Sou uma escritora brasileira apaixonada por transformar ideias malucas em histórias cheias de romance, drama, conforto, caos e personagens que parecem criar vida própria.
Meu cantinho principal é o Wattpad, mas também estou por aqui compartilhando um pedacinho do meu universo.
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♡ escrevo principalmente HeeHoon (Heeseung × Sunghoon).
♡ adoro criar universos originais, AUs, romances, fantasia, smut, vampiros, comédia romântica, fluffy e um bom angst.
♡ sou multi fandom.
♡ meus grupos do coração são ENHYPEN, SEVENTEEN e ATEEZ, mas vivo passeando por vários outros fandoms.
⠀⠀𑣿 ゜𓈒 ✽ 「好きなものは、ずっと好き。」 ⠀⠀⠀
Some stories become a home.
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୨୧ surtos de escritora
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୨୧ personagens que eu amo como filhos
୨୧ estética fofa
୨୧ muito rosa, morangos e romance.
❝ Escrever sempre foi a minha forma favorita de dizer "eu te amo" sem precisar olhar nos olhos. ❞
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𝓕𝐋𝐔𝐅𝐅𝐘 ─ 𝓔𝗆 𝗊𝗎𝖾: uma pequena leitora, um confeiteiro e um ilustrador de livros infantis descobrem que, às vezes, um simples pedaço de bolo de confete é suficiente para aproximar dois corações que ainda nem sabiam estar procurando um ao outro.
౨ৎ 𝟺.𝟽𝟶𝟶 𝚠𝚘𝚛𝚍𝚜
Seul, Coreia do Sul
08:17 da manhã, Confeitaria Confetti Cake
Park Sunghoon pov.
𝓞 aroma amanteigado invadia a rua antes mesmo de a pequena placa de madeira ser virada para o lado de "Aberto". Era um cheiro doce, morno e acolhedor, daqueles que pareciam envolver os ombros de quem passava pela calçada ainda sonolento. Baunilha, pão de ló recém-assado, açúcar caramelizando lentamente e um delicado perfume cítrico vindo das raspas de limão misturavam-se ao ar fresco daquela manhã de primavera.
A luz dourada atravessava os grandes vidros da Confetti Cake, pintando o piso claro com manchas quentinhas de sol. As vitrines, decoradas em tons suaves de rosa amanteigado e amarelo baunilha, exibiam bolos simples, cobertos por chantilly leve e confeitos coloridos que lembravam pequenas estrelas espalhadas sobre nuvens.
Sunghoon gostava daquele horário.
Antes das crianças.
Antes do movimento.
Antes das risadas ecoarem pelo salão.
Era quando conseguia ouvir apenas o tilintar delicado das espátulas contra as tigelas de inox, o estalar discreto do forno trabalhando sem pressa e o cantar distante de alguns passarinhos pousados nas árvores da rua.
Com o avental creme amarrado à cintura, ele deslizou a espátula sobre mais um bolo, espalhando uma camada perfeitamente lisa de cobertura. O creme respondia macio sob seus movimentos, enquanto a textura sedosa refletia a luz da manhã.
Depois veio sua parte favorita.
Abriu um pequeno pote de confeitos coloridos.
Um punhado.
Dois.
Três.
Os pontinhos cor-de-rosa, amarelos, brancos e azul-claros caíram sobre o bolo como uma chuva silenciosa.
Sunghoon sorriu sozinho.
Aquilo sempre o fazia pensar que felicidade talvez tivesse exatamente aquele som.
Um sininho preso acima da porta tocou baixinho. Ele ergueu os olhos por instinto, não era um cliente.
Era apenas uma corrente de vento que havia empurrado a porta alguns centímetros para dentro antes de ela voltar lentamente ao lugar.
O rapaz soltou uma risadinha nasal.
── Até o vento quer sentir cheiro de bolo... ── murmurou para si mesmo enquanto limpava um pouco de creme da ponta do nariz com o dorso da mão.
Pouco antes do meio-dia, a confeitaria começou a ganhar vida.
Uma senhora levou uma tortinha de morango.
Dois universitários dividiram um cheesecake.
Uma mãe entrou apressada com o bebê preso junto ao peito.
