A menina viveu tantas vidas que já não sabe enumerar quantas versões de si mesma fez nascer e morrer
De todos estes anos, passada mais de una década, sua única companheira infalível foi a solidão
A solidão estava lá quando se apaixonou e casou
A cobriu com seu manto de alento quando a sombra do puerperio cegou seus olhos e apertou seu peito
Não largou sua mão quando uma separação repentina, banhada em culpa e enganação, quase a jogaram no meio do trânsito
A danada estava lá, a cada corpo que se levantava, vestia suas roupas e batia a porta
A cada noite, assim como esta, em que o calor que a maternidade traz não se faz presente, a solidão bate ponto, soprando no ouvido da menina "que delícia desperdiçada"
Se nascemos e morremos sozinhos, prefiro estar bem acompanhada de uma solidão confidente e confiante.
A todas e todos que compartilharam suas solidões.

























