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Capítulo 71
O dia foi a maior zona . . . Nunca vi tanta treta acontecer em um dia só ! Mas vamos por partes . . .
Antes de tudo, não, eu não fui descoberta pelos meus pais GRAÇAS A DEUS ! Eles nem desconfiam que não dormi na casa do Nathaniel e não viram minhas marcas, que aliás, já estão 100% cicatrizadas. De qualquer forma, nada de diferente aconteceu em casa . . . O que aconteceu mesmo foi no colégio . . . Acredito que esse tenha sido o dia mais agitado da minha vida !
Eu fui pro colégio como de costume, e como tem sido meu costume . . . Eu cabulei aula. Fui direto pro esconderijo do Armin ficar de bobeira. Ultimamente eu tenho feito isso com enorme frequência . . . E bem, admito que aquele pensamento que me remoí no fundo de que posso morrer a qualquer hora me faz querer "aproveitar" tudo. Eu estou mais destemida e com menos medo de expor o que quero fazer ou minha opinião.
Ao chegar lá fiquei no aguardo do Armin e do Ken como sempre faço. Eles nunca possuem uma ordem certa pra chegarem.
Me sentei na árvore e comecei a procurar se o Armin havia comprado mais do HQ que eu gostei. Por sorte, sim, ele havia comprado. Comecei a ler, e estava perdida em meio ao HQ, eu realmente havia adorado, porém minha leitura foi interrompida pelo próprio Armin que chegou com um olhar estranho. Ele entrou olhando pros lados e parecia um doido. Ele estava acompanhado do Nathaniel e do Ken . . . Eles pareciam estar estranhando a atitude do Armin tanto quanto eu.
Comecei a chamar pelo Armin. Ele olhou pra mim histérico e foi até a arvore. Ele começou a tirar todas as coisas dele de dentro da árvore . . . No susto fui até o Nath e o Ken perguntar o que houve. Primeiro quis tirar a primeira dúvida que tinha em mente: O que o Nath fazia lá. Ao perguntar ele respondeu que o Armin havia convocado ele e que ele agora tinha acesso livre para ir e vir no esconderijo do Armin . . . Parece que o Nath ganhou a confiança do Armin. Não em espanta, afinal o Nath confiou a maquina do tempo ao Armin . . . Ou receptor, tanto faz.
Após minha resposta referente ao Nath, decidi perguntar se eles faziam ideia do que havia acontecido com o Armin. E bem . . . Aparentemente não. Mas o Armin estava assim desde que chegou, e pelo que disseram, ele já chegou no colégio e foi direto para o esconderijo, histérico e desesperado daquele jeitinho que eu estava vendo.
Novamente tentei aproximação com o Armin. "Armin . . . Tá tudo bem ?" Eu falei tocando o ombro dele. Ele me olhou com um olhar que nunca vi. Não parecia aquele menino centrado que se achava. Ele estava com olheiras profundas e parecia ter dormido mal. Armin não respondeu nada, só continuou a jogar as coisas dele num canto. Estava uma bagunça, tinha tipo um montinho. Então finalmente ele falou. "Eu fiquei acordado a madrugada toda tentando ter alguma resposta . . . " Ele dizia. Olhávamos atentos para ele esperando a conclusão da frase dele, mas ele nunca concluía, então finalmente perguntei o que ele achou. Ele só respondeu "nada" e tacou fogo nas coisas dele. Eu fiquei histérica, tanto quanto os meninos. Comecei a gritar com o Armin. "ARMIN VOCÊ TÁ DOIDO ??? PORQUE TÁ TACANDO FOGO NAS SUAS COISAS ???!" Nathaniel tentava apagar o fogo junto com o Ken. Ambos estavam desesperados também. Ele virou de uma vez em minha direção e me sacudindo falou: "Estou tacando fogo justamente por isso ! Por que não achei nada !!" ele gritava. "Armin ! Você tá tacando fogo porque tá frustrado ??" O Nathaniel falou bem alto espantado. "NÃO !! EU ENTREI NOS COMPUTADORES DA ESCOLA E NÃO TINHA NADA !! Da última vez que entrei . . . Tinha coisas, mas dessa vez estava tudo vazio . . . Só tinha uma única coisa ! UMA ÚNICA COISA !!" Ele falou pegando um pedaço de papel dobrado do bolso e jogou em nossa direção.
Ao abrir o papel, eu, Nathaniel e Ken nos juntamos para ler . . . E estava escrito: "Lembre-se do ditado meu jovem: "A curiosidade matou o gato" Você não acha que seria melhor interessar-se por coisas mais normais como garotas, ou talvez garotos, assim como seu irmão? Veja essa linda jovem alienígena por quem você tanto preza por exemplo. Daria uma ótima namorada, e seria consideravelmente menos perigoso para sua integridade física... ou para a dela, caso você se importe. Acredito que vocês tenham alguns assuntos de maior prioridade no momento, como por exemplo, encontrar uma forma de salvar a vida de seus amigos das garras de sua "amiga" do futuro. Tenha um bom dia, passar bem."
O Nathaniel ficou com uma cara muito assustada, o Ken foi até o Armin perguntando se era sério isso. "Pera . . . Você achou essa mensagem no computador . . . É isso ??" Eu perguntei "SIM ! É ISSO !!! ELES SABIAM DE MIM !! SABIAM QUE EU IA ENTRAR NO COMPUTADOR DELES ! ELES SABEM O QUE EU FAÇO OU DEIXO DE FAZER !!" Ele gritava histérico. "C-Calma Armin . . . " Eu tentei, juro, mas ele estava MUITO histérico. "CALMA ?! EU TENHO AGIDO ESSE TEMPO TODO ACHANDO QUE NINGUÉM ESTAVA ACIMA DE MIM E O TEMPO TODO ESTAVAM DE OLHO EM MIM !! EU SOU UM INCAPAZ ! UM INÚTIL !!" Armin olhava alucinado para tudo. Ele estava de uma forma que eu nunca vi nesse nosso tempo de amizade. "Armin você não é um inútil ! Veja quantas coisas você descobriu, encobriu e--" "EU SÓ FIZ PORQUE ELES PERMITIRAM !! ELES PROVAVELMENTE ESTÃO ME USANDO DE PEÇA NO JOGUINHO DELES ! E VIRAM QUE EU ESTAVA PASSANDO DOS LIMITES E COMEÇARAM A ME CONTROLAR !! VOCÊS ESTÃO ME OUVINDO AGORA SEUS MERDAS !? " Ele gritava pro nada. Estava me incomodando demais ver aquilo. Eu queria muito fazer algo por ele . . . Mas eu não fazia ideia do que eu poderia fazer . . . Nathaniel veio até nós com o papel na mão, ele parecia incrédulo. "Eles . . . Eles sabem que vim do futuro. . . ?" ele dizia "SIM !! SABEM DE TUDO !!" "Quem são eles . . . ? "Ken falava assustado. Estava um clima muito tenso no ar. Armin histérico queimando as próprias coisas, Ken e Nathaniel incrédulos . . . "Armin porque está queimando suas coisas . . . ?" Eu perguntei sem jeito. "O que me garante que não colocaram escutas ?? Eu estou me livrando de tudo . . . Só estou mantendo poucas coisas minhas . . . " ele estava se acalmando . . . Parecia muito tenso. Ele se sentou e ficou assistindo suas coisas queimarem . . . Eu estava me sentindo de mãos atadas. Não sabia o que fazer. Então tentei fazer o que faço de costume . . . No máximo talvez eu arrancasse alguma reclamação dele . . . Eu abracei o Armin por trás, como um "pode contar com a gente, você tem amigos aqui". Eu estava muito triste de ver ele tão desesperado daquele jeito. Ele não me tirou, reclamou ou qualquer coisa do tipo, ele me permitiu abraçar ele sem chiar. Ken e Nath se sentaram ao nosso lado e ficaram parados, quietos. O clima estava muito pesado no ambiente . . .