E, como acontecia todos os dias, Sunghoon colocou uma cestinha de vime ao lado do caixa.
Dentro dela havia mini cupcakes de baunilha, nenhuma placa ou aviso. Quem precisasse, apenas pegava um.
Nunca houve perguntas, nem constrangimento quanto à isso. Só pequenos sorrisos tímidos e agradecidos ao gentil confeiteiro.
Foi quase no começo da tarde que a porta tornou a abrir.
O sininho cantarolou novamente.
Dessa vez, quem entrou foi uma garotinha.
Devia ter uns seis anos.
Os cabelos escuros estavam presos em duas marias-chiquinhas um pouco tortas, e a mochila amarela parecia grande demais para suas costas miúdas. Ela segurava um livro junto ao peito com tanto cuidado que parecia carregar um bichinho adormecido.
Sunghoon abaixou um pouco o corpo atrás do balcão para ficar da altura dela.
Seu sorriso apareceu naturalmente.
── Oi, pequena. Está procurando alguém?
Ela balançou a cabeça negativamente.
Os olhinhos passearam pela vitrine como quem visitava um museu inteiro feito de açúcar.
── Posso pegar um?
A voz era baixinha.
Quase um sussurro.
Sunghoon apontou para a cestinha de cupcakes.
── Claro. Eles são justamente para isso.
A menina caminhou até a cesta e escolheu o menor cupcake de todos.
Era de baunilha.
Coberto por um espiral delicado de chantilly rosa e alguns confeitos amarelos. Ela agradeceu com um aceno tímido antes de se sentar perto da janela. Durante alguns minutos, tudo o que se ouviu foi o barulho discreto do papel sendo desembrulhado e pequenas mordidas felizes.
Sunghoon voltou ao balcão, estava etiquetando algumas embalagens quando percebeu a garotinha se aproximando outra vez.
Dessa vez, ela segurava o livro aberto.
As páginas estavam gastas e os cantos dobrados.
Havia pequenos remendos de fita adesiva transparente espalhados pela lombada, manchas antigas de chocolate e desenhos infantis feitos com lápis de cor que ocupavam algumas margens.
Ela levantou o livro na direção dele.
── Você conhece o moço que desenhou esse livro?
Sunghoon recebeu o exemplar com delicadeza.
A capa já estava desbotada pelo tempo. Ele virou-o devagar. Na contracapa havia a fotografia do ilustrador.
Lee Heeseung.
Abaixo do nome, uma pequena biografia dizia que ele era responsável por dezenas de livros infantis publicados em todo o país.
Sunghoon ergueu novamente os olhos.
── Talvez sim, ele passa por essa rua às vezes. Mas nunca falei com ele... Porém acho que ele desenha muito bonito.
A menina sorriu tão largo que as bochechas ficaram redondinhas.
── Meu irmãozinho só dorme se eu ler esse livro.
Ela passou a mão pela capa como quem fazia carinho em alguém.
── Toda noite.
Sunghoon observou outra vez o estado do exemplar.
As páginas quase escapavam da costura.
Algumas estavam presas apenas pela fita adesiva.
── Vocês leem bastante, então.
Ela concordou com entusiasmo.
── Ele pede duas vezes. Depois três, às vezes quatro. Mamãe fala que o livro vai desmontar.
Sunghoon não respondeu imediatamente.
Seus dedos continuaram repousados sobre aquela capa desgastada.
Aquilo não parecia um livro velho. Parecia um objeto amado. Cada marca contava uma história, cada dobra dizia que alguém o abrira antes de dormir e cada manchinha denunciava uma noite em que uma criança cochilou segurando aquelas páginas.
Quando devolveu o livro à menina, seu sorriso era pequeno.
Mas carregava um calor diferente.
── Aposto que o ilustrador ficaria muito feliz se visse isso.
Ela inclinou a cabeça.
── Você acha?
── Acho.
Sunghoon olhou mais uma vez para a fotografia na contracapa.
Talvez...
Talvez aquele homem realmente devesse ver.
🍰
Na manhã seguinte, a rua ainda despertava quando Sunghoon atravessou a faixa de pedestres segurando cuidadosamente o livro dentro de uma sacola de papel.
Do outro lado da avenida funcionava um pequeno estúdio de ilustração.
