[ remember the moon dust in your lungs, stars in your eyes, you are a child of the cosmos, a ruler of the skies ]
details.
name: sota margauth
age: 26
noticeable features: green hair ; lilac eyes ; scar alongside his left bicep
personality traits: adaptable ; amiable ; charming ; daring ; eager ; fearless ; methodical ; persistent ; optimist ; sociable ; amoral ; dense ; dumb ; foolish ; greedy ; immature ; loud ; nosy ; restless ; smug
life philosophy: don't let anything hold you back
strengths: perseverance & bravery
mannerisms: clenching and unclenching of jaw ; cracking knucles ; fidgeting fingers ; speaking in a loud voice ; drawing out words ; mispronounciation of words ; swearing
orientation: bisexual biromantic
dragon.
name: aysiphy, lady of the skies
color: white with a glowing blue aura
personality: kind and protective of sota, but majestic and unapproachable towards the rest of the world.
biography.
sota margauth nunca teve o desprazer de conhecer seus progenitores. abandonado em uma esquina qualquer logo após seu nascimento por conta de seu sangue feérico, o garotinho de olhos lilás viveu toda sua infância perambulando pelas ruas de aldanrae em busca de problema. mesmo que sua sobrevivência fosse garantida somente por ter sido encontrado por um casal de bandoleiros, os pais adotivos disfarçavam seus esquemas sob o pretexto de ajudar crianças necessitadas, mas a verdade era que a grande "família" que tinham não era nada além de mais rotas e possibilidades de crimes que conseguiam criar.
tudo era uma moeda de troca quando o assunto era aquele. se quisessem comer, precisavam ajudar a roubar; se quisessem brincar, precisavam antes mostrar que tinham conseguido algo novo das ruas; se quisessem tempo livre, descanso, roupas, sapatos... tudo era condicional. assim sota foi criado, e não demorou para que ele entendesse exatamente como fazer para que seus crimes fossem bem-sucedidos, e o que precisava para que nunca fosse pego.
e por incrível que pareça, sua aptidão para escalar sempre foi motivo de escárnio entre todos da casa. tratavam como se aquilo fosse inútil para os esquemas que eles desenvolviam, mas sempre acabavam pedindo para que ele ficasse de vigia de um ponto estratégico. não era incentivado que ele melhorasse, muito pelo contrário, mas sota não deixava de irritar a todos aparecendo nos lugares mais inusitados como forma de treino próprio.
aos oito anos, sua captação não foi voluntária, mas não podia dizer que estava muito triste com o desenrolar daquilo. o que diziam ser o primeiro desafio da vida que agora tinham, sota não encontrou nada mais que uma diversão no parapeito, animado em demonstrar que era capaz de fazer aquilo sem problema nenhum. foi daquela forma que passou por aquela escalada, e parecia mentira que outros morreram no processo quando aquela havia sido sua realidade.
não era e nunca foi insensível, porém, de esfregar na cara dos outros o que pensava sobre certas partes do treinamento. sabia que era bom, e não tinha medo de demonstrar quando necessário, mas fora de seus horários de treinamento, não passava de um moleque expansivo e amigável no meio de tanta violência. o instituto militar de wülfhere não era um lugar agradável de se viver, mas também não era o fim do mundo, e se recusava a tratar daquela forma. era sua realidade para o resto da vida, e definitivamente existiam possibilidades piores.
a colheita de seu ovo foi tão natural que pareceu banal. não procurava por aquilo, apenas procurava um local quieto, longe de tudo e de todos e no meio do bosque, quando encontrou o ovo no alto de uma árvore, mantendo-o consigo e cuidando daquilo como seu bem mais precioso — o que não estava longe da verdade.
e a ceifa aconteceu com a mesma tranquilidade. não tinha dúvidas de que domaria seu dragão, e assim se fez. parecia que a essência de aysiphy e a sua não precisaram de nenhum esforço para se fundirem. pela primeira vez sentiu a vontade de proteger outro ser vivo como nunca havia sentido antes, e sabia ser recíproco. não era nem o medo de morrer que o fazia querer cuidar dela, até porque não possuía aquilo, mas sim uma lealdade antes desconhecida a sota.
