- Okay, okay. Okay! – Rey estava irritada com tanta falação, mas não havia nenhuma outra pessoa para culpar além dela mesma. Havia pulado das arquibancadas por livre e espontânea vontade, portanto ninguém ouviria nenhuma reclamação saindo de sua boca. Passava a mão direita no ombro que havia sido deslocado durante uma de suas brigas, mas que já estava no lugar graças aos poderes de alguns aprendizes. – Isso é tudo ruim, tudo mundo está com medo. Mas nós precisamos de um lugar pra se esconder. Eles vão tomar conta do castelo hora ou outra. A floresta é muito mais segura. Eu já pensei em algumas armadilhas que dá pra colocar e vou montar algumas com gelo. Não acho que vai bastar, então precisamos de mais gente mesmo que os ogros não sejam conhecidos por sua inteligencia. Acho que se montarmos um forte, ou usarmos a casa da Anilen, conseguimos curar alguns dos feridos e remediar o problema por um tempo. Mas precisamos pensar em duas coisas: avisar o Merlin e vasculhar o castelo, e o ginásio, para ver se não ficou ninguém pra trás. – quanto a chamar o mago ela não possuía nenhuma ideia, mas para o segundo problema Rey conseguia pensar em algumas propostas. – Alguma ideia?
Fosse por sua própria vontade, Clio estaria bastante seguro em uma torre, tendo saído correndo assim que ouviu o primeiro grito nas arquibancadas. Infelizmente, existiam fatores além de seu controle, e com isso queria dizer a ideia maluca de sua irmã e da princesa de Atlantis de resolverem se autodenominar gerentes de crise naquela situação. Claro que não fora o suficiente para fazê-lo se jogar no meio da batalha, pois não era burro, obrigada de nada, mas estava acompanhando a dupla dinâmica e sua trupe de cãozinhos resgatados. — ... Tá, tá. Você com certeza tá certa em tudo isso que acabou de dizer. — Não tinha computado uma palavra do que Rhea tinha dito; sua atenção estava voltada à analisar os ferimentos que a princesa tinha, e o quanto era factível que a curasse sem gastar energia o suficiente para tornar-se um peso morto. — Você entende que se você desmontar inteira não vai poder fazer nada, ‘né? Então a minha ideia, e pode soar muito revolucionário, mas é que você fique paradinha bem aí onde você está e me deixar te curar, e depois quando seus ossos não estiverem soltos que nem as coisinhas dentro de um chocalho, você volta pra Arte da Guerra.
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Clio jamais pensou que isso sequer passaria pela sua cabeça, mas tinha que admitir: permanecer sóbrio durante o Calanmai foi a melhor decisão que tinha tomado em anos. Não só pela quantidade de absurdos que vira durante a noite — ele tinha tantas fofocas pra contar para as amigas que estava quase vibrando como um transmissor antigo tamanha sua animação — , mas pela procissão de aprendizes semi-mortos, fosse pela ressaca física ou moral, se arrastando pelos corredores. E é claro que, em um momento delicado como esse, ele estaria espezinhando transeuntes pelos corredores. — Por que essa cara de morte, meu pedacinho do céu? Noite agitada?
Com os olhos fechados, Rhea inspirou mais uma vez o cheiro da floresta, percebendo o quanto estava precisando de um momento como aquele. Havia passado a noite toda cercada das pessoas que mais amava, celebrando a chegada da primavera como se fosse a primeira vez em anos que a estação chegava a Mitica. De coração mais leve e esperançoso a herdeira pode aproveitar sua nova paz mental para pensar em Clio. Não do jeito que havia pensado há anos atrás, mas com carinho e cuidado o suficiente. Quando percebeu que logo as luzes seriam apagadas para os aprendizes pudessem ver os astros tratou de sair à procura do príncipe. O encontrou com um copo de vinho na mão, porém se importou bem pouco com isso. – Ei, pretty. Eu tenho uma surpresa pra você. O que acha de ver as estrelas de um lugar mais… Bonito hoje? – por mais que tentasse controlar sua animação, não conseguia e era evidente que estava ansiosa para ver a reação dele. Com sua destra pegou a mão do anileno, o levando para longe de todo mundo. Seguiu em direção ao mar prateado onde, sem solta-lo, começou a avançar para o oceano. Ao menor contato de seus pés a agua passou a se tornar gelo, possibilitando que os dois andassem sobre ela. As ondas se aquietavam com um simples balançar das mãos de Rhea. Após andarem por alguns segundos, a princesa observou que já estavam longe o suficiente e fez um gesto circular com a canhota. O movimento foi o responsável pela criação de uma pequena ilhota de gelo capaz de abrigar os dois nobres. Avançou até ela, deixando que todo caminho congelado pelo qual andaram derretesse e voltasse a seu estado natural. A única coisa que podiam ouvir era a respiração um do outro e as ondas. – Bem vindo ao nosso encontro. – brincou Rey, gesticulando para o céu estrelado.
