high1nfidelity:
A SOBRINHA DESAPARECIDA.
Não resistiu a uma risada alta e debochada ao ouvi-lo. Era impossível que fosse tão cara de pau, ele apenas gostava de vê-la irritada, era a única explicação. Depois de tudo o que fez, esperar que ela tivesse alguma cortesia - logo ela, conhecida por seu temperamento difícil. Sua expressão mudou para olhos arregalados, incrédula ao perceber que ele e Quíron pareciam pensar igual. Odiava a sensação de ter algo escondido de si, e não sabia até que ponto Magnus estava ciente, mas tinha certeza de que o centauro lhe escondia algo. Ouvia as explicações de Magnus, o queixo levemente caído, os olhos passeando pelo rosto dele e escutando cada palavra, esperando pelo momento em que ririam e anunciaram a pegadinha. Mas não aconteceu. Alguns segundos de silêncio, até ela se virar para o diretor. “Quíron, você sabe que esse sumiço da Clary está mexendo comigo. Eu não tenho a menor condição de ir com ele.” Implicitamente, Madelaine tentou explicar que a presença dele apenas a deixaria mais desestabilizada, ao que o centauro discordava, mas não disse em voz alta. Não perguntou se ele sabia o motivo, pois nada acontecia no acampamento sem que o diretor soubesse. Então, conhecendo a sua campista e toda a situação, por que ele ainda não havia cancelado essa ideia? “Se for por causa dessas malditas vozes ou o contato com o submundo, eu acho que a Bianca iria de boa.” Mencionou a filha de Hades como uma solução para ir no lugar de Magnus, mas o filho de Osíris tinha algo que a líder do chalé 13 e nenhum outro campista tinha: ele sabia lidar com Madelaine. Fosse o seu gênio, os seus descontroles emocionais ou quando exagerava na bebida. “Não tem o que discutir. Magnus vai com você.” Deu a última palavra, seu olhar firme fez com que Madelaine entendesse, mesmo ela que adorava retrucar regras e figuras de autoridade. Suspirou alto, frustrada, virando-se para Magnus com sua expressão mais irritadiça, caminhando até ele. “Não sei porque Quíron te escolheu, nem porque você topou, mas se você me aborrecer num momento como esse, eu acabo com você.” Ameaçou, sem ter a menor noção se conseguiria fazê-lo, mas com a sensação de que conseguiria mesmo acabar com ele, se quisesse. “E não pense que vou te ajudar caso você tenha um daqueles pesadelos horrorosos. Eu te deixo para trás no seu primeiro vacilo.” Afastou-se um pouco, caminhando em direção a porta e nem se dando ao trabalho de olhar para trás. “Me encontra na saída em 5 minutos.” Gritou, antes de sair pela porta e indo em direção ao seu chalé para buscar suas coisas.
O olha permanecia calmo e sereno, completamente atípico de Magnus, mas exatamente o que ele sabia que Maddie precisava naquele instante de incertezas. Estava claro em sua expressão incrédula e em suas palavras que ela esperava que aquilo não passasse de um sonho, em partes Magnus desejava o mesmo, pois odiava vê-la em situações de colapso como aquela. “É justamente por isso que eu vou com você.”, se intrometeu na conversa quando ela tentou justificar a falta de controle com o sumiço da sobrinha. Maddie não mediria esforços para encontra-la, faria o que fosse preciso, com o custo que tivesse. E era isso que Magnus temia, e foi com isso que convenceu Quíron a deixá-lo ir, o diretor odiaria perder mais um campista, odiaria ainda mais se fosse a filha de Dionísio, um deus tão próximo de si, tão amigo e tão... raivoso quando preciso. Ele ouviu o resto da conversa inteira calado, sem mais interferências, pois sempre que pensava em fazê-las, Quíron o repreendia apenas com um olhar, colocando-o de volta nas rédeas que tinha estipulado no inicio de sua conversa a dois. Quando a discussão finalmente acabou, ele parecia voltar a ser notado naquela sala. O tom irritadiço de Maddie que ele tão bem conhecia, foi encarado a com seriedade e respeito que a situação merecia. “no momento certo você vai entender, Madelaine.”, se limitou a responder, levantando-se da cadeira onde estava tão confortável, acenou para Quíron e rumou em direção a porta para que saísse na companhia da loira. “e eu sei muito bem da sua capacidade de me largar, não estou contando com nada diferente disso.”, completou tentando manter o tom ameno e um leve sorriso nos lábios, mas aquilo doía em Magnus, ter sua maldição usada daquela forma, ter alguém que amava o tratando daquela forma, principalmente quando estava tão disposto a... não, não, não, isso não é sobre como Magnus se sente, não deveria ser. Ele suspirou e assentiu mais uma vez, saindo logo depois dela para pegar a mochila que já tinha preparado e deixado no chalé, para só então ir ao portão principal. “é estranho sair pela porta da frente depois de tanto tempo usando a dos fundos”, brincou sobre as fugas que costumava fazer, aproximando-se dela na saída. “Quíron disse que tinha uma pista seguindo ao Leste. Parece que um ciclope ou coisa assim, pode estar envolvido.”.

















