gabetrix:
A última coisa que Gabriel queria era embaraçar Scott de alguma maneira, mas, considerando a forma como o abordara, em meio aos amigos que formavam um team Lufa-Lufa no canto da sala de Alice, não houvera outro jeito. Ainda mais quando percebera que o foco total da sua atenção raramente ficava sozinho e, provavelmente, quando ficava, ele mesmo estava distraído com alguma coisa - como tentar bolar seus planos para que Bento e Alice permanecessem no mesmo ambiente para botar à prova o que seu melhor amigo chamara de “vibe”. Impulsionando-o a querer cair na tentação e se comportar naquele ambiente quente e agitado como se tivesse 16 anos. Não que fosse a pessoa mais séria do mundo, mas, às vezes, sabia que aquela nuance brincalhona da sua personalidade forçava Bento a querer se esconder embaixo da terra. Era divertido, mas, às vezes, sentia culpa. Entre as distrações, nada dissipara a vontade de ter espaço para falar com Scott, especialmente porque o primeiro e último encontro deles ainda reverberava no fundo da sua mente. O que era um tanto esquisito, pois, se comparado a Vincent e Bento, era o único que vivia na solteirice. O mesmo incluía Alice e Astrid, ambas com seus relacionamentos, mesmo que uma delas não tivesse se dado muito bem. Não que não se importasse com o assunto, mas pertencia ao famoso clichê que só via o trabalho à sua frente em conjunto com a manutenção do conforto dos melhores amigos. Além de uma serie de viagens. Nunca tivera um ponto fixo. Sendo quase um devaneio. Também nunca pensara sobre solitude, pois, male, male, estava constantemente cercado. No entanto, havia algo em Scott, na sua percepção ainda embaçada das coisas, que tornava tudo muito cheio de expectativa. Um evento consideravelmente raro, visto que seus encontros eram voláteis. Desde a primeira conversa que tiveram, ele fora consumido, em doses, por uma enorme curiosidade - que Alice vivera de inflamar nas últimas semanas no Japão, sendo jurado, inclusive, de morte. De qualquer maneira, sabia ser desimpedido, rindo da reação de Edward. Depois, sorrindo de um deleite contido com as pontas das orelhas de Scott avermelhadas. Certamente, o homem, que aceitara sua abordagem, conflitava um pouco do real ao virtual em personalidade. Tagarela, porém, reservadíssimo, e não se incomodava. Nem teria como se incomodar por saber, ao menos, algumas partes da história que o mantivera salvaguardado. Movimentando-o pela mesma curiosidade que o fez arrancá-lo do cerne de amigos, com uma desculpa que funcionara (e esfarrapada). Gabriel nem sabia o que poderia acontecer, o que deixava tudo mais interessante para um cientista da tecnologia. Um código, que aceitara decifrar assim que fora na casa dele, não prevendo tanto que as coisas esquentassem. De fato, foi para tirar a sombra do virtual, o que faria seus melhores amigos não acreditarem na sua palavra devido à coleção de galinhagens. E pensar naquela noite distante o fez alisar a nuca, como se pudesse espalhar para longe do seu corpo a lembrança recente. Restando-lhe a brecha de rir com vontade do comentário dele sobre as chances de vê-lo sem roupa. - Puxa, você sabia que cantar é condição de número 3 para me ver sem roupa? - Gabriel perguntou, descontraído, norteando caminho para longe do barulho. Como cidadão brasileiro, era praticamente inevitável não confundir aquela quantidade diferenciada de pessoas com a sala do Big Brother em primeira semana de paredão. Sua risada se transformou em uma gargalhada com o “lampadada”, algo que sabia que Scott vivia a dizer no chat do Reencontro de Hogwarts. - Scorps pode ficar tranquila, pois, talvez, não é bem com aquele microfone que quero flertar hoje. Pode ser interessante por você encostar a boca e tal, mas é meio insuficiente quando se quer abocanhá-lo com a mesma energia que se canta, não acha? - a nova pergunta foi lançada com falsa inocência. Observou-o de canto, aguardando a reação. O tom de seus olhos ficaram mais intensos, fosse pelo mínimo de álcool que consumira - porque previa retornar de carro -, fosse por enfiar trocadilho sexual no meio do papo. - Ao menos alguém tem que animar o evento, pois, logo, logo, isso aqui vai se tornar um baita efeito dominó, com gente jogada pra todo lado. É aí que chega a hora das