Clio adorava faes, e adorava festas; estava em um paraíso pessoal em meio ao brilho, roupas exuberantes — tinha que reconhecer o comprometimento do público feminino em vir com vestidos longos e saltos altos para o meio do mato; afinal, se tinha algo que o segundo filho de Iradiklis admirava era o esforço em manter o aesthetic — bebidas alucinógenas e pessoas fora de si. Ele mesmo tinha em mãos uma taça do vinho feérico, longe de ser sua primeira, com a pose ímpar que alguém especialmente dramático seguraria uma taça de vinho. Por incrível que pareça, no entanto, estava bastante lúcido. Teria que agradecer à cara Annie, depois, por acostumá-lo com os bagulhos particularmente sinistros advindos de Wonderland que faziam a iguaria dos faes parecer uma boa cidra para tomar em volta da mesa da ceia de natal. Conversava com um e outro, como boa borboletinha social que era, mas a voz da atlante atingiu seus ouvidos como o som do flautista, atraindo toda sua atenção para Rhea. — Uma surpresa, pra mim? Estou honrado, vossa alteza. — A mão livre tocou o próprio peito, acompanhada de uma expressão que era mostra exagerada da surpresa genuína. Apesar de todo o seu drama na ilha dos prazeres, não tinha pensado na possibilidade de que Rhea o tivesse levado a sério — afinal, ninguém levava. — Iria pra qualquer lugar com você, Rey. — Respondeu, com um sorriso raro: genuíno, e sem nenhuma malícia ou sarcasmo por detrás. O fato de que a outra tinha pensado nele, feito planos para ele, traziam uma certa satisfação que não era familiar ao Iradiklis. Nunca tinha feito muita questão desse tipo de coisa, afinal, mas encontrou-se deixando até mesmo sua taça para trás ao sentir o toque da mão alheia na própria, acompanhado-a. Não conseguiu conter uma risada maravilhada com a demonstração dos poderes da raliena, do tipo de crianças deixam escapar quando veem algo que acham legal demais. What a flex.
— Você deveria ter me avisado, Rey! Como posso chamar isso de um encontro, se nem trouxe as flores, os chefs, os músicos, as dançarinas tradicionais, as pombas treinadas, o bolo do qual eu sairia! — A risada veio para denunciar a própria brincadeira, apesar de os olhos terem seguido o gesto dela em direção às estrelas. A mística das estrelas fascinava todo o reino de Diamandis, afinal, e Clio não poderia negar suas origens ao apontar com a mão livre (nunca tinha soltado a mão de Rhea, afinal, e não tinha planos de fazê-lo) para o conjunto de estrelas familiar. — ‘Tá vendo aquelas três estrelas? São o cinturão de Órion. Aquela ali — Apontou para a estrela em meio às outras duas. — sou eu, segundo o meu pai. — Anunciou, o tom leve, apesar de já ter reclamado muito de ser a segunda estrela enquanto a mais velha era a primeira. Uma risada pequena escapou por entre os lábios; como ficaria sua reputação se descobrissem que ele gostava de astronomia?
