Agradeci Pan pelos esclarecimentos e voltei para a minha casa. No caminho fiquei pensando que Pan não foi de grande ajuda,e ao mesmo tempo, refletindo por qual motivo Poss, um deus tão poderoso, não conseguia subir de volta, porque ele teria ficado preso à Terra, o que de tão maligno poderia ter por lá além dos humanos?
Estes pensamentos me fizeram desanimar um pouco de ir à Terra. Mas eu estava determinada. Não desistiria.
Fiquei mais duas semanas e meia pensando no que eu poderia fazer ou para quem eu poderia pedir ajuda para conseguir descer. Devia mesmo ser difícil, afinal, o único deus por lá era Poss, e por mais que ele conseguisse manter contato conosco, ele não conseguia voltar.
Meus pais perceberam que eu estava diferente. Um dia, dentro dessas duas semanas e meia, minha mãe perguntou:
__ Diana, o que há com você?
__ Nada, mãe, só estou um pouco enjoada dos humanos...
Eu sabia que meus pais conversavam sobre isso.
__ Pers, devemos ficar atentos com esta menina, ela anda com umas vontades malucas de descer à Terra. Não podemos permitir que isso aconteça, corremos o risco de perdê-la.
__ Eu sei, Crons. Teremos que dar um jeito de vigiá-la!
__ Vigiá-la? Não acho que isso seja o certo a fazer, Pers, mesmo porque, é muito difícil ir à Terra. Diana não conseguiria sozinha.
__ Nunca subestime alguém! Você já observou do que os humanos são capazes, imagine uma deusa como a nossa filha!?
__ Mas apenas um deus conseguiu descer à Terra até hoje e nem mesmo voltar consegue.
__ Sim, mas também foi o único deus que realmente se interessou em descer. E se o interesse de nossa filha for verdadeiro e ela conseguir?
__ Você está certa, Pers. Conversarei com Diana para tirar essa ideia da cabeça.
Eu estava em meu quarto, observando um pouco os humanos, como de costume. De todo o tempo que eu os havia observado, nenhum em especial havia chamado a minha atenção, porém hoje vi um deles, sozinho, sentado em uma calçada. Era alto, cabelos pretos e olhos castanhos. Estava com uma roupa muito simples: uma calça preta e uma camiseta azul, estava descalço... Dei zoom em minha tela de humanos para observá-lo melhor. Era bonito, mas tinha um ar de tristeza. Olhei mais perto, atenta e então algo estranho aconteceu. Ele olhou para os lados e depois para cima, como se procurasse algo ou alguém, mas não havia ninguém ao longo de toda a rua... Ele estava procurando... por mim?
Me aproximei mais ainda e então dei um pulo para trás ao escutar batidas na porta. Desliguei rapidamente a minha tela e fui abrir a porta.
__ Oi, pai.
__ Diana, tudo bem, minha filha?
__ Sim. - respondi. Algum problema, pai? Eu queria que ele saísse logo para eu religar a minha tela e ver o que estava acontecendo com aquele humano...
__ Precisamos conversar um pouco. Posso me sentar aqui?
Já que teríamos que conversar, melhor que fosse logo:
__ Claro.
Ele sentou-se em minha cama e olhando para a minha mão que segurava o controle de minha tela, perguntou:
__ Observando os humanos novamente?
__ Sim. - respondi, sentando-me ao seu lado. __ Você sabe como eu me divirto!, eu disse sorrindo.
__ Sim, eu sei, minha filha, e sabe que não é bom exagerar, não é mesmo? Os humanos não nos trazem nada de bom.
__ Eu sei, pai. Só estava dando uma olhada...Fiquei quieta esperando ansiosamente o meu pai falar para o que veio. Eu sabia que ele provavelmente queria falar sobre uma festa divina, reunião ou algo parecido. Ele ficou me encarando por uns três segundos e então começou a falar:__ Sei que você estava com uma ideia de ir à Terra...
__ Ah, pai não se preocupe com isso. Eu já desisti. Fui conversar com a nossa vizinha, Pan, e ela me disse que não é uma boa ideia. - falei rapidamente para evitar o sermão que eu sabia que viria a seguir e para a conversa acabar o mais depressa possível.
__ Que bom, Diana. Fico feliz que tenha se interessado em perguntar a alguém antes de tentar descer. Já devia ter confiado no que eu e sua mãe falamos. Caso reste dúvidas, vim pedir para que não tente fazer isso, pois poderá te levar a consequências terríveis, das quais a menor é ficar presa por lá assim como Poss, o que, na minha opinião, já é bastante ruim.
__ Sim, pai. Pode ficar despreocupado. - eu afirmei, para que ele não ficasse de olho em mim.Eu havia preparado um plano, uma estratégia para tentar fugir e o primeiro passo era fazer com que os meus pais acreditassem que eu havia desistido de ir à Terra.