Quem nunca se encontrou numa situação que ouviu mais a emoção do que a razão? Atire a primeira pedra quem nunca ficou com saudade de quem um dia machucou o seu coração.
Esse coquetel de sentimentos que seu cérebro recebe de uma vez te faz tomar decisões que em sã consciência jamais tomaria. Não sou capaz de me defender no momento.
Depois de três meses me mantendo firme e forte na medida do possível, pensei estar bem, rindo de tudo, acompanhado dos meus verdadeiros amigos que tiveram comigo na tempestade e agora estão na bonança. Papo de mesa de bar, mesa amarela, litrão barato, porção de batata frita e uma noite agradável, até o momento que colocaram nossa música na jukebox.
Numa virada de chave, minha risada cessou, meu coração ficou apertado e a ansiedade tomou conta, tinha que ser essa música?
Lembrei dos nossos momentos, e mesmo com todas as lembranças ruins, naquele momento me vieram todos os nossos bons momentos, idas no parque, dormir de conchinha e até mesmo momentos como esse de mesa de bar que tivemos, nossas risadas, nossas brincadeiras. Pisquei, voltei ao presente, percebi que estava com um pequeno sorriso no rosto, olhei para o lado e vi uma cadeira vazia, e como já estava com a mente cheia de álcool, mandei mensagem.
"Boa noite, sei que é tarde, mas queria conversar, preciso dizer umas coisas que estão presas no meu coração" respirei fundo e enviei. O momento mais demorado da vida foi quando os dois traços ficaram azuis. A ansiedade fazendo perfeitamente o seu trabalho de me deixar com falta de ar e um pouco de dor de estômago, que logo se tranformou em um pico muito alto de adrenalina, senti como se conseguisse mover o mundo, queria gritar de felicidade quando li "também tenho algumas coisas presas no coração, vem aqui?".
Deixei cinquenta reais com meus amigos para ajudar na conta e fui ao seu encontro. O caminho era curto mas parecia uma eternidade para chegar. Enquanto isso, um turbilhão de pensamentos rodeava minha cabeça, tentando ensaiar o que ia dizer, sem sucesso me pego imaginando quem foi o herói da noite? Meu coração mole, meu 4g rápido ou quem colocou aquela maldita música na jukebox?
Em frente sua casa eu mal sentia as pernas, o coração quase pulando para fora do peito, e a mente parecia que ia entrar em erupção. Quando de repente ela abre o portão, não precisamos falar nada, nossos olhos marejados diziam o que não conseguimos expressar por palavras. Um abraço forte, um carinho no cabelo e a única coisa que consegui dizer foi "que saudade!".
Desse abraço, virou um longo beijo, que virou puxões para dentro da casa dela, que virou ajuda mútua para tirar a roupa, e que virou um tormento para os vizinhos.
Que saudade estava desse cabelo gostoso de puxar, dessa bunda que eu amo morder e dar tapas, e que saudade dessa unha de gel arranhando minhas costas.
Eu conheço todas as linhas do seu corpo, todos os lugares que gosta de ser tocada. Um prazer absoluto, um misto de sentimentos, amor, saudade, loucura, tesão e uma pitada de arrependimento, tudo isso misturado com álcool resultou numa das melhores noites da minha vida.
Os dois ofegantes, suados, estávamos ali fazia 40 minutos e queríamos mais, colocando fundo do jeito que ela gosta, passando a mão por todo o seu corpo para aproveitar o momento, matar a saudade e além de tudo, te encher cada vez mais de desejo. Os dois chegando ao ápice do prazer ao mesmo tempo, pois não aguentei quando ela disse "goza em mim, quero te sentir gozando junto comigo!" os últimos arranhões e apertões foram os melhores. Num frenesi sensacional, o que foi aquilo? Que perfeição foi essa? Creio eu que os vizinhos finalmente vão conseguir dormir.
Acordo no outro dia com uma dor de cabeça forte, e ao mesmo tempo um sentimento de missão cumprida, e exatamente três segundos, quando a consciência voltou para o seu devido lugar pensei "que merda que eu fiz?". Olhando para o outro lado a vi me olhando, com olhos de satisfação ela disse "bom dia, pronto para conversar?"