As janelas altas estavam fechadas.
Pilhas de papéis podiam ser vistas através do vidro.
Depois de respirar fundo, ele bateu duas vezes na porta.
Alguns segundos depois, ouviu passos arrastados.
A maçaneta girou.
Quem apareceu foi um rapaz alto, usando um moletom largo coberto por pequenas manchas de tinta aquarelável. Os cabelos loiros estavam bagunçados como se ele tivesse passado a noite inteira acordado, e havia olheiras suaves sob seus olhos cansados.
── Posso ajudar? ── perguntou Heeseung, piscando algumas vezes para espantar o sono.
Sunghoon fez uma breve reverência.
Sem dizer muito, retirou o livro da sacola e o colocou cuidadosamente sobre a vista do homem.
Heeseung franziu a testa.
── Eu... acho que você precisa ver isso. ── A voz de Sunghoon saiu calma, quase tímida.
O ilustrador baixou os olhos para o exemplar.
No instante em que reconheceu a capa, seu coração pareceu desacelerar.
Aproximou a ponta dos dedos das páginas.
Passou por cada dobra.
Por cada remendo de fita.
Pelas pequenas manchas de chocolate.
Por um desenho tortinho de uma estrela feito com canetinha azul.
As pontas dos seus dedos tremiam quase imperceptivelmente.
Então sorriu.
Um sorriso pequeno.
Bonito.
E incrivelmente triste.
── Faz anos que desenhei esse livro... ── murmurou, acariciando a lombada já desgastada. ── Achei que ninguém mais se lembrasse dele.
Sunghoon permaneceu em silêncio.
Heeseung continuou folheando as páginas devagar, como se tivesse medo de machucá-las.
Foi então que encontrou, entre duas folhas, um desenho infantil de um coração torto acompanhado de uma frase escrita com letras inseguras:
"Esse é o livro favorito do meu irmão."
Heeseung fechou os olhos por um breve instante.
── Obrigado por trazer isso até mim.
O bloqueio criativo, as recusas da editora, o manuscrito devolvido com a frase "as ilustrações são bonitas, mas falta calor"... tudo pareceu perder a força diante daquele pequeno livro que sobrevivia, página após página, porque uma criança insistia em lê-lo todas as noites.
Quando tornou a erguer o rosto, seus olhos brilhavam discretamente.
Sunghoon sorriu de volta.
── Achei que você gostaria de saber que suas histórias ainda fazem alguém dormir sorrindo, já que sempre vejo você passando pela confeitaria com o olhar baixo.
Heeseung respirou fundo antes de voltar a olhar para o livro.
── Eu quero desenhar outro exemplar para ela, dessa vez... um que aguente muitos anos de novas histórias.
O silêncio que se seguiu não foi constrangedor. Havia nele o mesmo conforto de uma janela aberta numa manhã de primavera, por onde a brisa entrava devagar trazendo o perfume das flores e o som distante da cidade despertando. Sunghoon apenas sorriu, fez uma pequena reverência antes de se despedir e deixou o estúdio tão silencioso quanto o encontrara.
Mesmo depois que a porta se fechou, porém, alguma coisa permaneceu ali.
Não era o livro já apoiado sobre a mesa, tampouco o delicado cheiro de baunilha que o confeiteiro parecia carregar consigo como parte da própria presença. Eram seus olhos. Claros, gentis e atentos, daqueles que pareciam enxergar beleza nas pequenas coisas sem fazer esforço algum.
Heeseung tentou voltar ao trabalho como fazia todos os dias. Preparou a paleta de aquarelas, molhou o pincel num copo de água limpa e aproximou uma folha nova para começar outra vez. Primeiro desenhou uma casinha de telhado vermelho. Depois uma árvore de copa arredondada. Em seguida vieram a menininha da história e o coelhinho menor, caminhando por uma estradinha de terra cercada por flores silvestres.
O resultado era bonito.
Os traços estavam firmes, as proporções corretas, as cores delicadas. Ainda assim, quando recuou alguns centímetros na cadeira para observar a ilustração inteira, teve a mesma sensação que o acompanhava havia semanas. A folha parecia impecável demais, limpa demais... como se cada personagem tivesse sido desenhado apenas para existir no papel, e não para viver dentro dele.
