"Eu não sei." Ela disse, entregando-se a um longo e notável suspiro. Não sabia por onde começar, nem como finalizar. Tinha consciência da inocência de todos, mas a curiosidade tornava-se cruel, ansiosa por informações, alimentando perguntas que por tanto tempo ficaram sem resposta. "Desculpe, eu sei o quanto isso te afeta mais do que o normal. Eu entendo. Ah, deuses, como eu entendo!" Aumentou o tom de voz, espalmando as mãos nas laterais do corpo, o choque criando um som que ecoou por toda a estufa. Por que não deixar aquilo para trás? Natalia se questionava isso constantemente. Antes, quando tudo era incerto, imaginava-se odiando, desejando o pior para o traidor – sentia isso em relação a Maxime, e hoje, se arrependia profundamente. Mas, embora houvesse algum sentido nisso, após tudo ser esclarecido, ela só queria entender as pontas soltas daquele caos. Se Hécate estava no controle de tudo, poderia ter deixado pistas, algo escondido na mente traumatizada de suas vítimas. Estelle havia aparecido, e aquilo parecia oportuno. No entanto, ao vê-la naquela condição, a sede por respostas desapareceu rapidamente. Sua intenção nunca foi deixá-la desconfortável, e Natalia percebia a sinceridade em suas palavras. "Desculpe." Disse, por fim, encostando-se em uma das bancadas ao lado, cruzando os braços junto ao corpo, com os olhos voltados para o chão. "Não... Vamos deixar isso para lá. Eu só sofri demais e talvez tenha dificuldade em deixar isso ir tão rápido. Fico feliz que esteja bem. Você também tinha a marca daquela desgraçada, certo?" Insultar a deusa era natural para ela, e não dava muita importância. Poderia temer qualquer outro deus, mas Hécate... Não havia nada além de desprezo. "Para ela, isso vai ser apenas mais uma memória, e para nós, mais um trauma na coleção." Riu, um pouco amarga, frustrada. "Desculpe." Falou novamente, agora, observando-a atentamente.