ter sido quase obrigada pela família para entregar um quadro na casa dos blade parecia apenas mais uma perda de tempo causada pela tentativa incansável da mãe indicar uma vasta opção de jovens disponíveis e melhor para a família do que qualquer garota. não tinha interesse em baron blade, ainda mais pelo mesmo sobreviver no colégio sendo o ideal completo de masculinidade tóxica e predadora. a verdade era que, mizar nunca tinha um motivo profundo para não gostar das pessoas: ela simplesmente não gostava, havia aprendido a não ver outros como algo além de interesse momentâneo e mestrado na máscara absurda que cercava o seu círculo social, os motivos que procurava em um contexto geral existiam apenas para que, em uma conversa, pudesse sair por cima com seus argumentos. a surpresa, todavia, era encontrar um mundo completamente diferente em um dos cômodos da mansão fazendo sua visita pelos menos ter um propósito real. a máscara de baron havia caído diante seus olhos e não resultaram em nada além de risos ao ter provas mentais do jovem assinando mais uma de suas pinturas expressionistas com um pseudônimo nome coerente de ❝ b. ❞. a ideia do grande atleta pegador ser um artista conhecido e admirado até mesmo pelo seu pai o tornava extremamente interessante: e cheio de oportunidades para explorar.
pensava, em sua banheira morna, que talvez convidá-lo para o jantar fosse apenas uma perda de tempo para ambos lados, mas a verdade era que não custava nada tentar desenvolver uma situação e, pela primeira vez naquela implicância que os pais haviam imposto, a jovem estava com vantagem. enrolada no roupão branco contendo o brasão da família eakins, fazia uma grande pesquisa relacionada as obras publicadas do rapaz: seu pai havia falado algumas vezes do expressionista atual, um dos poucos ainda admirados após as diversas revoluções artísticas. sentimentos, algo que baron nunca demonstrou ter: angústia e um tormento admirável aos olhos da jovem. enquanto as obras de mizar eram focadas no visual, na estética humana e seus traços, o expressionismo focava em sentimentos. talvez o outro não soubesse o quão interessante havia acabado de se tornar para uma jovem e ele poderia não se importar, mas ela... aquilo não sairia da sua cabeça tão cedo até a hora do jantar. era difícil ver mizar tão fixada em algo, mas se divertia em momentos como aquele. ali estava ela, na frente do espelho já atrasada para o jantar que ela mesma havia combinado com o jovem baron. o vestido preto de mangas caídas, com detalhes cintilantes na calda que estendia até os seus pés. os de ouro escorriam pela sua orelha acompanhado de um cabelo castanho com mechas californianas loiras. sapato alto preto e uma bolsa combinando com a tonalidade cintilante do seu vestido. lábios com um batom nude, maquiagem casual e as longas unhas pintadas de um nude levemente mais claro do que a cor de sua pele, beirando ao rosa claro.
o exclusivo laferrari aperta preto dirigido por mizar demorou exatamente dezessete minutos para chegar no restaurante mister a’s, tempo o bastante para deixar o convidado esperando sem que perdesse a paciência por completo e saísse do local. ela tinha a informação, e por isso na visão dela, ele quem tinha que esperar. foi indicada pelo atendente a mesa que havia reservado, tendo a cadeira educadamente puxada para que tivesse liberdade para se sentar na frente de baron. colocou um sorriso no rosto, sentando-se apenas após depositar um beijo no rosto do rapaz com uma cordialidade esperada da dama em jantares públicos. ― como foi o seu dia, querido? ― esperou a resposta do jovem, logo se virando para o garçom pedindo o menu de bebidas light da noite. as opções foram postas na mesa, e logo pediu o coquetel de maracujá sem a incrementação do álcool pela idade ilegal de ambos: mesmo que subornasse os garçom com dinheiro fosse uma opção viável, deseja estar sã para aquela noite. ― hoje eu estava me questionando algumas coisas... uma dessas era a necessidade de alguns artistas forçarem um mistério acerca do seu nome. vergonha de descobrirem que as artes consideradas profundas que compram tem autoria de um adolescente arrogante? não sei, acho que não tenho experiencia com isso... mas e você, tem alguma opinião sobre o assunto? talvez possa iluminar melhor o meu caminho.