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não diria que fugia das oportunidades de pisar na capital do império, mas não é como se fosse o primeiro a insistir no destino. não era nem como se todas as memórias de sua infância fossem necessáriamente ruins, longe disso, mas as ruas do baixo império com certeza eram laceadas de uma familiariadade que jamais conseguiria se desfazer, não importasse quantos anos passasse, e não conseguia atribuir um sentimento agradável àqueles pensamentos. por outro lado, acabava sendo ali, em ânglia, que a maioria de seus talentos surgiram, e existia um certo saudosismo em meio aos sentimentos conflitantes quando o assunto lhe cruzava a mente.
e não seria ele se não usasse de suas capacidades para causar um pouco mais de caos na capital, tal qual fazia quando criança nos planos de seus pais adotivos. não agora que sua presença ali era não só obrigatória, mas também impossibilitado de fugir, agora com a ameaça que pairava sobre a cabeça de todos no império. se algum dos outros soldados notassem o sumiço de alguns pertences, nunca seriam capazes de rastreá-los de volta a sota—não era novato para deixar qualquer tipo de rastro sobre os furtos que divertiam um pouco seus dias a tantos anos.
carregava alguns livros escondidos sob suas vestimentas, caminhando pelo acampamento enquanto tentava localizar dahlia, o sorriso maroto já aparecendo em seu rosto ao ver a mais nova de longe, cruzando o espaço a passos largos e retirando um de cada vez dos esconderijos improvisados. foi só depois de entregar os três livros que finalmente abriu a boca. — peguei pra você. as capas são bonitas, então devem ser bons. mas se eu fosse você eu leria debaixo do seu cobertor.
a situação era ruim—péssima, talvez. as coisas pareciam piorar a cada dia que passavam, dessa vez o assassinato da imperatriz ativando a mais nova bomba. primeiro wülfhere, depois os poderes dos khajols. agora aquilo, executado de maneira tão primorosa que até parecia um feito descomplicado, fácil. como ninguém havia sido capaz de parar o assassino em uma sala repleta de soldados treinados? era de se impressionar—e de se preocupar. mas era como se a falha de segurança fosse um preço de todos precisariam pagar, começando pela vigília na muralha da capital, todos voltando a viver nos acampamentos que há muito já estavam acostumados, mas que os tempos dentro das paredes de mármore de hexwood fizeram parecer uma realidade distante.
só que a verdade era que sota não se incomodava tanto quanto talvez devesse. não quando aquilo lhe parecia entregar um propósito que não sentia há algum tempo, ou que o desse um sentimento de pertencimento agora que podia ficar longe das expectativas que o luxo parecia criar. sua postura era de se invejar, a coluna reta como uma tábua, a espada a postos, tudo entregando o soldado exemplar que tinha tanto treinado para ser. a sua atenção, porém, variava entre encarar o vazio sem nenhuma ameaça real e as conversas que conseguia escutar ao seu redor. a figura masculina de cabelos negros ao seu lado era o alvo de sua nova proposta, uma certa diversão laceando suas palavras, por mais que o sorriso ainda não aparecesse em seus lábios. — o quanto você me paga pra eu arranjar alguma coisa pra gente fazer amanhã enquanto a gente tá aqui? pode ser o que você quiser.
Oberyn perambulava pelo casamento como um limão azedo em forma humana, o uniforme habitual amarrotado e sujo como um claro sinal de seu desprezo por toda aquela encenação. Nem sequer se deu ao trabalho de lavá-lo—até parece que apoiaria aquela união ou qualquer outra. Amor? Não acreditava nisso. Nunca acreditou. Ainda assim, havia algo naquele evento que o deixava inquieto, algo que normalmente conseguia evitar: a lembrança do desprezo de seu pai, um khajol que jamais o quisera. O pensamento corroía em silêncio enquanto observava a celebração. Se perguntava se a criança que nasceria dessa união teria o mesmo destino que o seu—rejeitada, sozinha, sem pertencer a lugar algum.
