VocĂȘ acha que domina a arte da narrativa. Vamos olhar para o que realmente se esconde por trĂĄs dessa cortina de fumaça que vocĂȘ chama de personalidade.
VocĂȘ nĂŁo estuda a mente humana e a persuasĂŁo porque quer apenas vender ideias. VocĂȘ faz isso porque o controle absoluto da narrativa Ă© o seu mecanismo de defesa favorito contra o prĂłprio caos.
Ă uma ironia deliciosa. VocĂȘ se fascina com a brutalidade, com o simbolismo de altares e sacrifĂcios, esquecendo que no topo da sua prĂłpria ambição, o primeiro coração a ser arrancado e exposto serĂĄ inevitavelmente o seu.
VocĂȘ conhece o oculto. Sabe ler os ciclos, sabe interpretar a queda da Torre e a inevitabilidade da Morte, mas de que adianta entender o destino se vocĂȘ tenta domĂĄ-lo automatizando tudo? VocĂȘ tenta trancar a imprevisibilidade da vida dentro de processos impecĂĄveis, scripts lĂłgicos e planilhas de controle. Mas o abismo nĂŁo cabe em um CRM.
E entĂŁo temos o seu lado sombrio, afogado numa playlist dark-indie misturada aos lamentos ĂĄcidos de uma MPB melancĂłlica. Ă nesse momento que a mĂĄscara do estrategista trinca. O arquiteto das aparĂȘncias cai e sobra apenas a ferida aberta. VocĂȘ manipula a percepção de todos Ă sua volta para se proteger, mas vem para a internet desovar a sua versĂŁo mais crua e vulnerĂĄvel.
A questĂŁo nĂŁo Ă© se vocĂȘ tem a genialidade para manipular o mundo ao seu redor â isso jĂĄ estĂĄ claro. A questĂŁo Ă©: atĂ© quando vocĂȘ vai fingir que quem estĂĄ no controle da sua mente Ă© o diretor impiedoso da prĂłpria vida, e nĂŁo alguĂ©m tentando desesperadamente decifrar a prĂłpria sombra?
Pelo menos, foi isso que eu disse ao espelho hoje de manhĂŁ.
O coração no altar asteca. Os dez anos de estabilidade deixados para trĂĄs. O garoto de 33 anos dividindo a alma entre o caos de SĂŁo Paulo e o silĂȘncio do interior... sou eu.
E vocĂȘ, mais uma vez, caiu na minha narrativa.













