ALYCIA DEBNAM-CAREY ? Não! É apenas AURORA ELYSIUS, ela é filha de QUIONE do chalé TRINTA E UM e tem VINTE E SETE ANOS. A TV Hefesto informa no guia de programação que ela está no NÍVEL III por estar no Acampamento há QUINZE ANOS, sabia? E se lá estiver certo, RORY é bastante PRESTATIVA mas também dizem que ela é APÁTICA. Mas você sabe como Hefesto é, sempre inventando fake news pra atrair audiência.
PODER: Criocinese - O dom gélido, entrelaçado com o toque dos deuses, concede a ela a habilidade de manipular o frio e produzir gelo, assim tornando-se uma verdadeira mestre do inverno capaz de moldar qualquer ambiente com a frieza imponente. Seus poderes vão além de criar superfícies geladas; podendo moldar o gelo de maneira complexa e utilizá-lo de várias formas, incluindo armas afiadas e pontiagudas. Dotada desse poder extraordinário, personifica a majestade e a beleza implacável do inverno. Seus dons são uma fusão de arte e força, refletindo a dualidade de sua herança divina.
PODER PASSIVO: Armadura de cristal ártico - Permite que transforme sua pele em uma camada de gelo cristalino e reluzente, proporcionando defesa aumentada contra ataques físicos e mágicos. Essa pele de gelo a torna invisível em ambientes nevados, imune ao frio extremo.
HABILIDADES: Reflexos e vigor sobre-humanos.
ARMA: 1. Cetro de Cristal Glacial - Consiste em um cetro esculpido a partir de um cristal mágico de gelo, que amplifica seus poderes, permitindo-lhe controlar o gelo com maior precisão e intensidade. Além disso, pode gerar rajadas de vento cortante. 2. Adaga Infernal (recompensa adiquirida): Por ser uma arma não muito popular nos dias atuais, essa lâmina de ferro estígio vem com o bônus de ter chamas de fogo infernal a tornando mais letal para adversários dos semideuses. Monstros ou outros semideuses são sensíveis ao fogo infernal, então deve ser manuseada com cuidado.
MALDIÇÃO: Um deslize inocente atribuiu a ela uma maldição, denominada como "lágrimas cristalizadas", um castigo rogado pela própria mãe. Sempre que Aurora chora, suas lágrimas transformam-se em pequenos cristais de gelo cortantes, trazendo dor física e ferimentos à semideusa e quem ousar tocar nelas. Cada lágrima derramada torna-se uma lembrança dolorosa de sua maldição, invocada após desafiar diretamente a vontade de Quione ao buscar poder além do que lhe foi concedido. A maldição é uma resposta à sua arrogância e à tentativa de ultrapassar os limites estabelecidos pelos deuses.
ATIVIDADES: Co-líder da equipe azul da parede de escalada, faz parte da equipe azul de esgrima e pratica corrida de pégasos.
DENVOLVIMENTO DA PERSONAGEM!
SOBRE : 𝐔 𝐧 𝐰 𝐚 𝐯 𝐞 𝐫 𝐢 𝐧 𝐠 𝐋 𝐞 𝐠 𝐢 𝐨 𝐧 !
HER STORY :
─ Foi durante uma noite gélida no inverno da Finlândia que Aurora foi concebida, em meio a uma tempestade de neve que assolava a região mais remota do país. O mortal de coração puro foi abençoado pela divindade, com quem tivera um caso intenso e fugaz, depois de Quione ter vislumbrado em sua descendência a promessa de um destino extraordinário. Assim, a garota de írises tingidas por um azul pálido, etéreos como a luz do alvorecer, veio ao mundo com a herança divina da deusa da neve fluindo em suas veias.
─ O período de sua infância foi marcado por eventos misteriosos e fenômenos naturais incomuns. Desde jovem, a garota manifestava um controle inato sobre a neve, sendo capaz de moldar e manipular elementos frios com um simples pensamento. Seu pai, percebendo que a filha era diferente, mas sem entender completamente a extensão de seus poderes, decidiu mantê-la afastada dos olhares curiosos, temendo a incompreensão e a possível perseguição por parte da sociedade.
─ Aurora viu sua vida mudar drasticamente quando, durante uma expedição pela montanha Galdhøpiggen, seu pai foi vítima de um monstro enviado por forças desconhecidas para eliminar qualquer vestígio da linhagem de Quione. Corajoso e inconsciente dos perigos que cercavam sua família, deu a vida para proteger a filha, escondendo a localização da mais jovem. Foi nesse momento trágico que Aurora descobriu a verdade sobre sua origem e a ameaça que pairava sobre ela.
─ Após a dilacerante morte, a semideusa foi encontrada por um sátiro enviado por Quíron, então encontrando refúgio no acampamento meio-sangue. A criatura explicou tudo sobre a natureza divina de Aurora, sua ligação com Quione e a necessidade de treinamento para enfrentar os perigos que aguardavam jovens como ela. Apesar da dor da perda, ela aceitou a oportunidade de honrar a memória de seu pai e descobrir o propósito de seus extraordinários poderes, sem alternativa para onde ir.
─ No acampamento, treinou diligentemente sob a orientação de instrutores e semideuses mais experientes, aprimorando suas habilidades com o gelo. Rapidamente, se destacou como uma das campistas mais promissoras. Mas, apenas depois de completar quatro anos de treinamento e enfrentar uma criatura que ameaçava desencadear um inverno eterno sobre o mundo dos mortais, foi reclamada pela deusa Quione, surpreendendo a poucos.
─ Aurora Elysius, agora abraça seu destino. Sua jornada continua, mas ela caminha confiante, sabendo que a neve que controla é tanto uma bênção quanto uma responsabilidade, e que seu pai, onde quer que esteja, olha com orgulho para a semideusa que se tornou. O que desconhece, porém, é o ressentimento que Quione nutre por ela, a enxergando como um lembrete constante da falha fatal em proteger o mortal por quem um dia havia se apaixonado.
TRIVIA :
Seu sotaque ainda é extremamente carregado.