Ela devia estar pensando no interrogatório ao qual seria submetida em meia hora, mas, verdade seja dita, não podia imaginar que tipo de informação Merlin gostaria de tirar dela. “Era disso que eu ‘tava falando…” Murmurou ao pender a cabeça para o lado, semicerrando os olhos para não perder nenhum detalhe da imagem à sua frente. A qualquer momento, agora, ele ia se alongar e, tanto ela quanto seu acompanhante teriam uma bela visão dos músculos do novo colírio… Quase podia salivar só de pensar em dedilhar cada pedacinho, hipnotizada pela forma como o suor escorria pela pele. Claro, ela não sabia de quem se tratava, mas aquela era, realmente, uma informação importante? Aurae diria que não. Não passava de uma espectadora inocente! “Just shush it! They’re gonna hear us! ¹” Ralhou com x amigx, alto demais quando escutou sua voz — estava tentando se concentrar! —, ciente de que o tapinha (ou tapão) devia ter doído. Forçou-se a fechar os olhos, incapaz de controlar o nariz franzido por alguns segundos, até abrir um deles tentativamente e… “Oh, C’MON!”
O clima de enterro em Aether em nada combinava com o humor do príncipe, tão bom quanto sempre; poderiam achá-lo insensível, mas se não tinha sido nenhum de seus amigos a sumir, bem... antes a mãe deles chorando do que a minha. Portanto é claro que estava debruçado sobre Rae, tentando ele mesmo ter algum tipo de vista privilegiada, como se fosse um dia comum em que ele fazia esse tipo de coisa normalmente. O murmúrio alheio trouxe um sorriso zombeteiro aos lábios, e ele até fez uma concha com as mãos em volta da boca antes de berrar: — EI, MOÇO! MINHA AMIGA AQUI ESTÁ SEDENTA E QUER DAR- ai! — apesar de o tapinha alheio certamente ter sido forte o suficiente para deixar-lhe roxo, Clio estava rindo em meio às reclamações. Implicar com os outros era uma de suas coisas favoritas no mundo inteiro, tal como Rae, então implicar com ela era simplesmente chef’s kiss. — That’s why I yelled, dummy! — Clio poderia ser facilmente descrito como a messy bitch who lives for drama, então não tinha como suas ações serem surpresa. — Olha aí, o boy toy tá indo embora, Rae! Sua violência assustou ele, viu? Not everyone’s into it, você tem que entender o público alvo que tá tentando alcançar. — A cara de pau era a suficiente que falava com total propriedade como se não fosse ele gritando que tivesse assustado o pobre coitado. — Mas tudo bem, ainda vou achar um boy pra você que goste de apanhar um monte. Isso é uma promessa e uma ameaça.
Estava frustrada por não ser capaz de ajudar muito em toda a investigação, sentia-se como se fosse uma completa inútil naquela situação, apenas queria poder ajudar e trazer todos de volta. Depois de muita insistência, Jinskí, seu amigo furão, a convenceu a sair do quarto e dar uma volta pelo jardim, talvez falar com os outros animais lhe ajudasse um pouco. Mas infelizmente, nem isso parecia estar fazendo muito efeito, os pássaros na árvore acima dela tentavam cantar uma melodia animada, mas tudo que ela conseguia cantar de volta para eles era uma melodia triste. - Desculpa, realmente não estou muito bem hoje pessoal, mas obrigada por tentarem me animar. - Respondeu para os pássaros e então se virou rapidamente para voltar para dentro do instituto, mas acabou esbarrando em alguém. - Desculpe, toda essa história está me deixando um pouco alheia ao mundo. - Respondeu a pessoa em quem havia esbarrado, mantendo a cabeça baixa, olhando para os próprios pés.
Já era a segunda vez que esbarrava ao acaso com a princesa; no caso atual, se sentiu vitorioso por não levar uma porrada na cara como na última. — Você ‘tá falando com os pássaros de novo? — Questionou, pois já era também a segunda vez que a interrompia no meio de um colóquio aviário. — Deveria me preocupar? Trick question, já estou preocupado. Poderia tentar conversar com pessoas, sabe? Tem várias no instituto. Nada contra os passarinhos e tal, aposto que eles tem um papo simplesmente magnífico, mas né...