Suspirando baixinho, recomeçou.
Depois tentou outra composição.
Mudou as cores.
Mudou a luz.
Mudou os enquadramentos.
Ao final da tarde, o chão do estúdio estava coberto por folhas amassadas. Nenhuma delas era realmente ruim, mas nenhuma possuía aquele calor que fazia uma criança querer voltar à mesma história todas as noites.
Sem perceber, a observação da editora voltou a ecoar em sua memória.
"As ilustrações são bonitas... mas falta calor."
Heeseung fechou os olhos por alguns segundos, apoiando o pincel sobre a mesa. Respirou fundo, tentando organizar os próprios pensamentos, até que uma lembrança surgiu quase naturalmente.
O perfume amanteigado da confeitaria onde passava em frente, mesmo de cabeça baixa... Aquele cheiro o chamava ── mesmo que ele não gostasse muito de doces.
Os confeitos coloridos espalhados sobre os bolos.
A luz dourada atravessando as vitrines em tons de rosa e amarelo.
E, acima de tudo, o rapaz de avental creme sorrindo para aquela garotinha como se oferecer um cupcake fosse tão importante quanto confeitar um bolo inteiro.
Os dedos de Heeseung afrouxaram ao redor do pincel.
Talvez o problema não estivesse nos desenhos.
Talvez ele apenas estivesse procurando inspiração no lugar errado.
🍰
Na manhã seguinte, a pequena campainha da Confetti Cake tilintou delicadamente quando Heeseung empurrou a porta de vidro. O calor acolhedor do ambiente envolveu seu corpo quase no mesmo instante, acompanhado pelo cheiro irresistível de baunilha, chocolate quente, canela e morangos frescos. Em algum lugar mais ao fundo, o forno acabava de ser aberto, espalhando pelo salão o perfume amanteigado de um pão de ló recém-assado.
Segurando a pasta de desenhos junto ao peito, ele percorreu o salão com os olhos até encontrar Sunghoon atrás do balcão, terminando de amarrar uma fita cor-de-rosa em volta de uma caixa de bolo. O confeiteiro ergueu a cabeça por acaso, e bastou um segundo para reconhecê-lo.
Um sorriso gentil iluminou seu rosto.
── Oi... voltou?
Heeseung sorriu de volta, tímido, aproximando-se do balcão.
── Cheguei.
Os dedos dele acariciaram distraidamente a alça da pasta enquanto respirava fundo antes de fazer o pedido.
── Eu queria um cappuccino de chocolate com confetes... ── seus olhos encontraram os de Sunghoon por um instante antes de desviarem outra vez. ── E um pedaço de bolo... mas quero que seja da sua escolha.
As sobrancelhas de Sunghoon arquearam-se com surpresa divertida.
── Da minha?
── Acho que você entende mais de felicidade em forma de bolo do que eu.
A risada baixa do confeiteiro misturou-se ao som delicado das xícaras sendo organizadas atrás do balcão.
── Então já sei exatamente qual trazer para você.
Enquanto Sunghoon desaparecia em direção à cozinha, Heeseung escolheu uma mesa perto da janela, onde a luz da manhã caía suavemente sobre a madeira clara. Tirou da pasta uma folha em branco, o velho exemplar remendado e seus materiais de desenho. Antes de começar, passou a mão com carinho sobre a capa desgastada do livro, como quem agradecia silenciosamente àquela pequena leitora por tê-lo conduzido até ali.
Quando a ponta do lápis finalmente tocou o papel, alguma coisa parecia diferente.
Os traços surgiam sem esforço. A mão já não pesava, e o grafite deslizava pela folha como se já soubesse exatamente para onde deveria ir. Era como se o ambiente inteiro respirasse junto com ele. O murmúrio das conversas ao redor, o tilintar das xícaras sendo apoiadas sobre os pires, o aroma constante de baunilha misturado ao de café recém-passado e o calor agradável que escapava da cozinha compunham uma tranquilidade que seu estúdio nunca conseguira oferecer.
Pela primeira vez em muito tempo, Heeseung não desenhava tentando provar alguma coisa.
Apenas desenhava.
