“4h da manhã.
Estou na estrada. E…
Esses pontos acima de mim.
Essas marcas de pneu.
Essas placas que mostram tal velocidade excesiva para se viver.
Esse escuro que se faz presente.
Tudo brilha.
Tudo reluz.
Mas nada brilha tanto quanto, aqueles seus olhos fríos.
A velocidade aumenta.
Essa lua, escondida.
Essas nuvens eternamente perdidas na escuridão da noite.
Esses feixes de luz deixados para trás por casas, carros, tanto faz.
No momento. Nada brilha mais do que a lembrança daquele olhos fríos a me encarar eternamente.
Me perco em pensamentos.
Essa cidade.
Essas pessoas que passam nas ruas, apressadas, com tal velocidade excesiva de se viver.
Esse Sol que acaba de aparecer de trás da montanhas.
E nada brilha mais do que aquelas últimas lágrimas deixadas por aqueles olhos fríos!
Eu vejo o mar, sinto sua magnitude existencial.
Percebo com espanto.
Apenas ele pode brilhar de forma igual aqueles olhos fríos.
Foi como um espelho.
E em suas águas escuras e cristalinas vi refletido aqueles tênues olhos fríos.
Refletidos de tal forma, que posso afirmar a mesma pureza e solidão deste que reflete com tal precisão os seus belos e brilhantes Olhos Fríos.”