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“ Como eu poderia saber onde esses caras foram parar? Nem era pra ter ido nessa droga de passeio ” ainda se recordava que tinha sido avisado aos quarenta e cinco do segundo tempo, quando as carruagens já iniciavam a travessia da ponte. “ Por que não jogar a culpa no Cocheiro, uh? Afinal, o parque é dele. Vocês não adoram colocar os vilões na parede sempre que uma merda acontece? Então, admite que é isso que você ‘tá pensando. Até porque é só a gente que erra, não é? O resto é tudo dono da verdade, ditador do bom senso ”
— Awnnn, nhonhozinho está revoltado? Jamais imaginaria! — A verdade é que Clio não estava nem aí pros desaparecidos; não havia ninguém que conhecia entre eles, afinal, e se fosse se doer por todas as tragédias do mundo, estaria para sempre preso numa caixa de vidro de emoções. — Meu danoninho ice, Merlin adora implicar com você e a sua turma, por que se a culpa não for de vocês, vai ser dele, ué. Jamais pensaria que esses palitinhos aqui — E pegou no bíceps do outro para apertá-lo de maneira ilustrativa. — seriam capazes de desovar 12 corpos em uma tarde! Você não cansa de surpreender.
his crown lid up the way as we moved slowly, pass the wondering eyes of the ones that were left behind; though far away, though far away, though far away, we're still the same, we're still the same, we're still the same. Howling ghost they reappear, in mountains that are stacked with fear
𝓫𝓾𝓽 𝔂𝓸𝓾'𝓻𝓮 𝓪 𝓴𝓲𝓷𝓰 𝓪𝓷𝓭 𝓘'𝓶 𝓪 𝓵𝓲𝓸𝓷-𝓱𝓮𝓪𝓻𝓽
w @bornoftheocean; @keah-i; @callieasuaboca; @hasablanca e sr eduardo asablanca, que existe apenas em nossos corações
Clio entrou na sala do diretor com a leveza e confiança de quem estava visitando um bom amigo. Não que ele fosse amigo de Merlin, mas era chamado à sala do diretor com tamanha constância que sentia-se livre o suficiente para entrar como o dono do lugar, sentando-se na cadeira em frente ao mago com os pés no apoio para as mãos da poltrona. —Você enfeitiçou isso aqui desde a última vez? Tá mais duro que um caixão, esse estofado é todo cenográfico. — Reclamou, se ajeitando precariamente no assento. Merlin revirou os olhos. Seria um longo interrogatório.
— Muito bem, senhor Iradiklis...
— Senhor Iradiklis? Esse é meu pai, diretor. A mim você pode chamar de Vossa Excelentíssima Alteza Real. — O gracejo foi correspondido por um olhar pétreo de Merlin.
— ... enfim, senhor Iradiklis. Vamos dar início aos procedimentos. Poderia identificar-se? Nome, idade, filiação e raça, por favor.
— Clio Artemisius Kim da casa Iradiklis do reino de Diamandis, 22 aninhos, filho do rei Apolo Iradiklis e da rainha Kwongji Kim, conhecida por Cinderela. Humano, mas com algum tempero. — Sua piscadela para a Fada Azul foi retornada com um olhar duro, mas isso não tirou o sorriso de sempre do rosto. O suspiro pesado de Merlin em ter que lidar com Clio deixava óbvio que o mago já não aguentava mais as excentricidades do príncipe.
— Qual foi a primeira coisa que fez ao chegar ao parque?
— Fui atrás da Rhea, que é minha crush, apesar de ela só pisar em mim. Eu tinha todo um plano, sabe? Ia ser ótimo se minha irmã não tivesse roubado ela e sumido por aí. Então eu fiquei frustrado, óbvio, e fui me divertir.
— Recebemos as reclamações de funcionários do parque, senhor Iradiklis. É isso que se passa por diversão pra você? — O olhar do diretor poderia ser descrito habilmente como “fulminante”, “assassino” e outras palavras análogas.
