"Undisclosed Desires" - Muse
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"Undisclosed Desires" - Muse

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{Evento} I'm just an ordinary human, but I don't feel so ordinary today — Keith + Barbara
Estava na Divisão há tanto tempo que, de certa forma, respirava o trabalho que fazia com tantos mutantes, homens e mulheres. Sua atuação era imprescindível e Barbara se sentia bem em ser necessária em algum lugar, já que isso prevenia que ela fosse deixada de lado, como sempre acontecia, quando mais nova. Por esse motivo, talvez, ela tenha se atido tanto a algo que, no final das contas, estava completamente perdido para os agentes da Divisão. Por esse motivo, quando Barbara soube do incêndio, ela foi louca o suficiente para correr rumo ao olho do furacão enquanto o restante dos cientistas, justamente, fugia dele. Eles não sabiam o que a loira passara para conseguir sintetizar aquelas vacinas, do que a loira abrira mão em nome de um bem maior. Ela não desistiria. Dessa forma, esgueirou-se pelos corredores da sede, mesmo depois de ser tirada de lá à força, sabendo que ela seria severamente punida caso algo acontecesse. Quando sentiu o calor e a fumaça trazer lágrimas aos olhos, cogitou desistir, jogar no lixo meses e meses de trabalho duro que ela, Marie e Henry tinham desenvolvido, mas negou, correndo em direção à sua mesa com o cachecol sobre a boca e nariz. Devia ter algo ali, algo que pudesse ajuda-la. A pele ardia, a respiração falhava e Barbara sentia que logo iria desmaiar, mas não desistiu de tentar reunir o máximo de evidências que conseguia, até escutar a voz de Keith e pular de seu lugar, perdendo o último fiapo de fôlego que conseguira reunir antes de entrar naquela sala. Negou, em contrapartida, ciente de que ela seria rebocada em poucos segundos, se não achasse logo pelo menos algo útil para recomeçarem. “Eu não posso!”, admitiu, sentindo as lágrimas rolarem por sobre as bochechas repletas de fuligem, só não sabia se era por causa do tanto de fumaça que inalara ou porque ela realmente estava triste com o que estava acontecendo. Ela sabia que Keith tinha as melhores das intenções ao tentar tira-la dali, mas aquele não era o seu trabalho. Ela, provavelmente, sairia dali logo, não queria que ele se arriscasse, também. Engoliu em seco, tossindo algumas vezes antes de repor o cachecol sobre os olhos e ignorar as lágrimas. “Preciso achar meu pen drive!”, negou, afastando-se o máximo que conseguia do loiro, agarrando-se a uma esperança ínfima que, evidentemente, acabaria matando a ambos. “Meses de pesquisa, Keith. Meses. Seria melhor que estivesse morta”, vociferou, agarrando sua escrivaninha com afinco enquanto sentia o cabelo queimar devido à proximidade das labaredas.
Não aguentaria muito mais tempo antes de desmaiar completamente, e ela estava, em última instância, pondo a vida de um terceiro em risco. Chorando como uma criança, Barbara sentiu todos os seus sonhos serem destroçados enquanto aceitava que estava tudo perdido e seguia o homem, tossindo rudemente enquanto aceitava a mão dele para guia-la em meio a um ambiente onde a loira mal conseguia ver um palmo a sua frente. Sentia as pernas fraquejarem e arquejava a cada passada, sentindo a carne exposta arder com as queimaduras. Ela sentia, no entanto, que o seu coração estava queimado, junto às amostras e relatórios que deixara arderem no incêndio. Não conseguiu olhar para trás, certa de que acabaria abrindo o berreiro e aquilo não seria uma atitude digna de uma médica e pesquisadora como ela. Empurrou o homem mais para fora do círculo de fogo, praticamente implorando para que ele a deixasse ali e ela terminasse o trabalho, mas não foi forte o suficiente. Fraca, como sempre. Barbara tentou, mas não conseguiu respirar fundo o suficiente para que continuasse sua jornada rumo a um lugar seguro e que não estivesse em chamas, de preferência. A cabeça rodava e ela sabia que estava começando a alucinar, mas não podia fazer nada a respeito. Se ela tinha algum amor pela própria vida, precisava sobreviver àquilo.
O estado da loira o atormentou. Era totalmente fora de planos que ela se negasse a sair dali, mesmo depois de ver o estado que ambos estavam. Sua jaqueta ainda cobria seu rosto parcialmente, o suficiente para continuar respirando, mesmo que ruim, e então a viu continuar a procurar pelo que deveria ser o pen drive da mesma. Com bastante dificuldade ele tentou falar, tossindo entre algumas palavras, mas mesmo assim convicto do que estava fazendo. -- É o mesmo de quando se é roubado, Barbara, não tem como salvar o que já está perdido! -- Se chegou mais perto dela, agora conseguindo ver seu rosto melhor, mesmo que sujo com a fuligem , ainda sim ele podia ver o medo e as lágrimas fazendo um caminho por suas bochechas. O olhar de Keith parecia preocupado em fazer com que ela desistisse de tal ideia, mas agora, olhando ali para ela, ele via o quanto era importante para a loira ter aquele objeto.