Foram horas torturantes com nossos próprios pensamentos. "O que são os responsáveis desse colégio . . . ?" Nathaniel dizia. "Como se não tivéssemos problemas o suficiente pra se preocupar, agora mais essa . . . " eu respondi. Armin se levantou finalmente e em silêncio ele ia saindo. "onde vai ?" Eu perguntei. "Tomar um ar por aí . . . " ele disse saindo. O dia começou péssimo . . .
Logo de cara ver o mais centrado do nosso grupo perder a fé em si mesmo e ainda por cima descobrir que tem alguém que sabe de cada passo que damos ?? É muita informação . . . "
Ficamos mais um pouco em silêncio, mas não tinha mais sentido nosso encontro ali . . . Nesse momento eu decidi sair, os meninos vieram atrás. Nath disse que tentaria pensar em algumas coisas no grêmio e Ken . . . Acredito que foi atrás do Armin . . . Eu só queria ir pra fora, pro jardim, quadra, qualquer lugar longe daquele cheiro de queimado.
Então me sentei nos bancos do pátio para pensar . . . Meu segredo está se tornando cada vez mais publico . . . Castiel veio até mim interrompendo meus pensamentos. Ele chegou de surpresa, realmente eu não havia visto ele. Castiel veio por trás de mim beijando meu pescoço . . . Ele não tem limite nenhum. "Castiel ! PARA" eu estava realmente irritada apesar de gostar dessas atitudes dele. "Tá de TPM ?!" ele dizia. "NÃO ! Só não to de bom humor ! Fora que . . . Fazendo isso na escola ? Sério ?" "Não é como se eu estivesse tirando sua roupa, foi só um beijo no pescoço, credo" "SÓ ?! " Eu bufei e voltei para meus pensamentos. Castiel se sentou do meu lado e ficou me olhando fixo, até que finalmente ele perguntou o que se passava. "Nada . . . Coisa minha." Eu falei ignorando ele. "Olha . . . Eu preciso falar contigo. É coisa séria. Mas preferia ir pro vestiário." Ele dizia em tom sério, era difícil não acreditar. "Porque não pode ser aqui ? Estamos sozinhos." "Porque não quero que corra o risco de alguém nos ouvir sem querer" Quando ele falou isso me lembrei da Peggy . . . Dependendo do que fosse ele tinha razão. Então me levantei pra ir com ele, mas nesse momento o Lysandre apareceu. Ele deu boa tarde para mim e se virou para o Castiel. "Preciso falar contigo urgente." o Lysandre dizia. "Não pode esperar um pouco ?" "Preferia resolver isso agora, mas já que precisa de um tempo tudo bem . . . " Nesse momento o Castiel respirou fundo e falou "Já volto, não saia daqui . . . " E foi com o Lysandre para dentro do colégio. Eu fiquei sentada lá bastante curiosa com o que eles foram fazer e com o que o Castiel tinha pra me dizer . . . Nesse momento de pensamento eu pude ver o Alexy se aproximando de mim. Ele estava com uma cara bem brava. "OI MOCINHA" ele dizia . . . Mas não parecia um tom simpático. "O-Oi . . . ?" respondi meio sem jeito. "Posso saber porque você fez isso ??" Ele começou a se alterar comigo, e estava parecendo ter muita raiva de mim. "Isso ? Isso o que ??" "VOCÊ E O CASTIEL ! PENSA QUE NÃO SEI ??" Quando ele falou isso eu gelei, porque se ele descobriu, daqui a pouco vai chegar no Nath . . . E provavelmente é culpa daquele beijo que ele me deu no pescoço . . . "O que tem nós dois ??" eu perguntei me fazendo de dissimulada. "ACHA CERTO BRINCAR COM O CORAÇÃO DO MEU IRMÃO ??" ele gritava. Eu fiquei muito "mashein" quando ele disse isso. Como assim ? Brincar com o coração do Armin ?? Ele não gosta de mim ! . . . Não que eu saiba. "Alexy . . . Como assim ? Armin gosta de mim ???" Eu perguntei espantada. "EU JÁ ENTENDI TUDO QUERIDA ! PARA DE SE FAZER DE DESENTENDIDA ! VOCÊS ESTAVAM NAMORANDO AI VOCÊ TERMINOU COM ELE PRA FICAR COM O CASTIEL E AGORA ELE TÁ TODO DEPRIMIDO." No que ele disse isso eu me senti infinitamente aliviada . . . Ele entendeu tudo errado. "ER . . . o que ???" Ele começou a dar a crise histérica dele sem me permitir me defender. "EU NUNCA TIVE TANTA RAIVA DE ALGUÉM DESDE AQUELA VADIAZINHA QUE ELE FICOU, A TAL DA LETY. Nesse momento o Armin chegou. "Alexy para de encher o saco dela . . . " Ele empurrou o Alexy afastando-o de mim. "NÃO MANINHO !! ELA TE TRAIU !!" ele dizia. "Ela teria me traído se estivéssemos juntos. Não estamos, nunca estivemos e nunca vamos estar. Eu tenho bom gosto . . . " Ele dizia. Armin parecia muito estressado ainda. "COMO NÃO ??! PARA DE DEFENDER SUA EX !! VOCÊ TÁ TODO ABALADO POR CULPA DELA ! NÃO VOU PERMITIR ISSO !!" Ele tentou vir pra cima de mim e o Armin parou ele de novo. "Alexy, eu to sem paciencia nenhuma hoje. Dá pra você parar ? Minha irritabilidade não tem nada a ver com ela. É coisa pessoal minha. E EU NUNCA FIQUEI COM ELA, QUERO DEIXAR ISSO CLARO." ele dizia aspero e num tom assustador. Alexy engoliu seco. "Se você diz . . . Vou acreditar . . . " Alexy então saiu . . . Acho que ele queria dizer mais coisa, mas a postura do Armin fez ele recuar. Nesse momento o Nath veio até nós . . . Aquele meu desconforto com a presença dele permanece . . . "Está mais calmo ?" ele falou se sentando ao lado do Armin. "Nunca . . . " Armin respondeu sem hesitar. Ainda bem que o Nath chegou minutos depois da treta com o Alexy . . . Se não ele ouviria sobre o Castiel . . . Não que isso fizesse diferença no dia de hoje. Porque ? Vou continuar a escrever que no decorrer tudo vai se explicar. . .
