CONFRATERNIZAR, NÃO INVEJAR
Confraternizar! Que verbo é esse? O que significa confraternizar? Ora, significa congregar fraternalmente! Nas festas de final de ano exercemos fraternidade. Nos reunimos com familiares, amigos e colegas para essas comemorações. Momentos gratos com seres que nos são tão amorosos, que nos fazem tão bem e que são tão agradáveis aos nossos espíritos!
É demonstração convivial de camaradagem, familiaridade e amizade. É um momento em que festejamos irmãmente com outras criaturas queridas as boas experiências que nos foram legadas pelo ano que está passando, e onde louvamos para que o ano seguinte seja ainda melhor.
Mas será que todas os que se fazem presentes nessas reuniões estão imbuídas de espíritos fraternos? Às vezes constatamos decepcionados que pessoas que, mesmo se encontrando em convívios fraternos, desconhecem o espírito da fraternidade. Para essas criaturas tais momentos são apenas de encontros informais para comer, beber e falar mal das vidas dos outros. Em algumas constatamos olhares desgostosos provocados pela felicidade de outras. São olhares invejosos, próprios de inquilinos de serpentários!
É necessário que exerçamos fraternidade e solidariedade, e que não vivamos as vidas dos outros. Não interfiramos nas vidas dos outros e nem salpiquemos maldades sobre os outros. Pessoas falsas são traiçoeiras, não merecem a nossa confiança nem o nosso respeito. Já dizia o poeta Augusto dos Anjos: a mão que afaga é a mesma que apedreja. Falsidade é isso! Só a aparência de um carinho, mas não é verdadeiro!
À assertiva do poeta podemos acrescentar: a boca que enaltece e elogia é a mesma que calunia e difama, e assim, usemos as nossas palavras somente para enaltecer e elogiar. Se acharmos que não temos motivos para enaltecimentos nem elogios, fiquemos silentes e não profiramos difamações. Por que fazermos afirmações falsas e desonrosas acerca de alguém? Que vantagem vamos colher com essas condutas torpes?
Se as pessoas das quais falamos são desonradas ou se têm condutas antissociais em público, chafurdam na lama social, descuidam-se de suas reputações e não preservam as suas dignidades, essas são opções delas, que experimentarão as consequências dos atos insensatos e infames que praticam. Se rejeitam as mãos que lhes propõem assistência, se não aceitam conselhos e recusam opiniões de sabedoria e prudência, deixemo-las, até que tomem o necessário juízo e se ajustem a momentos mais sóbrios!
Não tenhamos o propósito de enlamear a honra nem a dignidade de ninguém, isso pode causar danos sérios e irreversíveis à vítima e graves consequências para nós, como ofensores. E é agravado quando sabemos que as pessoas ofendidas não merecem as calúnias e as difamações que lhes imputamos ou que divulgamos, mas o fazemos por maldade, somente para caluniá-las, difamá-las, desonrá-las e destruir as suas reputações.
Quando agimos assim, como fica o nosso caráter enquanto matéria e o nosso espírito do outro lado do caminho? Se eu tão somente espalhar notícias desonrosas sobre alguém, mesmo sabendo serem caluniosas, por certo cometerei o crime do art. 308, § 1º do Código Penal. Como vemos, a lei não se aplica somente à causadora da calúnia, mas alcança também a divulgadora. A publicitária do mal também será punida!
Por que temos espíritos tão sórdidos e vis a ponto de produzirmos intrigas repugnantes entre pessoas que não merecem as imperfeições que lhes imputamos? Dentre as pessoas que nomeamos para lhes maldizer a sina, algumas até nos fizeram algum bem em algum momento da vida, mas o nosso espírito presunçoso apagou de nossas lembranças as bondades recebidas. Algumas até se negam a fazerem o bem em retribuição de outro, e optam por fazer o mal. Qual é a explicação? Não sabem agradecer, mas sabem criticar! Será que isso é o que chamamos complexo de inferioridade? Não sei que nome tem, mas é assim que pensam e agem espíritos rasteiros.
Por que não perguntamos a Deus como poderemos ser uma criatura melhor e mais iluminada? Isso não parece mais nobre? Sejamos nobres, então! Quando nos alegramos com a dor dos outros, estamos praticando sadismo! Se nos alegramos por termos causado padecimento a outrem, é outra sádica torpeza! Façamos de nossas alegrias as alegrias de outros. Isso nos confere felicidade, nos torna seres melhores e nos aproxima do Pai. Se conhecemos o caminho que nos aproxima de Deus, por que trilharmos no caminho que nos afasta Dele?
Todos nós, por algum momento, passamos por algumas turbulências em nossas vidas. Cometemos erros, às vezes até na tentativa de acertar, mas quando nos conscientizamos de que erramos, e tentamos virar a página e melhorar as nossas vidas na sociedade, as criaturas sádicas não deixam! Fazem questão de arrancar a casquinha da ferida que já estava quase cicatrizada. Essas criaturas desejam mesmo é que as nossas condenações sociais se perpetuem in saecula saeculorum! São as mercadoras do mal!
Algumas pessoas se esquecem da lei do retorno. O pior é quando essa justa lei atinge um filho, um irmão, o marido, ou... uma pessoa muito querida e com cargas fortes de sofrimentos. Aí o preço é alto! As doenças são os males da carne, e elas se espalham entre nós, e quando somos atingidos logo indagamos: Por que eu? E achamos injusto, pois nenhum mal fizemos para receber tal castigo! É o que pensamos!... Será que podemos dizer que recebemos uma injustiça e achamos imerecida? Claro que não! Essa é a colheita que decorreu da semeadura que fizemos.
