Depois da terapia eu descobri que tá tudo bem a gente ter vários erros dos quais estamos arrependidos. Nada do que a gente faça vai mudar a situação que já passou, só nos resta aprender com aquilo e escolher não repetir o erro. Mas se acontecer de novo, tudo bem também. Não saiu como a gente esperava, mas continuamos tentando novamente não errar naquilo.
Depois da terapia eu descobri que tem várias situações que saem do nosso controle, e que, por vezes, tomamos a culpa por algo que não foi erro nosso. Tendemos a assumir responsabilidades que não são nossas, seja para provar a si mesmo que é capaz (mesmo não sendo) ou para provar aos outros (ninguém liga).
Depois da terapia eu entendi que somos singulares. Não há ninguém com os nossos trejeitos, nossas condutas, nossas atitudes, nosso caráter, nossa maneira de ver o mundo, nosso jeito de dormir, nossa maneira de vestir, de olhar a vida e de dar amor ao outro. Algumas características semelhantes não nos define como iguais.
Depois da terapia eu descobri o amor. O amor próprio. Aquele que se acha que tem quando a autoestima está elevada, quando o cabelo e as roupas estão bonitos. Aquele que se acha que tem por estar menosprezando as outras pessoas ou o que elas pensam. O amor próprio é tão difícil, tão dolorido. Dizer “não” para coisas que se queria dizer muito um “SIM!”, porque sabe que lá frente vai fazer mal. Impor limites, mesmo que seja a pessoas a quem se ama. Lembrar que a pessoa principal de nossas vidas somos nós mesmos, e que, sem nós, não somos nada. Parece fácil, até mesmo clichê, mas todo mundo esquece. Acaba cedendo ao mundo. Cede o seu conforto, o seu bem estar em prol de agradar aos outros. Respeitar a si mesmo e ao seu espaço e tempo pessoal é uma luta constante, que os outros não entendem, porque também estão acostumados a ceder para agradar a outros.
Depois da terapia eu entendi que podemos mudar aquilo em nós que não nos agrada mais. Ninguém precisa ser o mesmo a vida toda. Pode mudar, tá tudo bem. Começando a passos de formiga: um dia erra, no outro também, mas um dia consegue, no outro erra. A nossa mudança não é um processo linear, pelo contrário, é um gráfico: cheio de altos e baixos. Não cabe a ninguém nos julgar pelos baixos!
Depois da terapia eu descobri que as nossas dores não são alvo de julgamento de ninguém. Não existe comparação em relação a velocidade de cura de determinados pontos. Ninguém é melhor porque supera as coisas rapidamente. Respeitar o nosso tempo é fundamental. Assim como decidir sair de uma situação que não nos cabe mais também é necessário. Não podemos viver somente da dor, mas temos que aprender com aquilo e reagir em algum momento. Novamente: não é um processo linear.
Depois da terapia eu entendi que a resiliência é necessária diante das coisas as quais não podemos fazer nada para mudar, porque não depende de nós. Se não depende de mim, não posso permitir que aquele problema acabe com o meu emocional. O jeito é esperar e continuar a vida, da melhor forma possível, vivendo um dia de cada vez.
Depois da terapia eu descobri e entendi um montão de coisas que antes não me foi dito. Coisas óbvias, mas nem tanto. E ainda tem muitas coisas que vou descobrir, porque não vou parar. Ser e se reconhecer no mundo em que vivemos é necessário para não sermos esmagados.
05/10/2023


