Nós três após ficarmos quietos por um bom tempo, entramos no assunto da viagem no tempo. Pra desviar um pouco a mente do Armin. "Conseguiu descobrir algo sobre o receptor ? " eu perguntei. "Separei as peças . . . Limpei. Mas tem peça ali que está muito danificada. Precisava de reposição." Armin dizia. Nesse momento pensei, e expus meu pensamento. "Hmm . . . E se usarmos a maquina do tempo dessa linha ?" ele e o Nath olharam pra mim espantados. "Sim . . . Se o Nath veio de outra linha temporal usando a maquina pra vir pra nossa, aqui já tinha uma maquina certo ? Dos pais dessa linha que vieram pra cá do futuro. . . Então porque não usa a maquina dessa timeline ?" eu completei meu raciocínio. "Esse é um dos raros momentos onde você tem uma ideia realmente inteligente, porém não é assim que funciona. Existem algumas leis de conservação de energia no universo. Matéria não pode ser criada ou destruída, logo, a existência de duas maquinas, que na verdade são uma só, no mesmo tempo, adicionaria matéria ao universo. Nunca pararam para pensar o que aconteceu com o Nathaniel desta linha temporal? Afinal de contas, Nathaniel voltou para uma era onde sua família já havia voltado no tempo, logo, ele deveria se encontrar aqui, mas não é o caso." O Armin completou. Assustada eu exclamei "Pera ai, você quer dizer quer o Nathaniel dessa linha . . ." Sendo que fui interrompida pelo Armin. "Morreu? Não exatamente. É como com a maquina do tempo. Eles deixaram de existir. Ou mais provavelmente foram lançados para a outra linha temporal, para cobrir o "buraco" que a ausência da matéria referente ao corpo desse Nathaniel que está conosco e sua maquina deixaram lá. Mas o que mais me intriga, já que entramos no assunto, é a existência de linhas temporais diferentes." "Como assim? Não é por que eu mudei os fatos e isso criou uma história nova ?" O Nathaniel perguntou curioso. "Não necessariamente. Por tudo que você descreveu as realidades, e já eram diferentes no momento de sua chegada, ou seja, eventos já aconteciam de formas divergentes em ambas as linhas temporais." Armin completou o raciocino . . . E foi um tanto quanto chocante, porem eu ainda estava um pouco confusa. "Ai . . . Não to entendendo nada ! Dá pra explicar isso de uma forma simples ?" perguntei. "A realidade já havia sido alterada antes de seu retorno, ou seja existe um fator divergente entre as duas realidades além das alterações feitas por ele." "O que isso quer dizer!?" perguntei ainda um pouco confusa. "Ele está dizendo que existe algum viajante no tempo além de mim." Nathaniel completou espantado. Isso explica porque eu não conheci o Nathaniel mas minha outra eu conheceu ? Porque apesar de ele ter voltado pra mesma época que eu conhecia ele, eu não conhecia ele . . . Meu Deus . . . Que bagunça ! "As mudanças são sutis, quase todas próximas a nós. Se fossem viagens feitas a muito tempo atrás, as diferenças entre as realidades seriam gigantescas, como governantes diferentes, marcos históricos alterados e coisas do tipo. Isso apesar de tudo reforça, de certa forma a ideia da boreal. O viajante pode estar diretamente ligado a este colégio e a nós. Podemos estar lidando com gente que já sabe o que vai acontecer... e isso pode ser catastrófico para nós." Armin estava assustado com cada pensamento e palavra que ele soltava. E ver ele, o cabeça do grupo tão desesperado, me causa desespero . . .
Hoje o dia está tenso . . . Primeiro descobrimos que alguém do colégio está nos vigiando e sabe demais sobre nós. Agora que supostamente tem mais um viajante temporal alterando a linha temporal . . . Qual a próxima noticia ?
Então o Castiel retornou. "Desculpa a demora . . . Podemos falar agora ?" Ele dizia, até que foi educado, coisa rara. Pedi licença para o Nath e pro Armin enquanto me levantava e justificava que eu precisava falar algo urgente com o Castiel.
Fomos até o vestiário e ao chegar lá, ele ainda estava com olhar sério. "Castiel ? Pode falar agora ?" eu perguntei. "Acho . . . Que descobri o que houve contigo." Ele dizia. "Do que tá falando ?" "Sua fraqueza precoce . . . É culpa minha." ele falou sem jeito e parecia estar com medo de eu explodir. ". . . Explica . . . AGORA" "Aquela vez na praia, quando fui fazer o ritual de sacrifício contigo . . . Fiz o ritual errado e bem, acabei fazendo o ritual similar ao da Ambre, o de roubo de energia vital através de pacto de sangue . . . " Quando ele falou isso comecei a gelar. "Então . . . Parte da minha vida vai pra Ambre e outra parte pra você ?" "Antes fosse . . . Eu não completei o ritual por conta da interrupção do Nathaniel . . . Ele selou o ritual e bem, por isso você ficou bem esse tempo todo. A Ambre meio que quebrou o selo que o Nathaniel fez quando vocês fizeram o pacto . . . E agora sua energia vital fica saindo do seu corpo e indo pro nada." Quando ele falou isso eu fiquei em pânico . . . Eu vou morrer . . . É certo ! "Castiel . . . Você não cansa de arruinar minha vida ?" Falei frustrada. "Cara ! Eu já me desculpei mil vezes sobre isso ! Fui um babaca e eu reconheço ! Já faz meses . . . Eu não esperava por isso !!" "Era isso que estava falando com o Lysandre ??" "Sim . . . Eu queria descobrir o que estava te acontecendo . . . Pra ajudar" Eu fiquei bem dividida naquele momento entre achar ele um fofo e ter raiva dele . . . Apesar de tudo é passado . . . MAS TÁ ME ATINGINDO AGORA. . . Ele realmente já se desculpou e provou por A mais B que está muito arrependido. Ele faz de tudo pra mim e eu só dou patada nele . . . "Castiel . . . Desculpa, eu também tenho exagerado . . . " "Não . . . Você tem motivos até demais pra me tratar assim . . Eu to sendo um monstro, fui monstro desde o começo contigo . . ." O clima do dia estava ruim demais pra manter . . . Eu preferi tentar descontrair. Chega de brigar por hoje. Então abracei o Castiel como demonstração de que eu iria me esquecer daquilo . . . Se eu já havia perdoado ele antes, não tem porque ficar remoendo do nada, só porque descobri coisas novas . . . Castiel pareceu aliviado . . . Acho que ele estava com medo de me contar o que ele havia descoberto. E bem, esse vestiário tem afrodisíaco, pois como todas as vezes que fiquei sozinha com os meninos lá, o clima entre nós começou a mudar. Tudo bem que estamos falando do Castiel . . . Eu transei com ele no armário, acho que é injustificável sentirmos atração num vestiário depois de ter feito isso no armário.
Castiel então começou a me beijar . . . Eu tentei parar ele, juro. Aquelas historias de sempre . . . É um colégio, é errado, alguém poderia ver, e bla bla bla . . . Mas meus argumentos não duraram nem 2 segundos. Bastou uma mordida dele pras caricias se tornarem algo mais intenso. Era certo como aquilo ia terminar. Estávamos nos beijando intensamente, nos mordendo, nos apalpando . . . Tudo que tinha direito e bem . . . Não foi agradável o final dessa historia. Nathaniel foi no vestiário . . . "Não . . . Não é possível . . . " eu pude ouvir claramente. Eu me afastei do Castiel de uma vez e estava sem jeito. Eu estava morta de vergonha . . . Não só por ter sido pega aos amassos com o Castiel, mas porque era O NATHANIEL. . . Castiel olhou pra mim, e ao virar pra olhar para o Nathaniel ele não pode nem reagir, Nathaniel partiu pra cima dele com um soco. Eu fiquei sem reação. O soco foi muito servido, pois o rosto do Castiel começou a sangrar MUITO. Castiel obviamente não deixou barato e socou de volta. Os dois começaram a se bater e gritar muitas ofensas um para o outro. Eu não sabia o que fazer. "EU SABIA QUE NUNCA IA PODER TE PERDOAR !! VOCÊ É UM MERDINHA TRAIDOR SONSO !!" Castiel gritava. "VOCÊ É UM APROVEITADOR !! EU VOU ACABAR COM VOCÊ SEU MERDA !" o Nathaniel gritou. Foi espantoso ver aquela briga, e pior, sem poder reagir. Por fim, Nathaniel foi bater no Castiel novamente , porém, acertou o Armin que entrava no local. Nathaniel não parou por nada. E Armin estava apático com o rosto sangrando . . . Armin só levantou de uma vez e foi direto no Nathaniel. Ele segurou o braço do Nathaniel e jogou ele com tudo no chão. Nessa hora, todos os presentes no local se calaram. Olhávamos espantados para o Armin. Nathaniel do chão só olhou pro Armin e abaixando a cabeça como sinal de arrependimento pediu perdão.
