Pai.
Eu pensei em não te escrever nunca mais. Pensei na hipótese de parar de acreditar em Ti. Mas não consigo. Não consigo. Eu só tenho você. Me sinto como um Titanic. Afundando bruscamente, orgulhosa, não quis sacudir meus braços para cima, pedindo por socorro. Eu afundei sozinha. Sabendo que, qualquer hora que olhasse para o alto, sua potente mão estaria estendida em direção a mim. Eu me fechei para tentar remendar todas as partes de mim que se rasgaram. Sabendo que se deixasse você entrar, seu amor me renovaria novamente. Mas eu não quis. Não quis. O orgulho me engoliu e cegou minha fé. Hoje, como todas as outras milhares de vezes, estou aqui. No fundo do poço. Sinto como se a vida tivesse jogado no meu colo, um jogo de quebra cabeças. Quebra cabeça com milhares de peças. O pior é que eu nem sei por onde começar. Deus, aqui embaixo faz frio. Eu tenho fome. Sede. Aflições. Reconheço que preciso de Ti. Reconheço que longe dos Teus braços não posso ficar. O incrível de tudo isso, é que eu senti amor daqui. Digo, daqui do fundo do poço. O Teu amor me alcança por onde quer que eu vá. Mas ainda assim, eu quero voltar. Me reerguer e entregar os quebras cabeças da minha vida para você montar. Dou o controle da minha vida nas Tuas mãos. Só não me solta. Eu tenho medo, muito medo de caminhar sem ti.
Ao Criador da minha Existência. Anelise Cristine.


