Foi tirado de seus devaneios por uma voz que o irritou instantaneamente. Ele virou o rosto com uma expressão de puro desdém antes de responder, os olhos estreitados. "Você não é muito inteligente, não, né?" resmungou, cruzando os braços. "Take a guess, does it look like I’m having fun, genius?!"
se alguém realmente quisesse saber sua opinião sobre o evento ao qual foram obrigados a comparecer, sota não esconderia que não poderia se importar menos. mas não pelos motivos murmurados pelo salão, não; simplesmente não via como aquela união era tão monumental quanto a política queria retratar, não quando sequer compreendia o tabu quando o assunto era romance entre entre as diferentes classes. ainda assim, não seria ele a reclamar da festa e da comida de graça, por mais que se sentisse um pouco deslocado com o luxo presente em cada mínimo detalhe.
e assim, não era dos mais bem vestidos do recinto, longe disso, mas o uniforme, que já era imagem gravada em seu cérebro, ainda por cima sujo, lhe arrancou uma risada ao se aproximar do homem. a pergunta se ele estava se divertindo era laceada de ironia—não era cego—, mas a resposta revoltada só fez com que outra risada escapasse de seus lábios. — chill out. just a question, sunshine. — ergueu ambas as mãos à altura da cabeça, a postura mais inocente que conseguia retratar. — assim, o tad fala que eu não sou muito inteligente não, e a dahlia também fala isso às vezes, então acho que eles provavelmente tão certos? vai saber. — estava ciente que a pergunta tinha sido retórica, mas não poderia passar a oportunidade, não quando achava que aquilo só deixaria o outro mais irritado, mesmo que a provocação não fosse direcionada a ele.
FICAR DE cara fechada não era uma opção, ainda que a responsabilidade batesse em sua porta e lhe obrigasse a encarar o futuro incerto. O anel pesado no dedo, a promessa de encontrar Lucien... Tantas possibilidades, e no autoproclamado Casamento do Século. A mente girava pelas diversas conversas e trocas interessantes ao longo do evento--- todas feitas no intuito de evitar a família sufocante. E Zara não estava nem próxima de ver o fim daquele teatro. Na pista de dança, misturando-se com tantos pares, pés e mãos enérgicos se mexiam em ritmo quase perfeito com a melodia, não fosse a certa brutalidade na pose. Quando seu último par desistiu, a Khajol resolveu despedir-se numa breve reverência, mas ao abrir os olhos deparou-se com ninguém mais, ninguém menos que Muse. "Bom... Isso será um tanto..." Novamente animada para a próxima música que começava a tocar, lábios curvaram-se para cima em deleite e provocação, estendendo a mão em convite antes de prosseguir. "Escandaloso."
— e por que diz isso? — foi a resposta que lhe concedeu, estendendo a mão para a khajol que conhecia apenas de vista dos corredores de hexwood. a provocação dela fez com que uma de suas sobrancelhas se erguesse, um pequeno sorriso repuxando o canto de seus lábios—era a personificação da arrogância, e usava aquela máscara com certo deleite, ainda mais depois de alguns copos do ponche que ajudara a batizar. não que esse fosse o motivo para se aproximar da estranha no meio da festa—não precisava de um. mas o álcool ajudava a afastar um pouco da sensação incômoda de não pertencer àquele cenário, àquela ostentação. — certamente não é por eu ser changeling, considerando o evento dessa noite.
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how my muse tells someone they love them without words
por mais que sota não tenha vergonha de falar abertamente sobre seus sentimentos com aqueles que são os recipientes de seu amor, ele acaba se apoiando na demonstração de afeto através dos mais diversos atos.
se alguém precisa de alguma coisa, não pensa duas vezes antes de se candidatar para que possa cumprir o que foi solicitado.
se alguém precisa de um ombro para chorar, ele é o primeiro na fila para se oferecer, por mais esteja longe de ser a melhor pessoa para conselhos.
se alguém sofreu uma injustiça, tenho um pouco de dó de quem estiver em seu caminho enquanto ele não sentir que vingou o amigo.
ele pode estar longe de ser uma pessoa brilhante, mas tenta sempre compensar isso com o otimismo e a disposição para ajudar que oferece aos que ama.
