Quisera eu sentir a solidez das pedras frias
Encarando-me com as íris coloridas e flácidas
Com os olhos pousados em minha carcaça
Enquanto me estiro sobre o chão sujo.
Mas a solidez, meu caro,
A solidez é como o plural.
O plural não cabe nos meus olhos,
Nos braços,
No peito,
Nos cabelos ou na ponta dos dedos.
O plural é, sobretudo, a maior mentira dos gramáticos
Um vácuo inexplicável na mente dos linguistas
Cheio de linhas cortantes e finas misturadas
Cobrindo a natureza do meu ser.
Eu não sirvo para o plural,
Para certos futuros,
Não há em mim concordância verbal ou temporal.
27/04/26.
— Diego Bittencourt.


















