ANA DE ARMAS? Não! É apenas DAHLIA RADAMÉS TORCUATO, ela é filha de HECATE do chalé 21 e tem 30 ANOS. A TV Hefesto informa no guia de programação que ela está no NÍVEL 3 DOS PODERES por estar no Acampamento há 16 anos, sabia? E se lá estiver certo, LIA é bastante LEAL mas também dizem que ela é DESCONFIADA. Mas você sabe como Hefesto é, sempre inventando fake news pra atrair audiência.
Resumo: Dahlia nasceu em uma família estramente religiosa pois a família em questão chamou a atenção da deusa da bruxaria falando mal de bruxas. Como o avô dela nunca havia visto a mãe da neta dele, achou que a menina era fruto de uma bruxaria para acabar com a família dele, e começou a realizar alguns rituais (tortura, pra ser exata) até que um dia os poderes dela despertaram e ela foi encontrada por um sátiro e levada para o Acampamento pela primeira vez.
BIOGRAFIA l CNNS l DESENVOLVIMENTO l SPOTFY l PINTEREST
Poder - Magia Demoníaca: possui a capacidade para manifestação de magia relacionada ao submundo em um ponto de conseguir controlar as criaturas, assimilando assim parte de seus poderes.
Arma: Mortal Reminder: Foice longa, com a lâmina trabalhada em Ferro Estígio, com a capacidade de se transformar em uma pulseira.
Habilidades: previsão e fator de cura acima do normal.
Faz parte dos Filhos da Magia.
Instrutora de combate contra monstros.
Participa da equipe azul do clube de luta.
Personagem baseada no prompt 01 - os sonhadores, dos interceptados.
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Agora que já havia atravessado o momento de urgência, pode-se dizer que havia retomado sua obsessão pelos recém-chegados. O fato de Quíron saudá-los no discurso, mostrando hospitalidade, provava que não os via como inimigos infiltrados, o que queria dizer que eles permaneceriam no Acampamento, junto com eles, mesmo com a possibilidade de que fossem agentes duplos trabalhando para Hécate e Hades. O filho de Nyx provava de um pouco mais que indignação naquela noite. Tinha sofrido na pele os efeitos do agir dos deuses e não estava assim tão receptivo quanto seus colegas. Por culpa da fenda – apenas um dos ataques do deus ctônico – ele não só tinha perdido o membro inferior direito como também teve de ir diretamente até a Sala do Trono de Hades. Não era demais dizer que a revolta o consumia.
Algumas doses de álcool na praia e lá estava ele deixando sua opinião bem clara, para quem quisesse ouvir. O fato de alguns semideuses pensarem da mesma maneira e validarem suas desconfianças o deixava mais falante que o habitual. Havia, ainda, os bajuladores temporários, que sumiriam assim que uma missão mais interessante aparecesse, ou que alguém fosse excepcional no Caça à Bandeira. No entanto, em meio a tantas vozes que faziam eco ao que ele dizia, uma se sobressaiu por discordar. E não só isso.
O Bakirci se calou assim que reconheceu o timbre de Dahlia, se virando, os olhos aumentando minimamente de tamanho, quando ela mencionou algo que ele preferia esquecer em dias normais. Algo que ninguém teria coragem de mencionar em público. ‘ Dahlia ’ mais que um cumprimento, o proferir do nome era um aviso, o tom empregado deixando claro que ele queria que ela parasse. Ele tinha ouvido falar que ela havia voltado, até ali se perguntando o porquê da mensagem da morena ter sido interceptada. Quem ela havia se tornado nos breves anos que deixou o Meio-Sangue? ‘ Se estiver querendo estragar minha noite por mencionar Apolo, meus parabéns ’ meneou a cabeça, tomando seu pulso para levá-la para longe da roda de conversa em que estava. Não queria que ninguém mais soubesse detalhes de sua maldição. ‘ Está tentando me humilhar? ’ perguntou o mais calmamente que pôde, fixando nela seu olhar de descontentamento.
Dahlia não fez o menor esforço para esconder o sorriso que se alargava em seu rosto ao notar a mudança na expressão do turco. Ela sabia exatamente o quão sensível era o tópico que acabara de tocar, mas não sentia o mínimo arrependimento. Na verdade, aquele era um dos raros momentos em que se permitia saborear a tensão que causava. Ainda mais depois do discurso infundado que o filho de Nyx fazia aos quatro ventos segundos antes. Os dias já eram difíceis o bastante sem que os conspiracionistas do acampamento decidissem exibir suas teorias, e a última coisa que ela precisava era que ele tornasse sua vida ainda mais complicada os incentivando a falar.
"Remzi." Respondeu com a voz sedosa, fazendo questão de pronunciar o nome corretamente e ignorando propositalmente o aviso implícito no tom do outro. As sobrancelhas se ergueram levemente, como se ela desconhecesse os motivos do estresse alheio. Conteve uma risada ao sentir os dedos se fecharem ao redor de seu pulso e deixou que ele a levasse seja lá para qual lugar ele a estivesse levando. "Te humilhar?" Repetiu quando por fim pararam, dando um passo em sua direção. "Jamais." Sustentava seu olhar com facilidade, claramente não se importando com o descontentamente que ele mostrava, porém, o sorriso já havia desaparecido de seu rosto. "Mas você claramente queria tornar algo que já está difícil ainda pior com todas essas suas teorias vindas diretamente das você da sua cabeça." Ergueu levemente os ombros. "Achei que você estivesse precisando provar um pouco do próprio veneno."