Armin não falou mais nada e se retirou do local . . . Definitivamente o Armin sabia bem o que estava fazendo. Os movimentos dele foram de quem sabia lutar . . . Aquela briga foi drasticamente interrompida . . . Eu me retirei pra ir atrás do Armin.
Eu fui correndo até o Armin e no caminho consegui alcança-lo. Segurei o braço dele enquanto falava. "Armin ! Desculpa ! A briga começou por minha causa . . . Eu estava com o Castel no vestiário. Aí o clima começou a esquentar, e começamos a nos beijar . . . O Nathaniel chegou na hora e---" Armin me interrompeu e falou as palavras mais dolorosas que eu poderia ouvir . . . Acho que nada nunca me deixou tão mal quanto as palavras ditas por ele . . . "FODA-SE SE VOCÊ DEU PRO CASTIEL, NATHANIEL, PRA ESCOLA TODA ! NÃO QUERO SABER !! VOCÊ SÓ SABE FALAR DE VOCÊ !! ALIÁS, TODO MUNDO !!!" Ele começou a gritar. "A-Armin . . . ?" "EU NÃO QUERO SABER DA MERDA DA SUA VIDA ! VOCÊ É UMA EGOÍSTA !!" ele gritava mais. "Armin ! Você tá pegando pesado !!" eu falei triste e espantada com a reação dele. "FODA-SE !! TO SENDO REALISTA !! VOCÊ NÃO É A ÚNICA ERRADA . . . TODOS SÃO !! VOCÊS SÓ FALAM DAS PRÓPRIAS VIDAS !! QUANTAS VEZES VOCÊ, NATHANIEL OU QUALQUER OUTRO PERGUNTOU COMO EU ESTAVA ??! QUANTAS VEZES VOCÊS QUISERAM SABER COMO FOI MEU DIA ??! VOCÊS ME PROCURAM PRA FALAR DA MERDA DA VIDA DE VOCÊS MAS NUNCA PERGUNTARAM SE EU QUERIA CONVERSAR E COMO ESTOU, DEMONSTRAR QUALQUER TIPO DE PREOCUPAÇÃO. A MENOS QUE TENHA A VER COM OS INTERESSES DE VOCÊS. TO FARTO DE TUDO. PRA MIM CHEGA !" Armin saiu irritado.
Nathaniel e Castiel estavam atrás de mim muito espantados e sem reação . . . Sabe . . . Eu sentia aquela bola na garganta de choro . . . Mas não conseguia soltar nenhuma lágrima . . . Doeu muito, foi a maior dor que senti na vida . . . Tanto física quanto psicológica . . .
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Bonus
Capítulo LXXI
Março
- Yay! Você veio!
Os olhos dele se arregalaram imediatamente quando noticiaram a presença da bela mulher, abraçando Missy fortemente na porta. Ele sentiu o sangue fugir de seu rosto, seu coração acelerar e suas mãos começarem a tremer – Deus, ele estava suando frio!
Daisy estava em meio a um abraço coletivo de seus amigos, que por acaso, também eram amigos dela. Ela tinha um enorme sorriso no rosto e como era de se esperar, estava linda! Linda de uma forma sem igual...
Moderna e feminina, bem do jeito que ele sempre gostou. Os cabelos estavam repicados em camadas e ela parecia encorpada e saudável, bem diferente das fotos e do estado que ela se encontrava, da última vez que ele a vira – na cama de um hospital.
Cinco meses... Exatos cinco meses desde que ele a deixou. Cinco meses desde que ele não a via. Cinco meses sentindo falta dela e se sentindo um perfeito miserável pelos cantos... E lá estava ela, linda de morrer, iluminando o ambiente com seu largo e doce sorriso.
O sorriso que costumava ser dele.
- Ei... – Amigavelmente, Daisy o cumprimentou. Não havia sorriso, não havia olhos brilhantes, mas genuinamente ela demonstrava-se confortável.
- Olá... – Disse com um pouco de dificuldade.
- Está tudo bem, né? – Ela perguntou.
Havia duplo sentido naquela frase. Ela perguntava a ele tanto como ele estava, quanto se estava ‘tubo bem’ ela estar ali naquela noite. E é claro que não estava nada bem em ela estar ali naquela noite, mas era a casa dos Van Straubenzee e ela era uma das amigas mais queridas de Missy e ele não tinha nada no que opinar.
- Claro. – Sorriu e acenou com a cabeça. – Você?
- Ok. – Ela concordou.
E antes que Harry pudesse dizer mais qualquer outra coisa, Missy saiu arrastando-a para a cozinha, acompanhada de Helen, que já havia entregado o pequeno Nik para George – ‘cuide dele, vou colocar a fofoca em dia’, Zoe bicou os lábios de Jake e Bubbles foi atrás, com a garrafa de champanhe.
É claro que ela estaria ali, é claro que sim! Ele havia sido um idiota por não ter pensado naquilo... Se Skippy estava comentando a alguns minutos sobre Nate estar trazendo uísque escocês de primeira linha para eles, como é que ela não estaria ali?
Ele não tinha problemas com ex-namoradas. Ele já havia encontrado Chelsy e Cressida mil vezes depois do término, mas era diferente... Não era ex-namorada. Era Daisy. O amor de sua vida e o mais importante, o amor de sua vida que ele havia jogado pela janela há meses atrás.
- Ei, está tudo bem? – Sentiu uma mão em seu ombro e viu Van com o cenho franzido parecendo preocupado. Ao lado dele, estavam George, Skippy, Jake e Arthur.
- Sim, sim, claro. – Murmurou.
- Não, ele não está bem. – Suspirou Jake. – Quer ir lá fora dar um tapinha? Achei maconha na gaveta do meu irmão caçula...
- Não, eu estou ok. – Disse Harry rindo levemente. – Devolva isso para o Alex, vai...
- Não posso. Já fumei tudo. – Jake disse, fazendo os outros amigos rirem. – Digo, quase tudo... Tem um tapinha pro Harry ok? Porque só ele está passando por um momento crítico.
- Não, não. Eu estou ok. – Disse coçando a nuca e se colocando de pé, voltando-se então para Van. – E aí cara, Guy está a caminho eu espero?
- Por quê? Guy ainda é o seu fornecedor? – Implicou Van, fazendo os outros rirem. – Sim, ele e Liz, ele disse que vai espera-la sair do encontro da igreja...
- Eu nunca vou entender isso. – Murmurou Skippy. – Guy é como discípulo do capeta e está casado com o anjo na Terra.
- Os opostos se atraem. – Apontou George, espertamente enquanto balançava Nik que ria gostosamente, das caretas que seu bobo tio Arthur fazia. – Eu também não achei que me casaria com uma temperamental madona e olha só onde fui parar...