Ao notar a determinação desta em achar, Keith acabou por puxá-la mais uma vez, só que agora para salvá-la das chamas. Era totalmente imprudente da parte dela pensar aquilo. "Seria melhor que estivesse morta", e então ele balançou negativamente com a cabeça, agora seus próprios olhos faiscando de raiva. Como ela poderia ser tão boba àquela ponto? A ideia de pegá-la de uma vez e pô-la sobre os ombros parecia cada vez mais viva em sua mente, mas ao esperar alguns segundos para digerir se a intenção era prudente, ele a viu ceder. Como se dependesse daquilo, segurou a mão da mesma com firmeza, puxando para fora da sala, apenas passando pela porta e enxergando apenas o cinza.
Quando finalmente conseguiu ver algo, foi porque fora puxado por um agente, assim como olhava para sua mão, buscando a mão de Barbara ainda ali. O alívio percorreu seu corpo quando viu que ela só estava suja, assim como ele, por causa da fuligem. Tossiu com toda força, assim que conseguiu respirar o ar puro e limpo. Foi andando na frente, sendo levado por colegas para fora da sede e esperava que a loira estivesse rente à ele ainda. Assim que chegaram do lado de fora, ouviu os murmúrios dos vários agentes e se chegou num lugar longe dos mesmos, esperando que Barbara o seguisse, só depois se virando para olhá-la. -- Que merda foi essa, Barbara? -- Ele perguntou com o tom de voz bruto e alto o suficiente para acordar um urso hibernando. Seus braços estavam rendidos à dúvida que habitava em seu âmago, completamente insatisfeito com as palavras que ela disse contra si mesma. A princípio não soube exatamente a que direcionou a pergunta, se para a imprudência de procurar algo naquele caos ou se para a bobeira de dizer que preferia morrer a perder as pesquisas. -- Você pode muito bem refazer tudo. Foda-se se vai demorar, vocês são inteligentes o bastante para fazer algo ainda melhor, mas não me venha com essas escrotices. -- Quando terminou, passou as mãos pelo rosto, girando no mesmo lugar e depois voltando a olhar para ela. Provavelmente estaria perplexa com o palavreado dele, mas era assim mesmo que agia quando estava em puro aflito, ainda mais com alguém que se importava. Podia até estar sendo bobo por se importar com ela, uma agente da Divisão, mas queria acreditar que ela era diferente. Que ela era inocente o bastante para não saber o que se passava no seu local de trabalho. O que realmente se passava.
You can't walk away from who you are — Keith + Heidi
Heidi não estava gostando nada daquela situação. Não gostava daqueles homens que pareciam desafiar sua autoridade, não gostava da postura e da atitudes deles. Simplesmente não gostava. Uma implicância natural que incomodava a morena. Também não gostava de como seu coração palpitava acelerado, de como seus instintos gritavam para que corresse. Mas não precisava fazer isto, é claro, Heidi sabia que não era necessário. Ela sabia muito bem se defender sozinha e enfrentar aquela situação. Estava acostumada a lidar com homens, principalmente aqueles que achavam que poderiam impor algo a ela. As palavras ditas por eles também não a agradavam nem um pouco. Com os braços cruzados e expressão desafiadora, esperou por mais explicações.
Não disse nada enquanto o observava dar ordens como fosse aquela fosse a área dele. Heidi sentia vontade de obrigá-los a ir embora, mas ainda não possuía uma informação concreta de quem eram ou o que queriam, portanto a presença deles ainda seria de alguma utilidade. — Você tem razão. Seremos melhor em maioria. — admitiu a contragosto, mas apenas para dar razão para mais conversa e realmente descobrir o que eles queriam. Não confiava em homens misterioso, já que estes geralmente a lembravam dos homens que levaram Jack. A lembrança daquele dia a afundou em um pequeno transe, Heidi se lembrava perfeitamente da face daqueles que levaram seu noivo. Porém, suas ondas de recordações foram quebradas ao ouvir a palavra mutante.
Rapidamente voltou a atenção para aquele homem à sua frente. Quem era ele e o que ele sabia? O quanto sabia? Seu corpo inteiro estava rígido, paralisado. Poucas foram as vezes em que Heidi sentiu-se tão assustada. Tão assustada que deixar passa a expressão “polícia mais avançada”, com certeza, em seu estado normal, perguntaria a ele se ele tinha mesmo a intenção de ofender seu trabalho. Entretanto, assustada e curiosa como estava, mal notou tal pequeno detalhe. — Qual o nome da organização? — perguntou depois de alguns segundos, quando sentiu que sua voz não denunciaria seu estado alarmado. — O que mutantes tem a ver com isso? — questionou novamente, amaldiçoando-se silenciosamente pelo fraquejo de sua voz.
Keith estava visualizando a cena do crime de longe, vendo todas aquelas pessoas ao redor e assim como alguns policiais também tomando nota. Além destes, os agentes que ele acabara de mandar estavam no meio. Coçou a barba lentamente, enquanto escutava a conversa. Ele nem ao menos virou o rosto para olhar nos olhos da detetive, mas sentia o olhar dela sobre ele, e não era dos melhores, podia imaginar. Não era para menos, claro, eles estavam ali se "metendo" nos assuntos que eles estavam tentando lidar, mas ninguém melhor para lidar com aquilo do que eles mesmos agora. Quando a mulher disse que juntos eles seriam melhores, Keith virou lentamente o rosto na direção dela, arqueando uma sobrancelha bem depois de concluir o ato. Por que de repente ela concordava? Relaxou a feição e cruzou os braços novamente, erguendo o queixo e matendo seus olhos fixos na outra, nos movimentos e olhares. O chefe dele continuava com sua postura ereta e suas palavras totalmente firmes, sem vacilar ou dar brechas.
