scotchish:
Scott resguardou-se em um silêncio ansioso conforme permitia-se ser guiado para a área externa da casa. O vento gelado do outono, junto com a brisa marinha, acertaram em cheio seu rosto, fazendo-o piscar lenta e repetidamente os olhos castanhos infimamente letárgicos graças a junção do álcool e das poucas horas de sono de quem havia encarado um plantão movimentado na noite anterior. Entretanto, sentia-se muito acordado, desperto, e excessivamente curioso e atento ao homem ao seu lado. Um breve suspiro lhe escapou no instante em que novamente se colocou de frente para Gabriel. Lentamente, e de maneira não tão discreta quanto pretendia, o escrutinou de cima a baixo, pressionando os lábios em apreciação ao que observava. Gabriel era definitivamente um homem bonito. Mais que isso, ele era sexy, charmoso e cativante de uma maneira perigosa. E o perigo ficava por conta da facilidade de se envolver além do que deveria. Por todas as questões de sua vida Scott mantinha certa dificuldade em se abrir para novas pessoas. Gostava de acreditar que era sociável e simpático, mas essa faceta funcionava muito melhor virtualmente que pessoalmente. No mundo real tinha receio de um punhado de coisas, entre elas a mais constante em sua vida era a rejeição, que conhecera no cerne familiar, e era por tal motivo que não tinha muitas pessoas ao redor, que não se envolvia com outros caras para além de um encontro casual marcado em um aplicativo trouxa para homens gays. Com Gabriel vinha burlando suas próprias regras e nem mesmo conseguia entender o porquê. Mal o conhecia, mas havia aberto parte de sua vida a ele, o havia chamado para ir a sua casa, e tinha passado a porra da semana se planejando para que aquela noite terminasse com ambos na mesma cama. Era uma cilada, sabia em seu intimo, mas apesar de todos os sinais de alerta, como o filho do ar que era no final acabaria permitindo que sua impulsividade levasse a melhor, e não seria diferente naquele caso. A intensidade com o qual o pensava nele, o desejava, o queria, não lhe permitiria fugir sem antes experimentar. Depois lidaria com as consequências, se as mesmas existissem. Receio tinha aos montes e era por isso que o álcool já fazia morada em seu organismo, para que suas inseguranças não o impedissem de guardar daquela noite no mínimo uma boa lembrança. Um sorriso breve moldou os cantos dos lábios de Scott. Sorriso que transformou-se em um singelo mordiscar de seu lábio inferior conforme Gabriel aproximava-se. O cheiro amadeirado do perfume dele preencheu os seus sentidos, imediatamente o fazendo recordar da noite em sua cabana em que trocaram amassos no sofá que ainda resguardava o cheiro daquele homem. A respiração parecia travada em seu peito e seu olhar acompanhava com atenção o movimento do indicador dele pela pele desnuda de seu tórax. Um rastro de calor parecia se espalhar por sua pele, aquecendo cada mínima parte de seu corpo, fazendo-o esquecer completamente que estavam ao relento em pleno frio outonal. Antes que ele se afastasse Scott envolveu seu pulso com os longos dedos de sua mão direita, pressionando-o com precisão mas sem impor força. Como um profissional de saúde era um expert em anatomia humana o que, diga-se de passagem, dava-lhe uma ou outra vantagem de cunho sexual. Conhecia as zonas erógenas menos óbvias e sabia estimulá-las de uma maneira quase discreta. Em uma massagem suave seus dedos percorriam a mão de Gabriel estimulando nervos que sabia que pouco a pouco fariam com que sua libido se tornasse ainda mais desperta. O indicador que ele mantinha em riste Scott levou a altura de seu rosto e prontamente envolveu com os lábios, chupando-o lentamente, deslizando a língua ao redor, sugando-o com um pouco mais de intensidade antes de retirá-lo da boca. Um meio sorriso ladino moldou seus lábios conforme soltava