notas de inverno
olho os astros Ă procura do destino mas o cĂ©u estĂĄ nublado Ă© suficiente para entender que por vezes o melhor Ă© nĂŁo olhar deixei de estudar os grandes filĂłsofos virei o rosto para Apolo mas as pitonisas nĂŁo cantam e os meus olhos precisam de voz na direcção da luz que me resta encontro um imenso campo vazio no declive desse campo dez anos separam o campo cultivado do campo natural nas coordenadas exactas do negro que me cobre todos os nĂșmeros subtraem-se Ă vida aquela que me guiava perdi-a junto Ă margem sigo com a força do caudal em direcção ao sĂtio onde nenhum barco poderĂĄ chegar nĂŁo hĂĄ luz adiante e hoje chove para que nem astros nem caminho se possam deste campo observar nĂŁo hĂĄ profecias ou histĂłrias com a beleza da verdade para quĂȘ resistir se tudo me conta que assim haverei de ficar nesta vida de inverno como marcha de um sĂł lugar