Quando a mesma detetive perguntou sobre a organização, Keith manteve seus olhos atentos na mulher, enquanto seu superior lidava com a situação. -- Não esperava que não nos conhecesse, detetive. -- Ele fez uma careta, tentando aparentar o quanto estava surpreso por ela não saber. De fato, até poderia conhecer sim, mas só queria ter certeza. Quando abriu a boca para proferir a devida resposta, um dos agentes veio até eles. -- Com licença, senhor. -- Ele olhou para a mulher, mas não teve certeza do que dizer, então apenas voltou a atenção para o chefe. -- Acho que sei para onde eles foram. Um deles estava ferido. Eram dois apenas, senhor. -- Terminou de calçar as luvas pretas e o superior apenas assentiu, fazendo com que ele então virasse as costas e voltasse à cena do crime. Keith ainda estava aposto do lado de seu chefe, analisando com cuidado as expressões dos policiais, mas só voltou a prestar atenção quando a conversa retornou. -- Como eu ia dizendo... Mutantes têm haver com tudo o que fazemos. Somos aqueles que o trazem para seu lar. -- Ele deu um sorriso leve porém acolhedor, mas era claro que até mesmo isso Keith sabia que estava fingindo. Tudo não passava de fingimento, e mesmo ele odiando o fato de saber a verdade sobre a organização, ficou calado, fazendo jus ao bom agente que era. -- Somos da Divisão, detetive. -- Resolveu dizer por fim, agora ocupado em saber como ela ou qualquer outro perto dela e ciente da conversa, reagiria. Inclinou a cabeça um pouco para o lado, ainda olhando para a mesma, com o olho brilhando de curiosidade. -- Mas creio que temos algo mais, muito mais, importante para tratar.
{flashback} The ghost of my memories — Keith + Alexis
A pergunta de Keith a pegou de surpresa. Alexis nunca tinha pensado realmente o porquê de não confiar em Daniel, apesar de seu irmão afirmar que poderiam contar com ele para se vingar da Divisão. Ela o tinha visto fugindo e havia ido atrás dele no momento seguinte, mas depois do primeiro contato a morena não conseguiu confiar ou acreditar nas visões que tivera sobre o mais novo aliado. Talvez fosse o modo como ele parecia não estar preparada para lidar com algo tão sério, apesar do que tinha vivido até ali, ou a forma como a tratava, mas o fato era que a Blackburn não conseguia sentir firmeza em nada do que o outro fazia e sempre mantinha ambos os olhos atentos a ele. — Ou era isso que ela gostaria de comentar, mas sabia que no fundo era pela forma como seu irmão o acolhera, já o colocando a par de tudo e dentro de seus planos como se o conhecesse há anos. – Não sei. Elliot acredita que ele é de confiança, então eu tenho que lidar com ele mesmo que não confie, mas ele é meio… Não sei. – Concluiu soltando um riso completamente frustrado por não conseguir achar palavras suficientes para explicar o que precisava, mas sabia que Keith entenderia rapidamente o que ela queria dizer assim que conhecesse Fitzgerald. — Aham, eu sei. – Concordou assentindo com um aceno leve seu próximo comentário. Alexis sabia que seu irmão não era estupido ou trouxa para colocar tudo em risco por algo banal, se ele acreditava mesmo em algo, ela o apoiaria independente de seus próprios ideais, apesar de toda a resistência que ele mostrava sobre sua inclusão e ajuda em todos os seus planos.
Por mais que temesse pela vida de Widmore, Alexis sabia do que ele era capaz para chegar aonde deveria. A firmeza na voz do outro poderia deixa-la mais tranquila, por saber que ele tomaria cuidado e todas as precauções necessárias para que não houvesse qualquer falha. No entanto, não era tão simples, uma vez que ele estivesse sozinho dentro da organização e pudesse ser descoberto pelo menor descuido que fosse. Era arriscado demais para deixar de lado ou concordar daquela forma, mas Keith já havia sobrevivido por todo esse tempo, sozinho e estava ali com ela por conta própria. Ainda assim, fora incapaz de desconfiar ou desacreditar das palavras do outro, principalmente da promessa que acabara de fazer. Ela não deveria confiar tão facilmente, não em coisas como aquela, promessas sobre sobreviver ou simplesmente sobre ficar eram do tipo mais incerto, mas sempre confiava. Levantou a cabeça novamente sem pressa alguma, desencostando do corpo do loiro logo que sentiu ele passando um dos braços pelo ombros, afastando os dois do para peito. Alexis assentiu em concordância e passou a caminhar no mesmo ritmo que o outro para o começo da ponte, olhando involuntariamente para os lados buscando por qualquer pessoa suspeita. Os alertas que ouvira dos pais não pareciam tanta coisa diante de tudo o que tinha ouvido do amigo até agora, e ela ainda não tinha nenhuma informação concreta sobre o que ele tivera que lidar dentro do prédio da Divisão. Não fazia ideia de como as coisas funcionavam ali, como todos deveriam se portar ou até onde a organização estava disposta a ir para conseguir pessoas para o seu exercito. Tudo o que escutara vinha de Daniel e daqueles poucos que conseguiram fugir por muito pouco das mãos dos agentes. Não pode evitar lembrar da morte de Max, em como ela poderia ter sido pega e levada para o lugar, ou como poderia ter acabado morta se não fosse por Dylan.