É uma exímia guerreira, excedendo-se no confronto físico.
Devido a maldição que carrega, tem dificuldade em lidar com os próprios sentimentos e expressá-los, uma limitação que conferiu a ela a reputação como fria e insensível.
É tutora de um cão infernal, carinhosamente apelidado como Blizzard. A criatura segue livre, mas realiza visitas constantes à semideusa, com quem mantém um relacionamento amistoso e próximo.
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Com a jaqueta de Kerim delicadamente dobrada em seus braços, a semideusa adentrou o dormitório dele sem qualquer cerimônia, pretendendo apenas uma breve visita antes de encontrá-lo mais tarde naquele dia. Contudo, seus passos vacilaram ao se deparar com a visão inesperada: uma mulher repousava no colchão do ferreiro, parecendo despreocupada. A cena despertou uma sensação de desconforto que se agitava no peito de Aurora, forçando um suave suspiro de surpresa a escapar de seus lábios. Os olhos dela, agora atentos, sondaram o ambiente em busca de qualquer vestígio da presença do rapaz ou de um sinal de que haviam passado algum tempo juntos ali. No entanto, o único indício que encontrou foi a presença solitária de Pietra. ── O que está fazendo aqui? ── Quase se comunicou através de murmúrio nervoso, mas conseguiu manter a compostura, embora não conseguisse disfarçar o olhar severo que direcionava à outra.
“ Orelha...? ” balbuciou após ouvi-la, levando rapidamente a mão na direção de ambas as orelhas. Encontrou-a presa na curva do hélix e a pegou com extremo cuidado; devia tê-la posto ali distraidamente após terminar de crochetar. “ Obrigado! Você me salvou! ” sorriu, verdadeiramente grato. “ Posso fazer algo para lhe retornar essa imensa ajuda? ”
# ────── Embora a gratidão do rapaz fosse tocante, seu gesto parecia tão insignificante que não parecia justificar tamanha demonstração. ── De nada. ── Respondeu com certa indiferença. A sugestão de uma recompensa a fez arquear as sobrancelhas, confusa. Não havia necessidade para tanto. ── Não se preocupe. ── Mesmo que considerasse aceitar ajuda, nada lhe ocorria para pedir naquele instante. ── Que tal deixarmos essa enorme dívida em aberto, e um dia, quem sabe, eu te cobro? ── Disse com um toque sutil de sarcasmo, exagerando intencionalmente o valor do favor. ── Não se preocupe, não sou do tipo sem noção que vai pedir um de seus órgãos por isso. ── Na verdade, não tinha a menor intenção de cobrar qualquer coisa, apenas queria evitar qualquer insistência por parte do outro.
STARTER 1: ANTES da bateria 1 da parede de escalada OU do arco e flecha, você escolhe!
⭒ ๋࣭ 𖹭 ๋࣭ ⭑ ㅤㅤㅤㅤㅤa ansiedade não tinha ainda começado a atormentar sua mente com aquela competição. hoje não havia eliminação, então maxime queria apenas pontuar para sua equipe para que pudesse honrar todo o esforço do grupo nos treinos ao longo do ano. por ser um morador fixo do acampamento, as olimpíadas sempre seriam o ponto alto de seu ano; o filho de afrodite adorava os esportes mas não era uma figura tão assídua nas competições, exceto em duas categorias: arco e flecha e a parede de escalada. essa noite estaria competindo nas duas, precisava ter a mente sã para aquele desafio. “ ━━━ não é porque eu estou sentado aqui que estou nervoso, haley! já disse a você!" reclamou com a irmã sem erguer a vista, quando finalmente levantou a cabeça foi que viu que não era a filha de afrodite vindo lhe checa pela quinta vez e sim MUSE. “ ━━━ Ah! desculpa, eu achei que era minha irmã."
STARTER 2: dia seguinte a primeira bateria.
⭒ ๋࣭ 𖹭 ๋࣭ ⭑ ㅤㅤㅤㅤㅤesparramado em uma rede na área de lazer, maxime observava um jogo de xadrez dos filhos de atena. era sempre mais interessante quando havia dois do mesmo chalé porque o espírito competitivo parecia aumentar entre os irmãos. ao ver que aquele espaço privilegiado estava prestes a ser dividido, o semideus desviou o olhar do jogo para MUSE. “ ━━━ você quer apostar quanto que eles vão começar a brigar também?" a pergunta era carregada de diversão já que estava ali tempo o suficiente para ter visto briga de duas disputas já.
# opção #2 ────── O olhar semicerrado de Aurora revelava tanto confusão quanto tédio, enquanto seus olhos seguiam, sem muito interesse, os movimentos calculados das peças sobre o tabuleiro de xadrez. Nada do que acontecia ali parecia realmente prender sua atenção, e estava a um passo de se render ao desânimo e buscar algo mais envolvente para ocupar seu tempo, quando foi abordada pelo rapaz. ── Eu posso garantir uma briga entre eles, se você me oferecer qualquer quantia como recompensa. ── O tom desanimado que sempre usava dificultava perceber que estava apenas brincando, mas a suavidade em seu semblante entregava a leveza da provocação. ── Quem sabe assim essa partida ganhe um pouco mais de emoção. ── Suspirou, relaxando o corpo um pouco mais sobre seu assento. ── É difícil acompanhar xadrez quando já se esqueceu de metade das regras.
ERA FÁCIL REALMENTE - cair para velhos hábitos. a queimadura na mão apenas prova de que não sabia lidar com o peso da própria existência. não mais ; tanto que tinha segurado o isqueiro a palma até que sentisse algo. tinha sido tarde demais, já havia deixado um machucado irritado, e uma lágrima correu por sua bochecha para morrer no queixo , e cair ao chão de madeira onde se sentava perto da cama, sem fazer barulho demais para acordar o irmão que dormia pacificamente ao seu lado. na manhã, procurou marcela e ela lhe enfaixou como sempre fazia - sem perguntas. ainda mais agora, depois do que ele havia passado. parecia dor nos seus olhos enquanto limpava o sangue da ferida, mas não leria demais nos sinais caso fosse se arrepender de ir até ela e então ; não ter ninguém com quem contar para encobrir esses pequenos, infelizes, acidentes. relapsos da mente fraturada. ❛ você pode. ❜ respondeu, cuidado no tom . ❛ mas preferia que não perguntasse. ❜ colocou a mão dentro do bolso da jaqueta, talvez para facilitar o evitar do assunto. ❛ como tem lidado .. ❜ começou a inquirir , tom ainda mais cuidadoso. ❛ com tudo, desde que voltamos ? ❜ concluiu.