— porque é chato! — reclamou como uma criança birrenta, só faltando bater o pé no chão para que provasse seu ponto. a voz saiu um pouco mais alta do que deveria, o aviso de silêncio da biblioteca bem a sua frente sendo lembrete o suficiente para que erguesse a mão em um pedido de desculpas silencioso para quem pudesse ter incomodado. não ousou desviar o olhar para descobrir se alguémo olhava de cara feia. — não sei porquê tentam me fazer ler, não vai me ajudar com nada. — garantiu que a voz saísse em um sussurro direcionado a deirdre dessa vez, mas a expressão ainda era a mesma birrenta de antes. — se eu não me mexer, eu vou ficar com sono. mas se eu me mexer, eu vou largar esse livro de vez. é simples! para de me torturar, deirdre, por erianhood!
porque por mais que eu peça pela verdade, não é sempre que eu 'tô realmente disposto a escutar o que ela implica.
a resposta se repetiu em sua cabeça de novo e de novo. por mais que não possuísse muitos filtros entre o que percorria sua mente e o que saia de sua boca no dia a dia, se conhecia o suficiente para que não deixasse aquela verdade escapar para alguém que não fosse de seu círculo mais próximo. não que as palavras realmente fossem muito reveladoras para começo de conversa, mas mostravam uma vulnerabilidade que nem sempre se sentia confortável em distribuir. — às vezes a verdade é tão sem graça que eu prefiro inventar uma realidade alternativa, óbvio. — foi o que se contentou em responder por fim, se esforçando para que seu sorriso parecesse natural, não querendo que seu monólogo interno ficasse evidente.
uma de suas sobrancelhas se ergueu diante da pergunta direta feita por elewen, o ombro replicando o movimento logo em seguida. — 'cê que me diz, pode? — a princípio, apostou em uma postura indiferente, como se não se importasse com o que ela pensava de si. mas a verdade era que sota gostava de se considerar alguém em que seus amigos podiam confiar, alguém que não precisasse escutar aquele tipo de pergunta em seu dia a dia. por mais que as trocas com a khajol fossem poucas desde que se conheceram, não via motivo para que não pudesse despejar um pouco daquele seu lado na relaçõo que nutriam até o momento. a postura indiferente se desfez aos poucos, um sorriso pequeno mas genuíno surgindo em seus lábios. — pode confiar. se eu roubar alguma coisa sua é só porque era brilhante demais e eu não consegui evitar, mas eu prometo que eu devolvo depois. — talvez não ficasse claro para ela que aquilo não passava de uma piada, mas aquele era o jeito natural do soldado, e se não falasse algo assim agora, eventualmente acabaria profanando algo ainda mais preocupante.
as palavras alheias fizeram seu cenho se franzir na mesma hora, como se aquilo fosse o maior absurdo que ele pudesse dizer naquele momento. — mas dessa vez eu só errei quatro! — foi o argumento que utilizou como tentativa de defesa, erguendo as mãos até a altura de sua cintura antes de deixá-las cair outra vez, o som econando pela sala outrora silenciosa. — tudo bem que só tinham cinco perguntas, mas mesmo assim! pelo menos eu acertei uma. — apontou para o papel na mão do professo, indicando o campo da questão correspondente. — eu 'tô me esforçando, eu passei a noite inteira estudando, cillian. — aquilo seria verdade se alguém considerasse "noite inteira" os cinco minutos de leitura que ele fez do mesmo parágrafo antes de cair no sono, mas ninguém precisava saber daquele detalhe sórdido.