Dylan Curtis havia se tornado um grande aliado de Elliot dentro da Divisão, mas ainda assim não aprecia uma boa ideia mencionar o nome dele ali. Alexis não queria que as palavras de Keith sobre o outro colocasse em rico a confiança das pessoas ao seu redor, por mais que devesse. Seria bastante simples perguntar se eles se conheciam e se ele poderia ser alguém confiável, mas assim como Keith, Curtis poderia manter as aparências dentro da Divisão e parecer um agente completamente capaz e fiel à sua causa, coisa que ele já havia mostrado que não era. Seus pensamentos foram interrompidos com o tom mais descontraído do pusher e rapidamente ergueu o olhar para ele, sem diminuir o ritmo. Não pode conter um riso completamente descontraído vendo o sorriso nos lábios do outro, já que assim como ele, Alexis havia esquecido completamente das perguntas que ele fizera ainda no telefone. Estendeu uma das mãos pegando o pacote, o abrindo, pegando a garrafa de água em seguida, abrindo com o auxilio da outra mão e já a levando para a boca, tomando um gole longe. – Sabe o que eu deveria fazer com você? – Indagou com um tom mais confortável e ameno, com um sorriso divertido nos lábios. – Eu deveria jogar isso tudo em você só por não ter dado noticia durante todo esse tempo e nem me sentir culpada depois. – Completou indicando a garrafa de água aberta com um aceno rápido, mordendo levemente o lábio inferior em uma tentativa frustrada de conter o rido, já levando a garrafa até a boca novamente, tomando mais um gole do conteúdo incolor, tentando aproveitar o máximo os poucos momentos que ainda lhe restavam com o amigo.
Quando ela pegou o pacote, Keith acompanhou atentamente aos movimentos da mesma, mantendo seu sorriso estampado nos lábios. Era como se estivesse presenteando-a numa ocasião normal, como se nada demais estivesse acontecendo. Por alguns segundos teve de acreditar nisso, ainda mais vendo a reação da outra, sem conter um riso baixo perto dela. -- Por favor, faça isso quando estivermos na frente de uma lareira. Aqui... -- Ele olhou para os lados, fazendo uma careta e franzindo o nariz no ato, logo voltando a olhá-la, com certo humor contido em suas palavras e gestos. -- Aqui está muito frio para você tomar uma atitude tão áspera dessa. A gente se reencontra e você me maltrada? Tsc, tsc... -- Balançou a cabeça negativamente, arqueando uma sobrancelha, porém sem rir dessa vez. Claro, ainda mantinha um toque de humor em sua expressão, mas evitou rir para manter sua postura encenada. De fato, as palavras da outra criaram um efeito totalmente avassalador em Keith. Não era como se eles se vissem todos os dias e agissem assim todos os dias. Fazia tanto tempo, tantos anos, que nem mesmo Keith entendia como podia estar tão à vontade assim com ela. Claro, eles se conheciam há tempos e não haveria motivos para estranharem-se, mas depois de tudo o que aconteceu ele levar aquilo tranquilamente? Só mesmo com a presença de Alexis para deixá-lo assim. Agora entendia porque estava tão animado em andar ali, com tal companhia.
Pensou em algo para dizer em troca, mas não conseguiu pensar em nada concreto que a fizesse crer nele. Era praticamente inegável o quanto ele deveria ser um estranho para ela, assim como ela para ele. Os anos distantes os fizeram mais maduros e certamente mudados, porém não mudados ao ponto de não reconhecerem seus amigos e aqueles a quem devem confiar com a vida. Pelo menos assim Keith pensava. Alexis tinha todos os motivos para acabar como ele, ainda mais pela teimosia, mas ali, agora, ele via o quanto ela tinha crescido, o quando ela tinha mudado e para melhor. E ele? Ajudando uma organização que sempre visou, e ainda visa, destruir. Por mais que negasse para si mesmo, ele o fazia, mas por um bom motivo. Entretanto, admitia que em momento algum pôs a Divisão acima de suas opiniões, acima daquilo que ele acreditava. Talvez por aquele trisco de vontade é que ele era tão determinado a ajuda seus verdadeiros amigos.
Ao chegar na calçada novamente, ouviu-se a barulheira londrina normal de sempre. Várias pessoas andavam conversando alto e ele não se atrevia a aumentar o tom de voz perto de Alexis, por crer que apenas eles deveriam saber do que conversavam. Quando esperou para atravessar a rua, ainda agarrado à garota e vendo-a saborear as coxinhas, teve de sorrir, grato e ao mesmo tempo sem acreditar que estava ali com ela, que seu plano realmente tinha dado certo. Ao virar o rosto para a frente, a silhueta que enxergou foi que apagou o brilho de seu olhar, fazendo seu sorriso desvanecer aos poucos. O homem de terno e gravata, completamente fixo nele e em Alexis, de repente virava a cabeça para o lado contrário, tomando seu rumo. Keith não era nenhum bobo, tampouco burro para não entender que estava sendo vigiado a todo instante. Após a vista grossa, ele balançou a cabeça e voltou a sorrir - encenando para que nenhum dos "vigias" notassem sua suposta mudança de humor -, olhando para Alexis mais uma vez. Sua voz, no entanto, saiu mais como um murmúrio do que pensava. -- Presta atenção, eu estava certo. Eles me vigiam mesmo! Não olha agora, porém continue rindo como se eu estivesse falando algo engraçado. É um cara de terno, engravatado, todo engomadinho indo do outro lado da calçada, pelo lado direito. Ele não pode saber com quem estou conversando... Ele não pode. -- Seu olho de repente faiscou e sua boca tremeu brevemente. Ele sorriu, cínico, levantando o rosto novamente e mantendo seu disfarce presente, enquanto passava pela rua com Alexis em seu conforto. Suas palavras tinham deixado claro que ele tomaria uma atitude sobre o engravatado da Divisão, e ninguém poderia pará-lo depois da decisão ter sido tomada.