Dito isso, seus olhos baixaram para a parte onde as marcas da maldição estavam visíveis. Em um gesto completamente despreocupado, a filha de Hécate afastou o tecido e deixou que os dedos percorressem as marcas da maldição antes de erguer o olhar na direção dele novamente. "Mas eu não menti quando disse que você devia é estar feliz por eu estar de volta, elas realmente parecem maiores." O tom já não apresentava os sinais anteriores de sarcamo ou qualquer hostilidade, de fato, parecia quase preocupada com a situação do filho de Nyx. Não sabia se era pelo puro desgosto que tinha pelo deus do sol ou se por algum traço de afeição que nutria por ele, mas não queria que a maldição se concretizasse. "O que você andou fazendo pra elas ficarem assim?"
Subir aos palcos, mesmo que de maneira improvisada, fez cada instinto de Kit fugir. Sair dali o mais rápido possível e se manter a postos, pronto para qualquer ameaça. Alguém morreria, mas quem? O filho de Hefesto ficou um bom minuto parado, pandeiro na mão e olhos fixos no banquinho que sentaria, buscando a informações que o faria respirar novamente. Vamos Kit, acelera. Alguém tinha dito e ele piscou para a realidade, para o tempo de agora. Sorriso imenso no rosto, mãos rápidas no instrumento e cheio de graça. Apontando para os mais perto e dedicando uma parte da música, declamando para quem trazia algo para comer e rindo quando outro fazia uma graça. E isso continuou... Até a ver.
Ou melhor, suas costas. O intervalo (que ele esperava durar mais do que 15 minutos) veio um tempinho depois, com a promessa de que... Deveria ir? Ainda dava para alcançá-la, seguir o caminho que tinha acompanhado com os olhos. Deveria ficar? E dar mais espaço, mas respeito ao que tinha ocasionalmente separado-os de vez. Kit olhou para as próprias mãos, os dedos abrindo e fechando, e tomou a sua decisão. Apenas ajustando os olhos quando sua chegada silenciosa foi interrompida com o abrupto encontrão. As mãos foram automática para a cintura alheia, amparando-a da mudança de equilíbrio (era o mal de quem se transformava em metal e esquecia disso). ⸤ 🔥 ⸣ ⸻ Não precisa se desculpar, eu que não avisei. , Quando deveria usar outros verbos. Kit abriu e fechou a boca, procurando o que falar, colocar alguma coisa para fora. Primeiro, se afastou. Invasão pessoal. A distância apertando o peito e carregando o cenho, seus dedos coçando o braço. ⸤ 🔥 ⸣ ⸻ Você- Como- Faz um- Que bom que eles voltaram. Hades honrou sua palavra. Legal. ,
Ao sentir o toque firme na cintura, suas mãos se moveram instintivamente para os braços dele, como se o simples contato tivesse reativado a memória de movimentos que antes eram naturais entre eles. Os lábios abriram e fecharam várias vezes, mas nenhuma palavra conseguiu escapar, era como se sua voz tivesse simplesmente desaparecido junto com a coragem. A pele dele ainda era tão quente quanto ela se lembrava, um calor tão familiar que quase a fez esquecer por um instante tudo que havia mudado. "Ah, é, tudo bem." Murmurou, tentando soar indiferente, embora sua mente estivesse a mil. Talvez até tivesse tentado forçar um sorriso, mas, no segundo seguinte, cometeu o erro de olhar diretamente nos olhos dele, se vendo, por fim, perdida em um tsunami de memórias reprimidas.
Ainda que por poucos segundos, o silêncio que se instaurou enquanto os olhos estavam completamente presos aos dele pareceu infinito e ela só voltou realmente a si quando sentiu as palmas escorregarem pelos braços dele quando ele se afastou. No mesmo instante cruzou os braços na frente do corpo, assentindo de forma breve conforme ele falava; em outros tempos teria achado graça o nervosismo, mas parecia hipocrisia pensar em rir quando ela mesm estava igual ou até mesmo pior. "É tem um tempo, eu, hm, fiquei sabendo de toda a confusão que Hades e Hécate causaram por aqui." O nome da mãe trazia um gosto amargo à boca; claro que estava irritada com a deusa após ela usar seus irmãos daquela forma e de todas as pessoas que ela machucou no processo, mas ainda não conseguia se desapegar da gratidão que sentia por ela. De forma discreta, aproveitando a distância atual, se permitiu olha-lo de cima a baixo, em busca de alguma cicatriz visível atual (ao menos era o que ela dizia a si mesma) e suspirou baixo, de alívio, ao perceber que não havia nenhuma visível.
Sabia que devia virar as costas e fazer exatamente o que planejava minutos atrás; sair dali. Mas era como se estivesse colada ao chão onde pisava. "Você estava bem alegre no palco. Eu, hm, tinha esquecido o quanto você gostava de tocar pandeiro." Uma verdade seguida de uma mentira pois, infelizmente para Dahlia, todas as lembranças dele eram bem vívidas em sua memória. "Mesmo em um arranjo tão... singular como o de hoje."