a mão de Gabriel. - Você quis dizer abocanhar o microfone assim? Mas você quem vai abocanhar ou posso fazer as honras? Particularmente prefiro que dividamos a função. - disse, empenhado em manter uma falsa inocência em seu timbre que falhava pela rouquidão gerada por seu desejo crescente que era explicitado no brilho das orbes castanhas. Scott respirou fundo, como se assim pudesse relaxar um corpo que parecia totalmente desperto e sedento por Gabriel. - Eireachdail, respondendo sua pergunta, bebi apenas o suficiente para dizer o que anda pululando minha mente. Não há uma chance no inferno de esquecer que acabei de pôr em prática uma cena de pornô de baixo orçamento, e acredite, meu eu sóbrio vai querer se enfiar em um buraco sempre que lembrar disso, embora, bem, não exista arrependimento. Seu gosto é bom. O que apenas trata de aumentar o meu interesse em arrastá-lo para o primeiro quarto vazio para que você me foda, e, por Santa Margaret, nunca me senti tão promíscuo. - embora a bebida lhe desse coragem, não o exímia de sentir certo constrangimento após expressar-se, como era mais uma vez perceptível nas pontas avermelhadas de suas orelhas. - Pelos Deuses, se eu estivesse sóbrio não diria uma palavra a respeito, faria a bicha muda, e teria que ir pra casa me contentar com auxílio da minha mão. Seria triste perder a chance de sentar num gostoso por ser um tímido. Eu disse a você que era, mas ninguém acredita. - riu, porque as vezes sentia como se existisse em si duas pessoas, a personalidade que realmente lhe cabia e a outra atrás da qual se escondia. Tópico que não era o momento para pensar demais a respeito. Tudo o que não queria naquela noite era pensar demais. Queria aproveitar o momento e a chance que provavelmente não teria novamente. Mais uma vez tomado por coragem Scott diminuiu a distância entre ambos, ficando tão próximo que conseguia enxergar os pelinhos que cobriam a bela face de Gabriel. - Hum. Nada de Mackenzie no meu caminho essa noite. Eu vou ser o seu duo e estou disposto a treinar meus talentos vocais por quanto tempo quiser. - disse, mansamente, mas com um timbre que carregava segundas, terceiras e quartas intenções enquanto discretamente deslizava as pontas dos dedos pelo corpo dele, sentindo o abdômen definido por baixo da camisa. - Você vai ter que me foder para saber se rola ou não rola palavrão. Não prometo nada. Mas também não nego. - disse, provocativamente, aproximando seu rosto do dele conforme subia as pontas dos dedos em direção aos ombros firmes. Sua respiração parecia mais ruidosa que o normal e seus batimentos cardíacos nem de longe se encontravam em estado de relaxamento. Adrenalina invadia sua corrente sanguínea, e todo sangue em seu corpo parecia ter uma direção certa. Scott envolveu os dedos longos nos cabelos que faziam morada na nuca dele em um carinho lento e preciso, que transformou-se em um singelo puxar de cabelo no instante em que envolveu o lábio inferior dele com os seus e o chupou lentamente. - Hum. Definitivamente você me faz perder o juízo e só te vi duas vezes na vida. - sussurrou em um misto indecifrável de emoções enquanto o encarava. Suas orbes castanhas brilhavam em luxúria e cada mínima célula em seu corpo parecia aguçada graças a presença dele. - E posso aceitar sua condição de número três em nome do meu direito de ver um grande gostoso sem roupa. E, claro, garantir que você não vai perder seu pau. - murmurou enquanto resvalava a mão anteriormente no ombro pelo corpo de Gabriel para repousá-la exatamente sobre o volume sob a calça. Lentamente deslizou o indicador e o dedo médio pela extensão do zíper, sentindo-o. - Hum. hum. Definitivamente não posso permitir que você perca sua nobre espada. - disse, em um humor lascivo, antes de roçar os lábios no dele e tomar o que faltava de coragem para enfim beijá-lo.