A casinha ganhou uma cerca branca coberta por pequenas flores. A árvore recebeu folhas arredondadas que dançavam ao vento. A menininha da história apareceu correndo pelo jardim com o vestido levantando levemente, enquanto o coelho menor ria atrás dela tentando alcançá-la.
Quando terminou a primeira página, aproximou-a cuidadosamente do exemplar antigo.
Seu peito apertou de um jeito bom.
As duas ilustrações pareciam conversar entre si.
Não eram idênticas. Também não precisavam ser. A nova página carregava o mesmo calor da antiga, aquela sensação de que os personagens continuariam vivendo mesmo depois que o livro fosse fechado.
Um sorriso discreto nasceu em seus lábios.
Talvez fosse esse o calor de que a editora falava.
Inspirado, virou a folha seguinte e começou os primeiros esboços da segunda ilustração. Ainda desenhava as linhas iniciais quando ouviu passos se aproximando devagar.
── Desculpa a demora... ── a voz suave de Sunghoon veio acompanhada do perfume adocicado de chocolate quente. ── Os pedaços desse bolo já tinham acabado, então precisei confeitar outro especialmente para você. Achei injusto servir um Confetti Cake sem os confetes.
Heeseung ergueu a cabeça.
Sunghoon equilibrava uma bandeja de madeira com as duas mãos. Sobre ela repousava um cappuccino coberto por uma espuma cremosa, decorada com pequenos confeitos coloridos que lembravam estrelinhas, e ao lado havia um pedaço de bolo recém-cortado. A cobertura branca parecia uma nuvem macia, desenhada com movimentos delicados da espátula, enquanto confeitos cor-de-rosa, amarelos e azul-claros enfeitavam toda a superfície.
Era bonito.
Bonito num daqueles jeitos simples que aqueciam o peito sem pedir licença.
── Não precisava ter tido todo esse trabalho... ── Heeseung comentou, afastando cuidadosamente seus desenhos para abrir espaço na mesa.
Sunghoon apoiou a bandeja diante dele e sorriu daquele jeito calmo que parecia combinar perfeitamente com a confeitaria.
── Precisava, sim. Bolo de confete sem confete fica parecendo que esqueceu de sorrir.
A frase arrancou uma risadinha baixa do ilustrador.
── Então acho que escolhi a pessoa certa para decidir por mim.
Enquanto Heeseung aproximava o cappuccino, Sunghoon deixou o olhar escapar para a folha aberta sobre a mesa. Não fez isso por curiosidade invasiva; foi quase involuntário, atraído pelas cores suaves espalhadas sobre o papel.
── Posso ver?
Heeseung apenas girou a folha alguns centímetros em sua direção.
O confeiteiro apoiou as mãos sobre o encosto da cadeira vazia e observou cada detalhe com atenção. Seus olhos passeavam lentamente pelas janelas da casinha, pelas pequenas margaridas desenhadas ao redor do caminho, pelo vestido da garotinha balançando ao vento e pelos tons delicados de aquarela que preenchiam o cenário.
Demorou alguns segundos antes de voltar a falar.
── Está linda.
Heeseung sorriu sem graça.
── Você realmente acha?
── Acho.
A resposta veio tão imediata que não deixava espaço para dúvidas.
Sunghoon voltou a olhar a ilustração antes de continuar.
── Sabe por que eu gosto tanto de confeitaria?
Heeseung negou com a cabeça.
O rapaz apoiou distraidamente a ponta dos dedos sobre a madeira da mesa enquanto procurava as palavras.
── Quando uma criança entra aqui, ela escolhe um bolo porque ele parece bonito. Só que, depois da primeira mordida, ela esquece completamente da decoração e começa a sorrir por causa do sabor. Acho que seus desenhos fazem exatamente o contrário.
Heeseung inclinou levemente a cabeça.
── Como assim?
── Primeiro eles fazem a gente sentir alguma coisa. Depois a gente percebe o quanto são bonitos. É como se... antes de olhar para o desenho, o coração já tivesse entrado na história.
O ilustrador permaneceu em silêncio.
Não porque não soubesse responder.
Mas porque ninguém jamais havia enxergado seu trabalho daquela maneira.