- Você não só se casou com uma temperamental mandona. – Disse Skippy amigavelmente dando tapinhas nas costas do amigo. – Você se casou com a Helen, cara... Eu te admiro!
- EU ESCUTEI ISSO THOMAS INSKIP! – A voz ranzinza de Helen soou da cozinha, como um grito.
- E ERA PRA ESCUTAR MESMO HELEN PERCY! – Gritou seu melhor amigo de volta.
Suspirando, Harry esticou os braços para Nik e decidiu leva-lo para a sacada. Tinha certeza que o filho do seu amigo apreciaria um pouco de ar puro e um momentinho longe daquela gente louca e difícil.
-x-
Ela não sabia realmente descrever o que sentiu quando percebeu a cabeleira ruiva num canto da sala. Pra ser honesta, a princípio, ela tentou sorrir e fingir que não havia visto nada. Ela cumprimentou a todos, abraçando-os, beijando-os e dizendo o quanto sentira saudades.
Ela estendeu aquele momento o máximo possível, escutando elogios e também, dando-os. Até que então, a tarefa difícil veio... Ela tinha que cumprimenta-lo, seria ridículo se não o fizesse.
Harry não era o solteiro mais cobiçado do mundo atoa. Ele sempre despertara uma coisa nela, uma coisa sem sentido, que fazia suas pernas tremerem, sua respiração falhar e a temperatura de seu corpo subir. Vendo-o ali, tão de perto, depois de tanto tempo, foi como vê-lo pela primeira vez, quando eles estavam naquele clube de polo, jogando conversa fora e ela descaradamente analisou-o.
E ela o analisou, mas ele não percebeu. Não percebeu porque estava ocupado, desviando os olhos e tentando respirar fundo para se manter no controle da situação.
- Ei... – Foi o máximo que conseguiu e ainda assim, engolindo em seco e sentindo as pernas bambas.
- Olá... – Ele respondeu-a no mesmo instante e ela invejou a confiança.
Ainda suspirando, ainda trêmula e sentindo que seus amigos todos assistiam aquele momento com olhares curiosos, ela perguntou-o.
- Está tudo bem, né?
O duplo sentido foi claro em sua frase, porque tanto quanto ela gostaria de estar ali para rever a todos, ela não queria ser um incômodo. Porque, afinal, por mais que ela fosse amiga e querida por todos ali, ela sabia o seu lugar – ele era amigo deles, muito antes de Daisy sequer sonhar em existir ou aparecer em suas vidas.
É claro que a lealdade deles estava com ele, mas ainda assim, ela esperou que eles pudessem ter uma noite tranquila.
- Claro. – Ele disse displicente. – Você?
- Ok.
Daisy só ficou contente e também tornou a se mover, quando Missy enganchou o braço no seu e saiu a arrastando para a cozinha com a desculpa de que precisava fofocar e embora fosse verdade, ela bem sabia as intensões de Missy.
E naquele exato momento, suas amigas bombardeavam-na de perguntas.
- E aí, como se sente?
- Deus, você está tão pálida...
- Vocês nasceram um para o outro, ah meu Deus! Voltem agora mesmo!
- Quer que eu lhe pegue um copo d’água?
Como ela se sentia? Não tinha tanta certeza... Havia uma enorme interrogação dentro de seu coração que a todo custo tentava explicar os sentimentos e as reações causadas pela presença de Harry.
Pálida? É, ela não duvidava. Porque do momento que seus olhos pregaram nele, teve vontade de desmaiar.
Um para o outro? Ok, sobre isso ela não estava mais tão certa, mas ela costumava dizer isso o tempo todo.
Água? É, não caía mal.
- Água, por favor. – Pediu levando uma mão a testa. – Vai ser uma longa noite...
Quando enfim ela tinha um copo de água em mãos, Daisy percebeu que se formara um círculo em volta dela. O círculo inteiro compostos por suas amigas que mais do que tudo provavelmente queriam detalhes de sua vida nos últimos tempos...
A única que a viu em seu estado de espírito catastrófico havia sido Helen e ela provavelmente contara a Missy, Zoe e Bubbles. Ela não podia sequer culpa-las, afinal, Daisy as evitara religiosamente, não apenas encontros, como também ligações. Daisy literalmente fugira daquelas pessoas que sempre foram boas para ela, desde o início.
Não é que ela estava com vergonha ou coisa do tipo... Ela só não queria ter que olhar para eles e pensar que muito possivelmente também poderia perde-los. Ela pessoalmente não imaginava que os Van Straubenzee, se Harry se mostrasse incômodo, continuariam colocando o nome dela nas listas. Assim como não imaginava que Skippy iria continuar sendo seu amigo e continuar a importunando no Facebook com seus comentários inconvenientes.
Só ali, ela percebeu como sentiu falta de todos eles. Sentiu falta de sua melhor amiga Helen, que sempre estava fazendo-a se sentir melhor, sentia falta de Missy e sua delicadeza, Van e seu senso de humor inabalável, Skippy e sua inconveniência, Bubbles e suas biritas, Zoe e seu jeitinho recatado, Jake e toda sua genuinidade, George tranquilo e amigável e Arthur com seu jeito esportivo de ver e viver sua vida.
- Eu estava com saudades pessoal... – Suspirou.
- Awww, nós também sentimentos sentimos saudades! – Missy disse a abraçando, acompanhada de Zoe.
- Ok, ok, mas eu quero mesmo saber das fofocas, isso aqui está muito parado. – Disse Bubbles rapidamente.
Elas riram e então Daisy colocou o copo de água e se ergueu, procurando serviço. Ela corou ao perceber que não havia nada a ser feito porque... Bem, porque eles eram os Van Straubenzee, que viviam num apartamento, dentro de um palácio e eles tinham criadagem, como qualquer outra família aristocrata.
- Ok... Eu realmente tenho muita coisa pra contar a vocês. – Sorriu Daisy, corando imediatamente.
- Por favor, não nos esconda nada e sequer ouse em pular qualquer coisa. Queremos de outubro, até hoje, obrigada, de nada. – Disse Bubbles puxando uma cadeira.
- Nossa, exigente. – Resmungou.
- Muito. – Missy concordou. – Estamos a todo ouvidos, minha querida.
- Ok, vamos lá então...
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O segredo que Skippy sempre usara para manter uma boa relação com as namoradas de seus amigos e também vir a se tornar amigo delas, era se manter neutro. Ele era amigo dos dois, mas sem misturar as coisas. Ele, por exemplo, por mais que parecesse traição, nunca contara as coisas que Van o confidenciava, a Missy ou vice-versa.
Parece um pouco errado, mas sempre deu certo. Ele sempre pôde manter uma amizade de qualidade com ambos e eles nunca viram problema algum, porque por mais que não fossem saber a intimidade alheia, eles estavam certos de que seu segredo estaria bem seguro.
E é claro, que apesar de conhecer Daisy a um ano e poucos meses, ele tinha um enorme carinho por ela. Enorme mesmo, do tipo irmã! Não só porque Harry era seu irmão mais velho de outro sangue, mas porque ela fizera por onde... Ela conquistou sua confiança e seu carinho, Skippy não era grato a ela somente por fazer seu melhor amigo deveras feliz, mas porque estava certo de que se ele, Skippy, precisasse, Daisy moveria o mundo para ajudá-lo.
E foi em nome desse carinho de irmão que sentia por Daisy, que ele não teve coragem de contar a Harry que ela estava vendo outro homem. Mas não pense que havia sido fácil, se encontrar com Harry quase todos os fins de semanas – desde que ele enfim havia voltado a ignorar Julian e os Harbord – e ter que olhar para seu melhor amigo destruído e não dizê-lo ‘ei seu bobão, faça alguma coisa porque ela está saindo com outro!’.