# ────── Como alguém que prezava pela discrição e independência, Aurora não precisava de súplicas para atender ao pedido do rapaz. Acreditava firmemente que todos tinham o direito de manter suas particularidades em segredo, e por isso, acatou prontamente, aceitando que não obteria respostas sobre o novo ferimento notado nele. ── Certo. ── Concordou, sem qualquer sinal de resistência ou ressentimento. Quando o assunto se voltou para as consequências emocionais da experiência vivida no submundo, a semideusa experimentou um vislumbre do que era estar do outro lado de perguntas intrusivas. Embora não se sentisse à vontade para discutir aquele tema, sabia que tinha o dever de apoiar aqueles que, assim como ela, ainda lidavam com os mesmos fantasmas. ── Eu não sei dizer, na verdade. ── Com a habitual frieza, agora mais resoluta do que nunca, ela apenas deu de ombros. ── Sinto como se minha revolta estivesse adormecida em algum canto profundo de mim, pois cheguei à conclusão de que não tenho controle sobre absolutamente nada. A ideia de lutar contra o destino traçado pelos deuses me parece uma batalha perdida, e, por isso, desisti de me importar demais. ── Sumarizou seus sentimentos com honestidade, concluindo com uma risada que não expressava muito humor. ── Profundo, não é mesmo? Mas é apenas a versão mais longa para uma resposta simples: Me sinto cansada. ── Foi direto ao ponto, suspirando baixo ao perceber que era reconfortante revelar um pouco do que guardava em seu interior. Aquilo não se tornaria um hábito, mas poderiam haver exceções. ── E você, como está?
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Depois de três semanas em devaneios, era no mínimo natural que Kerim não soubesse mais distinguir o que era real, do que era só uma projeção do seu inconsciente. E se fosse ser honesto, ele conseguia projetá-la quase que perfeitamente. Como poderia ser diferente? Já tinha decorado cada pequeno traço e contorno do seu rosto, a forma como os olhos pareciam mudar o tom, quando fixavam-se nele, até mesmo as ruguinhas que apareciam no nariz, quando ela acabava sorrindo demais. Sabia sua forma de andar e até mesmo a forma que ficava parada. Não que ela fosse previsível, só que ele tinha passado tanto tempo admirando-a, observando em silêncio, que acabou decorando uma coisa ou outra. A única coisa que não conseguira, no entanto, foi fazê-la falar. Em todas as vezes que devaneou a presença de Aurora, ela mantinha um silêncio implacável, tão gélido quanto o ar dentro do chalé trinta e um. Não tinha percebido o quanto sentia falta da voz de Aurora, ou que sua risada era o seu som favorito, até que fosse privado de ouvi-la. Perceberia depois de um tempo que, talvez, essa era a forma do seu inconsciente ajudá-lo a distinguir a realidade, da ilusão. Quando a encontrasse outra vez e ouvisse sua voz, seria real. Ainda imóvel, sentiu-se envolver pelo braço, eliminando qualquer distancia que ousasse existir entre eles. E tudo que tinha reprimido e segurado até então, se rompeu no instante em que a ouviu. A represa que sustentava a avalanche em seus olhos, arrebentou com força, as lágrimas rolando como cascatas dos olhos. Um suspiro desesperado rompeu os lábios, enquanto Kerim tentava esconder o rosto na curvatura do pescoço alheio, entre os fios dourados, espelhando o movimento dela. Tinha muito o que dizer, tanto que gostaria de perguntar e saber, mas naquele instante de choque inicial, acabou abraçando o silêncio, não como uma preferência, mas uma necessidade.
A busca por estabilidade e um pouco de ar, o fez se afastar minimamente, buscando, igualmente, pelo contato visual. As íris escuras ainda embaçadas pelas lágrimas, fixavam-se nas azuis de Aurora. "Pedi para que não saísse de perto de mim, Aurora.", murmurou com a voz ainda embargada. Não era uma reclamação, estaria longe de fazer isso num momento tão sensível para os dois, era mais como uma lamentação, por não ter conseguido impedir o que aconteceu com ela, por ter sentir-se inútil de alguma forma. O olhar desceu, observando-a por completo, analisando cada parte do corpo que conseguia, apenas para ter certeza que estava inteira. Ao fixarem-se no braço machucado, no entanto, ele não conseguiu conter uma nova onda de remorso que se expressava no rolar de mais lágrimas. "Eu tentei tanto, tanto, tirar você de lá. Me perdoe por não ter conseguido, por ter sido tão... inútil.", teria até barganhado ficar no lugar dela, era sua maior oferta, mas os deuses seguiram o ignorando. Nas condições que estava, também não o deixaram desacompanhado para que conseguisse fugir dali, achar um caminho ele mesmo até o submundo. Era péssimo, mas tinha que admitir, havia ficado sentado, quando deveria ter se esforçado mais para trazê-la de volta. Aproximou o rosto dela outra vez, encostando a testa na sua, mas o olhar permanecia baixo, triste e envergonhado por não ter feito nada. "Também senti tanto a sua falta, minha vida.", replicou, por fim, virando um pouco o rosto para selar os lábios rapidamente aos dela, num tom singelo que não se estendeu por mais que segundos, pois uma parte dele ainda temia ser rejeitado por não ter feito mais.