Gabriel não saberia pontuar sabidamente as nuances de um estado febril em ascensão e que latejava em partes precisas de seu corpo. Latejava na cabeça, pulsando uma rapidez de pensamentos que se resumiam ao mesmo saldo de fim de festa: acabar na cama com Scott. Descia, percorrendo os ombros enrijecidos, expressando seu estado de alerta, queimando nas pontas dos dedos, onde o indicador ainda palpitava o desejo incitado por um Scott de abocanhá-lo a qualquer instante. Expandindo pela silhueta de seu tórax e prolongando-se no centro das suas pernas. Ele estava completamente estimulado e seu breve silêncio representava um caso de estudo sobre o passo seguinte. Principalmente quando Scott parecia ter assumido todas as atitudes, acuando-o. Um acuamento nem um pouco negativo, pois, apesar da excitação que continuava a aquecer seu corpo, incitando desejos que sequer atingiriam uma fase de delírio por toda a situação ser mais do que real, divertia-se com o comportamento dele e com as coisas que ele dizia. Não dispersando-o do modo de operação do Fraser sobre os argumentos que revelavam a possibilidade do resultado futuro e que, ao mesmo tempo, contradizia a ousadia gerada pelo álcool. Como se Scott pudesse já prever arrependimentos e anunciar várias vezes ser uma pessoa que, no dia a dia, sequer existia. Gabriel não era de arrependimentos, mal sustentava qualquer tipo de remorso. Também não tinha cerol para jogos. Poderia ser da sua natureza desprendida, ou meramente porque abdicara dos seus costumes tão cedo ao ponto de nunca ter aprendido sobre se retrair. Fato que tinha consciência que poderia pertencer ao homem à sua frente, fazendo-o sentir o tremeluzir de uma súbita tensão preocupada e que dificilmente sentia em meio às próprias casualidades. Era evidente que Scott não estava com todas as suas faculdades mentais, mas, ainda assim, parecia consciente das próprias decisões. Era naquilo que o ex-grifino contava ao voltar a encurtar a distância. Ponderando, mas o pensamento sequer ganhou forma quando Scott também viera ao seu encontro, colidindo elegância e lascividade no mesmo segundo. Gabriel pendeu minimamente a cabeça para olhá-lo, em uma espécie de falha de altura, visto que era um pouco mais baixo que o Fraser. O estado febril descia e subia, cintilando em seus olhos, tornando o ar de seus pulmões rarefeitos. Respirou, profundamente, em segundos pontuais às singelas ondas de prazer provocadas pelo encontro corpo a corpo. - Scott, você acabou de colocar um belíssimo imaginário na minha mente e, como bom curioso, farei um requerimento para saber dos detalhes sobre como continuar o pornô de baixo orçamento. O que sei é que, muitas vezes, eles começam em locais desprovidos de privacidade. - ele disse, tomando partido de desabotoar o que restava da camisa de Scott, as mãos decididas, como seu olhar firme e desejoso. Terminando aquela tarefa, o ex-grifino se curvou minimamente na direção do pescoço dele enquanto seus dedos traçavam mais linhas pelo tórax do Fraser. Perdeu segundos de fôlego pelo aroma forte do perfume misturado ao suor da pele alcoolizada, ampliando o desejo expressado em uma sutil mordida no ombro do rapaz. Fazendo-o soltar o ar com força de apreciação, pois se viu forçado a retomar um pouco da sua razão para não ir depressa demais. - Quando eu te pegar pra foder, suas habilidades vocais serão resumidas a apenas alguns gritos guturais. - o tom de voz dele abaixou e um riso fraco, mas cheio de energia, lhe escapuliu deliciosamente. Afastou-se, mas não sem antes sugar o lóbulo da orelha quente de Scott. - Não sei se pretende estar em outro lugar antes da festa encerrar, como eu pretendia, mas, já que você felizmente mudou meus planos, espero retribuir passando o maior tempo que posso dentro de você, dando estocadas precisas, repetidas vezes, até você não aguentar mais. - ele traçou o pescoço de Scott com as pontas dos dedos, sorrindo com malícia e entretenimento. - Pro descanso, você pode me chupar o quanto quiser, da mesma forma que farei questão de te chupar sempre que pedir. Parece um trato justo e, bom, podemos contar com o ponto extra e censurado de você sentar no meu colo. Eu aguento. - ele apertou com singela rudez masculina o queixo de Scott e se afastou, deslizando a mão pelo próprio rosto, como se pudesse aplacar o efeito daquelas palavras que aumentavam o imaginário que passara a existir desde que saíra da casa de Scott dias atrás. Permaneceu