fotos comprometedoras para ameaçar os amiguinhos. - como bom ex-grifino, Gabriel ditava uma normalidade da sua própria Casa, recordando-o das pastas de dente, manchas de batom, na face de qualquer um que ousasse ser flagrado dormindo na Sala Comunal. Não compactuara, a não ser com os registros que nunca lhe serviram de muita chantagem. Viu-se atordoado de falsa surpresa sobre a possível localização da listagem de música do karaokê. Tomou um tempo para respondê-lo, com as mãos dentro dos bolsos da calça, pesquisando qual seria o local menos barulhento e movimentado para dar uma resposta que fosse de qualidade. Não ponderava, embora parecesse. Afinal, já conhecia o casarão de Alice de cor e salteado. Logo, se revelou a área externa e percebeu que ninguém estava interessado em ficar lá fora, já que era outono e a temperatura caía mais durante a noite. Deslizou a porta de vidro cuidadosamente, saudando o ar frio misturado com cheiro de mar que assanhou seus cabelos que não sustentavam mais o gel. Aquela linha, que parecia um amplo corredor, dava passagem para os quartos principais, de fora para dentro, e infelizmente sabia que sua melhor amiga os tinha aprontado com algumas segundas intenções - e preferia não saber por não soar tão malicioso. Riu de si mesmo, antes de girar nos calcanhares e parar diante de Scott. Sua cabeça pendeu para o lado. - O quanto de álcool tem no seu organismo agora? Ou posso acreditar que você está tão sedento em me ver nu que perdeu o juízo? - mais questionamentos, quase promovendo-o a um entrevistador. Na verdade, estava prologando aquele clima divertido, que também o deixava bastante relaxado. - Pergunto porque tenho medo de dizer algumas coisas e você acabar esquecendo, sabe? - ele coçou o canto da sobrancelha, antes de tomar a iniciativa de encurtar a distância entre os dois. Não muito, porque aguardava a resposta sobre o estado mental de Scott para ninguém, possivelmente, sair arrependido ao declarar aquelas vontades que também eram suas. - Como a verdade de que também tô meio assim interessado em te ver nu, com a voz da Malfoy de fundo, enquanto você me mostra algum talento vocal entre quatro paredes. - sem discrição, ele observou Scott de cima a baixo. Não como se fosse devorá-lo, mas porque ele estava realmente muito bonito. E atraente. Como na primeira e última vez que se viram. Suas sobrancelhas se arquearam minimamente em apreciação ao vê-lo rir e tentar disfarçar um singelo incômodo mediante a proposta do “talento vocal”. - Pode ficar tranquilo que você não perdeu nenhuma chance e não me importo com um pouco de promiscuidade. Você tem cara de quem diz uns bons palavrões e, se for o caso, tô dentro. - a afirmação tinha um Q literal, perdido nas entrelinhas, que alargou seu sorriso maroto. - Aliás, Scott, sou muito comprometido com as vontades da minha melhor amiga, embora ela não siga meus conselhos que motivam o bem-estar dela. Por isso, eu tenho que atender a demanda e faço das suas palavras as minhas: eu tinha que tirar um gostoso do radar de qualquer outro interessado. Já temia perder para o Alastair. - ele murmurou, de um jeito provocativo, dando alguns passos para trás para ampliar e potencializar propositalmente o que parecia uma vontade mútua de sair daquele lugar e encontrar uma intimidade nada conservadora. - Mas você vai precisar me responder se vai querer fazer um dueto ou eu terei que, infelizmente, sei lá, chamar o Duncan pra dançar. - e mencionar Duncan era meramente pelo entretenimento, pois toda sua atenção estava apontada na direção de Scott desde que ele chegara na festa. Figura altiva que o atraiu um pouco mais pra perto de novo. Ousou tocar o botão da camisa entreaberta, em um ato furtivo, riscando a pele exposta do tórax dele com o dedo indicador. Sentiu seus nervos se confrangendo de desejo, impulsionando o exalar do ar de um jeito pesado pelas narinas. -Acho que estamos alinhados sobre não deixar Alice desolada. Imagina que horrível? E eu terminaria morto e eu não tô a fim de morrer. Ao menos, não com a katana dela. - ele lançou uma piscadela e devolveu o espaço pessoal de Scott. - Acho que cabe a você decidir, em um mood bem pornô mal escrito, com qual espada serei morto essa noite. Aproveitando que você tá todo engraçadinho, tá?