# ────── Mais do que nunca, a semideusa sentia a necessidade de chorar. Depois de desabar com o falecimento de Brooklyn, soltando lágrimas que pareciam ter se represado nos olhos durante anos, imaginava que já não lhe restava mais cristais para lhe ferirem o rosto. O pensamento equivocado, apenas mostrava o quanto havia menosprezado seus sentimentos pelo ferreiro antes, o quão impactante seria tê-lo em seus braços novamente. Três dias distante dele se arrastaram por uma eternidade, um castigo mais cruel do que ser submetida a passar toda sua vida no reino de Hades, o suficiente para fazê-la perceber que jamais aceitaria permanecer separada de Kerim novamente. Embora o choro formasse um nó quase sufocante na garganta, ao ouvir o suspiro pesado se desprender dos lábios alheios, ela soube que precisava se manter forte, manter-se como o pilar inflexível que sustentaria aquele que desabava sob seu abraço. Os dígitos se afundaram nos fios escuros dos cabelos do rapaz, deixando ali um afago reconfortante, um empenho silencioso de se fazer presente e o consolar, enquanto os lábios deixavam um beijo carregado de carinho em seu pescoço. A emoção que se alastrava pelo peito não se assemelhava a nada que já houvesse sentido antes, e para esse sentimento existia apenas uma tradução, uma palavra que estava perto de admitir para o objeto que o possuía. O desejo de permanecer naquela posição pelo restante de seus dias foi adiado, assim que o sentiu se afastar, permitindo que os olhos azuis reencontrassem o par que derramavam torrentes de saudades por ela. Delicadamente, sua mão se arrastou até o rosto para emoldurá-lo, o polegar então limpando os rastros deixados sobre a pele de Kerim, enquanto uma expressão de mais pura afeição estampava seu semblante.
Com a lembrança da promessa firmada pouco tempo antes de sua partida, um suspiro pesaroso se projetou de sua boca. Sabia que não estava sendo responsabilizada pela quebra desta, apenas era uma forma de expressar o lamento que acometia a ambos. ── Eu sei, meu amor. Me perdoa. ── Os lábios ensaiaram a promessa de que aquilo jamais se repetiria novamente, mas por prudência se calaram, pois reconhecia que o controle sobre os acontecimentos em sua vida já não estavam mais em suas mãos. Seu coração estava em pedaços por vê-lo naquele estado, exemplificando o tipo de sofrimento que evitava ao se afastar de todos. Desejava que os papéis estivessem invertidos, pois não suportava ser a responsável por fazê-lo se sentir daquela maneira. Com o ferimento que ostentava no braço captando a atenção do rapaz, novas lágrimas jorravam dos olhos tristes que a estudavam. Confusa com o motivo pelo qual Kerim se culpava pelo ocorrido, ela o observou pedir desculpas, balançando a cabeça em reprovação, incapaz de aceitar a maneira injusta como ele se cobrava por algo que estava além de seu controle. Com suavidade, sua mão voltou a repousar sobre o rosto dele, desta vez erguendo-o para que seus olhares se encontrassem, assumindo uma postura assertiva. ── Ken, nada disso foi culpa sua. ── Disse, sua voz mesclando ternura e firmeza. Reconhecia bem aquele sentimento, pois também havia se martirizado por ter sido culpada pela morte de seu pai, incapaz de salvá-lo, mesmo que jamais tivesse a chance de fazê-lo. ── Não havia nada que pudesse fazer para me resgatar de lá. ── Nem mesmo queria. Imaginá-lo se arriscando daquela forma, apenas para salvá-la era uma ideia que a deixava nauseada. Era tarde demais para que os sentimentos entre eles fossem contidos, mas lhe repugnava submetê-lo aquela posição. Maldito era o amor. ── Foi até melhor que continuasse aqui, vivo, pois me deu uma razão para voltar. ── Delicadamente, um sorriso se moldava em seus lábios, assim revelando a honestidade da declaração. Enquanto seus olhares permaneciam tão próximos, tudo que enxergava neles era tristeza e remorso, o que despertava em Aurora a necessidade de reverter a situação e fazê-lo sorrir novamente, o mais rápido que pudesse. Um beijo foi o suficiente para acalentar o coração atormentado da semideusa, que agora tinha a impressão de que tudo voltava para seu devido lugar. Até que deslizou o toque de sua mão até o braço dele, encontrando ali algo que pareciam ataduras protegendo sua pele. Confusa, ela se afastou, só então se dando conta de que ambos os braços de Kerim encontravam-se enfaixados, fazendo-a arregalar os olhos com consternação. ── O que foi que aconteceu? Quem fez isso com você? ── Subitamente em estado de alerta, mostrava-se pronta para se vingar contra o responsável pelos ferimentos.
De um lado para o outro, a cabeça de Aurora pendia, possibilitando estudar a estrutura de pedra por diferentes pontos de vista. Parecia compenetrada no que fazia, em paz com o silêncio que a rodeava, até observar que já não estava mais sozinha. Voltando o rosto para a figura que se movia em sua direção, identificou Yasemin. ── Estava fazendo uma caminhada, me distraí e acabei vindo parar aqui. ── Gesticulou com a destra, indicando o majestoso punho, por muitos considerado amaldiçoado, mas por ela apenas irrelevante. ── Já não sei a quanto tempo estou circulando em volta dele, mas pensei que talvez, do ângulo certo, o dedo do meio possa parecer erguido para a gente. ── A possível descoberta em nada contribuiria em sua vida, mas lhe parecia interessante por algum motivo. Possivelmente apenas buscava por um pouco de distração. ── Ainda acho que vamos acordar algum dia e Zeus estará mostrando o dedo do meio pra gente. ── O comentário era feito com um sarcasmo bem humorado, acompanhado por um sorriso curto.