"Você trouxe algo para mim de lá?" Natalia não conseguia ver o próprio reflexo, mas sabia que seus olhos brilhavam de animação. Sua atenção desceu para as mãos da semideusa, ansiosa para descobrir que tipo de presente sua irmã havia trazido. "Conheceu os russos errados, então." Rindo, aproximou-se novamente, segurando Dahlia pelos braços. Não a julgaria por essa opinião. O próprio pai era um exemplo típico do que se esperava de sua nacionalidade: bravo, turrão e com uma expressão de poucos amigos. Talvez, até um pouco ríspido em certas ocasiões. Esse comportamento sempre podia ser contornado com confiança, e, quando isso acontecia, revelava-se o homem mais doce e gentil que ela havia conhecido em vida. Ouvir sobre os feitos de Dahlia como alguém "livre" da prisão que o acampamento havia se tornado era excitante. Natalia tinha planos de viajar por todos os lugares que conseguisse. Talvez, quando realizasse tal feito, poderia morrer em paz. Embora quisesse ouvir mais sobre as aventuras da irmã — um tópico que voltariam a discutir mais tarde —, não pôde deixar de notar o quanto Dahlia parecia alheia aos últimos acontecimentos. Para tocar no assunto, Natalia desfez o sorriso divertido que dominava seu rosto, adotando uma expressão mais séria. Por onde começar, e como não assustá-la? "Faz sentido que as coisas lá fora não estejam indo bem." Suspirou, apertando levemente os braços da irmã. "Hécate." Mencionar o nome da mãe parecia difícil. Natalia precisou inspirar fundo e soltar o ar devagar antes de continuar. "Hécate... e Hades. Os dois estão por trás, pelo menos, do caos que começou aqui e que se espalhou lá fora. Nossa querida mãe estava atrás do seu amado grimório. Como ela tentou recuperá-lo? Criou 'traidores', feriu alguns, matou outro..." Seus lábios se comprimiram, e ela lutou para manter a compostura. Reviver aqueles momentos, ainda que por breves instantes, era mais difícil do que imaginara. "Fui uma das vítimas. Sugaram a minha energia, mas me pouparam antes de me tornarem completamente inútil." Uma risada sarcástica escapou, ecoando com mais força do que ela queria. Natalia interrompeu o contato, recolhendo as mãos e pressionando-as contra o próprio abdômen. "Além disso, havia uma fenda aqui que emitia sons, vozes. Vocês chegaram quando finalmente conseguimos fechá-la. Ainda há muito mais para contar, mas não quero te sobrecarregar tão rápido. Quíron é quem está mais preparado. Ele vai saber te explicar tudo com calma." Deixando os ombros caírem, ela olhou para o chão e fechou os olhos em seguida. "Estou feliz que você voltou. Isso é o que importa agora."
"Eu trouxe coisas, pra ser mais exata." Um riso breve lhe escapou enquanto julgava mentalmente a si mesma; além da Russia, em quase todos os outros país pelos quais passou, Dahlia havia comprado ou simplesmente levado alguma coisa com algum significado local ou que simplesmente a lembrasse da irmã. No fim, havia trazido consigo uma generosa e diversificada coleção de itens. "Talvez, mas sei que um deles me ensinou um suco de laranja batizado com vodka que é sensacional, compensou a hostilidade dos outros." Seus ombros se ergueram levemente enquanto soltava uma nova risada, despreocupada. Enquanto falava, seus dedos traçavam carícias aleatórias nos braços de Natália, um gesto afetuoso quase inconsciente. No entanto, a mudança súbita na expressão da irmã despertou sua curiosidade. Dahlia franziu a testa, ouvindo atentamente até que seus olhos se arregalaram ao ouvir o nome da mãe mencionado. Agradecida por não precisar interromper, ela apenas observou Natália, sentindo o nervosismo no olhar da irmã e o aperto em seus braços. Estava atônita. Quando Natália falou sobre suas energias terem sido sugadas quase por completo, Dahlia reagiu instintivamente, apertando-a de volta. "Traidores...? Mas ela estava atrás do grimório... O que... Ah não."
Assim que se deu conta, seu queixo caiu. Claro que ela precisaria de formas diferentes de acessar o interior do Acampamento, e como o grimório estava aqui, bastava alguém ler o feitiço... E assim nascia um traidor. "Quem eram os traidores?" Dahlia não era inocente a ponto de achar que os deuses se importavam com os filhos a ponto de poupa-los de sofrimento, especialmente se isso trouxesse alguma vitória pessoal para eles mesmos, mas ouvir sobre os feitos da mãe definitivamente a pegou de surpresa. Porém, levando em consideração as coisas que havia visto fora dali, não achava que Hécate e Hades fossem os únicos responsáveis por todo aquele caos. "Com certeza eles tem culpa mas... Não sei se começou exatamente por conta deles..." Seu tom era baixo enquanto as peças pareciam se juntar em sua cabeça. A quantidade de humanos com visão, as tempestades e ressacas marítimas, a rapidez com a qual os monstros pareciam renascer... Imagens do último pesadelo vieram a mente e ela piscou algumas vezes para afasta-la. "Tem algo bem maior acontecendo, acho... Acho que todos eles estão brigando, mas difícil é saber pelo que dessa vez."
"Quíron parece uma opção mais viável que o senhor D depois daquele discurso todo sobre a gente não ter recebido o chamado dele." Aquela era outra dúvida que assombrava seus pensamentos desde a chegada; por que um grupo tão pequeno não havia recebido o chamado? No cenário atual, o que isso indicava? Deu um passo na direção de Natália e a envolveu de modo carinhoso em seus braços. "Voltei, e só saio de novo quando você aceitar viajar o mundo comigo." Ela sorriu, deixando um selar entre os fios de cabelo dela em seguida e então. "Por que nós não vamos com calma nessa parte de notícias ruins e damos uma pausa pra eu te mostrar toda a bugiganga que eu trouxe, hm?"
@stcnecoldd asked for ❛ the less you know, the better. ❜, no luau.