— Isso é diversão, meu velho. — Ele pôde ver que o mago inalou antes de fazer alguma reclamação sobre respeito, mas usou desse tempo para entrecortá-lo antes que acontecesse. — Mas acho que nenhuma das suas reclamações envolve ter sumido com doze aprendizes, não é? Por que eu não fiz isso. — Uma pausa, antes que Clio desse seu melhor sorriso e batesse com a ponta do indicador no próprio nariz. — Continua do mesmo tamanho, viu só? Já posso ir embora?
— Não, senhor Iradiklis. É de suma importância o depoimento de todos dos aprendizes para a resolução do caso.
— Mas você sabe que nenhum de nós tem competência pra isso, não é? A última vez que alguém tentou dar uma de vilão aqui ele acabou preso na própria masmorra.
— Não estamos acusando nenhum de nossos aprendizes, senhor Iradiklis. Apenas colhendo as informações necessárias para a investigação. Agora vamos, se lhe apetecer, dar continuidade aos questionamentos.
— Não me apetece em nada, mas vai lá. Faz teu nome. — Pôde ver os olhos de Merlin se revirando um pouco, e sentiu-se satisfeito. Alguém irritado era fácil de tirar dos eixos, e deixava passar detalhes apenas para se livrar da fonte de sua irritação. Que felizmente, nesse caso, era Clio.
— Qual sua relação com os desaparecidos?
— Nenhuma. Conhecia eles de vista, claro, por que estou enfiado aqui faz anos, mas precisa ter um certo cacife para que eu me interesse, entende? Sou um cara legal demais para ficar dando o ar da minha graça pra qualquer um.
— Fez algo inusitado no passeio?
— Eu atirei com uma flecha no senhor da barraquinha de tiro ao alvo, roubei a máscara de um dos fantasmas do trem fantasma e saí correndo, me pendurei na roda gigante e tentei jogar um sapato em um dos espelhos da casa de espelhos. Não sei se isso é inusitado, por que pra mim isso é uma terça-feira.
— Você se lembra de ter visto algo estranho no passeio ou uma presença estranha?
— Se eu tivesse visto algo estranho eu teria ido embora mais cedo. Tenho medo de visagem. — O nariz não cresceu. Clio realmente tinha medo de fantasmas, ora, ia fazer o que?
— Tem inimizade com alguém em Aether?
— Inimizade? Jamais. Quem odiaria esse rostinho lindo? — A retórica recebeu apenas mais um suspiro de Merlin. — Tem gente que não gosta de mim, eu acho, pois nem o Narrador agradou a todos, mas é questão de tempo até eu ganhar esses daí. — E o narizinho permaneceu intocado, por que Clio acreditava piamente que poderia ganhar qualquer pessoa no papo se tivesse tempo e inclinação suficientes.
— Já cogitou prejudicar ou fazer mal a um colega aprendiz?
— Eu não faço mal, meu bom senhor. Consertar as coisas é literalmente meu poder. Por que me daria ao trabalho de quebrá-las? — Uma verdade, por incrível que pareça. Clio tinha certo costume de rir da desgraça alheia, mas nunca esforçou-se para causá-la. Era trabalho demais, e ele era um preguiçoso.
— Recebemos a informação de que você foi visto em atitude suspeita perto do Trem Fantasma e que já disse ter interesse em “acabar com a raça de Cheryl La Bouff”. Por que disse isso?
— Eu já disse que peguei a máscara do rapaz lá, mas foi uma brincadeira! O que tem de suspeito nisso? Ainda mais vindo de mim, eu hein. — Reclamou em seu tom de voz mais irritante. — E outra, eu mal sei quem é essa. Já falei que não conheço os sumidos, que o Narrador os tenha.
— Fomos informados de que se meteu em um desentendimento no final do passeio. Se importaria de explicar o motivo?
— Eu jamais entraria num desentendimento. É uma falta de elegância terrível, e irritação trás rugas. E isso é um conselho, viu? Apesar de que acho que cheguei tarde demais, mas o que vale é a intenção. — A careta mal-disfarçada de Merlin apenas acentuou seus pés de galinha, tão profundos que Clio pensava que talvez ele guardasse uma poção ou duas ali.