A editora analisava composição, os colegas comentavam sobre técnica, os professores falavam de perspectiva, anatomia, luz e cor.
Sunghoon...
Sunghoon tinha falado de coração.
Um calor inesperado subiu por seu peito e alcançou lentamente suas bochechas. O rubor espalhou-se sem que pudesse controlar, obrigando-o a baixar os olhos por um instante para esconder o sorriso tímido que insistia em aparecer.
── Obrigado... ── murmurou quase baixinho. ── Faz tempo que ninguém dizia algo tão bonito sobre os meus desenhos.
Sunghoon sorriu com delicadeza.
── Então estavam olhando para eles do jeito errado.
Os dois sustentaram o olhar um do outro por apenas alguns segundos.
Foi pouco.
Mas suficiente para que Heeseung sentisse uma estranha leveza atravessar o peito.
O confeiteiro acabou quebrando o silêncio primeiro.
── Aproveita antes que o cappuccino esfrie. Depois me conta se acertei na escolha do bolo.
Ele fez uma pequena reverência e voltou ao balcão, onde outra família acabava de entrar na confeitaria.
Heeseung permaneceu observando-o por alguns instantes.
Era curioso.
Sunghoon nunca parecia ter pressa.
Mesmo quando atendia várias pessoas ao mesmo tempo, sempre abaixava o corpo para conversar com as crianças na altura delas, perguntava qual cobertura elas mais gostavam, deixava que escolhessem os confeitos e ria de verdade quando alguma respondia que queria "todos".
Só então Heeseung voltou sua atenção para o prato.
Pegou a pequena colher de sobremesa e separou um pedaço do bolo.
A massa era incrivelmente macia. Quase desapareceu assim que tocou sua língua, enquanto o chantilly deixava uma doçura leve que não enjoava. Os confeitos estalaram delicadamente entre seus dentes, espalhando pequenas explosões açucaradas que o fizeram fechar os olhos por um breve instante.
Era simples.
Era delicado.
E, de alguma forma, tinha gosto de casa.
Enquanto ainda saboreava a última colherada, ouviu a voz de Sunghoon vindo do balcão.
Um garotinho observava fascinado os potes de confeitos coloridos.
── Eles parecem estrelinhas... ── comentou a criança.
Sunghoon sorriu enquanto fechava cuidadosamente a tampa de um dos potes.
── Parecem mesmo. Eu gosto de pensar que confeitos são pedacinhos de felicidade. O bolo mata a fome, mas são eles que lembram a gente de nunca deixar a esperança de lado. Mesmo quando acabam derretendo, a lembrança de que eles estiveram ali continua deixando tudo um pouquinho mais doce.
Heeseung abaixou lentamente a colher.
Seu olhar voltou para a folha em branco ao lado das ilustrações.
Então sorriu.
Não queria apenas redesenhar um livro antigo.
Queria contar uma história nova.
Virou a página e deixou que o lápis encontrasse sozinho o caminho sobre o papel.
Primeiro surgiu um bolo redondo coberto por confeitos coloridos.
Depois uma garotinha de maria-chiquinhas segurando a mão do irmão menor.
Na página seguinte apareceu uma confeitaria iluminada por vitrines amarelas e cor-de-rosa, onde um confeiteiro de sorriso gentil oferecia fatias de bolo como quem distribuía pequenos milagres cotidianos. Naquela história, dizia-se que cada confeito guardava um desejo feliz, e que qualquer criança que entrasse ali sairia levando um pouco de coragem escondida dentro de uma caixinha de papel.
As horas passaram sem que Heeseung percebesse.
Entre um desenho e outro, seus olhos sempre acabavam procurando Sunghoon atrás do balcão. Via-o confeitando bolos com movimentos delicados, limpando cuidadosamente as mãos no avental antes de entregar um cupcake para uma criança, amarrando fitas em embalagens e sorrindo com tanta naturalidade que parecia impossível desenhá-lo sem que aquele sorriso também aparecesse.
Sem perceber, começou a desenhá-lo.
Primeiro apenas o avental.
Depois as mãos segurando uma espátula.
Por fim, aqueles olhos gentis que haviam permanecido em sua memória desde a primeira visita ao estúdio.