Olhares curiosos, sussurros abafados, acusações, desconfianças... Tudo aquilo já era esperado no momento em que percebeu que, ao contrário dela e do pequeno grupo com quem havia chegado, a maioria dos campistas já estavam ali há meses. Ela sabia que seria o alvo natural de conversas, mas o que ainda a surpreendia eram as perguntas diretas, como a feita pela filha de Quione. "The less you know, the better." respondeu, a voz tranquila, porém carregada de sinceridade. Ao contrário de muitos ali, ela não tinha uma família com quem se preocupar, as poucas pessoas que realmente importavam ou estavam ao seu lado, ou sabiam exatamente como se proteger, por conta disso o caos do lado de fora não a afetava tanto quanto poderia afetar aqueles cujos os entes queridos os esperavam fora dali. Houve uma pausa breve, enquanto ela forçava um sorriso. "Aqui não foi o único lugar a mergulhar no caos, sabe? "completou, tentando amenizar a tensão. "Mas se é de confusão que estamos falando, imagino que você também tenha visto sua cota, dado o local onde estava." Se calou por um breve momento, vendo como sua fala seria recebida. " Você está bem?" A pergunta veio com uma suavidade inesperada, como se temesse tocar em algo delicado demais. Por um breve instante, o silêncio que se seguiu pareceu mais pesado que o caos que ambas conheciam tão bem.
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@misshcrror asked for ❛ who cares if it bleeds. ❜, depois do luau.
Suas opiniões acerca de alguns monstros quase sempre soavam como maluquices quando ela conversava sobre com outros campistas. Não que ela visse todos os monstros da mesma forma; tinha sua lista dos mais odiados como qualquer um ali, mas a magia que possuía acabava possibilitando que ela enxergasse alguns deles de um modo um pouco mais amigável, coisa que os outros raramente conseguiam. "Você pode ter certeza que o cão infernal se importa se sangrar, não é atoa que ele tenta comer qualquer um que machuca ele ou que, bom, pareça apetitoso." Franziu os lábios por um breve momento. Ainda que gostasse deles e fosse eternamente grata com o que havia tirado ela da casa do avô, não podia negar que eles eram sim agressivos. "Mas quando eles estão calmos são iguais filhotinhos." Ergueu os ombros. "As esfinges, quando não querem te atacar, parecem gatos querendo carinho. E sabe a medusa? Quando esta sob controle, é uma fofoqueira de mão cheia, conta da vida dos pedregulhos dela todos." Riu levemente. "Mas alguns deles não tem magia que dê jeito, só uma espada mesmo." Fez o gesto de passar a mão pelo pescoço e logo ergueu os ombros.
@sleeplessness-moonie asked for ❛ you have blood on your hands. ❜
Ainda que poções não fossem exatamente sua área favorita, Dahlia tinha conhecimento suficiente para que alguns campistas a procurassem em busca de ajuda. Foi por isso que aceitou auxiliar a filha de Morfeu em seu estudo. Elas combinaram de se encontrar na estufa, onde as plantas estariam mais acessíveis caso fosse necessário algum tipo de demonstração. No horário exato, Dahlia chegou à estufa, trazendo consigo um de seus cadernos de anotações. Logo avistou Simone em uma das bancadas e se aproximou, ocupando o lugar ao seu lado. "Às vezes, tenho a sensação de que esse lugar vai me engolir com todas essas folhas." Brincou, enquanto abria o caderno e dispunha os livros sobre a bancada. No entanto, antes que Simone pudesse tocar o caderno, algo chamou sua atenção. Havia sangue nas mãos da outra garota. Dahlia, sem hesitar, afastou o caderno do alcance dela. "Tem sangue nas suas mãos." Comentou, o olhar passando rapidamente das mãos de Simone para o resto de seu corpo, procurando qualquer ferimento visível. "É seu?" Com a sobrancelha arqueada, Dahlia não parecia julgá-la, apenas não queria que seus pertences fossem manchados. Assumindo que a resposta fosse negativa, um pequeno sorriso curvou os cantos de seus lábios. "Você ganhou?" Perguntou, num tom leve, insinuando que Simone talvez tivesse se envolvido em uma briga antes de chegar ali.
Em outras situações, Diego teria se virado, encarado a pessoa, e, por fim, lançado um de seus olhares fulminantes. E ele fez isso, até que reconheceu os traços delicados, que contrastavam com a boca que ele considerava vulgar. Sua expressão carrancuda se desfez rapidamente, substituída por um sorriso animado. Antes que pudesse falar, ele abraçou a filha de Hécate, levantando-a do chão em um abraço tão apertado que transmitia toda a saudade que sentia. Era bom rever rostos familiares, especialmente quando eram de amigos. "¡Cómo te extrañé, enana! ¡Mucho!" O som de sua voz saiu abafado, com a cabeça enterrada na curva do pescoço da semideusa. Quando se tratava de expressar seus sentimentos, ele o fazia sem qualquer inibição. "No vuelvas a desaparecer así, niña. No hay forma de perseguirte por el mundo mientras estoy atrapado aquí." Havia tanto a compartilhar, boas e más notícias. Afastando-se para observar melhor as belas orbes castanhas de Dahlia, ele inclinou-se para beijá-la rapidamente na testa, como sempre fazia. "Está gostando da recepção? Se eu soubesse que você tinha chegado com a renca de semideuses, eu mesmo teria te recebido com uma caixa de ovos duvidosos. Que pena. Mas podemos marcar para fazer isso. Sempre tenho tempo para arruinar sua bela imagem, jovencita."