Na companhia de Isabella, dedicava parte de seu dia para treinar suas habilidades com o arco e flecha, reconhecendo a outra semideusa como alguém a admirar em relação ao manuseio da arma. Seu objetivo, no entanto, não era se tornar uma arqueira tão talentosa quanto ela, mas sim fortalecer os membros machucados após sua queda, ansiosa para recuperar a mobilidade que tanto lhe fazia falta no dia a dia. Forçando-se a tentar recolher uma flecha que jazia no chão, via sua frustração aumentar cada vez que o indicador falhava em se curvar para agarrar o objeto. Embora pudesse facilmente usar a outra mão, a tarefa rapidamente se transformava em uma questão de honra. ── Mas que merda! ── Brandou, irritada. Levantando o olhar para a outra, bufou e inspirou profundamente, controlando os nervos que ameaçavam se exaltar. ── Minha mão ainda está um pouco estranha. ── Conferiu uma explicação, mesmo sem ser questionada sobre seu desequilíbrio momentâneo.
Os dias pareciam se arrastar desde a partida dos escolhidos. O que era torturante por um lado e confortável do outro, pois Kerim sempre pensava que eles finalmente estariam voltando, que a qualquer momento estaria com Aurora novamente. Mas era torturante quando os dias se encerravam e não tinha qualquer sinal de retorno. Parte dele começava a perder as esperanças, talvez se não estivesse naquele estado deplorável, poderia ter sido ele o escolhido para descer. Ou talvez, os deuses fossem realmente sádicos e mesmo saudável, Kerim seria obrigado a ficar naquele ciclo de angustia e impaciência. Passou os últimos sete dias, assim como passou as últimas duas semanas, vagando entre a enfermaria e o chalé de Quione, perdendo as forças ao que a madrugada ficava mais densa e sua energia era drenada para que o corpo se recuperasse. Sempre adormecia na varanda, noite após noite, e aquela não seria tão diferente. Havia passado na enfermaria para trocar os curativos dos braços, as mãos agora estavam livres, os ossos devidamente recuperados, chegava a ser um alívio sentir o movimento dos dedos outra vez. Mas as bandagens seguiam dos punhos até os ombros, pois os músculos ainda estavam em processo de recuperação. Após isso, pulou o jantar, o apetite parecia inexistente ao anoitecer, e seguiu para o chalé de Quione, sentando-se no último degrau de acesso a varanda, com um largo cobertor sobre seus ombros. O frio parecia mais aceitável na presença de Aurora. As pálpebras começavam a pesar algum ponto da noite, mas ele seguia forçando-as abertas. Por tantas noites idealizou o momento em que ela chegaria, a silhueta familiar desfocada ao longe, ganhando forma a cada passo que ficava mais perto. Ele tinha perdido as contas de quantas vezes o inconsciente o tinha enganado assim. Respirou fundo, piscando mais algumas vezes até que, outra vez, a mente começou a enganá-lo. Começou com algo distante, a curvatura do corpo cansado, andando em sua direção. O braço machucado preso a frente do corpo, enquanto o outro pendia cansado ao seu lado. Kerim não relutou, já estava acostumado a delirar com ela. Quando chegou perto o suficiente, no entanto, algo parecia diferente das outras vezes. Os olhos estreitaram-se ao que ele levantou-se, deixando o cobertor escorregar por entre os olhos e cair juntos aos pés. "Aurora? É realmente você?"
# ────── As horas passadas sob os cuidados dos curandeiros foram tão torturantes quanto aquelas desperdiçadas no submundo, embora nunca tivesse se sentido tão aliviada por rever os outros campistas. Não seria irresponsável de dispensar o tratamento que seus ferimentos careciam, por isso mantinha-se paciente sobre a maca, enquanto seus pensamentos insistiam em permanecer focados naquele que esperava reencontrar ao retornar. A cada instante seu olhar se voltava para a porta da enfermaria, com a esperança de encontrar Kerim a atravessando para recepcioná-la, mas cada segundo passado sem a presença dele apenas contribuía para sua frustração. Onde ele estava? Realmente não se importava? Não demorou para que sua paciência, já desgastada pela saudade, atingisse seu limite. Em vez de se entregar aos interrogatórios, Aurora, ágil e determinada, encontrou uma maneira de driblar a supervisão cuidadosa dos curandeiros, escapando de onde era mantida para vagar pelas áreas comuns do acampamento à procura do ferreiro. Com o braço ferido seguramente firmado pela tipoia, ela propositalmente ignorava os olhares curiosos que eram lançados em sua direção, assim como as pessoas que a abordavam com palavras de boas-vindas ou felicitações sobre sua sobrevivência. Deixaria aquilo para depois, pois seu objetivo era outro. Chegava a bufar com decepção a cada busca frustrada, também preocupada com o paradeiro do rapaz. Não achava possível que tentasse a evitar com tanto afinco e notícias ruins a teriam encontrado no momento de sua chegada. Finalmente resignada, aceitando a derrota depois de tanto tempo empregado no rastreio, decidiu marchar até o chalé de Quione, também ansiosa para se reencontrar com sua cama. A mente estava desperta, mas o corpo ansiava por repouso, uma necessidade que assumiu o segundo plano quando seus olhos avistaram uma figura acomodada na varanda do casebre, aparentemente adormecida.
Seu coração pareceu saltar, perdendo o ritmo por um breve instante, quando finalmente encontrou o filho de Hefesto ali, como se estivesse à sua espera, alheio a tudo ao redor. De repente, sua respiração tornou-se pesada, um reflexo involuntário do maremoto de emoções que tomava conta de seu âmago. Havia antecipado tanto aquele momento, ansiando pelo reencontro e pela alegria de viver novas histórias ao lado dele. No entanto, ao vê-lo diante de si, sentia-se inexplicavelmente paralisada, dominada por uma sensação inédita e sufocante que mal conseguia compreender. Sua presença pareceu despertá-lo e inconscientemente seus pés começaram a guiá-la em direção dele, enquanto uma onda de emoção a envolvia, e seus olhos, prestes a marejar, refletiam a intensidade dos sentimentos que a invadiam. Conforme a distância entre os dois se tornava mais limitada, Aurora perdia por completo o controle sobre o ritmo de seu coração, assim como o sorriso de alívio que se moldava nos lábios. Agora defronte a ele, esquadrinhando seu rosto para memorizar cada detalhe do semblante que a acompanhara em pensamento, não sabia como interpretar a confusão que expressava, mas tampouco teve tempo para pensar a respeito daquilo. Com um impulso, o envolveu com o braço ainda saudável, apertando-o contra si em um abraço carregado de ternura e saudade. ── Eu senti tanto a sua falta. ── A voz embargada quase não se projetava e seu rosto se afundou na curvatura do pescoço alheio. Em silêncio, desejava, com todo o seu ser, poder atravessá-lo de alguma forma, como se, fundindo-se em um só, jamais tivessem de enfrentar a dor da separação novamente.
