“e eu descobri por outras pessoas que não eram você, me mandando um monte de coisa e perguntando se não era meu namorado ali.” retrucou, sem entender como ele não assumia que ao menos nessa parte não tinha como tirar a sua culpa. toda a questão da traição, por mais que não gostasse disso, ainda poderia ser discutível de certa forma por nenhum ter como provar com total certeza o que estava afirmando (as tais fotos poderiam significar o que pensava ou ser um equívoco, por exemplo), mas que ele não tinha avisado porque não queria era fato. “certeza mesmo?” certamente que qualquer um nessa situação preferiria achar que faria algo mais certo se olhando de fora, era muito mais fácil imaginar esse tipo de coisa quando não havia realmente passado pela situação. como fora o seu caso. “como eu não pensaria até hoje? nós paramos de nos falar depois daquilo e, na primeira vez em que a gente se encontra de novo, você é um babaca e fica fazendo pose de quem não tá nem aí. olha, me desculpa se isso te deixa chateado, mas não pode me dizer seriamente que não vê meus motivos pra isso.” engoliu em seco após a última parte, não estava querendo atacá-lo de nenhuma forma, pois certo que a última coisa que queria era transformar aquilo em mais uma discussão insuportável. todavia, ela falava sério, poderia até ter questionado a si mesma em outros momentos sobre toda a situação de seu término, mas sempre que a dúvida vinha, somente pensar sobre o desenrolar das coisas entre eles era suficiente para afastá-la. sua reação ao escutar a fala alheia foi ficar em silêncio e encarar qualquer canto que não fosse ele, preferindo pensar sobre o que lhe fora dito. era certo que não sabia se poderia acreditar nele sobre a história toda, por mais que ouvir novamente seu lado, naquele contexto, acabasse despertando questionamentos. “zachary.” murmurou o nome alheio, saindo de onde estava sentada e dando um passo à frente, tocando em seu braço com a mão canhota ao que seu olhar buscava o dele. “tudo bem, eu acredito em você. na intenção não ter sido me chatear.” mesmo que estivesse falando mais para acalmá-lo, ainda tentava se colocar no lugar dele e imaginar que, ao menos, poderia não ter sido essa sua vontade ao optar por não comentar sobre onde ia. em alguma coisa precisava dar o benefício da dúvida, nem que ao menos nesse momento. “como que você chegou na conclusão que só ir falar comigo de novo seria a mesma coisa que assinar sua culpa? não é questão de se você fez ou deixou de fazer algo, esse não é o ponto. nós nunca vamos saber se adiantaria de algo ou daria a exata mesma coisa, porque você nem tentou, só assumiu isso.” nesse ponto em específico, a mágo acabou se mostrando em sua voz, mesmo tentando mantê-la firme. “você diz que eu assumi coisas sobre tudo, ok, mas você fez o mesmo. ”
Quando escutava Maddie falar daquela forma, entendia o ponto dela, realmente era algo que ele questionaria ela, mas ao mesmo tempo sua cabeça só conseguia se defender. Ficou calado até ser questionado de novo. De primeira assentiu com a cabeça, mas depois abriu a boca pra responder direito. "Você me conheceu assim, eu sempre fui de festas, se fosse o contrário eu ia achar estranho, ah sei lá Maddie." Estava impaciente, mas ao mesmo tempo reconhecia sua postura. Depois de um tempo só a escutando tentou retomar a postura anterior, não queria parecer nervoso ou trata-la mal e mesmo que não tivesse com a voz alterada, por dentro, sentia-se mal. "Certo, eu entendo você não confiar em mim e eu não me expliquei e você pensou logo o pior no dia, mas não é como se você fosse fácil comigo também. No primeiro dia de aula o nosso primeiro encontro foi péssimo e eu não fui o único provocando ali." Pressionou os braços cruzados contra o corpo, recostando-se na parede e olhando dos pés para a garota e voltando para os pés. A forma como ela chamou seu nome suavizou um pouco mais sua expressão, acabou erguendo o rosto pra a olhar direito quando sentiu o toque. Estreitou um pouco os olhos na direção dela, dessa vez não em desafio, mas em confusão. Então ela acreditava nele? Depois de pensar um pouco, entendeu que ela só tinha falado da intenção. Balançou a cabeça em afirmação de novo, dessa vez só acompanhando o que ela estava dizendo, não por concordar. "Porque... Porque no primeiro dia eu fiquei com raiva e depois, dei lá, triste, depois eu pensei que você falaria comigo e... Me dava raiva que você também não deu o braço a torcer. Eu passei o verão com raiva e pensando que se você não tinha vindo falar é porque achava que eu tinha mesmo traído e eu não queria tá com alguém que achava isso de mim." Ao menos era como gostava de se enganar. "Entendi seu ponto..."