a gente fica querendo correr como se lá fosse melhor que aqui
a gente marca psiquiatra pra dor passar na hora mas ainda tem que esperar o dia da consulta e a fila de espera porque médicos tem o costume de não fazer hora marcada por menos de 500 reais
eu não lembro mais como escrever, não lembro mais por que acreditava que seria famosa com isso, apesar de sempre ter a impressão de que essa era a única coisa que me fazia escrever (ser lida)
engraçado que eu tava feliz, finalmente
será que a gente tem mesmo uma sina, um destino, será mesmo que deus existe e o futuro é determinado e a gente só precisa sobreviver aos castigos pra virar pó no final?
não é possível que a tristeza dos outros me cerque uma vida inteira a ponto de que eu só consigo ter paz quando ameaço me matar. acontece que agora isso não vai funcionar, porque Ela vai embora se eu fizer isso e eu não quero que Ela vá.
eu só queria não ter mais trabalho com isso
e eu tenho raiva da psicanálise porque eu já entendi, já sei as respostas que minha analista vai dar e já sei que vou demandando amor e vou sair ainda demandando porque apesar de haver amor, parece que não se ama em análise, seja lá o que amar for. e eu tenho raiva da psicanálise porque quero alívio e quero os nomes e as respostas prontas e quero não me sentir só.
pela primeira vez não me sinto só porque não tenho pessoas. tenho pessoas. mas com ninguém no mundo dá pra ser tão crua e falar tanta coisa podre e má e humana. então acho que virei refém da psicanálise por vontade própria.
de vez em quando penso em trair minha analista. penso em ir a uma sessão do meu ex psicólogo da terapia cognitivo comportamental só pra deixar ele me amar um pouquinho. eu desisto quase que por fé a Deus Lacan que esse é mesmo o caminho das coisas.
e aí então temos a conclusão de que eu sou uma mulher de fé, religiosa, praticante, fervorosa, apaziguada em seus dogmas e crente nas bênçãos que estão por vir.
meu deus.


