{Evento} I'm just an ordinary human, but I don't feel so ordinary today — Keith + Barbara
O fogo que exalava da sala era terminantemente avassalador, com sua fumaça tomando conta de um corredor inteiro. Só podia-se ver o cinza, e ao tentar chegar mais perto, Keith acabou por recuar de súbito, tossindo por ter engolido o ar poluído. Ele olhou para os outros agentes, sem ter muito o que fazer, afinal a situação ali estava realmente tensa. Como havia iniciado o incêndio ele não teve certeza, mas chutou que tivesse sido uma ação de Elliot. Por dentro, estava contente por ele estar tomando medidas contra aquela organização, mas por fora disfarçava. Apenas parecia preocupado pelos outros que ainda estavam por sair daquele corredor e da sala, mas na verdade não dava a mínima. Se seu amigo já tinha controle sobre todos ali, dando-lhes um aviso indireto, ele não tinha com quem se preocupar. E foi exatamente indo contra esses pensamentos que ele viu uma movimentação dentro da mesma sala que pegava fogo.
-- Ainda tem mais... Tem mais uma lá! -- Entre tossidas um dos agentes tentava explicar que mais alguém estava lá. Quem seria tão estúpido a ponto de se arriscar ali ainda? -- Quem é, você viu? -- Keith perguntou com um braço no rosto, fazendo a própria jaqueta cobrir o nariz para que não inalasse a fumaça, espremendo os olhos para ver por entre o cinza que os rodeava. O homem deu mais uma tossida e lhe respondeu, afastando-se, assim como outros dois que tinham acabado de sair de lá. -- É aquela loira de cabelo preso, a médica que usa óculos. -- E com isso Keith apenas arregalou os olhos e se enfiou dentro da sala. Era completamente ridículo que ele tivesse criado um vínculo com alguém dentro daquele inferno, mas a outra tinha o ajudado. Se não fosse ela, provavelmente ele estaria recebendo bolsas de sangue para sobreviver. A bala que o feriu foi o bastante para fazê-lo perdere muito sangue, ainda mais quando resolveu cutucar, num momento despercebido. Ele não era tão tolo assim, mas precisava saber da gravidade do machucado para que pudesse agir normalmente até chegar à ela. Depois daquele dia, seus ouvidos e seu cérebro não estavam mais tão dispostos como sempre estiveram, mais por conta da outra conversar demasiadamente. Entretanto, não lhe era nenhum pouco um problema, pelo contrário, ela tinha conversas mais interessantes do que Karen, e provavelmente era mais honesta que ela. De alguma forma, achava Barbara inocente, mas era óbvio que não diria aquilo para ela, jamais.
Agora puxava a gola de sua jaqueta para cobrir a boca e o nariz, abanando a fumaça de sua face para pelo menos enxergar alguém, e quando encontrou a tal loira de cabelos presos, pulou para o lado dela, passando a mão por sua cintura e a puxando contra sua vontade. No entanto, parou por alguns segundos quando a outra parecia buscar algo nas gavetas. -- Você está louca? -- Deu uma tossida forte, por ter consumido um tanto de fumaça desnecessária para seu pulmão, mas ao mesmo tempo fazia uma careta, tentando ler a expressão dela e entender o que ainda queria ali. -- Vamos! Deixa isso ou você vai morrer, Barbara.

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Do you ever think about the future? What do you see?
[...]
You.
Então você gosta de desenhos de violência? Keith, você não acha que já é violento o bastante? Não quero nunca te ver inspirado, deve fazer um enorme estrago. E ei, deve haver alguém. Família ou algum tipo de amigo? Não sei, só não acho bom você viver dessa forma. Você merece mais do que isso. E, se você está falando sobre mim na parte dos comentários maliciosos, eu não vou falar nada, porque você sabe que eu não tenho um filtro, não sabe? Tudo o que eu penso, eu falo, o que pode não ser a melhor das coisas, afinal de contas. Não sei o que eu sou. Acho que sou um continente inteiro, pra falar a verdade. Então, se a Karen pedisse, você deixaria?
Desculpa, falta de filtro. Porque a sua cara está bem estranha e eu não sei como não levar isso para o lado mais malicioso, então a culpa é sua, Keith! Por favor, a sua não pode ser melhor da que a do Aladdin, ele é uma lenda viva. Viu? Você fez de novo! Pare de falar frases com duplo sentido, ou eu vou ser obrigada a sair daqui antes que fale mais besteiras. E eu tenho certeza de que você não consegue, mas, se você fizesse isso por mim, eu ficaria mais do que agradecida, porque aí, finalmente, poderia tratar de você da forma como realmente precisa. Sabe, com curativos, bandagens e tudo o mais, não leve isso para o outro lado, também!
Não acho, não, sempre estarei procurando estar melhor do que antes. Eu não tenho família e também não tenho muitos amigos. Digo, amigos, amigos mesmo. A vida não é totalmente justa com aqueles que merecem algo, por isso acredito que estou bem assim. É, e você pensa bastante, eu sei bem. E sim, é claro que eu deixaria. Ela é minha amiga, não é? Quem sou eu para negar algo assim para minhas amigas?