atento aos movimentos dele, as mãos começando a percorrer seu corpo, aumentando as ondas de excitação que endureciam mais o volume entre suas pernas. - Pode ficar tranquilo, pois, no que depender de mim, a versão meio embriagada será bem cuidada para que a versão sóbria usufrua das boas memórias, combinado? Sem se sentir comprometida pela ousadia da versão meio embriagada que, vamos pensar bem, vai render uma das melhores trepadas da sua vida. Sou meio ruim em pensar sobre o futuro, então, já que estamos falando de quarto, podemos ir ao que está à sua direita. - saber qual o quarto disponível o fez se sentir como uma completa vagabunda, como vivia a dizer Duncan, quando estavam no mencionado “cabaré”. Sabia que Alice separara os quartos com o máximo de exímio, por estar ciente da quantidade de adultos que poderia perder as estribeiras. Ela tinha aquela personalidade de cuidar de tudo, nos mínimos detalhes, mas não negava que ficava um pouco preocupado. Uma hora teria que falar com ela sobre, mas, naquele instante, só lhe restava mesmo ser a vagabunda. Mas uma vagabunda decente, pensou, pois ele era famoso pela sua libertinagem, onde qualquer lugar era lugar, desde que com os cuidados adequados. O que lhe incumbia de má fama, muitas vezes lançada em sua face pelo próprio Duncan. O que trouxa uma nova tensão por pensar que se aproveitava de Scott. Ponto que nunca se preocupara em antigos lances. - Eu ainda não acredito nessa historinha de ser tímido, embora suas orelhas ficando mais vermelhas me servem de alerta, como se fossem as antenas do Chapolin Colorado. - a referência do programa arrancou-lhe um novo riso, distraindo-o e criando um tom de satisfação que o impediu de ampliar a distância dos corpos novamente. A troca de calor era segura, reconfortante, embora quase quase sufocante, e sequer estavam emaranhados. Deslizou a língua entre os lábios sedentos, voltando a cobiçá-lo, com uma maior lascividade. Não havia mais vãos entre ambos e permitiu-se desfrutar da dança dos dedos dele pelo seu corpo, gerando um frisson em todos os nervos. Sentiu seus ombros cederem a rigidez, acomodando-se ao peso das mãos do ex-grifino. Suspirou, um suspiro prolongado, como se tivesse se esquecido momentaneamente de respirar adequadamente. Cada movimento continuava a propagar o desejo, atingindo um ápice que começou a botar seu organismo em estado de tremedeira. A adrenalina criando o conflito entre sanar o desejo logo de uma vez ou de ver até onde Scott iria. Afinal, sua vontade de tê-lo era evidente, pelo maxilar um pouco trincado devido ao cerrar de dentes, prendendo o ar para não se perder em todos os sentidos irracionais. Atitude que turbinou a adrenalina, a excitação, o apetite que o fez roçar seu corpo ao dele assim que os dedos de Scott se emaranharam em seus cabelos. Dando-lhe o último aval de deslocar o botão e o zíper da calça dele, puxando-o pelo cós assim que houve a aproximação das bocas. - Mas, caso você queira parar em algum momento, me avise, sim? - ele pediu, meio sério, mas sem rir entre os lábios de Scott, enquanto seus dedos atrevidos flertavam com a borda da cueca do Fraser. Descendo os dedos, lentamente, freando a cada arfada dele em resposta ao seu toque. Foi tranquilo encaixar os corpos e se contorceu ao sentir as mãos dele entre suas pernas. Gemeu baixo, se sentindo desafiado, e o empurrou rapidamente contra a parede, sem intenção de machucar. Perdendo o resto de racionalidade. - A katana pode ficar pra depois! - ele murmurou, sorrindo e lançando uma piscadela marota antes de emoldurar o rosto de Scott e ceder ao beijo que ele iniciou. Gabriel não precisava de sensor de autocontrole, não quando pressionava seu corpo ao do Fraser, sugando o sabor da saliva com álcool, como se estivesse com sede. Como se precisasse que vários sentimentos que se fundiam naquele instante fossem liberados imediatamente. Ao sentir-se sem fôlego, afastou-se. Alinhou o olhar a fim de ver a expressão dele ao começar a massagear o pau até senti-lo duro o suficiente para botá-lo para fora e chupá-lo. - E pensar que tudo começou com uma foto da sua calabresa. Mal posso acreditar que, finalmente, vou provar em primeira mão. Então, vamos encapar esse bonitão para eu sentir o sabor vibrando na minha língua. Posso fazer as honras se você quiser. - ele avisou, antes de trilhar caminho com os lábios pelo tórax e intensificar a punheta a céu aberto que dava a Scott.