Quando terminou de colorir a última página daquele dia, já era noite. A confeitaria estava silenciosa, as cadeiras repousavam sobre as mesas e apenas o aroma doce dos bolos recém-assados ainda permanecia no ambiente.
Heeseung, no entanto, continuava completamente concentrado. Iluminava o papel com a lanterna do celular enquanto fazia pequenos ajustes nas sombras da ilustração.
De repente, a folha ficou mais clara.
Uma segunda luz surgiu ao lado da sua.
Ele ergueu a cabeça.
Sunghoon estava parado ao seu lado, segurando o próprio celular com a lanterna acesa e inclinando-o cuidadosamente para que nenhuma sombra atrapalhasse seu desenho.
Os dois não disseram absolutamente nada.
Heeseung apenas sorriu, voltando a mover o lápis sobre o papel.
Sunghoon respondeu ao sorriso do mesmo jeito, permanecendo ali, paciente, sustentando a luz como se aquele também fosse um jeito de participar da história.
Lá fora, a noite envolvia a rua em silêncio.
Lá dentro, duas pequenas lanternas iluminavam uma folha em branco que, aos poucos, deixava de contar apenas a história de um livro infantil para começar a escrever, sem que nenhum dos dois percebesse, a deles.
No dia seguinte
A manhã nasceu banhada por uma luz dourada e tranquila, daquelas que pareciam tornar tudo um pouco mais macio. Os primeiros raios de sol atravessavam as vitrines da Confetti Cake, fazendo os confeitos coloridos espalhados sobre os bolos brilharem como pequenas pedras de açúcar. O aroma amanteigado que escapava do forno misturava-se ao perfume do café recém-passado, enquanto uma brisa fresca balançava delicadamente as cortinas de linho próximas às janelas.
Heeseung chegou cedo.
Dessa vez, porém, não carregava folhas soltas nem um caderno repleto de rascunhos.
Entre os braços, segurava apenas um único livro.
Novo.
A capa ainda conservava aquele leve perfume de tinta fresca que os exemplares recém-impressos costumavam ter. As páginas eram grossas, lisas e impecavelmente alinhadas, mas, apesar de novas, pareciam guardar o mesmo aconchego daquele velho exemplar remendado que uma garotinha carregava com tanto carinho.
Assim que o sino da porta anunciou sua chegada, Sunghoon ergueu a cabeça do balcão.
O sorriso apareceu quase imediatamente.
── Bom dia.
── Bom dia. ── Heeseung respondeu, caminhando até ele com um cuidado quase carinhoso. Então estendeu o livro em sua direção. ── Acho que ele ficou pronto.
Sunghoon secou discretamente as mãos no avental antes de recebê-lo.
Seus dedos deslizaram pela capa como quem segurava algo frágil.
Abriu a primeira página.
Sorriu diante das ilustrações.
Cada folha parecia carregada de vida. As cores tinham calor, os cenários pareciam respirar e os personagens sorriam de um jeito tão sincero que era impossível não sorrir junto.
Enquanto folheava devagar, Heeseung observava cada pequena reação do confeiteiro.
O levantar discreto das sobrancelhas.
O brilho tranquilo nos olhos.
O sorriso que surgia sem que ele percebesse.
Quando chegou à última página, porém, Sunghoon permaneceu completamente imóvel.
Ali havia uma confeitaria iluminada em tons suaves de amarelo, com vitrines cheias de bolos cobertos por confeitos coloridos. Uma garotinha saía pela porta segurando cuidadosamente uma caixa de bolo ao lado do irmão menor, enquanto, ao fundo, um confeiteiro sorria para um ilustrador sentado próximo à janela, rodeado por lápis de cor, pincéis e folhas espalhadas sobre a mesa.
O desenho era delicado.
Quase simples.
Mas havia um detalhe que fez seu coração desacelerar.
O confeiteiro tinha seus olhos, a mesma curvatura delicada quando sorria, o mesmo jeito calmo de olhar as pessoas e o mesmo avental claro preso à cintura.
Sunghoon ergueu lentamente o rosto na direção de Heeseung.
O ilustrador apenas sorriu, tímido.
── Achei que essa história merecia terminar onde começou.
Sem dizer nada, o confeiteiro voltou algumas páginas até encontrar a dedicatória escrita logo no início do livro.