Pode ver o exato momento em que Diego a reconheceu, fazendo assim com que o sorriso que exibia se tornasse ainda maior; era bom ter alguém que não a olhasse com desconfiança. Prontamente circulou o corpo alheio com os braços, o envolvendo em um abraço igualmente forte tal qual a saudade que havia sentido d'outrem. "¡Hey, enana un carajo!" O resmungo saiu abafado, uma vez que ela tinha o rosto pressado contra o peitoral dele. "Te juro que no fue mi culpa que me demorara tanto, y tú también podrías haberte ido, ¡falso!" Manteve as mãos nos braços dele enquanto os olhos se fechavam brevemente para receber o beijo na testa, em seguida, retribuiu com um beijo estalado em sua bochecha, seguido de um leve aperto. Logo acabou rindo com a ameaça da caixa de ovos. "Sendo sincera? Me sinto uma adolescente recém chegada no acampamento. Várias pessoas novas, algumas olhando torto, é difícil não sair xingando todo mundo." Ela revirou os olhos e suspirou, mas logo o sorriso bem humorado voltou ao rosto. "E eu nem te conto onde te faria enfiar esses ovos duvidosos." Arqueou a sobrancelha e o olhou de cima abaixo, como se o estivesse julgando. "Mas eu quero saber de você! Você ficou por aqui? Saiu? Se envolveu em alguma encrenca? Tenho um mundo de coisas pra te contar, mas antes quero ser atualizada de todas as fofocas que eu perdi!"
A parte boa de estar na presença de tantos campistas é que havia conseguido evita-lo até então. Sim, já fazia um bom tempo desde a última vez em que haviam se falado, mas ainda assim era estranho, pra não dizer complicado olhar para Kit. Dahlia sabia perfeitamente que tudo aquilo era resultado de suas próprias escolhas, e o mínimo que poderia fazer era lidar com o que aparecesse, afinal, sua decisão se mantinha firme ou algo bem próximo a isso. Por um tempo, assistiu o grupo se apresentando em uma harmonia surpreendente dada a disparidade de instrumentos, sorrindo de modo discreto ao vê-lo animado perto dos demais. Porém não demorou muito para que as lembranças a atingissem de uma forma não tão gentil. Sentindo um peso gigantesco sobre o peito, Dahlia simplesmente deu as costas e andou para um local mais afastado onde pode finalmente respirar.
Esperou por alguns minutos enquanto os batimentos cardíacos pareciam retomar o ritmo original, e só então se viu pronta para retornar, no entanto, assim que se virou, acabou esbarrando em alguém cujo a presença ela não havia notado até então. "Perdão, eu não..." Começou a se desculpar, mas assim que viu quem era parecia que havia desaprendido a falar. "Eu não te vi." Finalizou a frase, forçando um sorriso logo após, se preparando para sair dali.
Desde o dia de sua chegada, Dahlia vinha tentando juntar todas as novas informações acerca dos últimos acontecimentos que havia perdido, o que parecia ser uma quantidade infinita de coisas. Soube sobre as pessoas que haviam caído no submundo, afinal, havia acompanhado a saga pelo programa de Hefesto e presenciado a profecia de Rachel, porém ainda ficava um tanto receosa de dizer qualquer coisa que fosse, uma vez que ainda se sentia um tanto deslocada por ali.
Naquela manhã, quando ouviu a fenda estalar, acompanhou os demais campistas para a parte da frente da casa, porém se limitou a observar as pessoas que atravessavam o portal, ficando aliviada conforme alguns rostos conhecidos emergiam. O restante do dia havia corrido normal, tirando os momentos onde estava ajudando na enfermaria. Foi a noite, enquanto andava pelos campistas em busca de algum lugar para se sentar, que ouviu a voz conhecida falando sobre as desconfianças sobre os recém chegados, que ela viu que não poderia mais ignorar tais situações.
Caminhou até onde Remzi conversava com um outro campista, sem deixar de notar que as marcas da maldição pareciam estar maiores do que ela lembrava. "Sabe, é engraçado que uma pessoa como você queira questionar as intenções de alguém, Remzi." Ignorando o outro campista, Dahlia virou o corpo na direção do filho de Nyx, abrindo um sorriso sarcástico para o mesmo. "Dado o tamanho das marcas da sua maldição, você deveria estar soltando fogos por eu ter voltado a menos que já tenha aceitado virar empregado de Apolo."
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Incrédula e tomada pela surpresa, Natalia quase saltou em direção à irmã, lançando-se rapidamente contra ela e envolvendo-a com os braços em pura alegria. Um soluço escapou de seus lábios, mas ela conseguiu conter o choro a tempo. Não choraria, por mais forte que fosse o impulso. Precisava se manter firme, pois havia muito a explicar, e desmanchar-se em lágrimas não seria a melhor forma de começar. "Eu achei que você tivesse morrido, Dahlia. De verdade!" Esbravejou, surpresa ao perceber que seu sotaque característico havia se acentuado naquele momento. Era algo que sabia que jamais perderia, mas que ficava menos evidente com o tempo. Contudo, a emoção de revê-la trouxe de volta o peso das palavras e o desejo intenso de falar na língua materna, mesmo que Dahlia não compreendesse muito. "Como está tudo lá fora? E você, como está? Já ficou sabendo o que a querida deusa fez com os residentes desse chalé e com o resto do acampamento?" Disse rapidamente, como se pausas e vírgulas fossem irrelevantes em seu discurso. Ao se afastar um pouco, levou a mão ao rosto da irmã, acariciando sua bochecha. "Que se dane o que aconteceu aqui! O importante é que você está bem... ainda que, infelizmente, conosco." Se semideuses viviam lá fora, Natalia não sentia o menor peso por isso. Voltar para cá, em meio ao caos, não parecia uma decisão prudente. Mas, ao vê-la chegando com outros campistas, Natalia esperava por respostas. Tudo estava uma bagunça, mas outros aspectos mereciam ser discutidos e esclarecidos. "Vamos, me diga como era sua vida lá fora. Não me poupe de nenhum detalhe."
