Sabe Zé, ainda dói. Dói sentir saudade da pessoa que conheci e aprendi a amar, e que hoje não existe mais. Dói Zé, sentir o cheiro dele no meu travesseiro… Dói olhar pro presente que ele me deu jogado no fundo do guarda-roupa, pras fotos perdidas na memória do celular e pro passado que a gente viveu. A gente já foi feliz Zé. Eu já me senti amada por ele. Já pedi pra Deus insistentemente todas as noites pra que fizesse a gente dar certo, mesmo tendo evidências de que tudo estava predestinado a dar errado. Insisti Zé, lutei e relevei incontáveis vezes. Dei murro em ponta de faca, bati e quebrei cabeça até que um dia percebi que não fazia sentido mais. Não fazia sentido porque o homem por quem me apaixonei não estava mais ali Zé, e a relação tão cheia de amor que eu achava que a gente tinha na verdade nunca existiu. O homem por quem me apaixonei se mostrou alguém frio. A grosseria tomou o lugar do afeto, as risadas espontâneas se tornaram em sorriso forçado e as conversas gostosas se tornaram discurso ensaiado. As mãos dadas, os beijos e o toque em público se tornaram algo vazio, feito somente por obrigação e força do hábito. Foi então Zé, que eu percebi que aquilo ali nunca foi amor. Foi então que eu cansei de dar tanto e receber tão pouco. Foi aí que eu vi que tava errado esperar por ele todas as noites enquanto ele inventava alguma desculpa pra não estar ali. Foi aí que eu vi que toda a minha doação de corpo e alma sem reconhecimento algum, não valia a pena. Eu me cansei Zé, de ser segunda opção. Cansei de não me sentir amada, desejada ou motivo de orgulho. Cansei de me conformar com as sextas feiras com ele e os sábados sozinha em casa chorando. Cansei de pedir desculpas quando quem precisava de um pedido desses era eu. Eu vivia um relacionamento abusivo e não enxergava Zé. Criei na minha cabeça toda uma história perfeita pra nós dois e comecei a acreditar nela. Pior ainda, comecei a viver nela. Sozinha. Amei por dois. E sabe de uma coisa Zé? Eu ainda penso nele ao acordar, sinto a falta dele na hora de dormir e passo o dia todo tentando tirar ele da cabeça. Ainda derramo algumas lágrimas pensando no homem que aprendi a amar e sinto um aperto imenso no coração ao me lembrar que na verdade, ele nunca existiu. Sinto falta dos fins de semana em família, das noites juntos dividindo um pequeno sofá pra assistir um filme de terror, do jantar romântico que ele fez uma vez pra mim, do carinho e da ternura que ele um dia demonstrou. Sinto falta Zé, de não me sentir sozinha. Sinto medo do mundo lá fora, medo de seguir em frente sozinha e deixar a nossa história pra trás. Mas o pior de tudo é lembrar que nada disso foi real, Zé. Foi tudo invenção da minha cabeça pra encaixar ele numa posição que ele nunca esteve disposto a ocupar. Foi tudo desespero de um coração apaixonado clamando por um pouco de amor. Foram ajustes e mais ajustes para encontrar algum modo de culpar a mim mesma por cada mancada que ele deu, na tentativa de fazer com que nossa relação desse certo. Foram 10 meses empurrados com a barriga. Ele me destruiu Zé, me quebrou em mil pedacinhos. Eu ainda o amo. Tá pesado ficar sem ele, tá difícil acordar todos os dias e sentir o vazio que ele deixou no meu peito. Eu ando me arrastando na tentativa de seguir em frente e tá difícil Zé. Mas sabe qual a parte boa da história? Desde que o conheci, há quase um ano, pela primeira vez eu sinto que voltei a enxergar e respirar ar puro novamente. Eu tô me sentindo eu mesma Zé, tô me sentindo livre, tô sentindo que finalmente me foi devolvido o ar. Tá difícil? Tá. Mas uma hora passa, eu sei que passa. Enquanto isso eu levo a vida Zé, vivendo um dia de cada vez e dando passos lentos, deixando um pedacinho desse fardo pra trás conforme vou caminhando, até que um dia, finalmente, eu me sinta leve e sem perceber, feliz
Senta aqui pra me ouvir, Zé.