— Reparamos que foi um dos últimos a chegar no ponto de encontro. Qual o motivo para ter demorado?
— Soren me ligou pedindo ajuda, então eu fui ajudar ele. Demorei nisso.
— Saberia dizer em qual horário recebeu a chamada do Senhor Fitzherbert?
— Deve estar no meu transmissor, mas não sei exatamente. Pode ser um choque para o senhor, mas uso… substâncias ilícitas. Mamãe sempre disse que essas coisas apodrecem o cérebro, acho que ela estava certa. — Foi possível ver os olhos de Merlin se abrirem um pouco mais, o mago claramente tentando não arregalá-los para manter sua compostura. Bingo. Desconcertando o interrogador, seria mais fácil de confundi-lo quando a hora chegasse. E o pior é que ele nem tinha usado nada no dia do parque, razão pela qual teve que se comprometer com a admissão vaga e que implicava que ele usava em outras ocasiões; o que era, admitidamente, verdade.
— Você está insinuando estar sob efeito de entorpecentes durante a excursão, senhor Iradiklis?
— Com todo o respeito, o senhor acha que alguém sóbrio iria se pendurar do alto da roda gigante? — A retórica veio acompanhada de um sorriso amarelo, como uma criança pega no flagra. A expressão endurecida no rosto do diretor indicava que ele tinha comprado suas meias-verdades; ao fazer a pergunta ao mago, ele não afirmou nada. Ainda assim, teve que conter a vontade de tocar no nariz só pra ter certeza que ele estava do mesmo tamanho (e só não o fez por que nossa, como pareceria suspeito!)
— E qual foi o conteúdo dessa chamada, exatamente? — O mago questionou, limpando a garganta em uma tentativa de retornar ao seu eixo. Clio teve que reprimir um sorriso. Showtime.
— Eu estava indo pra carruagem, sim? Feliz e pimpão por que minha crush aceitou sair comigo. Pode perguntar pra ela, é a Rhea. Aproveita e diz pra ela parar de me pisar, por que eu sou sensível e vou chorar a qualquer momento. Isso é uma ameaça. — Começar do começo era essencial, assim como jogar uma verdade facilmente verificável para criar a ideia de boa-fé. — E aí meu transmissor recebeu um SOS, do Soren. Ele estava me pedindo ajuda, como eu já falei, na casa dos espelhos; que inclusive, um perigo viu? Nem todos são abençoados com ambos inteligência e beleza, meu bom. Soren mesmo, coitado, tão bonito o rosto... Mas enfim. “Clio, me socorra”, tananã e coisa e tal. Então eu fui lá né, por que eu sou um ótimo amigo, fui atrás dele e tananã. Aí chegando lá eu perguntei “cara, que merda você tá fazendo?” e ele me respondeu tipo, “merdas acontecem amigo” e tananã. — Os olhos estreitos de Merlin direcionados a si denotavam a desconfiança do mago com a resposta escorregadia, mas estava tudo bem. Seria burrice não esperar alguma resistência. — Aí eu o ajudei e coisa e tal, fomos à caminho da carruagem onde ele me parou e disse, “Clio, eu não sei o que faria sem você na minha vida. Tenho que confessar que sempre te amei, pois você é lindo, inteligente e eu tenho certeza que daqui a alguns anos seus ombros vão ficar mais largos e você vai ficar mais alto, mesmo que já tenha passado da puberdade.”, e então nós nos beijamos e- — O formigamento no nariz e o olhar fulminante da Fada Azul foram o suficiente para fazê-lo resmungar. — Sério, nem uma piada? Umazinha? Eu vou ter que falar com todas as palavras que estava brincando sobre ter um tórrido romance gay com meu amigo de infância?
— Esse não é momento para piadas, senhor Iradiklis. Temos doze aprendizes desaparecidos. — Merlin esfregou os olhos com a esquerda, claramente cansado da teatralidade do príncipe. Só mais um pouco...