Manteve-se firme ao sentir os braços dela envolverem seu corpo e fez o mesmo, abraçando a irmã com a mesma força. Um riso baixo escapou dos lábios ao ouvi-la soluçar; não por achar engraçado, mas sim por entendê-la, afinal, Natália emcabeçava a lista de pessoas das quais ela mais havia sentido falta. Ouvir a fala carregada de sotaque de Natália arrancou dela um sorriso largo. "Olha, não foi por falta de tentativa..." Brincou, lembrando-se dos ataques de monstros que havia sofrido nos últimos meses e todas as demais esquisitices que estavam acontecendo no mundo fora dali. A enchurrada de perguntas a fez rir. "Ok, calma, vamos aos poucos." Ela riu novamente, deixando a irmã se afastar e logo inclinou o rosto levemente na direção de seu toque, tentando em franzir a testa ao ouvir sobre os feitos de uma deusa. O que ela havia perdido nesse tempo fora, afinal?. "Eu estou me adaptando de novo, sabe? É estranho voltar pra cá assim, do nada, parece que eu sou uma criança de novo." Suspirou, o sentimento de ser uma estranha ali a estava incomodando, porém esperava que fosse um problema temporário. Haviam também os pesadelos, mas ela não os mencionaria, ao menos não por enquanto. "A minha vida lá fora estava muito boa... Melhor do que eu tinha imaginado que seria, sabe? Eu viajei por uns 30 países, conheci tanta gente, tantos lugares e culturas, fora que eu aprendi dois idiomas novos nesse tempo, e aprendi relativamente rápido, se vale de alguma coisa." Ela deu risada. Era impossível para Dahlia não acabar se empolgando ao falar de seus feitos fora dali quando havia passado tanto tempo presa no acampamento, receosa de sair e se deparar com mais pessoas como as que ela havia convivido até o dia em que havia chegado ali."Descobri também que eu tinha herança daqueles... Imbecis do meu pai e avô, o que facilitou muito todo o lance das viagens. Inclusive, eu trouxe algo pra você, de quando eu visitei a Russia. O pessoal de lá não é tão simpático, o que foi bem frustrante." Novamente ela riu. Descobrir o dinheiro que havia herdado era a única coisa boa que Dahlia associava aos dois. "Sobre o que está acontecendo lá fora eu nem sei por onde começar a te falar do tanto que está caótico. De verdade, eu nunca tinha visto nada do tipo e... Como assim o que uma deusa fez? Que deusa? O que ela fez? O que vem acontecendo por aqui pra todo mundo estar esquisito desse jeito?" A última pergunta era algo que vinha realmente a perturbando desde a chegada, não que as pessoas dali fossem muito comuns, mas pareciam ainda mais anormais. "E você também pode ir me falando sobre como você está com essas coisas, se algo te afetou. Juro que eu mato se alguém tiver feito qualquer coisa ruim com você enquanto eu estive fora."
Sentada entre as grandes raízes de um Carvalho, Dahlia olhava para a folha em branco, hesitante. Ela queria mesmo reviver aquele dia? Talvez fosse algo além do querer, e sim uma necessidade. Graças ao sacrifício de Kirell ela havia aprendido a não duvidar dos próprios instintos. Talvez fosse aquilo que ela precisava no momento, um lembrete doloroso do perigo que ela representava para si e qualquer pessoa que estivesse por perto se ela seguisse com tantas dúvidas acerca da própria capacidade. Ela suspirou, alto o suficiente para afastar alguns animais de pequeno porte que estavam por perto, e então escreveu com a caligrafia elegante na folha vazia “Arrependimento, dor, saudades” e então ascendeu o isqueiro, observando a folha de louro queimar.
Não demorou muito para que ela se visse em outro lugar, anos antes. A figura animada de Kirell a seguia pela floresta, tagarelando sobre o quanto ele havia ficado contente em sair em uma missão com ela. Dahlia, em contrapartida, não pensava dessa forma. Kirell havia sido a primeira pessoa a despertar sua afeição desde que ela havia chegado ali, ir para uma missão com ele, onde as coisas claramente podiam ficar feias deixavam a filha de Hécate inquieta; seria ela capaz de ajudar a si mesma e outra pessoa caso necessário? Ela não sabia dizer, mas esperava que sim, caso precisasse.
A missão, a princípio, era simples: recuperar a foice que um dos ceifeiros de Thânatos havia perdido e agora estava sendo exibida em um museu. A parte mais complicada era passar pelo sistema de segurança sem serem percebidos, mas para isso eles haviam recebidos itens para ficarem invisíveis e também tornar a foice invisível. Seria fácil, afinal, era a quinta missão dela e a décima primeira dele, nenhum dos dois tinham experiência para coisas mais complexas.
Mas aquela reviravolta nem mesmo as moiras teriam sido capazes de prever.
Dahlia e Kirell haviam conseguido recuperar o item de modo relativamente fácil; uma poção do sono para a equipe de segurança e as capas de invisibilidade para fugir das câmeras deram um jeito fácil em seus problemas. Tudo que eles precisavam fazer agora era voltar. Dois semideuses, juntos, carregando um item mágico de valor. A ida até o museu havia sido anormalmente tranquila, mas agora, na volta, as chances de irem tranquilos eram bem menores e ambos sabiam disso.
Se movimentariam durante o dia e descansariam em algum hotel a noite, esse havia sido o combinado. O primeiro dia de retorno havia corrido bem. Conseguiram carona com um ônibus de viagem que os levou uma boa quantidade de quilômetros antes que eles precisassem andar novamente. Era fim de tarde quando eles resolveram encontrar um local para passar a noite e, felizmente, conseguiram rápido.