O problema não era ela sair com outro... Daisy havia feito muita questão de esfregar na cara de Harry um nerd esquisito que seu amigo morria de ciúmes, mas esse cara, não havia sido visto pela mídia – ou seja, Daisy e ele estavam sendo cuidadosos – a única coisa que saíra, havia sido o vislumbre de um beijo, bem embaçado que Harry nem sequer tinha conhecimento, já que ele evitava toda e qualquer notícia sobre a mulher de sua vida.
O real problema daquela história toda é que Daisy parecia-se novamente com a velha Daisy. A Daisy que todos ali naquela sala amavam e realmente esperavam que acabasse casada com Harry, porque eles também amavam o Harry que estava com ela.
Ela estava com esse novo cara, que ao que parece era uma antiga paquera. Ele era mais velho como ela bem gostava, segundo Nate, era inteligente, gostava das mesmas coisas que ela e os dois perdiam muito tempo rindo e conversando no sofá, sobre coisas que ninguém entendia a não ser os dois.
A essência dela emanava outra coisa e a linguagem corporal dela também. Skippy estava certo de que a cama dela não estava mais fria... Ela estava transando com aquele homem e estava aproveitando muito aquele momento de selvageria que lhe havia sido permitido – afinal, aquele cara só queria curtir, enquanto Harry passara o relacionamento inteiro pressionando-a para se casarem.
É claro que ela estava feliz! É claro que ela estava se divertindo! Aquele cara estava dando-a todas as partes boas de um relacionamento e com nem 1/3 das dores de cabeça! O filho da puta não bastava ser bom de papo, ele tinha que além de tudo ser inteligente e tê-la na palma da mão...
Nada contra o cara e também nada contra Daisy – ela estava mais do que certa em viver sua vida, porque afinal, Harry também estava dormindo desregradamente com estranhas. Mas Skippy não podia deixar de se sentir um pouco aborrecido...
As coisas estavam enfim nos conformes! Seu melhor amigo estava brilhantemente feliz e todo mundo também, parecia nos conformes e quando um desastre aconteceu... Quando Harry e Daisy se separaram, e foram cada um para um lado, sofrer sossegado, era como se ninguém ali mais tivesse pique para festejar ‘o conforme’ da situação.
O grupo havia se dividido e eles não tinham mais noites longas na Mahiki, rindo e curtindo. Eles não tinham mais almoços ou reuniões, eles não tinham mais histórias no Facebook ou fotos constrangedoras para provocarem o outro.
E sabe Skippy queria aquelas coisas de volta, ele queria seu melhor amigo sorrindo, ele queria reuniões na casa de Daisy para assistir futebol, ele queria poder conversar com Nate sem os dois ficarem medindo palavras – Skippy tomando cuidado para não mencionar Harry e Nate tomando cuidado em não mencionar Daisy.
Ele estava bem ciente de que uma possível confusão poderia ser provocada e o pior, por sua culpa, mas sem sequer hesitar, Skippy foi até Harry que estava chacoalhando Nik em seu colo, rindo junto com o bebê.
- Então você vai ser a babá hoje? – Indagou.
- Sim... Não me incomoda. – Ele deu de ombros sorrindo. – Gosto de crianças.
- Hm... Costumo compará-las a prejuízo. Por isso vou ter só um ou uma.
- Você fala isso agora. – Disse Harry e então esticou Nik para Skippy. – Vamos, faça uma tentativa.
- Não sei sequer carregar um bebê. – Disse revirando os olhos, mas ainda assim pegou Dominik em seus braços. – E aí rapaz... Você se parece com sua mãe, pro seu azar.
O bebê gritou e sacudiu as perninhas e os bracinhos energicamente, levando as mãozinhas gorduchas até seu cabelo encaracolado e ruivo.
- Ouch, ouch! Filho da Helen! – Resmungou Skippy enquanto com a ajuda de Harry, ele tirava a mãozinha de Dominik de seu cabelo. – Ugh, ouvi falar que você era mais simpático, como seu pai.
O bebê gritou outra vez e puxou o cabelo de Skippy. Harry riu e então tornou a pegar a criança. Quase que automaticamente, Skippy levou a mão até a cabeça, resmungando em dor por seu couro cabeludo quase ter sido arrancado.
- Mau, bebê mau. – Disse suspirando. – Você é filho do George mesmo... É baba ovo da Helen, então é filho do George.
- É um bebê Skippy. – Harry revirou os olhos e beijou a bochecha gorda do bebê. – Mas então, você precisa de alguma coisa?
- Sim, pra ser honesto, eu tenho que te falar uma coisa sobre a Daisy...
- Olha cara... – Harry bufou e revirou os olhos. – Eu estou legal sabe? Só foi estranho vê-la depois de tanto tempo... Tipo nosso relacionamento era muito intenso e estávamos passando por um momento decisivo. Eu sei lá, eu não imagino que vou superar tão rápido, mas eu fiz uma escolha quando terminei com ela e hoje eu vejo que talvez tenha sido bom. Viu como ela está feliz?
- Ela está assim porque tem outro... – Murmurou Skippy se sentindo um pouco mal ao fazê-lo.
- Hm... – Resmungou Harry de má vontade. – Quer dizer que ela e aquele Oliver estão durando... Eu sabia que tinha mais coisa lá.
- Nope. Ela terminou com esse cara há meses! Parece que ele inclusive morre de raiva da cara da Daisy... – Confidenciou Skippy com o pouco que Nate lhe dissera. – É outro homem Harry e ela está saindo com ele sem compromisso há quase um mês... E eles estão se mantendo escondidos da mídia.
Harry franziu o cenho, pensativo e digerindo toda a informação que Skippy despejara sobre ele. Balançando a cabeça negativamente, passando as mãos pelo rosto, Skippy acrescentou.
- E eu a vi no dia que ia sair com ele, no primeiro encontro. – Disse Skippy. – E ela estava muito feliz, radiante.
Não há nada que possa ferir mais um homem apaixonado, do que a ideia de que havia outro homem que fazia sua garota mais feliz. E vendo aquela como um bom momento para pegar Dominik, Skippy o fez, vendo Harry se sentar nas namoradeiras que haviam dispostas na sacada de Missy.
Ele se sentiu imediatamente culpado. Harry já estava se sentindo mal pelo encontro inesperado com Daisy, mas agora o rosto dele era de pura derrota. Era um mal necessário, infelizmente...
- Harry, faça alguma coisa ou vai perdê-la de vez. Ela parou de procurar por você! – Disse em tom impaciente e abafado. – Harry, se você não começar a lutar por essa garota, vai perder qualquer chance de ela voltar pra você. Eu sei que ela ainda te ama e estaria disposta a dá-lo uma segunda chance, porque eu vi a forma como ela olhou pra você. Todo mundo viu e todo mundo está tentando entender que merda é que você fez e porque ainda não tentou consertar as coisas...
- Porque não é justo Skippy... Não é justo com ela.
- E é justo com você?!
- Eu não estou pensando em mim. – Harry replicou frustrado o encarando. – Isso tudo foi o bastante sobre mim e olha como terminou... Com ela numa cama de hospital.