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you couldn't possibly look terrible to me. (freyja)
— agora você só ‘tá sendo legal demais comigo, freyja. — o tom de voz carregava o humor evidente—como se a aquela ideia simples fosse de certo absurda, ainda mais considerando a imagem que formava naquele dia. os olhos lilases já tinham deixado de ser sua característica mais marcante, as olheiras profundas assumindo o primeiro lugar, e o maxilar já estava tomando a coloração roxa da pancada que havia levado no treino. desde que seus reflexos haviam se tornado inconsistentes, não passava um dia inteiro sem que algum golpe o acertasse em cheio—e uma nova contusão se formasse. — fique sabendo que quanto mais você me lisonjear, mais meu ego vai sofrer no dia que você falar alguma verdade na minha cara. — era uma provocação besta, mas que parecia propícia para o momento de qualquer maneira, ainda mais acompanhado do sorriso ladino presente em sua feição.
CONCUBINE TIYE PERGUNTA: Sota, ouvi falar muito de você e de seus grandes feitos! Gostaria de saber qual será a próxima vez que visitará Ânglia. Tenho um presente para você como agradecimento pelos grandes esforços em prol de nossa nação.
o bilhete em sua mão parecia, para dizer de forma delicada, uma bela de uma piada. não conseguia entender como qualquer pessoa da corte sequer poderia ter se deparado com mais um nome em meio a tantos soldados, muito menos seus feitos ao longo dos anos. ainda assim, aceitaria aquilo como verdade até que provasse o contrário. o sorriso ainda estava plastificado em seu rosto depois da gargalhada que deu ao ler o nome da remetente, mas mesmo assim se postou em sua mesa para que pudesse respondê-la.
Querida Tiye,
Se minha presença é requisitada por alguém tão importante como você, faço questão de ir o mais rápido possível. No momento que esta carta a encontrar, já estarei a caminho da capital. Não consigo nem imaginar o que sua imaginação foi capaz de conjurar para me dar, mas garanto que receberei com todo o carinho que posso demonstrar.
Até breve,
Sota Margauth
a sensação da terra molhada contra sua pele era incômoda, tornando impossível a tentativa de esquertar o próprio corpo. já estava ali há horas, escondido da chuva sob uma saliência do telhado de sua casa. a bochecha ainda doía pelo soco que levara, e o estômago vazio parecia se contorcer em si mesmo. conhecia aquela sensação havia anos, e entendia que passaria alguns dias com aquele incômodo visceral que consumia grande parte de seus pensamentos.
sabia exatamente o que fizera para merecer aquilo—e, se não soubesse, seu padrasto havia se encarregado de deixar claro com as palavras rudes lançadas em sua direção. era uma missão simples: distrair o público para que seus irmãos postiços roubassem o máximo de pessoas possíveis. mas sota havia se distraído por tempo demais, e a janela de oportunidade se fechara. a culpa era realmente dele.
conseguia escutar as vozes de sua família no interior do casabre que dividiam, mas sabia que seria ainda pior se tentasse se esgueirar para dentro para se esconder da chuva e do frio. era melhor obedecer a punição que levava e aprender com os erros.
os olhos se abriram lentamente, o frio que se fazia presente no sonho parecia algo concreto agora que despertava lentamente, tremores leves percorrendo todo o seu corpo. não era novidade nenhuma para sota acordar daquela forma, as memórias vindo para si em formato de sonhos, o atormentando noite sim noite não. sempre faziam o dia se arrastar de forma incômoda.
a mão esfregou o rosto vagarosamente, como se tentasse afastar o fantasma que o perseguiria pelo resto do dia. mas nada seria útil contra aquilo—e tentar dormir novamente seria apenas desperdício de tempo. não demorou para jogar suas pernas para fora da cama, sabendo ser de maior valor comerçar os treinos mais cedo.
apesar da mente sobrecarregada pela lembrença, o esforço físico certamente ajudava. conseguia escutar o ruído ao redor—o clink agudo das espadas se chocando, os grunhidos de esforço ecoando pelo espaço, o burburinho constante das conversas. nada daquilo era capaz de desviar sua atenção, não quando já eram barulhos tão comuns quanto o som da própria respiração. seus olhos não se desviavam de taghd, como se aquilo ajudasse a antecipar os movimentos que viriam. não queria ser o alvo de mais um soco, não quando o do sonho ainda parecia tão real.
