â [...] O dr. nĂŁo joga? â NĂŁo senhor. â Por quĂȘ? â NĂŁo gosto; depois Ă© proibido. â Proibido? A polĂcia! -- exclamou Lage. â NĂŁo Ă© isso, fiz eu vexado daquela minha confissĂŁo. Temo perder dinheiro. â Ah, bom! Diga isso! Pela polĂcia, nĂŁo; ela vive com os bicheiros... NĂŁo serve para nada, fique certo. â Eu pensava que... â Qual! Para que foi feita, nĂŁo serve. Serve para perseguir, executar vinganças, como eu jĂĄ fui... â O senhor! dissemos os dois a um sĂł tempo. â Exato! eu! Exclamou um tanto exaltado. â Como? â Ora, como?! Uma cilada... Vinha no trem, e, num dado lugar, um sujeito sentou-se a meu lado e pos o seu chapĂ©u de sol junto Ă janela. Eu viajava desse lado. Saltou e levou o meu, deixando o dele. Quando chegamos, entrou pelo trem um magĂłte de policiais, prenderam-me, revistaram-me e foram dar com o tal chapĂ©u cheio de notas falsas de $100.000 rĂ©is. â Foi preso? â Preso, sĂł? Fui esbordoado, metido numa enxovia, gastei dinheiro... O diabo! E sabe por que tudo isso? â NĂŁo. â Porque eu apoiava a oposição lĂĄ no meu municĂpio... Ă isso: a polĂcia, no Brasil... Eu posso falar: sou brasileiro... A polĂcia no Brasil sĂł serve para exercer vinganças, e mais nada. â Por que nĂŁo processou as autoridades, seu Lage? perguntei. â Qual, menino! VocĂȘ Ă© muito ingĂȘnuo... CrĂȘ na justiça, ora!
RecordaçÔes do EscrivĂŁo IsaĂas Caminha -- Lima Barreto.