O recepcionista, um rapaz simpático, os recebeu com um sorriso largo do rosto. Em dias comuns, Dahlia teria desconfiado da simpatia exagerada, mas não aquele dia. Estava tão cansada que tudo o que conseguia pensar era em comer algo, tomar um banho e dormir. Kirell, que dividia o quarto com ela, já não tinha a mesma segurança em passar a noite ali e insistia para que eles saíssem dali escondidos, sem nem mesmo jantar. Ela tentou argumentar, dizendo que precisava dormir e que se não comesse algo logo, era perigoso de seu estômago começar um processo de autofagia, mas a lógica de Kirell era impecável, e cerca de uma hora e meia após a chegada, ambos saíram pela janela e retornaram para estrada.
Dahlia emergiu do torpor, as lágrimas escorrendo sem controle por seu rosto. Ela sabia que deveria ter agido de forma diferente naquela noite, mas a realidade do que aconteceu estava a quilômetros do que deveria ter sido. Ignorou Kirell por completo, desconsiderando suas preocupações e descartando-as como meros ciúmes infantis, tudo porque o recepcionista havia sido gentil com ela. Em vez de estar alerta, ela jantou despreocupadamente no quarto e caiu no sono como se nada estivesse errado, como se o item mágico que tinham sob sua guarda não exigisse vigilância constante. Na manhã seguinte, foi arrancada do sono apenas quando as poínais, convocadas pelo recepcionista, invadiram o quarto quebrando a janela. Ela havia tentado controla-las, mas percebeu por fim que seus poderes haviam sido anulados, muito provavelmente por algo que ela havia ingerido na noite anterior. Naquele dia, Kirell morreu para distrair as criaturas que graças ao descuido dela, haviam conseguido alcança-los. Ele morreu para que ela, a pessoa que não havia acreditado nele, pudesse voltar ao acampamento em segurança e finalizar a missão que eles deveriam ter finalizado juntos.
Ao fim, ela havia retornado ao Acampamento. Quando questionada por Quiron acerca do paradeiro de Kirell, ela não disse nada, apenas pediu para que pudesse devolver a foice diretamente para Thanatos, e, surpreendentemente, teve seu pedido aceito. Na presença do deus, ela pediu um por um único favor: que ele trouxesse o corpo do amigo de volta. Talvez Thanatos houvesse ficado comovido pela história ou tivesse concordado que o preço exigido pela jovem semideusa era justo ou simplesmente não estivesse disposto a ouvi-la implorar — visto que era exatamente o que ela pretendia fazer caso ele negasse — mas o corpo foi trazido de volta, em um estado muito melhor do que as poínais deviam ter deixado.
Mais tarde, naquele mesmo dia, durante as tradições fúnebres, Dahlia ajoelhou-se ao lado do corpo de Kirell, as lágrimas caindo incessantemente. Chorou porque não havia sido capaz de salvá-lo, chorou por ter duvidado dele, chorou porque era a primeira vez que alguém realmente importante para ela morria, mas, acima de tudo, chorou porque sabia que era a verdadeira causa de sua morte. Sussurrou desculpas para Kirell, consciente de que agora elas não teriam mais valor algum, e fez uma promessa silenciosa: nunca mais permitiria que algo semelhante acontecesse. Desde aquele dia, em todas as suas oferendas a Hades, Dahlia pede a proteção da alma dele, na esperança de que ele encontre paz, mesmo que ela nunca o faça.
Sem que ela percebesse, pequenas gotas carmessim caíam sobre a folha do caderno, manchando as palavras que ela havia escrito anteriormente. Devagar, ela abriu a palma que somente naquele momento havia percebido estar fechada com mais força que o comum e encontrou em seu centro uma pequena conta, com duas runas entalhadas em seu centro, sendo uma delas de proteção e outra de amor, exatamente as runas que Kirell tinha tatuadas em seu pulso. Em meio as lágrimas, ela fechou novamente a mão e a levou para perto do peito, logo acima do coração, e entoou uma oração baixa, dizendo ao amigo o quanto sentia sua falta e desejando que a alma dele estivesse sendo bem cuidada nos domínios de Hades.
✦ ・ closed starter with @hdahlia
Prompt: "A knife? are you flirting with me?", disse Sawyer.
"A knife? Are you flirting with me?" O tom de Sawyer era de flerte e quem não a conhecesse bem poderia até deixar de perceber o nervosismo em suas ações, mas para um olho treinado lá estava ele: os olhos rápidos que variavam de seu alvo para os arredores, a língua umedecendo os lábios secos pela adrenalina. Havia escolhido o alvo errado; achou que seria fácil roubar os dracmas da recém chegada e agora estava com uma faca contra seu abdômen. Bem, melhor continuar fingindo. "Não sou acostumade com esse tipo de flerte, mas gosto de novidades. Como é o seu nome mesmo, princesa?"
O roubo de dracmas era uma prática relativamente comum quando ela havia chegado ao Acampamento anos atrás, mas após ter sido vítima dos ladrões algumas vezes, pega-la desprevinida havia se tornado uma tarefa muito mais complicada. Ela mantinha a faca pressionada contra o abdômen alheio enquanto obeservava o rosto da ladra, um sorriso subjetivo pontuava seus lábios. Podia ver o nervosismo escondido sob o tom de flerte. "Flertando? Cariño, se eu estivesse flertando com você, você não teria nenhuma dúvida." A voz suave, até convidativa em certo ponto. "Dahlia. E antes que você me diga o seu, me responda, você já entendeu que seus bolsos não vão encher as minhas custas hoje ou eu vou precisar ser um pouco mais" os olhos baixaram na direção do pescoço exposto antes de retornarem ao rosto dela "incisiva sobre o meu ponto?" Novamente, a voz soava sedosa, como se estivesse retribuindo ao flerte alheio.
Com @guiltymnd, em algum corretor aleatório do Acampamento.