Eu não tenho culpa de nada, não é como se eu estivesse manipulando sua mente para pensar errado, porque eu realmente não estou, então você tem sua parcela de culpa por ter uma mente tão suja, Barbara. Ele é um desenho, e eu sou real. Minha lâmpada é real, a dele não. Okay, okay! Você está dando corda. Preciso pegar seu filtro de volta! Sério? Então é só eu me aquietar e você vai tratar da minha lâmpa... Shit, eu digo, você irá cuidar de mim direito? Ah, e só tem um lado para isso ser levado, mas não vou dizer mais nada antes que você se retire.
{Small} I will fight for one last breath, I will fight until the end — Keith + Sarah
Observou o homem jogando a camisa para o outro lado e apenas bufou, tentando soar como se simplesmente não se importasse com o peitoral completamente bem definido que ele tinha. "Pare de ser exibido, Keith. Ninguém gosta de caras com um ego tão grande assim." Depois de dizer isso, lhe passou pela cabeça que talvez ele só tivesse tirado a camisa para conseguir lutar melhor, ou sabe-se lá por que motivo homens lutam sem camisa, porém Sarah ainda pensava que era uma ótima maneira de distraí-la durante a luta e a fazer prestar atenção no lugar errado.
Olhou para as luvas as quais já estava usando quando chegou na sala e conferiu se as mesmas estavam corretamente posicionadas e presas em suas mãos. "Ah, não precisa, já passei o rímel antes de deixar o meu quarto." Soltou um sorriso cínico para Keith e apenas revirou os olhos. Estava acostumada à provocações como aquelas, principalmente vindas de runaways que não sabiam nada sobre ela e apenas pensavam que era mais uma menina indefesa. Comentários como esses poderiam ser uma boa ajuda do lado de fora da Divisão, já que as pessoas que os faziam com certeza pegavam mais leve com ela, e quando finalmente percebiam que Sarah não estava brincando, já era tarde demais e eles já se encontravam mortos ou servindo como cobaias nos laboratórios. Agora escutar comentários como esses vindos de outros agentes a faziam se esforçar mais na hora de lutar, esperava apenas que Keith não pensasse que aquilo a havia atingido de forma alguma. Se posicionou novamente em seu lugar e esperou pelo homem. "Vai demorar muito para acabar de se arrumar, princesa? Eu realmente não tenho a noite toda."
Ele fez uma careta com a pronúncia dela e parou, olhando-a com certo humor. -- Quem não gosta, Sarah? -- Era uma pergunta retórica, claro, mas o fato de ela ter comentado aquilo só fez com que ele se focasse mais. Não que tivesse feito de propósito, afinal: era um movimento automático o de puxar a camisa e tirá-la, mas sim porque o propiciava mais leveza e liberdade para com os golpes. Pelo menos assim era o que pensava. Ele se permitiu um sorriso de canto com o comentário da outra, pois claro, era Keith, e sabia tanto provocar como receber a provocação.
Ajeitou sua posição, com um punho fechado em frente ao rosto e o outro abaixo, na região do peitoral. Em todo tempo manteve-se consciente de que ela sabia de algo, assim como ele, em lutas, e de modo algum a trataria como mais fraca. Esse era seu intuito: sempre crescer profissionalmente, e não era porque ela era mulher que ele maneiraria. Talvez por este mesmo fato que ele não fosse tão piedoso, contudo, sabia diferenciar situações precisas das desnecessárias. Balançou a cabeça, dando um sorriso mais aberto agora, puramente cínico. -- Nem eu. -- E com isso se aproximou dela, direcionando-lhe alguns socos, apertando o punho como se precisasse disso, sentindo a luva contra sua pele o tempo todo. Não esperaria que ela partisse para o ataque, além de que não tinham o dia todo. Para tanto foi que iniciou a luta o mais breve possível, sem nada a temer, afinal ela era experiente, sim, mas ele não ficava muito atrás.
{flashback} Dance Floor Anthem — Keith + Eris
Éris voltou-se para ele com o par de luvas escuras já atadas as mãos. Posicionou-se, os pés afastados, os braços levantados para que as mãos ficassem na altura do rosto. Tudo como de costume. O comentário do colega de trabalho a fez soltar uma baixa e curta risada. — Não se preocupe. Somente quando necessário, Keith. —Respondeu, olhando diretamente para ele, que não parecia muito satisfeito. Éris não negaria que o instinto de manipulação era existente, e até mesmo predominante por muitas vezes, fossem situações habituais ou realmente necessárias, onde ela explicitamente admitia para si mesma tal prática. Porém, tudo havia se tornado um jogo ultimamente, e ela precisava posicionar-se como um tipo de peça diferente da que realmente era, se tal diferença era pouca ou grande, não distinguia mais, era necessário e ela o faria. Quanto a reação de Keith, trará-la com facilidade era reflexo de um instinto, estava acostumada com a hostilidade, e com certeza esta seria uma das últimas coisas que a intimidaria, pois se tratava de algo do qual ela sabia muito bem como lidar, de modo que a particularmente não afetasse. Desferiu o primeiro golpe contra ele, um soco, rápido, sem avisos, esperou que ele pegasse.