— Pois me dê um violino que eu vou pranteá-los com uma música triste agora mesmo! — A falsa animação na voz veio fácil. Ele nem sabia tocar violino.
— Clio, cale-se e responda as perguntas! — Lá estava. A irritação palpável do mago, do tipo que só não o expulsava por receio da ira de seus pais, era exatamente o que ele precisava para adiantar o fim do interrogatório e não incriminar o amigo.
— Você quer que eu fique calado ou responda? Por que eu não tenho como fazer os dois ao mesmo tempo, a não ser que você tenha uma maneira de ouvir meus pensamentos. Mas ah, você não iria querer ouví-los, por que eu sou um puta de um pervertido e na sua idade-
— Você me entendeu, Iradiklis. Saiba que está suspenso por uma semana por sua insolência. — A punição foi recebida com o sorriso de sempre; nada novo sob o sol. — Existe alguma razão para que algum de seus colegas possa querer te comprometer com respostas falsas?
— Talvez a minha irmã. Ela sempre teve inveja por que eu sou o gêmeo bonito, e simpático, e- — O formigamento no nariz de novo. Mas que inferno de mulher sem senso de humor essa Fada Azul! — Isso é uma brincadeira. Não consigo pensar em ninguém.
— Antes de ir, senhor Iradiklis. — Existia uma nota de alívio na sentença de Merlin ao finalmente se ver livre do príncipe. — Tem alguma coisa que queira nos contar? Essa é a única vez que vamos te dar essa oportunidade.
— Sabe, Merlin, tem algo que é... É muito difícil, e eu nem sei se poderia estar falando isso sem que vire um problema pra mim, mas — Ele pôde ver a postura da Fada Azul mudando em antecipação. — você deveria fazer suas sobrancelhas. Nunca fiquei te encarando por tanto tempo assim, mas agora percebi que estão parecendo duas lacraias em cima dos seus olhos, e elas estão se juntando viu?
lentamente, as vozes iam deixando de se tornar tão evidentes dentro de sua cabeça. certo, o “chá” de mais cedo e as demais substâncias conseguiam segurar os sintomas de ainda estar adoecida. ─── eu tenho uma pontaria ótima! olha só como eu me equilibro bem. ─── e aí, sem mais nem menos, tentou se equilibrar em uma perna só, e quase caiu sozinha. ─── viu? não me equilibro, mas isso não diz nada sobre a minha pontaria! fica comigo na fila, poxa! nem vai demorar assim, eu quero ganhar alguma coisa.
— meu anjo de candura, você não é equilibrada em sentido nenhum. se fosse, eu não andaria com você. — o sorriso divertido enfeitou o rosto ao ver anette pagando de saci. existia algo na liddel que o divertia imensamente, e ele insistia em dizer que não sabia o que era; pura mentira, pois era o jeito absurdo que a cabeça alheia funcionava. — pois você vai ganhar, estou investido na sua narrativa de superação agora. se você errar todos os tiros e eu simplesmente pegar um prêmio, colocar na sua mão e sair correndo, ainda conta como ganhar, né?
a cena em sua cabeça era clara e perfeita: clio convidaria rhea para um lindo e romântico passeio na roda-gigante e lá no alto, próximo ao belíssimo céu noturno, eles teriam um momento inesquecível e que certamente seria o que a princesa descreveria à todos como o momento e que se apaixonou pelo bonito, divertido, cheiroso e irresistível clio (essa última parte, em sua cabeça, não estava sendo verbalizada por rhea mas existia, oras. alguém tinha que encher a bola dele, nem que fosse ele mesmo). eles compartilhariam uma noite casta e pura andando de mãos dadas pelo parque, comeriam maçãs do amor e dariam risadinhas tímidas quando seus olhares se encontrassem por acaso. o plano tinha tudo pra dar certo.
infelizmente, nada na vida de clio jamais deu certo ou aconteceu como planejado.
pra começo de conversar, era claro que apolina tinha monopolizado a atenção de rhea; não era a primeira vez que ela tinha precedência sobre clio, mas tal fato não servia em muito para deixar o príncipe menos emburrado. e emburrado, ele saiu zanzando pelo parque até se distrair, e perder a noção do tempo se metendo em encrencas e fugindo dos funcionários do parque que estavam obstinados à expulsá-lo.