- Pela milésima vez! Você não causou o acidente! Os fotógrafos causaram, eles foram processados e o caso está encerrado. – Skippy tomou então uma namoradeira para si e ajeito Nik em seu colo. – Harry... Você vai se arrepender muito se não fizer alguma coisa! E sabe o que é pior? Ela está desesperada para que você faça algo, porque o que ela podia fazer, já foi feito!
- Ela está com outro... Se ela está com outro quer dizer que não está tão desesperada assim. – Amargamente Harry apontou e então passou as mãos pelos cabelos. – Eu não acredito que ela está com outro... É da faculdade?
- Não. É uma antiga paquera, acho que só foi um beijo e pronto e eles se reencontraram e agora estão saindo casualmente.
- Ela está transando com ele... – Resmungou Harry e riu sem humor. – Puta merda, o que foi que eu fiz?
- Pois é cara, é essa a pergunta que eu estou me fazendo há meses e ela também, provavelmente! – Apontou Skippy frustrado, mas mais contente ao perceber que Harry estava afetado. E Harry era um homem impulsivo, agia sempre no calor do momento. – Harry... Se quer Daisy de volta, é melhor começar a agir. Peça para leva-la pra casa, conversem, briguem, chorem, façam o que tiver de fazer para consertarem as coisas.
- Não é fácil assim, Skippy... Eu fui tão canalha com ela.
- Sim, você foi e é hora de consertar as coisas. Pare de ficar insistindo nessa babaquice de protegê-la, porque ela não quer ser protegida. Ela quer ficar com você, mais do que tudo, ela quer ficar com você.
- Mas ela está feliz! – Insistiu Harry.
- Então lembre-a que ela costumava ser três vezes mais feliz com você! Apenas faça alguma coisa porque ninguém mais aguenta essa situação... E o pior, ninguém tinha coragem de dizer! – Skippy desabafou. – Ninguém mais aguenta esse clima e essa coisa louca de ser amigo pela metade... Metade você e metade Daisy. Não é justo que tenhamos que nos sentir dessa forma e pior, não é justo que vocês dois se sintam assim! Se você quer, se ela quer, se você a ama e se ela ama você, o que há mais para se discutir?
- Eu fiz isso pelo bem dela... Foi tudo porque eu queria protegê-la.
- Infelizmente, você não pode protegê-la. – Skippy negou com a cabeça. – Coisas ruins acontecem e estão longe do nosso controle Haz, você não pode se esquecer disso. Você não se sente mal por ter que matar alguns ‘caras maus’ no Afeganistão, porque afinal, coisas ruins acontecem... É o seu trabalho. É o trabalho do destino foder as coisas também! Mas cabe a você, lutar para que ainda assim, mesmo quando tudo está fodido, ainda valha a pena.
- E se ela não achar que eu valho mais a pena?
- Ainda assim, você vai poder dormir mais conformado, porque sabe que é porque não foi bom o bastante e não merece! E não porque foi covarde!
Harry ficou em silêncio e Skippy permaneceu o encarando, como se aquilo fosse o pressionar a tomar uma atitude. Seu amigo mantinha-se mordendo o lábio inferior, balançando seu joelho, num sinal de que estava tentando pensar. Ele estava colocando na balança suas escolhas para manter Daisy segura e medindo-a com o amor descomunal que sentia pela mulher que estava na cozinha.
E foi quando Harry se levantou, decidido e corajosamente, indo na direção da cozinha. Skippy respirou enfim, satisfeito.
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Harry estava ciente de que terminando com Daisy, estava automaticamente dando-a liberdade para fazer e viver da forma que bem quisesse. Ela não devia mais satisfações a ele, não devia ao Palácio e era novamente uma pessoa não-pública e o mais importante, solteira. Ela era solteira e isso dizia que ela poderia se relacionar intimamente com outras pessoas...
Ele sabia que ela estava namorando Oliver e sabia também que Daisy havia feito aquilo mais para provocá-lo do que bem intencionada em se relacionar com o garoto que havia sido fisgado a primeira vista, por seu charme. Ela havia feito bastante questão de tornar aquilo público e os tabloides muitas vezes chamaram-na de desesperada, mas Daisy não deu a mínima.
Agora, esse cara novo que Harry nem escutara falar, que Daisy estava tão radiante e distribuindo sorrisos por aí, era algo com que ele tinha que se preocupar.
Quando ele chegou a sala, ignorou seus amigos completamente e foi em direção a cozinha. Ele quase que sentiu seus amigos ficarem imediatamente tensos e pararem de falar, examinado seus movimentos.
Lentamente, ele se aproximou a tempo de escutar a voz dela... E mas que surpresa! Estava falando dele...
-... Ele está ainda mais bonito se possível, Helen! – Contava Daisy. – Nosso primeiro encontro, ele me levou pra jogar sinuca num boteco aí, bebemos cerveja e comemos batata frita. Sabe, achei bem legal da parte dele. Não foi um encontro romântico, forçado...
Harry até mesmo engoliu em seco.
- Ele entende que não é isso que eu preciso agora. – Apontou Daisy satisfeita. – E sabe, ele nunca força nada. Nós estamos nos divertindo na companhia do outro e pronto.
- Tá, tá! – Disse Bubbles com pouco caso e Harry quase a agradeceu, pois seu estômago estava revirando. – Mas o que eu quero realmente saber... E o sexo?
Naquele momento, Harry ficou parado e se possível prendeu a respiração. Seus punhos se cerraram, quando as meninas começaram a rir e fazer brincadeirinhas sujas.
- Nossa, ele é bom... Ele é muito bom, o que faz. – Disse Daisy parecendo satisfeita e confortável.
- E ele é grande?
- Nada extraordinário.
Por algum motivo aquilo o deixou mais calmo...
- Mas ele tem bastante fogo. – Daisy disse. – Eu gostei muito, mas não é minha parte favorita sobre ele... Como eu disse, eu gosto desse clima descontraído e sem cobranças que nós temos.
Ele iria interromper aquilo de uma vez, antes que algumas daquelas amigas loucas de sua ex-namorada, cobrasse a comparação da performance de cada um deles na cama. Ele não precisava escutar aquilo – não porque ele tivesse duvidas de si mesmo, porque estava certo que nenhum homem já havia deixado Daisy mole numa cama como ele deixara, mas porque não queria saber os métodos que aquele cretino exercia em cima dela.
- Daisy, posso falar com você?
Ele nem pediu licença para entrar na cozinha e pela cara das meninas, elas provavelmente sabiam que ele havia escutado tudo. Daisy, porém, manteve-se impassível, picando palmitos.
Parecia nervosa, mas seu rosto não expressava emoção alguma. Ele só sabia que ela estava nervosa porque os ombros caíram e ela mordia o lábio inferior, como se a vida dependesse daquilo.
- Daisy? – Tornou a chamá-la.
- Ok. – Ela disse de uma só vez, empurrando a tigela, largando a faca e o que restara do palmito. Voltou-se para Missy, educadamente. – Eu já volto...
Foi algo muito automático, foi como se ela já soubesse o que Harry queria porque na sala, ela passou simplesmente sem dizer nada aos rapazes e ele igualmente, mas quando estavam no hall, Daisy pediu a governanta gentilmente, seu casaco e sua bolsa de volta, Harry fez o mesmo.
E do lado de fora, estava Simon, pacientemente fumando enquanto o aguardava e quando o viu, e ainda mais acompanhado de Daisy, ele jogou o cigarro fora e ajeitou sua postura.
- Eu vou pegar a chave com ele. – Disse a Daisy.
- Onde é que você vai me levar? – Ela exigiu, inflexivelmente.
