Alguém me disse que, para escrever bem, é preciso escrever o que se sabe. Isto é o que eu sei: tenho 25 anos e eu nunca beijei um garoto. Uma intelectual inveterada, passei a infância fazendo dever de casa extra que pedia à professora. Foi o mesmo no colégio. Então, aos 17 anos, parecia que minha sorte iria mudar. O cara mais bonito me convidou para o baile de formatura. Mas foi só uma piada cruel, e eu nunca me recuperei. Não é fácil compartilhar isso com todos. Mas seria difícil explicar o que aprendi e como aprendi sem compartilhar esta história humilhante. Recebi meu primeiro trabalho como repórter, que seria voltar ao colegial e conhecer os jovens de hoje. Acabei conhecendo a mim mesma e descobrindo que o colegial não mudou nada. Ainda há aquela professora que dança no seu próprio ritmo. Aquelas garotas de sempre, aquelas que, mesmo quando envelhecem, continuam sendo as garotas mais lindas que você já viu na vida. A garotada inteligente, que todos chamam de “cérebros”, mas que eu conhecia como companheiros, meus professores, meus amigos. E ainda há aquele cara, com aquela autoconfiança misteriosa, que parece perfeito em todos os aspectos. Aquele por quem você levanta e vai a escola todas as manhãs. South Glen não seria a mesma sem ele. O colegial não seria o mesmo sem ele. Eu não teria sido a mesma sem ele. Vivi uma vida de arrependimento após minha primeira experiência no colegial. E agora, após a segunda, meu arrependimento é apenas um. Um certo professor foi magoado na minha busca por autoconhecimento. E, apesar de este artigo esclarecer os fatos, de maneira alguma desculpa o que eu fiz com ele. A esse homem. Você sabe que é você. Eu lamento tanto. E quero acrescentar mais uma coisa. Acho que estou apaixonada por você. Então, eu proponho o seguinte: como final deste artigo, e talvez começo do próximo capítulo de minha vida, eu, Josie Geller, estarei no jogo final do campeonato estadual de beisebol, onde meus amigos, os South Glen Rams, estarão disputando o título. Ficarei em campo por cinco minutos antes do início do jogo. Se esse homem aceitar minhas desculpas, eu peço que ele me dê meu primeiro beijo verdadeiro.
Nunca Fui Beijada, 1999


