então era claro que, ao ver a atlante sozinha, ele quase tropeçou nos próprios pés com a pressa em chegar até ela antes que calliope chegasse e acabasse com seus planos, ou que o funcionário do trem fantasma de quem ele tinha roubado a máscara e saído correndo chegasse, ou o rapaz do tiro ao alvo em que tinha acertado uma flechada na nádega chegasse, ou... você entendeu. — rhea, rey! carruagem dourada do meu céu, kraken do meu mar! vem na roda-gigante comigo? sei que você já foi com a apolina, mas eu queria tanto conversar com você. coisas importantes, vida ou morte. — fez sua melhor cara de pidão; e era uma cara bem boa, treinada por anos para ajudá-lo a sair de problemas e arrumar mais deles. não achava que seria do feitio de rey recusar, mas precisava se precaver de alguma forma; alguma coisa tinha que dar certo aquela noite, afinal.
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Olha amigo eu infelizmente não tenho coragem de pôr em prática o plano do veneno, nem o de empurrar da escada, nem o de jogar da ponte.... Então vai ter que ser de ódio mesmo.
Hm, tantas opções, tão pouco tempo... mas em homenagem à minha irmã apolina, que tal o @hasablanca? Quero ver se tem fundamento a dor de corna que ela sofre até hoje, será que é tudo isso mesmo?
Amigo, tô precisando de uma ajuda. Acho que me envolvi em outra briga... ❤
Narrador amado minha filha, fez isso onde? Vem cá que eu te conserto, mas aí você me fala quem fez que eu coloco cola de sapateiro na bebida da pessoa.
Eu tenho que preencher o espaço livre da minha agenda das 16:15 até as 16:35 com alguma coisa meu glade aromas do campo. Se eu não estiver incomodando vou fazer o que, conversar com a minha irmã? Fazer algo produtivo? Cruzes.
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Injustiçado pelo Narrador: @bartnmeo o menino não tem uma perna, gente. se colocar outra pessoa aqui vem um processo da associação pelo reconhecimento da luta dos pernetas.
Primeiro a ser esquecido: eu não consigo sequer responder, pois deve ser alguém tão irrelevante que eu nem lembro que existe. mas que fique claro que existe, e que vai ser esquecido. cuidado que pode ser você que está lendo.
Manipulador de opinião: @callieasuaboca, ela manipula a opinião de todos para a acharem extremamente chata. funciona desde sempre, la maga entoja y entoja.
Vtzeiro: @curiousdcrling principezinho que puxa briga com todo mundo sem razão nenhuma, é muito VT por minuto. meu orgulho esse menino, aprendeu demais.
Fada sensata: @propheticgrl o cabelo dela é tão volumoso por que é cheio de segredos. e por que ela usa novex.
Não vai ter conto:
Herói de araque: @hasablanca só por que está cozinhando minha irmã e ainda a chama de incoerente. coitada.
Vai receber papel de árvore no conto: @daringdcrling. vai ser o salgueiro lutador.
Vilão raiz: @yourhghness. idealizar um regime opressor e levar um capote em menos de uma semana? nada mais raíz do que um bom vilão ineficiente!
Herói raiz: @tresdedoze não sabia o que responder aqui (por que esse lugar é um hospício) mas acho ele bonitão, e herói tem que ser bonito né.
Palestrinha: @bornoftheocean. não tem nem uma piada pra fazer aqui por que é um fato.
Faria casal com: a @liddelzinha. do jeito que ela é doida iria me abusar psicologicamente, ser arrancada do programa e no fim eu ia ganhar graças à minha narrativa de viúva vitimizada.
Só quer um príncipe: eu. me mande um zap que se eu lhe achar bonito respondo nos próximos 3 dias uteis.
Barraqueiro: @smcrtboy e @gcrotaverde, graças a deus. não iria aguentar esse lugar sem o entretenimento de qualidade dos surtadinhos jr.