aquilo geralmente não era o suficiente para que conseguisse prever o próximo golpe. nunca era, quando eram tão bem treinados a tantos anos—sempre eram capazes de passar pelas defesas um dos outros. o ataque veio no momento esperado, sim, mas não da forma que previu. a postura dele mudou no último segundo, e sota se preparou para o impacto iminente.
mas entendeu o que vinha como se algo se desenhasse no ar antes que ele completasse o movimento. não era o ataque esperado, como já tinha entendido, mas, no instante antes do golpe se concluir, sota viu o que precisava fazer para evitá-lo. viu a tensão dos músculos, o equilíbrio nato, a intenção que o outro colocava em seu movimento. não durou mais de meio segundo, mas seu corpo reagiu antes que seu cérebro processasse tudo.
piscou—e havia esquivado por completo. o choque estava estampado em seu rosto, mas não o suficiente para interromper o treinamento dos dois. golpe atrás de golpe, sota conseguia ler as mais imperceptíveis mudanças no corpo do melhor amigo. e se desviava de cada um com perfeição. seu corpo se movimentava mais rápido do que jamais deveria.
de fora, parecia uma constante perseguição. tadhg avançava e sota recuava, de novo e de novo. o suor corria por todo o seu corpo, como se o que estivesse acontecendo demandasse mais do que estava costumava conceder.
e, como o que acontecia até então, em uma piscada se viu no chão, os olhos agora encarando o teto. sabia que não tinha sido resultado da luta—não, tropeçara em si mesmo, a exaustão superando os reflexos incomparáveis. sua visão ficou turva, o som abafado. tudo que antes parecia evidente, agora estava turvo, completamente confuso.
ergueu as mãos acima de sua cabeça, tentando usá-las como âncora de sua visão, mas a tarefa parecia demandar mais do que o seu corpo era capaz de executar. — que porra foi essa? — dirigia a pergunta ao universo, a qualquer um que lhe escutasse, precisando de alguma confirmação que não havia delirado os últimos minutos.
combate precognitivo
o poder de prever e antecipar os movimentos e ações de um oponente durante o combate, garantindo reflexos inigualáveis e uma vantagem estratégica
está longe de ser a estrela mais brilhante do universo, e isso, com certeza, também se aplica quando o assunto é sua intuição.
sempre foi de receber ordens e cumpri-las sem pensar muito sobre o assunto. talvez fosse por isso que nunca levou muito a sério os pequenos sinais que o universo pudesse lhe enviar como algum tipo de aviso—e, ao longo dos anos, aqueles sinais acabaram se tornando cada vez mais imperceptíveis para ele. atualmente precisa que algo seja soletrado para que ele perceba—seja más intenções, perigo ou sentimentos alheios (com raras exceções).
a resposta para essa pergunta não é tão simples quanto deveria para a maioria das pessoas. um rápido pouco ou muito não é aplicável para todas as áreas da sua vida, e muito menos com todas as pessoas. por mais que saiba e não tenha vergonha de suas limitações, quando o assunto são suas aptidões, sota gosta de se gabar (e não é pouco). em seu dia a dia sua competitividade raramente dá as caras, seja durante as aulas, treinamento ou durante qualquer tipo de interação que tenha, mas, no momento que entra em um campo de batalha ou a altura se mostra uma nova adversária, os olhos do soldado chegam a brilhar com a oportunidade de se provar melhor do que os outros, melhor do que o que ele mesmo já foi um dia.
por outro lado, quando se trata de contar vantagem sobre as pessoas em sua vida, sota sempre se sente compelido a provar que tem as melhores amizades por perto, se orgulhando mais de se gabar sobre os feitos dos amigos do que os próprios.
