Hoje recebi a notícia de que um colega de trabalho se suicidou, obviamente um choque. Nada a ponto de ter uma tristeza profunda, somente uma tristeza e empatia comum a um ser humano normal que receba tal notícia. Nas poucas vezes que recebi uma notícia assim, do suicídio de alguém, fico me perguntando se fosse eu... E é como se um roteiro se montasse na minha mente, as mesmas perguntas e comentários que ouço sobre aqueles que se foram fariam sobre mim. "O que será que aconteceu ?"
"Que Deus tenha misericórdia da sua alma"
"Parecia estar bem, tao feliz tal dia"
"O que se passa na mente de alguém que faz isso?"
E nessa última pergunta talvez eu saiba ou saberia responder mas escolho o silêncio ou me recolho a um simples comentário como "pois é".
E com tudo isso eu imagino minha própria reação após a morte ouvindo tantos comentários e perguntas sobre mim mesma mas na verdade eu não estaria aqui para ouvir sobre.
A morte de alguém sempre traz grandes reflexões para a maioria das pessoas e quando se trata de um suicídio traz mais reflexões sobre empatia do que de gratidão a vida, que seria o caso se se tratasse de um aciendente. Ouvi da pessoa que me trouxe tal notícia comentários sobre empatia, sobre não arrumar brigas ou falar coisas ruins para qualquer pessoa pois não sabemos o que elas passam e ela não poderia estar mais certa mas são sempre os mesmos comentários, perguntas e reflexões que na semana seguinte vão ser esquecidas assim como o tal suicida da vez.
Ter empatia no meu local de trabalho é algo crucial porém te torna um bobo em muitas situações. Muitas vezes me pego pensando em ser má com alguém e acabo não conseguindo, por vezes penso em "dar o troco" e acabo sempre tendo uma postura empatica e amigável com quem foi desprezível comigo. Minha empatia na maior parte do tempo é involuntaria mas ainda sim tendo a me orgulhar por ser assim.
Mortes como essa sempre me tocam de forma diferente, ouvir sobre alguém que tirou a própria vida me traz lembranças de todas as vezes que eu tentei fazer o mesmo que não consegui. Lembro da primeira vez que recebi a noticia do suicídio de uma colega da escola, foi um dia terrível. O nome dela era Ana, tinha 17 anos e estava no ensino médio, a notícia da sua morte venho alguns dias depois de eu sair do hospital por uma tentativa mal sucedida e apesar da minha tristeza normal a um ser humano ao receber a notícia, fiquei com inveja por não ser eu no lugar dela, fiquei pensando pq dela ter conseguido e eu não, o que eu tinha feito de errado. É um pensamento egoísta, eu sei porém estou sendo sincera e convenhamos, não podia correr disso.
Ver a escola toda em comoção por ela me fez querer estar em seu lugar mais do que nunca, as declarações dos amigos nas redes sociais, o silêncio estranho nas escola nos dias seguintes. Fui ao velório dela e parecia que metade da escola estava lá, cheguei perto desejei algo de bom e sai. Eu odiava aquela menina em vida, queria matar ela e cheguei a QUASE brigar fisicamente mas depois da morte nada daquilo realmente importava. Depois da morte parece que nada mais importa, tudo se torna pequeno e indiferente a grandeza do luto.
Voltando ao dias de hoje a poucos meses senti que iria perder, a depressão me tomou. Alguns dias me lembro de planejar minhas ações e era assustador não controlar meus próprios pensamentos. Era como se eu estivesse com uma gripe, tossia e fungava sem querer. Planejava a morte aos detalhes e era sem querer.
Os planos me assustavam, eu sabia que não era eu pensando aquilo, era apenas a doença se manifestando, dando um oi, se mostrando presente, era como um nariz escorrendo... eu limpo e ele volta a escorrer e preciso esperar passar.