Não confunda Autocrítica com Autopiedade! A importância de conhecer a si mesmo deveria ser nítida a quem já permeou os discretos saberes do misticismo, principalmente a aqueles que se identificam, ainda que brevemente, com os dizeres de Anton LaVey em seu livro A Bíblia Satânica. Para aqueles que se consideram satanistas conhecer o conceito de Self ou entender o que define Satan é o B-A-BA de todo dia. Porém com o passar dos anos eu notei que o comportamento de muitos adeptos desta filosofia quanto a si mesmos é tão raso quanto suas reflexões, seus hábitos são estruturalmente sensíveis a mudança e completamente solidificados pela estabilidade prática. O que isso quer dizer? Quer dizer que estão se comprometendo com um título e uma filosofia as quais não sabem nada a respeito. Self é um conceito já estabelecidos a muitos anos pelos autores de textos e livros satanistas, principalmente os autores brasileiros, e não se deve ignorar isto. É necessário saber de cor a diferença entre autocrítica, autoanálise e autopiedade, dando a esta última maior atenção. É de grande importância para seu desenvolvimento pessoal que evolua, que passe para uma nova fase, que encontre novos problemas, que triunfe sobre desafios que a pouco tempo nem existiam. Se for o seu caso, trago um novo desafio: Não seja piedoso consigo. Eu sei que já sabe o que é ser autocrítico, que sabe o que significa analisar a si mesmo, mas gostaria de lembrar que infelizmente o processo não pode e nem deve parar por aí. Com certeza já leu ou ouviu de alguém que seu maior inimigo é você mesmo e isso é uma enorme verdade, é inegável. Agora pense, tente encontrar uma razão para ser piedoso com seu maior inimigo, pense “Pode a vítima dilacerada e coberta de sangue amar o sangue esguichado pelos tubarões que a dilaceraram membro por membro?”. Não é natural encaramos a nós mesmos como predadores capazes de dilacerar nossa própria carne, de dentro pra fora, nos banhando com nosso próprio sangue eternamente sem sair do lugar. Mas é curioso pensar como existem símbolos espalhados por várias seitas, várias fontes de conhecimento oculto, os quais com toda certeza já visitaste. Alquimia, Alta Magia, Thelema, Bruxaria, Cultura Nórdica, tanto faz, todos possuem um símbolo que em algum momento pontua este eterno ciclo de autodestruição o qual não estamos dando a devida atenção. Leviathan ou Ouroboros são os símbolos mais utilizados no meio Satanista para representar este Ser monstruoso capaz de lhe rasgar em pedaços e espalhar seu sangue aos quatro ventos sem se quer titubear sobre seus atos. Conhecer este símbolo e não ser capaz de reagir, não ser capaz de sobrepor esta forma de existência irracional é a armadilha da autopiedade. Isto é se deixar consumir em vão, é ser incapaz de enfrentar suas défices, é necessário desenvolver as habilidades que lhe são exigidas, é necessário possuir os conhecimentos exigidos pela sua realidade. “Abençoado são os fortes, pois eles herdarão a terra. Amaldiçoados são os fracos, pois herdarão o julgo!”. Não se deixe enganar, conhecer a si mesmo não basta. Se acha que conhecer seus limites e características é o suficiente para que seja melhor então não vá ao médico da próxima vez que enfrentar doenças, não tome remédios, não peça conselhos ou direcionamentos. Um problema não se resolve sozinho, ele não irá largar sua carne pelo simples fato de que está ciente de sua existência. Observar esta fera mastigar seus ossos e apiedar-se penas pelo fato dela carregar seus traços e feições é um ato de inação mortal, é uma armadilha de inércia absolutamente fatal. Não se permita cair nessa armadilha do Ego. Não se permita ser destruído por si mesmo. Não caia na armadilha da autopiedade, não pense nem por um segundo “este sou eu e isto é tudo o que posso ser.”. “Então todos os meus ossos dirão desdenhosamente, "Quem é como eu? Não tenho sido forte contra meus adversários? Não tenho libertado a mim mesmo pelo meu próprio cérebro e corpo?".”. – Anton Lavey. - Daemonus