Scott resguardou-se em um silêncio ansioso conforme permitia-se ser guiado para a área externa da casa. O vento gelado do outono, junto com a brisa marinha, acertaram em cheio seu rosto, fazendo-o piscar lenta e repetidamente os olhos castanhos infimamente letárgicos graças a junção do álcool e das poucas horas de sono de quem havia encarado um plantão movimentado na noite anterior. Entretanto, sentia-se muito acordado, desperto, e excessivamente curioso e atento ao homem ao seu lado. Um breve suspiro lhe escapou no instante em que novamente se colocou de frente para Gabriel. Lentamente, e de maneira não tão discreta quanto pretendia, o escrutinou de cima a baixo, pressionando os lábios em apreciação ao que observava. Gabriel era definitivamente um homem bonito. Mais que isso, ele era sexy, charmoso e cativante de uma maneira perigosa. E o perigo ficava por conta da facilidade de se envolver além do que deveria. Por todas as questões de sua vida Scott mantinha certa dificuldade em se abrir para novas pessoas. Gostava de acreditar que era sociável e simpático, mas essa faceta funcionava muito melhor virtualmente que pessoalmente. No mundo real tinha receio de um punhado de coisas, entre elas a mais constante em sua vida era a rejeição, que conhecera no cerne familiar, e era por tal motivo que não tinha muitas pessoas ao redor, que não se envolvia com outros caras para além de um encontro casual marcado em um aplicativo trouxa para homens gays. Com Gabriel vinha burlando suas próprias regras e nem mesmo conseguia entender o porquê. Mal o conhecia, mas havia aberto parte de sua vida a ele, o havia chamado para ir a sua casa, e tinha passado a porra da semana se planejando para que aquela noite terminasse com ambos na mesma cama. Era uma cilada, sabia em seu intimo, mas apesar de todos os sinais de alerta, como o filho do ar que era no final acabaria permitindo que sua impulsividade levasse a melhor, e não seria diferente naquele caso. A intensidade com o qual o pensava nele, o desejava, o queria, não lhe permitiria fugir sem antes experimentar. Depois lidaria com as consequências, se as mesmas existissem. Receio tinha aos montes e era por isso que o álcool já fazia morada em seu organismo, para que suas inseguranças não o impedissem de guardar daquela noite no mínimo uma boa lembrança. Um sorriso breve moldou os cantos dos lábios de Scott. Sorriso que transformou-se em um singelo mordiscar de seu lábio inferior conforme Gabriel aproximava-se. O cheiro amadeirado do perfume dele preencheu os seus sentidos, imediatamente o fazendo recordar da noite em sua cabana em que trocaram amassos no sofá que ainda resguardava o cheiro daquele homem. A respiração parecia travada em seu peito e seu olhar acompanhava com atenção o movimento do indicador dele pela pele desnuda de seu tórax. Um rastro de calor parecia se espalhar por sua pele, aquecendo cada mínima parte de seu corpo, fazendo-o esquecer completamente que estavam ao relento em pleno frio outonal. Antes que ele se afastasse Scott envolveu seu pulso com os longos dedos de sua mão direita, pressionando-o com precisão mas sem impor força. Como um profissional de saúde era um expert em anatomia humana o que, diga-se de passagem, dava-lhe uma ou outra vantagem de cunho sexual. Conhecia as zonas erógenas menos óbvias e sabia estimulá-las de uma maneira quase discreta. Em uma massagem suave seus dedos percorriam a mão de Gabriel estimulando nervos que sabia que pouco a pouco fariam com que sua libido se tornasse ainda mais desperta. O indicador que ele mantinha em riste Scott levou a altura de seu rosto e prontamente envolveu com os lábios, chupando-o lentamente, deslizando a língua ao redor, sugando-o com um pouco mais de intensidade antes de retirá-lo da boca. Um meio sorriso ladino moldou seus lábios conforme soltava a mão de