A SOBRINHA DESAPARECIDA.
risechaos:
O olha permanecia calmo e sereno, completamente atípico de Magnus, mas exatamente o que ele sabia que Maddie precisava naquele instante de incertezas. Estava claro em sua expressão incrédula e em suas palavras que ela esperava que aquilo não passasse de um sonho, em partes Magnus desejava o mesmo, pois odiava vê-la em situações de colapso como aquela. “É justamente por isso que eu vou com você.”, se intrometeu na conversa quando ela tentou justificar a falta de controle com o sumiço da sobrinha. Maddie não mediria esforços para encontra-la, faria o que fosse preciso, com o custo que tivesse. E era isso que Magnus temia, e foi com isso que convenceu Quíron a deixá-lo ir, o diretor odiaria perder mais um campista, odiaria ainda mais se fosse a filha de Dionísio, um deus tão próximo de si, tão amigo e tão… raivoso quando preciso. Ele ouviu o resto da conversa inteira calado, sem mais interferências, pois sempre que pensava em fazê-las, Quíron o repreendia apenas com um olhar, colocando-o de volta nas rédeas que tinha estipulado no inicio de sua conversa a dois. Quando a discussão finalmente acabou, ele parecia voltar a ser notado naquela sala. O tom irritadiço de Maddie que ele tão bem conhecia, foi encarado a com seriedade e respeito que a situação merecia. “no momento certo você vai entender, Madelaine.”, se limitou a responder, levantando-se da cadeira onde estava tão confortável, acenou para Quíron e rumou em direção a porta para que saísse na companhia da loira. “e eu sei muito bem da sua capacidade de me largar, não estou contando com nada diferente disso.”, completou tentando manter o tom ameno e um leve sorriso nos lábios, mas aquilo doía em Magnus, ter sua maldição usada daquela forma, ter alguém que amava o tratando daquela forma, principalmente quando estava tão disposto a… não, não, não, isso não é sobre como Magnus se sente, não deveria ser. Ele suspirou e assentiu mais uma vez, saindo logo depois dela para pegar a mochila que já tinha preparado e deixado no chalé, para só então ir ao portão principal. “é estranho sair pela porta da frente depois de tanto tempo usando a dos fundos”, brincou sobre as fugas que costumava fazer, aproximando-se dela na saída. “Quíron disse que tinha uma pista seguindo ao Leste. Parece que um ciclope ou coisa assim, pode estar envolvido.”.
Madelaine nunca correu tanto para buscar a mochila. Deu uma última verificada, tudo que pensou ser necessário parecia estar ali, então correu até o portão principal, torcendo para que tivesse sido rápida o suficiente para ir sem ele. No entanto, não se completou sequer um minuto de sua chegada, ouviu a voz dele atrás de si. Suspirou, frustrada, ficando ainda mais irritada ao ouvir a fala dele. “Isso por acaso é alguma piada sobre as vezes que você deu uma escapadinha com outra enquanto estava comigo?” Ela perguntou, magoada por pensar que ele achava que os dois estavam em termos bons o suficiente para fazer piada sobre aquilo. Talvez estivesse apenas sensível e vendo coisa onde não tem. Talvez só quisesse um motivo para brigar com ele, o que a fez lembrar de uma coisa que ouviu ainda na sala de Quíron, mas tentou afastar os pensamentos. Quis retrucar, mas não podia desperdiçar uma pista por capricho e mágoa. “Vamos para o Leste, então.” Saiu pela barreira, agora oficialmente desprotegidos, enquanto caminhava para o lado indicava. Brincava com o anel no seu dedo, aquele que com um simples toque se transformava em sua besta, pronta para se defender de qualquer ataque. “Não acho que esse sumiço tenha sido para me atingir. Suspeitei de que a Clary pudesse ser uma meio-sangue, mas a minha irmã não teve tempo de me contar nada. Você não chegou a conhecê-la, não é?” Era uma pergunta quase retórica, porque embora tenha chegado no acampamento com a sobrinha um ano após o término, eles podem ter se esbarrado por aí sem que ela soubesse. Mas houve muitas recomendações para a pequena se manter longe dele e, talvez, Clarissa já o detestasse só pelos comentários da tia. A tentativa de puxar assunto era de quem se sente ansiosa e não consegue esconder. Mesmo assim, ainda era falar sobre ela, o que lhe deixava ainda mais ansiosa. Mas parecia que nenhum assunto seria capaz de distrai-lo de tal nervosismo, até sua mente lhe relembrar, mais uma vez, sobre o que ouviu na sala de Quíron. Dessa vez, ela não segurou a própria língua. “Quando você disse que sabe bem da minha capacidade de te largar, a que se referia, Magnus? Eu não sei se lembra, mas nunca te abandonei enquanto estivemos juntos. Só fui embora quando descobri que você... Enfim.” Ela nem conseguiu terminar. Madelaine havia o largado realmente, de certa forma. Dois dias após descobrir as infidelidades, foi embora do acampamento sem se despedir e sem deixar pistas de onde iria. Mas ele estava mesmo a culpando por isso? “Eu espero que você saiba que eu jamais teria te deixado se você não tivesse sido canalha comigo.” Ela queria que ele soubesse disso, e tivesse certeza de que ele havia estragado tudo. Talvez não fosse um bom momento para falarem disso, não apenas porque era um momento delicado com o desaparecimento de Clarissa, mas porque mesmo passado tanto tempo, Madelaine ainda não se sentia recuperada do choque. Ainda assim, a raiva e mágoa que sentia de Magnus parecia ser o único sentimento forte o suficiente para distraí-la do horror que sentia ao ficar pensando nas coisas ruins que podem ter acontecido com a sobrinha.










