Belhell
ApĂłs o sucesso de Pssica, Edyr Augusto retorna com mais um livro carregado de violĂŞncia e crĂtica social. Assim como no romance de 2015, a narrativa de Belhell exige máxima atenção do leitor para seus parágrafos longos e páginas onde tudo muda em uma virada.
Diferentemente de Pssica, nĂŁo há um fio condutor, mas várias tramas esticadas pelo olhar de Gil, Paula, dr. Marollo, Paulo e SĂ©rgio AragĂŁo, os protagonistas. Sobrepondo seus narradores, o escritor paraense criou o clandestino Cassino Royal, por onde desfilam garotas de programa, polĂticos corruptos e policiais numa estĂ©tica de vale tudo. Assim como nĂŁo existe possibilidade de previsĂŁo das ações, tambĂ©m nĂŁo há segurança. Vida e morte caminham juntas. Misturando sua matilha, Edyr Augusto metamorfoseia BelĂ©m em um purgatĂłrio na Terra.
Seus personagens nascem e morrem com a velocidade de um ponto-parágrafo, missões e emboscadas se empilham atĂ© que nĂŁo sobre cadáver para contar a histĂłria e tudo Ă© frenĂ©tico, Ă s vezes mais do que o necessário. Escrito com a vertigem habitual de seu autor, Belhell Ă© a histĂłria de uma cidade condenada inserida em um paĂs fracassado. Mesmo derrapando no Ăşltimo terço da narrativa, trata-se de uma leitura-experimento de fĂ´lego, e desvendar seus segredos pode ser um sopro anti-tĂ©dio – ainda que carregado de sangue.
Nota: ✩✩✩













