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( starter ) — @baretha
No interior de Hokkaido, a modernização avançava cada vez mais brusca com o final da Era Showa, escavadeiras rasgavam o solo antigo para a construção de um complexo industrial, e o que emergiu não foi apenas terra revolvida. Ossos antigos e adormecidos persistiam para serem lembrados. Aquela região, antigamente, era palco de uma cultura indígena riquíssima, os chamados Ainu. Para o shinigami, o feito significara uma ruptura. A terra não gosta de ser aberta quando guarda memórias que deveriam permanecer seladas, ainda mais quando não oferecem o devido valor.
O cair da noite trouxe ventos cortantes para a região descampada, e discreto como sempre, permaneceu com os olhos atentos à irregularidade espiritual que vibrava no ar há tempos. Não sentiu apenas a presença da morte, era algo mais denso, como se a escavação dos humanos tivesse acordado um eco antigo demais para pertencer àquele lugar. Ajeitou as vestes e continuou caminhando na via de terra. O som chegou antes da visão, uma espécie de choque seco de ossos colidindo, ritmado pelo vento rígido. Arata ergueu o olhar e encontrou a silhueta colossal pelo céu escurecido. Não era de toda forma uma surpresa um Gashadokuro por ali, imenso, carregando memórias que nem diziam respeito à sua existência, feito daquilo que fora um dia abandonado.
Ainda assim, não atacava. Sem uma destruição iminente, o shinigami percebeu que uma individualização havia se instaurado, não saberia dizer em que momento, mas de fato, aquele ser parecia inerte, só observando a cratera aberta no solo. Arata aproximou-se com serenidade, sem temê-lo. Caso fosse fome, o cenário seria outro; se fosse raiva, as máquinas já estariam reduzidas a metal retorcido. Suspirou fundo, tentando afastar o frio que insistia em perturbá-lo. A ausência de violência era, por si só, uma declaração de consciência. O shinigami analisou as ossadas parcialmente expostas.
“Não foram enterrados corretamente.” – Murmurou ao constatar a situação. O ar pareceu vibrar de forma diferente ao redor da estrutura gigantesca. Arata inclinou levemente a cabeça, estudando-o. – “Você é feito de ossos abandonados...” – Sua voz não carregava provocação, apenas lógica. – “Isso deveria ser irrelevante para você.” – O silêncio que se seguiu se mostrou hesitante. – “Consegue distinguir o que é deles do que é seu?” – Perguntou curioso, precisava ter alguma confirmação da sua teoria. – “Se sim, então você não é apenas uma consequência.”
Pics of Baretha from the Commander Voss Redone mod page 😳💖
@baretha enviou uma ask:
“ Quando o relógio deu meia-noite, Kai virou-se para o lado e disse “Feliz aniversário, Arata”. Já há mais de centenas de anos os youkais comemoravam o aniversário na companhia um do outro, mas a recém chegada primavera deixava a data particularmente agradável. { bejo } ”
Não saberia dizer exatamente quando a garoa havia começado a despencar do céu escurecido. Só passou a prestar atenção ao seu redor quando ouviu as gotas finas e insistentes atingirem as janelas cobertas acima do futon confortável e espaçoso. Pouquíssimo tempo depois sentiu o parceiro ocupar o devido lugar ao seu lado. Era mais comum se deparar com o cenário oposto, onde o artesão demorava para se dispersar quando a onda de criatividade inundava sua mente naturalmente inquieta, por isso o atraso para enfim, tentar se desligar da realidade.
Inevitavelmente um sorriso curto e sonolento se fez presente no rosto cansado do shinigami. Não queria admitir, mas havia sido pego de surpresa, mas já? Sinceramente, nas últimas semanas não se atentara direito no tempo, já que não havia nenhuma encomenda valiosa para se ocupar. – “Valeu...” – Proferiu em um tom ameno, quase um sussurro. Considerava as datas referente aos aniversários realmente significativas, pois, era uma luta diária e aparentemente eterna para que não perdesse os privilégios de habitar um corpo humano. E se encontrar nas condições atuais, mais um ano... Era de fato prazeroso.
Como sentia a necessidade de variar com certa frequência, talvez não optasse pela mesma comemoração do ano passado. Nem ao menos pensara com antecedência, era uma negação para se desvincular verdadeiramente de seu trabalho. Sentia na pele os contras de ser seu próprio patrão.
Toda vez era a mesma sensação dolorosa, e como a odiava... A sensação de que o tempo passava muito mais rápido quando estava finalmente na sua forma energética e material completa. – “Venha cá, me abrace.” – Pediu, procurando o braço de Kai pacientemente, tateando-o sem ao menos virar-se para fitar o companheiro. Ah, como amava o calor humano... H u m a n o. Invejava pelo youkai não precisar viver em função de se manter aquecido. Suspirou contente pelo contato correspondido, acariciando lentamente o braço que agora, o apertava carinhosamente.