Voltar a se importar com estudos após dois anos preocupada apenas com viagens e novos lugares para conhecer não era uma tarefa exatamente fácil, por isso ver Dahlia andando pelo Acampamento enquanto lia algum livro havia se tornado uma cena consideravelmente comum. Ela tinha em mãos um grimório aberto em uma página que continha um feitiço particularmente complicado, e a gramática da pessoa que o havia escrito não estava tornando o encantamento mais fácil de ser decifrado. Já havia tropeçado em algumas pessoas pelo caminho, mas ainda assim se mantinha focada em entender o que estava escrito naquela folha.
Estando completamente alheia ao seu redor, não percebeu que em seu caminho havia alguém igualmente distraído até que acabou esbarrando nessa pessoa e batendo com o grimório em seu próprio rosto. "Coño! Não tinha outro lugar pra parar...?" Começou a resmungar mas logo parou conforme reconhecia a pessoa que havia acabado de esbarrar. "Não acredito... Você? Como eu não te vi antes?"
Seu semblante era calmo, e a conversa ajudava a manter o foco em algo mais que seus pensamentos obscuros, então, era bem-vinda, mesmo que não fosse do tipo que o demonstrava. "Eu acho que não, huh..." Comentou, já que ele, que era bom com rostos, realmente não a reconhecia. Talvez ela tivesse vindo nessa nova leva de semideuses que surgiu recentemente no Acampamento, que todos estavam comentando. Não importava muito para ele. Com a dica dela, ele deslizou a garrafa envolvida na sacola na mesa de madeira em direção a ela. "Só não quero dar mau exemplo pras crianças." Explicou com um leve sorriso que logo desapareceu novamente.
Eric mantinha seu olhar na mulher, tranquilo. "Não lembro de ter te visto por aqui desde que todos voltaram..." Disse ele, quase que num questionamento para confirmar se ela havia chegado agora ou se ele apenas tinha estado desatento demais para perceber aqueles ao seu redor. "Mas eu também não estive prestando tanta atenção..." Na verdade, já haviam doze anos que suas habilidades sociais haviam ido por água abaixo.
"Não mesmo, eu tenho uma boa memória pra rostos, nomes porém..." Apertou os lábios e balançou a cabeça para os lados, dando a entender que a memória não era lá muito boa. "Provavelmente não nos conhecemos mesmo. Sou Dahlia, prazer." Baixou o olhar para a embalagem sendo empurrada em sua direção, devagar, espiou o conteúdo interno e logo voltou a observar o outro, um sorriso cúmplice em seus lábios. ''Crianças que você não parece diferir muito em idade." Ela o olhou de cima a baixo e riu.
"Você não viu mesmo." Ela ergueu os ombros e logo os soltou, indiferente. "Cheguei recentemente, com direito a discurso estressado do Sr. D e tudo. Não que seja uma novidade ele ser meio dramático..." Ela virou os olhos, ainda não conseguia entender qual a grande dificuldade dele entender que o chamado não foi ignorado, na verdade, o chamado sequer havia chegado até eles. "Enfim, algumas coisas simplesmente não mudam." Ela fez uma pequena careta e riu baixo. "A menos que você esteja pretendendo aproveitar a companhia da garrafa sozinho" gesticulou sutilmente em direção a embalagem "eu conheço um local onde dificilmente iriam incomodar, mas claro, só se quiser companhia."
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O jantar já tinha passado há algum tempo quando ele voltou a se sentar na mesa longa do refeitório, a garrafa encoberta por um saco de supermercado para não dar na cara que ele bebia. Suas mãos estavam levemente trêmulas, o medo tendo retornado como nunca depois que o poder de Beatrice se dissipou sobre sua figura, abandonando-o com seus pensamentos novamente. Eric inspirou fundo e fechou seus olhos ao que expirava, tomando um gole longo do álcool, sentindo o líquido queimar enquanto descia, anestesiando-o suavemente.
Foi só quando abriu seus olhos que lá estava outro alguém, uma pessoa que dificilmente diria já ter visto pelo Acampamento. Seus olhos se encontraram com os da mulher e, se fosse em outra época, talvez se sentisse enfeitiçado por suas feições, bela como era - diria até mesmo que ela competia com a Lâmia naquele sentido -, mas agora só restava a casca de uma pessoa onde estava sentado o filho de Zeus. "Precisa de alguma coisa?" Questionou, seu tom educado como sempre.
Não era a primeira vez dela ali, mas irônicamente às vezes parecia ser. Após a recepção um tanto quanto dramática de Dionísio, Dahlia percebeu que muitos dos campistas olhavam para os recém-chegados com desconfiança, mesmo aqueles que já eram conhecidos. Não que ela os culpasse, afinal, havia ouvido rapidamente que muitas coisas haviam acontecido desde o chamado que ela havia perdido. Se a situação fosse ao contrário, ela estaria desconfiada também.
Suspirou, levando a garrafa de água até os lábios. Aquele desconforto em algum momento iria passar, ao menos era o que ela esperava. Quando estava prestes a sair, se deparou com uma figura sentada não muito distante de onde ela estava. Ela o observou por alguns instantes, tentando reconhecê-lo, mas não se recordava dele estar entre o grupo que havia chegado com ela e nem mesmo de tê-lo visto antes. Tomou um pequeno susto quando percebeu que ele a obsevava também, mas logo disfarçou com um sorriso. "Nada, eu só estava tentando ver se te reconhecia de algum lugar." Respondeu de modo igualmente simpático. "Não sei o que você está escondendo aí, mas devia tentar parecer um pouco menos protetor pra não acabar levantando suspeitas." Praticamente cochichou para ele, em um tom conspiratório e apontou para a sacola.