Quando concluído que Keith estava preparado para o primeiro turno, Eris parou de fazer testes e começou a investir de verdade contra ele. Direita. Esquerda. Chute, chute, chute. Esquerda. Não havia uma sequência para Éris, e por mais que ela tivesse quase certeza de que ele havia ficado superficialmente incomodado com sua colocação, ele treinaria seus reflexos, no final das contas, não havia nada do que reclamar. — Então, Widmore. Nenhuma missão? — Não é muito de puxar assunto, não era exatamente habilidosa com isso naturalmente, mas tem seus momentos de exceção e aquele era um destes. Permanecia mal acostumada, lembrando-se da época em que ainda treinava com o pai, e eles preferiam fazê-lo conversando. Por isso, mesmo que não fosse com a companhia mais adequada para tal ato, ou mesmo que não fosse de seu feitio em outras situações, Éris ainda insistia em manter aquele hábito, mesmo que de modo não fosse completamente efetivo.
Com uma leve negação de cabeça e uma careta foi que ele respondeu Eris de sua forma. Era óbvio que ele não se deixaria ser mandado por ninguém no mesmo nível que ele, e só de pensar nisso se movimentou em sua posição, no mesmo canto. Relaxou os ombros e continuou firme com as mãos atadas à luva, segurando-as com força, ligeiramente um pouco indignado, porém nada que o alterasse de imediato. Era apenas um favor que faria à garota, por que deveria ser tão chato? Claro, gostava de ter um tempo só para si e ser incomodado era um tanto quanto perturbador, sim, mas não era motivo para ficar tão louco e fora de si. Acabou por relaxar todo o corpo, respirando fundo e sentindo os golpes dela na luva. Precisos e fortes, realmente, ele tinha de admitir, mas não sabia se ela estava usando toda sua força ou apenas evitando de se empolgar demais. De qualquer que fosse a forma ou o pensamento desta, Keith segurava tranquilamente as luvas, seguindo os movimentos dela.
À medida que ela se empolgava cada vez mais nos golpes, Keith foi seguindo seus movimentos rapidamente, sem qualquer demora ou falta de qualidade, impulsionando contra a força que a mesma empregava em certo golpe, de modo que ele próprio não fosse empurrado para longe com a profusão de ataques que recebia e que, claro, segurava. De qualquer que fosse o jeito, desviava também dos golpes que não se ligavam totalmente às luvas, mas ainda sim estava insatisfeito. Ele era mais puxado para a parte do ataque, da ofensiva, nisso ele se saía perfeitamente bem, segundo o que deduzia e segundo o que boa parte dos agentes achava dele. Por ser agente de campo, Keith tinha de estar preparado para tudo, e se recebesse um soco, devolveria três ou mais, porque era assim que achava justo. Seu corpo se movimentava e se fazia mais presente na força quando ele atacava, não quando ele se defendia, porém era um modo de aperfeiçoar-se também, afinal: não sobreviveria só de ofensivas. Ao ouvi-la falar, olhou para ela brevemente, como se achando aquilo uma coisa um tanto... impressionante. Eris não era muito de conversas, ou pelo menos era o que tinha deduzido há algum tempo. A outra parecia muito bem inclinada a ter um papo com Keith, e ele fez uma careta, antes de balançar a cabeça negativamente e voltar para sua tarefa atual: desviar e segurar os golpes da mulher. -- Algumas, sim. Só poderei atuar nelas futuramente. -- Tinha de aparentar entretido com o que se iniciaria ali, mas de fato não se incomodava em falar com a outra, até porque ela era uma pessoa série e firme do que queria. De qualquer forma, ainda sim pensava que ela queria algo atrás daquelas palavras, ou fosse apenas o instinto natural de Keith. -- E você, Yronwood?

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{flashback} The ghost of my memories — Keith + Alexis
No momento em que Keith riu ao ouvi-la mencionar Gael, uma sensação estranha percorrer o corpo da morena. Era uma sensação boa, de qualquer forma, já que era como mais uma confirmação de que ele continuava o mesmo. Alexis sempre teve de lidar com os dois batendo de frente por qualquer que fosse o motivo, e por mais que muitas vezes se irritasse com aquilo depois de um tempo passou a sentir falta das provocações que ouvia de ambos. Mas quando Keith se fora, não era como se a Blackburn tivesse mais alguém, afinal seu irmão não era do tipo de pessoa que ela poderia se apoiar daquela forma e mesmo que fosse, não seria sua primeira opção. Ela esboçou um sorriso involuntário e olhou para o loiro um tanto surpresa pela reação, já que no segundo anterior ele estava completamente focado em seguir com o seu plano e no seguinte estava se incomodando por um nome que ela mencionara. Por mais que ela quisesse interferir e afirmar com todas as letras de que Gael era forte e capaz de lutar contra algum mutante se precisasse, Alexis entendia o que o outro queria dizer, principalmente com a seriedade que as palavras eram ditas, sabia que ele estava certo, mesmo não concordando com tal diferença e com a barreira que Keith sempre colocara entre Gael, ela sabia que no fim não poderia, e nem iria, esperar que ninguém se arriscasse por sua segurança, nem mesmo seu irmão. Pressionou os lábios e assentiu com um aceno firme, ainda que estivesse receosa sobre isso, por não ter certeza de que conseguiria continuar ajudando aqueles que via e se manter em segurança como ele pedia.