- Não vou te levar a lugar algum, vamos só... Dar uma volta e conversar enquanto o fazemos.
- Certo. – Ela engoliu em seco, parecendo pouco satisfeita.
- Ou podemos ficar aqui e resolver tudo o que tiver pra ser resolvido, na frente dos nossos amigos, o que é que você acha? – Perguntou Harry bruscamente enquanto caminhava na direção de Simon.
- Eu acho que a gente podia muito bem excluir essa parte, mas como você sempre faz questão de um drama... Bem, aí vamos nós então.
- Você que concordou em vir.
- Você nunca dá escolha a ninguém.
Harry decidiu ignorá-la, até porque ele precisava estar calmo para ter aquela conversa com Daisy. Tudo com ela era mais complicado e sempre tinha que ser feito de forma tranquila, porque se ela começasse a se estressar e ele também, a coisa seguiria um caminho diferente e era um caminho que Harry não fazia a menor questão de estar.
Ele não deu qualquer escolha a Simon. Apenas o comunicou que daria algumas voltas e que ficaria bem – Simon é claro tentou insistir, mas por fim, estava colocando as chaves do Land Rover na mão estendida de Harry.
- Se precisarem de alguma coisa, qualquer um dos dois... – Ele deu ênfase a parte final, olhando enfaticamente para Daisy. – Liguem-me.
Harry simplesmente acenou e suspendeu os vidros, dando então partida no carro.
Quando ele a pediu para ir ali, ele não imaginou que seria tão difícil iniciar qualquer coisa. Ele também nunca imaginou que sentiria medo... Literalmente, medo de Daisy.
Decidiu então, ser bastante direto, como ele sempre havia sido e ela também. Porque sentada ali ao seu lado, um pouco mais deslumbrante talvez, mas ainda assim era a mulher que ele amava, a mulher que por um ano ficou ao seu lado... Por isso, respirou fundo e disse de uma vez, enquanto dobrava a curva.
- Você está saindo com alguém, não está? – Ele perguntou desconfortável e embora a resposta fosse bastante óbvia, imaginou que fosse uma boa forma de iniciar a conversa.
- Estou. – Daisy acenou com a cabeça e o encarou. – Mas você já sabe disso...
- Bem, me desculpe por querer ouvir da sua boca... – Deu de ombros.
- Mas você ouviu. Estava nos xeretando. – Retrucou Daisy duramente. – O que você quer Harry?
- Conversar é claro! Coisa que você espontaneamente, aceitou.
- Bem, então converse.
- Eu estou tentando!
- Vá direto ao ponto, deixe de enrolação...
-x-
Ele freou repentinamente e Daisy bufou, irritada pela surpresa e então tirou o cinto ao ver que Harry fizera o mesmo. Com os olhos cheios de emoção, ele a encarou parecendo frustrado e nervoso.
- Eu acho que cometi um erro...
Ela engoliu em seco imediatamente. A única coisa que ela esperava era uma crise de ciúmes e Harry tentando tirar dela a todo custo, com que pessoa ela estava saindo. Daisy não esperava isso...
- Harry...
- Daisy, por favor, me escute. – Ele pediu pegando em suas mãos. – Eu acho que cometi um erro terrível ao deixa-la. Realmente terrível... Eu sei que eu fiz coisas horríveis nesse meio tempo que estivemos separados, mas eu não posso mais continuar vivendo assim.
Daisy desviou o olhar, sentindo suas mãos tremerem. Ela respirou fundo uma porção de vezes enquanto Harry, impensadamente, jogava tudo em cima dela. Seus olhos estavam ardendo e na sua garganta havia um enorme bolo.
- Amor, eu sei que não é justo, porque eu te deixei por cinco meses e eu estou certo de que se você deixou esse cara se aproximar de você, é porque ele deve ser incrível, mas... Eu também tenho certeza que ele não faz você sentir metade do que eu faço.
E como poderia? Daisy riu sem humor e balançou a cabeça negativamente. Naquele tempo em que estivera com Andrew, é claro que havia pesado os dois na balança e não importa o quanto Andrew fosse maravilhoso, Harry era uma concorrência dura para qualquer possível namorado dela.
- Eu não consigo ser feliz sem você. – Disse ele suspirando. – Eu não consigo me interessar por outras mulheres, eu não consigo dirigir meu próprio carro ou dormir no meu quarto. E nos últimos dias principalmente, eu tenho sentido tanta, mas tanta sua falta querida...
Era muita sacanagem com ela... E por mais que aquilo fosse provavelmente o que ela passara todo o tempo desejando escutar – Harry implorando para tê-la de volta – Daisy naquele momento apenas desejou que ela tivesse dito-o não, que ainda estivesse na cozinha com Missy e as meninas, que ele estivesse comportadamente ignorando sua presença, porque então tudo seria mais fácil.
- Eu me sinto um crápula por coloca-la nessa situação, porque de todas as pessoas do mundo, você é a última que merece isso e principalmente levando em consideração o quanto você foi maravilhosa comigo em nosso relacionamento, eu deveria ser um pouquinho mais grato e lhe poupar disso...
- É, mas não está. – Foi a primeira vez que ela se pronunciou em tempos e bastou o ato, para as lágrimas começarem a escorrer. – Harry, por que está fazendo isso comigo?
- Eu amo você. – Foi o que ele disse, enconchando seu rosto e limpando as lágrimas. A todo o momento, os olhos dele nunca deixaram os dela. – Eu sou terrivelmente louco por você.
- Eu não posso Harry... – Ela pegou-se dizendo e provavelmente, a Daisy de alguns meses atrás teria a dado um tapa na cara e perguntado se estava louca.
Infelizmente, não podia. Não agora que a vida começara a entrar nos eixos, que a bagunça estava organizada, que ela já não estava se sentindo miserável pelos cantos! Ela não ia se colocar naquela situação em que largaria tudo para estar com Harry e então, eles seriam supostamente felizes juntos, e ela retrocederia até ao ponto de largada e se esqueceria de tudo o que aprendera e conquistara naquele pouco tempo de recuperação própria.
- Por que não? – Ele desesperadamente perguntou, aproximando o rosto do dela.
Imediatamente se deu conta do que ele fazia. As mãos não mais em seu rosto e sim sobre seu corpo, o rosto próximo do dela, as bocas se roçando e as testas grudadas na outra – querendo ou não, o corpo dele ainda tinha reação sobre o dela.
Porque por mais que Andrew fosse incrível, ele ainda não era Harry. Ele ainda não beijava tão bem quanto Harry, não fazia amor tão bem quanto Harry, não a fodia tão bem quanto Harry, não a fazia rir tão fácil quanto Harry e não a completava como Harry.
E realmente, se colocasse na balança, Harry ganharia disparado de Andrew, mas Daisy infelizmente não podia deixa-lo ter aquele controle em cima dela agora... Ela já havia percorrido um caminho longo e não podia dar pra trás na metade do processo. Ela precisava de tempo.
- Porque eu estou magoada ainda. – Ela disse honestamente, fazendo-o abrir os olhos. – Porque eu estou com ódio de você... Porque você quebrou meu coração e me deixou quando eu mais precisava de você. E foram meses muito difíceis e só agora, eu estou me sentindo bem e o mais importante, eu não precisei de você para me sentir bem.
Harry engoliu em seco, ainda sustentando seu olhar.
- Desculpe, mas declarações de amor não serão boas o bastante dessa vez. – Daisy disse baixo. – Eu amo você, mas estou com medo de me entregar a você outra vez. Eu preciso que você entenda e que me respeite.