Quando enlameamos a vida de alguém com falácias, especialmente em comunidades pequenas, e comentamos sobre as mazelas desse alguém com outras pessoas, esquecemo-nos de que a indigitada “alguém” também conhece as nossas mazelas, e mesmo assim não falam mal de nós! lindo exemplo a ser seguido, não é? Então... Tomemos vergonha e façamos igual!
De propósito procuramos esquecer os males que causamos às outras pessoas! Manchamos as suas reputações por vãs suposições e sem base ou fundamento, mas o fazemos só por maldade e inveja! Isso é muito triste! Devemos consagrar consideração e respeito ao nosso próximo e parar de nos intrometer em sua vida. Também é necessário que sejamos cuidadosos com as nossas vidas, porque cuidar das nossas vidas nos toma muito tempo e nos dá muito trabalho. Se deitarmos falácias sobre as vidas alheias, que tempo nos sobrará para cuidar das nossas? E mesmo se verídicos forem os males que imputamos às outras, que direito temos de fazer isso?
Devemos vigiar as nossas consciências e nos preocupar menos com as nossas reputações. Consciência é a autocrítica, é a autoavaliação, é o que pensamos de nós, mas reputação, não, esta não depende de nós, mas do que as pessoas pensam sobre nós. Se pensam mal, mesmo sem certeza das más condutas que nos atribuem, isso é maldade dos outros, que por certo responderão pelos seus atos insanos!
Queridos irmãos, não vivamos a vida dos outros, mas tão somente a nossa. Não invejemos os outros, mas admiremos os méritos e as qualidades que possuem! Não percamos tempos nos envolvendo negativamente na vida alheia, fazendo comentários danosas e aspergindo peçonhas. O verbo “admirar” é divino, ao contrário do verbo “invejar”, que é diabólico.
É profundamente lamentável quando vemos pessoas caluniadoras e difamantes na fila da comunhão em busca da indulgência divina como se os seus corações estivessem puros. Verdadeiramente não estão! A hóstia, na condição de trigo, chegará aos seus estômagos, mas Cristo não chegará aos seus corações! Elas ficam na fila com olhares de paisagem passando ideia de candura, mas nenhuma pureza existe em seus espíritos! Olhemos bem nos seus olhos quando estiverem na fila rogando indulgência divina! Mas não as reprovemos! Elas entenderão o nosso olhar de reprovação!
Paremos de exaurir as nossas energias com as vidas alheias, odiando pessoas que possuem as qualidades que nós gostaríamos de ter, mas... Não temos! O nome disso é inveja! Copiemos a coragem dessas pessoas, as suas determinações e iniciativas, e por certo alcançaremos também iguais sucessos e seremos como elas. E talvez até melhores! E sem invejá-las! E se alcançarmos qualidades superiores, não as menoscabemos, afinal, elas foram as nossas paradigmas e aspirações em direção ao sucesso.
Se não temos maus procedimentos devemos agradecer a Deus por não termos, nem tampouco espíritos inferiores como os das criaturas que exultam felizes quando expõem as vidas alheias e não assumem os próprios erros, tentam sempre repassá-los a outrem. São criaturas carecedoras de crescimento e de elevação, de florescer e de dar bons frutos. Há espíritos que nasceram para a vida terrena, mas não para a vida do amor ao próximo!
Disse-nos o filósofo Heráclito de Éfeso: “Nossa inveja sempre dura mais que a felicidade daquele que invejamos”. Outro disse: “A inveja é um desgosto provocado pela prosperidade ou felicidade alheia”. E quem não é invejoso diz: “Uma das maiores felicidades de que o ser humano pode possuir é a de ver, sem inveja, a felicidade alheia”.
Que sejamos gentis líderes e não arrogantes chefes, e procuremos não tratar os nossos amigos ou colegas de trabalho com fingidos afagos ou diminutivos enganosos e falsos carinhos. Isso é caráter dubio! Devemos nos dirigir aos nossos colegas pelos nomes que eles têm, e isso nos ajudará a criar em nosso ambiente de trabalho e em nossas vidas histórias lindas com finais igualmente lindos e felizes. O diapasão de nossa voz diz muito de nós!
Que imprimamos paz e harmonia no ambiente em que trabalhamos para não irritar os outros, não azedar o ambiente e não comprometer a boa convivência profissional. Só poderemos impor o nosso respeito por meio das nossas condutas. Fora disso, é afronta! Respeito decorre de merecimentos! Façamos, pois, por merecermos! Quando dirigirmos pessoas, que sejamos efetivamente chefes, não chefetes, que são “chefes” soberbos, presunçosos, prepotentes, insolentes, desacreditados e desprezíveis. Enfim, uma besta!
Que não entendamos fraternidade como algo efêmero que só ocorre nas festas de final de ano. Ela deve ser praticada de maneira permanente, todos os dias, e assim, as nossas vidas serão agradáveis e festivas. Que renovemos os nossos laços e conceitos com relação ao nosso próximo, com consciência plena e muita paz. Se assim procedermos, por certo viveremos felizes! Que sejamos mais focados no Pai, e que os nossos corações se encham de amor fraterno e solidário com colegas, familiares e amigos. E todos os dias! Que Deus nos proteja e ilumine os nossos espíritos nanicos!