As letras eram elegantes, desenhadas cuidadosamente à mão.
"Para quem me lembrou que histórias infantis nunca foram feitas apenas para crianças. Algumas também salvam adultos."
Sunghoon releu aquelas palavras duas vezes.
Depois fechou o livro devagar.
Nenhuma resposta saiu de seus lábios.
Ele apenas aproximou o exemplar do peito por um breve instante, como se tentasse guardar aquele momento junto ao coração.
Heeseung não insistiu.
Algumas emoções realmente não precisavam de explicação.
Os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos, ouvindo apenas o discreto tilintar das xícaras sendo organizadas e o som distante do forno avisando que mais um bolo acabava de ficar pronto.
Foi um silêncio bonito.
Daqueles que já pertenciam aos dois.
🍰
Na manhã seguinte, quando Heeseung atravessou a rua em direção à confeitaria, percebeu que alguma coisa havia mudado na vitrine.
Entre as tortas de morango, os cupcakes decorados e os pequenos bolos amanteigados havia uma receita que nunca tinha visto antes.
Era um bolo simples.
Coberto por uma camada lisa de chantilly branco.
No centro, espirais delicados de creme cor-de-rosa desenhavam pequenas ondas suaves, enquanto confeitos amarelos espalhavam-se pelo topo como se alguém tivesse deixado cair um punhado de pequenos raios de sol.
Ao lado dele havia apenas uma pequena plaquinha escrita à mão.
Confetti Cake by color man.
Heeseung entrou na confeitaria quase sem perceber que sorria.
A campainha anunciou sua chegada, e Sunghoon levantou os olhos do balcão exatamente no mesmo instante.
── Bom dia.
── Bom dia. ── respondeu Heeseung, aproximando-se da vitrine sem conseguir esconder a curiosidade. Seus olhos voltaram para o bolo novo antes de encarar o confeiteiro outra vez. ── É edição limitada?
Sunghoon pegou cuidadosamente a espátula de inox e cortou a primeira fatia com movimentos lentos e precisos. A massa era tão macia que praticamente acompanhava a lâmina, enquanto alguns confeitos coloridos escorregavam delicadamente pela cobertura.
Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios.
── Não.
Heeseung apoiou os cotovelos no balcão de madeira clara.
── Então por que nunca fez esse antes?
Sunghoon acomodou a fatia sobre um pratinho branco, limpou cuidadosamente a espátula com um pano e só então levantou os olhos.
Havia ternura em seu sorriso.
Daquelas que não precisavam ser exageradas para serem sinceras.
── Porque eu ainda não tinha encontrado alguém que merecesse dar nome a uma receita nova.
Por um instante, o mundo pareceu diminuir de tamanho.
O movimento da rua desapareceu.
As vozes das crianças ficaram distantes.
O cheiro de baunilha, o calor dos fornos e a luz dourada que atravessava as vitrines envolveram os dois como um abraço silencioso.
Heeseung sentiu o rosto aquecer imediatamente.
Baixou os olhos para esconder o rubor que tomava conta de suas bochechas, mas o sorriso denunciava o que seu coração já não conseguia esconder.
Aceitou o pratinho com as duas mãos, como se recebesse um presente precioso.
Então levou a primeira garfada à boca.
O chantilly derreteu suavemente sobre a língua, a massa tinha a leveza de uma nuvem recém-assada e os confeitos estalaram entre seus dentes com a mesma delicadeza de uma risada infantil.
Era doce.
Mas não apenas pelo açúcar.
Tinha gosto das manhãs passadas desenhando perto da janela.
Das conversas interrompidas pelo tilintar da campainha da porta.
Do calor que um elogio sincero podia deixar no peito.
Tinha gosto de inspiração.
De esperança.
E, sobretudo, de alguém que transformava gestos simples em lembranças impossíveis de esquecer.
Enquanto observava Heeseung saborear a primeira fatia daquele bolo, Sunghoon sorriu consigo mesmo. Talvez fosse verdade o que sempre dizia às crianças, alguns confeitos realmente guardavam pequenos pedaços de felicidade.
A diferença era que, daquela vez, ele havia encontrado alguém com quem queria dividi-los todos.