O nosso amor a gente inventa
Inventei o nosso amor pra me distrair. E como dizia Cazuza, após o vínculo rompido a sensação era de que não era nada mais que uma fabricação ilusória. Estar apaixonado faz a vida parecer mais intensa e colorida, traz sensação de euforia. Talvez, o amor se pareça com um circo: vem, te encanta, te faz sorrir, e vai embora, como um vendaval. Quando o amor acaba a sensação é de vazio. Mesmo se tratando de uma invenção, a experiência pareceu real e afetou nossos sentimentos e emoções. Se ao menos pudéssemos definir o que é real... Essa discussão perdura desde os tempos antigos, quando a filosofia ainda encontrava-se em seu berço. Mas trata-se de vaidade, tão pura... Eu me analiso, eu refaço os meus passos. Em nome do ego ferido, a minha vaidade quer a mentira que é o teu amor. Mas ele sequer existiu... O meu amor é poesia de cego, e você é incapaz de ver. É que de repente aquela euforia se esvaiu... E tudo fez-se sem cor, sem graça, sem cheiro, sem gosto, sem som. Eu queria ao menos que você me contasse uma historia romântica, pois encontrei-me embriagada de romantismo... Mas nosso amor é invenção, distração, sinônimo de inexistência. Se reduz a simplesmente um pulsar de paixões e vaidades repleto de efemeridade. Agora encontro-me em abstinência. No meu mundo cinza já não há mais cores... Colorir é a minha distração.









