There are multiple reasons these notes are suspect in regards to Adventure (not the least being they are technically non-canon). But as this timespan makes more sense than me throwing my computer out the window, six months is what I'll use for fics and things going forward.
(Also TK is in a world of mental suffering- send help)
I made a terrible mistake in forcing myself to draw again instead of resting, but I just wanted to draw the cute contrasting Ken and Wormmon moment from Beyond Part 2 ;w; CACKLING over here at how Ken's all :( and then immediately see Wormmon clearly not in the same mindset LMAO.