não era segredo para ninguém da região a relação conturbada que taylor dividia com a família, principalmente com o pai. por essa razão, quando a garota trocara desavenças com o mais velho diante de um dos eventos da cidade, as pessoas ao redor não se surpreenderam. a situação fez com a loira bufasse em frustração. mais uma vez estava naquele cenário. ❝ com licença. disse com rispidez enquanto encarava o genitor, se afastando do local para andar em direção a um banco mais afastado da praça. durante a noite o ambiente se tornava estranho, mas naquele momento não se importava com aquilo. só queria se manter longe do pai. o que, ao contrário do que pensara, não conseguira, já que não demorou muito para o homem aparecer atrás de si e lhe puxar pelo braço da forma agressiva que costumava fazer quando não tinha ninguém olhando. ❝ será que dá pra me deixar em paz? questionou com impaciência, afastando a mão do mais velho de si, mas falhando quando este a segurara com ainda mais força. por um momento, engoliu a seco. não era novidade para si a violência de seu pai, mas desde que saíra de casa não tivera que se preocupar com contextos como aquele, logo, sequer cogitou ter aquele tipo de confronto ali, ainda mais em público. em vista disso, não conseguiu ter uma reação rápida diante das ofensas que lhe eram despejadas, muito menos quando estas eram acompanhadas de uma força que lhe apertava cada vez mais os braços. queria se afastar e sair correndo dali, mas não sabia como, estava completamente paralisada. parecia uma criança novamente e odiava aquilo. foi somente quando sentira o choque do tapa em seu rosto que percebeu sua mente voltar à realidade, fazendo-a levar, quase que instantaneamente, a mão no rosto em reação ao ato. podia sentir a região mais quente e molhada agora que passava os dedos sobre ela. imaginou estar sangrando, mas quando escutara a voz do homem novamente, dessa vez a desprezando por estar chorando se dera conta de que na verdade eram lágrimas que caíam sobre seu rosto. se odiou por se expor daquela forma. ❝ o que você tá fazendo? sua pergunta soara baixa, com um tom de voz nitidamente fragilizado. por que ele era daquela forma? o que ela havia feito durante toda a sua vida para ser tratada daquela forma? foi durante seu pensamento que se sentiu sendo puxada novamente, de forma ainda mais agressiva que a anterior. quando aquilo ia parar? o que ele mais queria?