Gabriel. - Você quis dizer abocanhar o microfone assim? Mas você quem vai abocanhar ou posso fazer as honras? Particularmente prefiro que dividamos a função. - disse, empenhado em manter uma falsa inocência em seu timbre que falhava pela rouquidão gerada por seu desejo crescente que era explicitado no brilho das orbes castanhas. Scott respirou fundo, como se assim pudesse relaxar um corpo que parecia totalmente desperto e sedento por Gabriel. - Eireachdail, respondendo sua pergunta, bebi apenas o suficiente para dizer o que anda pululando minha mente. Não há uma chance no inferno de esquecer que acabei de pôr em prática uma cena de pornô de baixo orçamento, e acredite, meu eu sóbrio vai querer se enfiar em um buraco sempre que lembrar disso, embora, bem, não exista arrependimento. Seu gosto é bom. O que apenas trata de aumentar o meu interesse em arrastá-lo para o primeiro quarto vazio para que você me foda, e, por Santa Margaret, nunca me senti tão promíscuo. - embora a bebida lhe desse coragem, não o exímia de sentir certo constrangimento após expressar-se, como era mais uma vez perceptível nas pontas avermelhadas de suas orelhas. - Pelos Deuses, se eu estivesse sóbrio não diria uma palavra a respeito, faria a bicha muda, e teria que ir pra casa me contentar com auxílio da minha mão. Seria triste perder a chance de sentar num gostoso por ser um tímido. Eu disse a você que era, mas ninguém acredita. - riu, porque as vezes sentia como se existisse em si duas pessoas, a personalidade que realmente lhe cabia e a outra atrás da qual se escondia. Tópico que não era o momento para pensar demais a respeito. Tudo o que não queria naquela noite era pensar demais. Queria aproveitar o momento e a chance que provavelmente não teria novamente. Mais uma vez tomado por coragem Scott diminuiu a distância entre ambos, ficando tão próximo que conseguia enxergar os pelinhos que cobriam a bela face de Gabriel. - Hum. Nada de Mackenzie no meu caminho essa noite. Eu vou ser o seu duo e estou disposto a treinar meus talentos vocais por quanto tempo quiser. - disse, mansamente, mas com um timbre que carregava segundas, terceiras e quartas intenções enquanto discretamente deslizava as pontas dos dedos pelo corpo dele, sentindo o abdômen definido por baixo da camisa. - Você vai ter que me foder para saber se rola ou não rola palavrão. Não prometo nada. Mas também não nego. - disse, provocativamente, aproximando seu rosto do dele conforme subia as pontas dos dedos em direção aos ombros firmes. Sua respiração parecia mais ruidosa que o normal e seus batimentos cardíacos nem de longe se encontravam em estado de relaxamento. Adrenalina invadia sua corrente sanguínea, e todo sangue em seu corpo parecia ter uma direção certa. Scott envolveu os dedos longos nos cabelos que faziam morada na nuca dele em um carinho lento e preciso, que transformou-se em um singelo puxar de cabelo no instante em que envolveu o lábio inferior dele com os seus e o chupou lentamente. - Hum. Definitivamente você me faz perder o juízo e só te vi duas vezes na vida. - sussurrou em um misto indecifrável de emoções enquanto o encarava. Suas orbes castanhas brilhavam em luxúria e cada mínima célula em seu corpo parecia aguçada graças a presença dele. - E posso aceitar sua condição de número três em nome do meu direito de ver um grande gostoso sem roupa. E, claro, garantir que você não vai perder seu pau. - murmurou enquanto resvalava a mão anteriormente no ombro pelo corpo de Gabriel para repousá-la exatamente sobre o volume sob a calça. Lentamente deslizou o indicador e o dedo médio pela extensão do zíper, sentindo-o. - Hum. hum. Definitivamente não posso permitir que você perca sua nobre espada. - disse, em um humor lascivo, antes de roçar os lábios no dele e tomar o que faltava de coragem para enfim beijá-lo.



