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Mikah estava andandando por todos os lados igual uma barata tonta desde o momento do anúncio do Imperador. Foram tantos acontecimentos em tão pouco tempo que seu coração estava acelerado, e ele estava inquieto. Ficava feliz em saber que os khajols e changelings poderiam se casar, acreditava que estavam caminhando aos poucos por um caminho de igualdade e diversidade que o agradava muito pensar, mesmo que não tivesse o desejo de se casar. Entretanto, ao mesmo tempo, estava nervoso com a ideia de todos aqueles folhetos espalhados com uma mensagem estranha e tanto mistério. Pelo menos, dessa vez não estava em algum lugar onde poderia ter sido considerado culpado.
Sua mente estava a 120km/h no exato momento em que esbarrou com um par de olhos lilás conhecidos e agradáveis. Porém, não esbarrou apenas com os olhos, pois acidentamente seus corpos se chocaram em meio a distração, fazendo Mikah cambalear para trás dado ao fato de sempre ter sido leve como uma pena e forte como uma galinha. - Eita... - falou, voltando um pouco aos seus sentidos devido ao choque. - Desculpe, eu definitivamente não olho por onde eu ando. Isso aqui não ajuda muito pelo visto... - completou, tirando seus óculos de leitura que percebeu que ainda usava e guardou no bolso interno de suas vestes. Sorriu para Sota, esperando que ele não tivesse ficado bravo. - Ei Sota, como está? Viu as notícias? Parece que sim... Espero que alguma coisa boa venha de seja lá o que está acontecendo. - falou apontando para o folheto nas mãos do changeling. - Equiíbrio é pra ser bom, né?
o anúncio feito pelo mensageiro do imperador parecia entrar por um ouvido de sota e sair pelo outro. não que não se importasse com a novidade; era, até onde conseguia entender, um avanço que antes parecia impossível de ser alcançado. mas, ao mesmo tempo, ele não conseguia compreender o motivo do choque que dominava o castelo e seus habitantes. claro, era progresso, dependendo do ponto de vista adotado. a rivalidade entre khajols e changelings era tamanha que muitos sequer suportavam dividir o mesmo espaço, mas, no fim do dia, aquilo não passava de mais uma união que parecia normal na visão do margauth. decidiu não questionar ninguém em voz alta, pelo menos não naquele momento, e voltou sua atenção para o que lhe parecia mais urgente: o folheto em sua mão.
não saberia explicar, mas era óbvio, para ele, que se tratava de algum tipo de ameaça, um aviso do que estava por vir. a ansiedade chegou devagar, se espalhando aos poucos por todo o corpo do changeling, especialmente quando a mente se voltava à wülfhere. se mais uma tragédia como aquela ocorresse em hexwood, qual seria a próxima medida para proteger os que restassem? percebia, em algum canto obscuro de sua mente, que seus medos soavam quase como teorias malucas, mas sentia-se incapaz de controlá-los. esses que o deixaram tão absorvidos em seus próprios pensamentos que não notou a pessoa à sua frente até a colisão, seus braços se movendo instintivamente em direção ao corpo alheio, numa tentativa de evitar um acidente maior.
não demorou para que a preocupação de ter machucado alguém pela distração desse lugar a um sorriso genuíno ao perceber de quem se tratava. sorriso esse que se transformou rapidamente em uma risada com o pedido de desculpas que recebeu, balançando a cabeça antes mesmo de respondê-lo. — eu também não tava prestando atenção em nada, não se preocupa. — garantiu, finalmente deixando os braços caírem ao lado do corpo. a menção ao folheto fez com que o brilho em seu olhar diminuísse, ainda que o sorriso permanecesse, mesmo que mitigado. — me parece algo ruim, na verdade. não sei explicar. — a última frase saiu em um tom mais baixo que o restante, como se houvesse um certo constrangimento em não saber expressar o que passava em sua mente. — mas a notícia do casamento é boa, pelo menos. — concedeu logo em seguida, em tentativa de mudar para o assunto mais contente, ao mesmo que tentava etitar prolongar o assunto que o deixava inquieto.