Condo um caveiêro, ansim, cumo que djá meio sapecado, adespois de freqüentá o bufete, meio abufetado portanto, o mai mió que tem de fazê é campiá um berço.
Puis num vê que nóis tinha sido inconvidado mode cumemorá i bebemorá¹ um aniversáro de ano do fiio da mãe do coisa?
Nóis fumo. Nem bem tcheguemo se instalemo logo no quarto dos doce. Tinha lá dgente p’ra pedra.²
De musgo um despotismo deles, tire só u’a linha: dois colorinete, seis pinho, dois cavaco i u’a frauta munto anarchisada, um trombone i um pistão.
Ieu num gosto dessas bestêra de famía, im todos causo banquemo o respeitáve.
Atirei u’a zinha toda tchêa de coisa que bateu p’ra riba de ieu, güentei a cuja saí tungano u’a varsa meio aporcada.
Ieu amó que dessas dança amuderna num intendo munto, mai no mió das forma me disempenho; no negoço da falação é qu'ieu me istrepo.
Isto de dizê bestêra cum delicadeza nunca foi o meo forte.
Ieu falo cum todo o corretismo no mai. Mai porem num adecorei o “travadô da malandrage” p’ra me arrecordá do verso rimado, nem num apretendo se amorfadinhá p’ra vivê pensano nessas melenquencia.
Foi lá p’ras tanta adespois du’as tanta telegada d’um licô que se tchama chatreze, qu'ieu cumecei a ficá meio fora dos horizonte.
A orquestra tamem tava djá meio arta i garrô a tocá um negoço todo inlétrico, todo fuloriado — era só cada pestana no pinho, os calarinete gemeno nas tchave, o cavacame saluçano…
Ieu tirei um fiapo da tar sojeitinha i fui logo dizeno:
— Antonce, nega veia? Imo sapecá mai êsse troço…
Ela nem disse tique i ieu djá tava c’a mão na cintura.
Se nóis disconjuntá tudo, bem no meio do causo, ela me dexô, disafastô um pôco i cumeçô c’um raio d’um tremilique, se lambeno nos dedo, caretiano, num tar sapatiado qu’ieu dei de dança de véio, alongano o corpo, fazeno letras bem no mêo da sala.
Foi só parma i mai parma.
Se arripitiu a dósia, gostêmo.
Mai, ante porem, achei munto inconvinhente riscá um fraziado, u’as amabilidade, p’ra riba da cavaiêra:
— Insolentíssima, discurpe a peitulancia mai porem num posso dexá de le ademostrá a baita la sastifa que me safóca na inconjuminência dêsse forró, só pur via de incontrá u’a dama tão distramancada cumo 'vossa' insolentíssima.
Ela incheu-se de dedo, feiz u’a visage i arrespondeu logo no sustenido:
— Quá, Nhô Malaquia, isto é modestia de sua parte…
— Ieu inté que sô quage anarfabeta nessas moda americana; isto é de nacensia…
— Os cavaiêro distinto é que é os chofré; nóis é que nem forde.
Ieu fiquei besta c’a resposta, mai nem dexei o troco:
— Vossa insolência nem é forde, isso inté é munta modestia demai Madamasella é u’a buique, é u’a pecár, u’a roiroce…
I assuspirei: — quem me dera sê um chofrê dêsse carro?
Mai a musga cumeçô i nóis fumo ali só isterçano im cada baita la derrapada…
Condo má me aprecatei tava falano c’o pae da zinha.
— Apois não Nhô Malaquia, me disse êle, ansim procede um cavaiêro de inducação.
O sior tá mêmo im indade de cuntituí famía i le aceito o pidido cum munta sastifação, pode amenhã í bebê o chá cum nóis.
Prispiei no chatreze, caí no chalestão i trimino no chá de casório.
Vô fazê a burrada contra u’a zinha que antes de cuincê num sabia quem era.
Pur isso arrepito: condo a dgente tá meio sapecado, o dereito é í cavá u’a cama p’ra invitá que as inconseqüênça seje lastimáve.
O SACY (Malaquia Gularte) — ediç. orig. de 1926 — Ano I., Nº 40
"Bebemorá" é gíria, junção de "bebê" i "cumemorá," ô seje, cumemorá cum munta bebida, de perferênça arcólica.
"Pedra" aqui é u'a gíria p'ra contidade, "dgente p'ra pedra" é o mêmo que "munta dgente."