SĂł Deus sabe o quanto hoje Ă© um dia pesado pra mim, hoje Ă© o segundo dia dos pais que eu nĂŁo te tenho comigo... Sabe, pai, ano passado eu atĂ© achei normal eu chorar tanto, afinal, embora nĂŁo vivĂŞssemos grudados, essa data servia pra nos mostrar que mesmo com as diferenças que sempre tivemos, o amor que tĂnhamos um pelo outro estava ali, e nunca mudara.Â
Esse ano eu percebo que embora tenha passado um bom tempo desde que o Sr. se foi, eu sempre vou sentir falta da sensação de renovação que essa data tinha pra gente, eu tĂ´ tentando disfarçar, porĂ©m cada minuto que passa eu vou lembrando de todos os dias dos pais, de como toda famĂlia se reunia, o Sr. minha mĂŁe, vĂ´ Bil e vĂł Luiza, todo os tios e tias, alguns que vinham de longe pra somar, daqui da varanda ainda dá pra ouvir o som auto e as risadas de todos, aquela bagunça gostosa.Â
Aos poucos alguns vĂŁo embora, os de longe cada vez menos tĂŞm motivos para aparecerem, aquela sensação de imortalidade que os mais velhos passam, aos poucos deixa de existir. NĂŁo haverá mais saĂdas de Ăşltima hora em datas comemorativas ou feriados. NĂŁo consegui te mostrar que mesmo tendo planos pra mim diferentes dos teus, eles tambĂ©m podem ser tĂŁo bons quanto os do Sr. Se puder realmente me observar de algum lugar ou atĂ© mesmo ler essa carta, eu vou todos os dias lutar e correr atrás, pra te mostrar que tudo que eu tentei e as coisas que abri mĂŁo, vĂŁo valer a pena. Quero que de longe, ainda assim, o Sr. sinta orgulho de mim.Â
Eu te amo, pai. Não só hoje, mas todos os dias peço a Deus para que te mantenha bem, onde o quer que esteja.