@stcnecoldd asked for ❛ the less you know, the better. ❜, no luau.
Olhares curiosos, sussurros abafados, acusações, desconfianças... Tudo aquilo já era esperado no momento em que percebeu que, ao contrário dela e do pequeno grupo com quem havia chegado, a maioria dos campistas já estavam ali há meses. Ela sabia que seria o alvo natural de conversas, mas o que ainda a surpreendia eram as perguntas diretas, como a feita pela filha de Quione. "The less you know, the better." respondeu, a voz tranquila, porém carregada de sinceridade. Ao contrário de muitos ali, ela não tinha uma família com quem se preocupar, as poucas pessoas que realmente importavam ou estavam ao seu lado, ou sabiam exatamente como se proteger, por conta disso o caos do lado de fora não a afetava tanto quanto poderia afetar aqueles cujos os entes queridos os esperavam fora dali. Houve uma pausa breve, enquanto ela forçava um sorriso. "Aqui não foi o único lugar a mergulhar no caos, sabe? "completou, tentando amenizar a tensão. "Mas se é de confusão que estamos falando, imagino que você também tenha visto sua cota, dado o local onde estava." Se calou por um breve momento, vendo como sua fala seria recebida. " Você está bem?" A pergunta veio com uma suavidade inesperada, como se temesse tocar em algo delicado demais. Por um breve instante, o silêncio que se seguiu pareceu mais pesado que o caos que ambas conheciam tão bem.
Era natural que Aurora, movida pela curiosidade, buscasse conhecer mais sobre os semideuses recém-chegados ao acampamento durante sua passagem pelo submundo, pois tinha o desejo de entender melhor a situação do mundo exterior. No entanto, ao tentar desvendar os antecedentes de Dahlia, se deparou com a indisposição dela para falar sobre sua trajetória, encerrando qualquer tentativa de diálogo sobre sua vida. Apesar da leve frustração que isso lhe causava, a filha de Quione sabia respeitar os limites alheios, também por não encontrar energia para insistir em algo que, por ora, lhe parecia pouco relevante. A chegada desse novo grupo era envolta em uma aura de desconfiança, algo em seu instinto a alertava para o fato de que poderiam ser mais do que aparentavam, levando-a a suspeitar da possibilidade de serem novos peões nas mãos dos deuses, assim como Petrus havia sido. ── É exatamente o que eu estou tentando descobrir. ── Referia-se às condições do mundo que há muito tempo não visitava, mas que aos poucos se tornava um destino interessante para quem queria se ver livre do acampamento e todas as memórias atreladas a ele. ── Pelo menos do lado de fora é possível fugir. ── Estava cansada de se sentir enclausurada ali, perdendo qualquer poder de escolha, minando sua individualidade e liberdade. Enfrentaria qualquer ameaça se tivesse a chance de recuperar aquilo que havia perdido. Tornando-se o foco da conversa de repente, ela suspirou com desânimo, pois não também não tinha interesse em abordar sua aventura pelo reino de Hades. ── Eu estou viva. ── Sucinta e inexpressiva, dando de ombros ao concluir, ela deixou que a outra interpretasse a resposta como desejasse. ── Acho que todos os detalhes foram televisionados para vocês, então qualquer informação sobre isso seria redundante. ── Um gosto amargo surgia em sua boca ao dizer, refletindo o ressentimento que guardava no peito.
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𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨: manhã seguinte ao luau.
𝐬𝐭𝐚𝐫𝐭𝐞𝐫 𝐚𝐛𝐞𝐫𝐭𝐚 ☽ … ❝Atlas não tinha costume de consumir bebidas alcóolicas. Até deixava guardado em Eous uma garrafa de vinho, mas era a mesma garrafa em meses. Meio copo era o máximo que conseguia beber antes de começar a ficar enjoado e ter alguns sinais de intoxicação. Quando pegou o prato e a primeira coisa que veio em mente foi Yutao, tinha a sensação exata do que aparecia no prato, e estar certo o fez soltar um xingamento baixo. Haejangguk, uma sopa coreana específica que vez ou outra via o pai comendo; uma das únicas receitas que viu Zion se esforçar muito pra aprender. De novo, Atlas nunca foi se embebedar, como também não se via como uma pessoa escandalosa quando bêbada, muito pelo contrário. Atlas entrava em um estado de contemplação, e as chances das coisas que aconteciam nunca mais saírem da sua cabeça, em um sentido literal, eram preocupantes. Responder perguntas de pessoas que acabaram sim ficando bêbadas e fazendo coisas era parte engraçado e parte desanimador. " Não, @, ninguém fez isso, e muito menos você, pode ficar tranquile. "
ou manda um OI para um inter no luau (0/1) ou inter aleatória/plot :D
# ────── O apetite de Aurora parecia ter ficado preso no submundo, especialmente com o amargor persistente que teimava em dominar suas papilas, privando-a de qualquer prazer ao saborear uma boa refeição. Ainda assim, tinha plena consciência de que não poderia evitar comer para sempre, mesmo que a energia para realizar as atividades mais simples de sua rotina parecesse ausente. Com apenas um dos braços livre da tipoia, esforçava-se para consumir o desjejum, distraindo-se com um favor que realizava com igual relutância. ── Eu sei muito bem que não fiz. ── Mostrava-se contrariada pela suposição feita pelo outro. Desaprovando um luau em comemoração a tanta adversidade, sua passagem pelo evento foi curta e carregada de indisposição. ── Minhas ações são a única coisa sobre a qual exerço pleno controle, por ora. ── Suspirou, decidindo oferecer a ele uma explicação breve. ── Mas me pediram pra vir te perguntar, pois estavam com vergonha e eu não fui rápida o suficiente para rejeitar o pedido.
