Estou com medo, de me perder de mim de novo, de me esquecer da minha pessoa por alguém que me esquecerá diariamente. Tenho medo, de me perder de novo, de todos os meus planos e desejos que me fazem ser completamente minha.
Todos os dias tenho pensado e repensando em estado de alerta, procurando a chave que vai virar a porta de ir embora desse novo alguém... antes mesmo de tudo começar.
Tenho fugido de todos os outros, me escondendo em esquinas, vielas, becos escuros. Eu me esquivo atrás de muros e objetos no meio da rua, me agacho atrás da mesa de um bar, e olho por cima do ombro para ter certeza que ninguém me viu. Quando alguém me nota, me olha, me vê, eu fico estática perplexa, tentando encontrar naquele rosto pasmo a me admirar, onde está o erro, a mentira, que entreguem a falsa devoção. Vivo com medo, de ter novamente algo quebrado e pisoteado numa rua qualquer, sem reparar que uma parte minha se foi.
Tenho vivido com medo, de me entregar; e se esse outro alguém não me admirar, se não for a mutualidade que nos mantivera unidos, mas sim carência ou compensação de algum vazio? Tenho medo, como qualquer um.
E aquela velha esperança que me mantinha flutuando de um romance a outro, às vezes falha como a luz de uma lâmpada que está vacilando para não se acabar. Tentando firmemente não me sufocar em mágoas enquanto me afogo num copo de bebida quente, e tudo isso, por medo. Se eu pudesse pediria ao destino para não me machucar de novo, não quebrar tudo outra vez, mas enquanto vivo sem certeza desse desejo, continuo a me esquivar, enquanto me deleito em um gostoso sorriso, e me pego querendo me ralar inteira só para ter mais um pouco daquela deliciosa voz... me encontro encurralada num paradoxo, que não me permite decidir, se vale a pena mais uma fratura por um pedacinho seu.
- Sté Miranda
