━━━━━━━━━━━ estava cada dia mais difícil que aqueles sintomas malditos não afetavam a sua vida, considerando que se sentia sempre cansada, afetada por uma dor de cabeça latejante. ainda ponderava comunicar quíron sobre aquele problema, mas o clima no acampamento era pesado demais para que criasse uma dose de coragem e o deixasse saber dos seus próprios problemas. era por isso que tinha se afastado daquele mundo, dez anos atrás, afinal de contas. ❝ eu tinha esquecido como era exaustivo dividir as coisas básicas da vida com tanta gente... que saudades de ter o meu próprio banheiro, que castigo! ❞ murmurou para ninguém em específico, sendo apenas um lembrete da sua miséria pessoal.
# ────── Embora acreditasse que a semideusa logo encontraria motivos mais relevantes e alarmantes para reclamar, não deixava de lamentar pela segurança dos recém retornados ao acampamento, que muito em breve sentiriam falta do mundo exterior ao experienciar o próximo infortuno que recaísse sobre os campistas. Não estava sendo pessimista ao pensar assim, somente seguindo o padrão dos acontecimentos mais recentes. ── Agradeça por ainda ter algum banheiro por aqui. ── A observação foi incisiva, mas com nuances de indiferença. Ainda tentava se recuperar do golpe sofrido e se munia novamente da costumeira frieza. ── Você pode piscar e descobrir que ele implodiu de repente, e uma Quimera te espera no lugar onde sua privada estava.
Com uma alça da mochila pendendo de um dos ombros, Aurora se aproximou com cautela da outra vítima das circunstâncias, hesitante, mas determinada a garantir que todos estavam se alimentando e se hidratando adequadamente. Já bastava seu ferimento e outras circunstâncias atenuantes para deixá-los em desvantagem naquela viagem compulsória até o reino de Hades. ── Ainda relutante em comer algo oferecido por Perséfone? ── Verificou com ela, deslizando a alça da mochila até que encontrasse sua mão, firmando-se suavemente entre seus dedos. Insistiria caso recebesse uma resposta negativa, mas torcia para que isso não fosse necessário, pois odiava testar a tolerância de quem já se encontrava à beira do limite. ── Não faço ideia do que pode ter acontecido pra você demonstrar tanta insegurança quanto a benevolência demonstrada no gesto. ── O sarcasmo carregava as palavras, assim como permeava o sorriso discreto nos lábios. Katrina tinha todo o direito e as justificativas para renegar a ajuda da deusa. ── Ainda tenho um pacote de bolacha intocado aqui. ── Ofereceu, demonstrando confiança na segurança garantida pelos produtos industrializados.
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⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⸻⠀⠀⠀flashback , primeiro dia , de volta ao acampamento
fora difícil conter um sorriso ao ouvir aurora entrar em sua brincadeira, mesmo que sútil. não que a filha de atena fosse ligar para que sua garrafa de vinho acabasse, por sorte, sempre haveria um filho de hermes pronto para receber alguns dracmas de forma suspeita — ela não o questionava e ele não a entregava, era um acordo simples. ⠀⠀"⠀⠀na verdade, seria falta de educação se não a aceitasse depois do pequeno inferno que passamos juntas.⠀⠀"⠀⠀a referência ao inferno cristão fora mais forte. lembrou-se de um dos livros que encontrou na biblioteca anos antes, mencionando que o subterrâneo seria dividido em círculos e quanto mais quente, mais perto do centro estaria. ⠀⠀"⠀⠀sendo honesta, somente depois de tomar banho, beber quase um litro de água e comer alguma coisa, que me senti normal novamente.⠀⠀"⠀⠀a sensação após sair da sauna era assemelhada a uma queda de pressão associada ao calor. precisou pedir ajuda a uma das filhas de circe para chegar até seu quarto. ⠀⠀"⠀⠀por que mesmo que achamos uma boa ideia? queria saber que bicho nos mordeu no minuto que concordamos.⠀⠀"⠀⠀seus passos até o chalé eram animados, nada comparado ao que fazia diariamente, nos últimos meses.
# flashback ────── Consentindo ao gesto de generosidade em recompensa pelos momentos de desconforto vividos na sauna, Aurora assentiu e soprou uma risada curta com a forma como a sala de tortura fora retratada pela outra. ── Palavra perfeita para descrever aquele lugar. ── Certamente consistia em seu inferno pessoal, uma vez que nunca foi de seu agrado permanecer em um local com temperaturas altas. Escutando sobre as medidas de alívio tomadas por Antonia, encontrou algumas similaridades entre o próprio escape para o calor, encontrando apenas uma diferença evidente. ── Depois de me readaptar à temperatura ambiente e evitar um resfriado, aproveitei que meu quarto estava vazio e me tranquei lá para criar meu frigorífico pessoal. ── Poder contar com sua criocinese naqueles cenários era um grande privilégio do qual jamais abria mão. Sem uma resposta para aquela indagação relevante, ela se limitou a suspirar e menear a cabeça em negação. Nunca encontraria uma explicação para tamanho ato de inconsequência. ── Eu sinceramente estou avaliando a possibilidade de estar insana. ── Brincou. A alguns passos de alcançarem o chalé de Atena, seu olhar vagou pelo acampamento, como se buscasse algum sinal de perturbação. ── Nem acredito que vou dizer isso, mas estou feliz em encontrar esse lugar inteiro. Fiquei com medo de voltar e ver tudo destruído. ── Ao menos todos estariam seguros na ilha, mas ainda seria um choque imensurável.
Os braços a envolveram pela cintura, abraçando o corpo junto ao seu, o queixo ainda encostado sobre o ombro numa posição perfeita que lhe permitia apenas virar um pouco o rosto em sua direção, e logo os lábios tinham acesso a pele do pescoço. Aquela tinha virado uma de suas partes favoritas em Aurora, pelo provocar dos arrepios ou o arrancar de suspiros, não importava o que, apenas adorava como ela reagia ao roçar de seus lábios na região, ao depositar de beijos e mordidas suaves. Ele riu, não por ela ter dito algo engraçado realmente, mas era cômico pensar que em algum momento eles realmente tiveram aquela conversa, sobre evitar afetos e apegos que pudessem tornar sua estadia naquele lugar mais complicada. Inevitavelmente, Kerim a tinha colocado num lugar especial desde o primeiro dia, ousada e destemida, desafiadora e enigmática, fria e ao mesmo tempo tão calorosa. Não teve como evitar, tinha se apaixonado aos poucos, como achava que deveria ser. "Não foi um pensamento de todo errado, realmente verbalizei isso para você uma vez. Eu só não sabia ainda que pretendia me laçar tão bem, Aurora. Você jogou minhas convicções por terra.", se ela quisesse passar o resto de seus dias naquele lugar, ele passaria ao seu lado, a seguiria para qualquer lugar no mundo, se isso fosse deixá-la feliz, com aquele mesmo sorriso que iluminava seu rosto. Não verbalizou isso, claro, apesar de sentir dessa forma, ainda tinha muito que Kerim não conseguia simplesmente colocar para fora. Talvez num outro momento. "É? Bom saber.", não só sobre a clareza dos sentimentos alheios, mas também sobre ser tarde. Não pretendia livrar-se dela e saber da reciproca apenas o deixava mais confortável para seguir naquela relação. O sorriso se dissolveu no instante em que os lábios encontraram os dela, ao menor sinal que se afastaria, ele se inclinou ao buscá-los outra vez prolongando por mais alguns segundos aquele selar. Um suspiro acompanhou o movimento de afastar-se, como quem tentava aceitar que, por melhor que fosse, não poderia ficar grudado nela o tempo inteiro. O olhar desviou para a caixa, acompanhando o tatear de Aurora entre suas preciosas lembranças até que a foto foi erguida e ele teve que desprender uma das mãos que a abraçava para segurar o item. "Lembra um pouco você. No nariz e contorno dos lábios.", observou. Diria que os olhos também, mas temia que isso ela teria puxado de Quione. "Mas é bom finalmente dar uma imagem a ideia que eu tinha do meu sogro.", concluiu no tom mais sério que poderia usar, afinal o sentimento era aquele, não? Kerim jamais se envolveu sem perspectivas, não fazia isso antes e não faria agora. "Aventureira desde criança, Rory? Tem cara de que já quebrou muitos ossos, sabia?", implicou agora num tom mais divertido, abaixando a foto para deixar uma série de beijos que trilhava o caminho do ombro até o pescoço da mulher.
# flashback ────── Como alguém que sempre afugentava qualquer um que tentasse ultrapassar suas barreiras e criar qualquer vínculo minimamente íntimo, Aurora se surpreendia com o quão confortável se sentia ao receber o semideus em seu santuário pessoal, mais ainda para permanecerem tão aconchegados como faziam. Mas, como podia ser diferente, quando cada vez mais convencia-se de que havia sido projetada para se encaixar entre seus braços? A pele do pescoço também não se cansava de receber seus beijos, aquecendo e se eriçando a cada novo toque deixado sobre ela. A transformação nas convicções de ambos fora abrupta, e ainda implicava um certo nível de adaptação por parte dela, um período que certamente seria mais tranquilo do que o esperado, graças ao porto seguro de compreensão e apoio que Kerim representava. Se existia alguém que fazia um risco como aquele valer a pena, era ele. A forma como descrevera o trajeto feito até seu coração a fez rir, divertindo-se com a ideia de tudo ter sido um plano maléfico arquitetado para conquistá-lo. ── Você diz isso como se não tivesse feito o mesmo comigo. ── Devolveu com o arquear das sobrancelhas enquanto o fitava. Ambos compartilhavam a mesma parcela de culpa naquela quebra de ideologia. Embora não confiasse ao mundo seus sentimentos, certa de que a vida encontraria uma maneira de magoá-los, tranquilamente o fazia com o rapaz, o que possibilitava compartilhá-los tão abertamente. Assim que seu olhar recaiu sobre a imagem do pai, o sorriso em seus lábios assumiu nuances de saudade e pesar. Nunca deixaria de ser doloroso revisitar as lembranças que carregava dele, refletir sobre todos os momentos em sua companhia que haviam sido arrancados de seu alcance. Os pensamentos lamuriosos foram interrompidos pelas palavras alheias. Com uma expressão perplexa no rosto, voltou-se para o outro, estudando-o com um olhar curioso. ── Sogro? ── O uso do título causava uma espécie de frenesi em seu interior, possivelmente por oficializar aquele relacionamento de alguma forma. Mas depois de alguns instantes de reflexão, seu semblante voltou a se iluminar. ── Não sei como ele lidaria com essa intimidade toda, mas eu estou gostando da ideia. ── O tom tornou-se tão delicado quanto um sussurro ao admitir. Há muito tempo seu coração não havia se sentido tão exultante. Para sua felicidade, não herdara apenas alguns traços físicos de Niko, mas também seu apreço pela aventura. ── Já mesmo. Inclusive, adorava ostentar meus gessos por aí e colecionar assinaturas dos meus amigos. ── Revelou um novo detalhe sobre seu passado. Antes que alcançasse um novo item em seu baú de memórias, viu-se atenta às carícias deixadas em seu corpo, percebendo algo dentro de si despertar lentamente. Com cuidado, devolveu a fotografia para a caixa, tampando-a em seguida. ── Assim fica difícil eu me concentrar. ── Seus planos agora sofriam uma mudança abrupta e desconfiava que também o agradaria com ela. Depois de deixar o objeto sobre o móvel de cabeceira, ajustou-se para ficar mais defronte a Kerim. ── Que tal deixar a visita às minhas memórias para outro momento? Prefiro me distrair com você agora. ── O envolvendo em seus braços, o puxou para mais perto. Desejava aproveitar aquela noite ao máximo.