Baixou o olhar lentamente para o mar e pensou em como seria a reação de Elliot quando soubesse que ela estivera certa durante todo esse tempo, não pode deixar de pensar em Gael e Daniel, que agora fazia parte do grupo por mais que ela não concordasse, mas a negação de Widmore a fez despertar novamente, virando os olhos em sua direção e o encarando confusa. Como ele poderia querer se esconder daquela forma? Por quanto tempo mais? Por menor que fosse o tempo que estivessem ali, não pode evitar não se sentir completamente confortável com a presença do outro, muito menos se acostumar e pensar que eles poderiam voltar a ser como antes. Entretanto, Keith não parecia pensar da mesma forma. Era notável a preocupação no olhar e nas palavras dele, e vê-lo daquela forma a deixava ainda pior e mais culpada por se sentir feliz ao ponto de esquecer o que estavam enfrentando. Alexis umedeceu os lábios, pensativa, e suspirou, relaxando os ombros antes de falar qualquer coisa. – Desde que você… Foi pego, muita coisa mudou, digo não só eu ou Elliot, mas as coisas lá mudaram de rumo bem rápido… – Fez uma pausa, colocando os pensamentos em ordem. – Depois de um tempo eu tive uma visão, de um cara que podia ajudar a gente… Ele fugiu da Divisão depois de tomar aquela vacina e está com a gente desde então. – Direcionou um olhar incerto para o amigo, uma vez que não confiasse em Daniel para estar tão próximo do grupo e sabia que assim como ela e Gael, o outro provavelmente discordaria da forma como Elliot o havia introduzido em seu plano de vingança. – Eu não confio nele totalmente, você sabe, mas não sei ao certo o que Elliot está fazendo, você sabe que ele não me conta muita coisa e por mais que minhas visões mostrem algo… Toda vez que ele sai de casa, parece que está indo por um caminho mais escuro, entende? – Indagou franzindo o cenho em sua direção, mas logo desviando o olhar para a ponta novamente. Não se sentia completamente segura falando assim dos planos do irmão, não por não confiar em Keith, mas porque nem mesmo ela sabia o que estava acontecendo e tinha medo de compromete-lo de alguma forma. Alexis poderia continuar, falar de todas as vezes que Elliot saíra de casa e voltava com informações estranhas ou quando simplesmente não voltava. Não podia culpar Gael, afinal ele estava passando a maior parte de seu tempo com ela do que com seu irmão, mas no fundo sabia que os dois conversavam sobre o que acontecia, mas não era como se ela fosse conseguir algo perguntando.
À medida que Widmore contava o que a Divisão havia feito com ele e como o estavam usando, Alexis sentia a raiva crescer dentro de si. Ela sempre temeu a organização, mais do que qualquer um que conhecera, e nem podia imaginar estar nas mãos deles, mas o fato era que quando alguém mexia com aqueles com quem ela se importava, era como se o medo fosse completamente apagado. A morena enrijeceu o maxilar involuntariamente, imaginando como ele poderia ter aguentando tanto tempo naquele lugar, em tudo o que ele deveria ter passado e visto, sem poder fazer nada para mudar. Mas além de entender o motivo para que ele ficasse tanto tempo ausente e para que estivesse tão nervoso em relação à proteção dela, tudo começou a fazer sentido em sua mente no momento em que ele mencionou que a divisão o estava manipulando através de visões falsas. – Era por isso que eu não conseguia te ver… – Comentou bufando um riso fraco, colocando o cabelo para trás da orelha completamente inerte aos pensamentos. – Quando eles mudaram suas memórias, eles cortaram qualquer ligação que você tinha com a gente… E quando eu tentava te procurar eu não via absolutamente nada… Não porque você estava morto, como Elliot acreditava, mas… – Ela fez uma pausa, extasiada com aqueles pensamentos. Tudo parecia tão obvio agora. Era exatamente isso que a Divisão queria. Que eles acreditassem que Keith estava morto, enquanto tentavam extrair qualquer informação sobre sua antiga vida. O que os colocava em perigo. Virou novamente o olhar para ele, notando que o sentimento de vingança ainda predominava em seu olhar, assim como no de Elliot. Antes ela não era à favor da guerra que tramavam, tudo o que pedia era por uma vida tranquila, longe de toda aquela loucura. Porém, depois que passou a usar suas visões para conseguir chegar àqueles que estavam perdidos, Alexis pode ver que seu irmão não estava fazendo aquilo apenas para vingar a morte de seus pais, mas para que as pessoas como eles pudessem ter uma vida longe do caos que eles enfrentaram. – Eu sei que você quer destruir eles e tudo, mas… – Suspirou baixando o olhar mais uma vez. – Você também tem que tomar cuidado, Keith, sei que você pode achar que está um passo à frente deles, mas é como você disse: Eles são piores do que imaginamos. E… – Ela engoliu em seco, sentindo um calafrio percorrer o corpo. – Eu sei que não posso pedir pra você voltar comigo e qualquer coisa, mas você não pode simplesmente sumir de novo. – Murmurou com a voz trêmula novamente, erguendo os olhos azuis na direção dos dele, quase implorando para que ele não fizesse aquilo novamente. Ela não aceitaria que ele aparecesse daquela maneira e de uma hora para a outra desaparecesse de sua vida como fizera da primeira vez. Em um movimento rápido Alexis apoiou a cabeça no ombro do loiro e suspirou profundamente, fechando os olhos para impedir que qualquer lágrima restante escapasse por eles.
A conversa sobre seu amigo o fez despertar de seu mundinho imperfeito e pensar. Não era só ele que sofria, afinal de contas. Claro, tinham feito o que quiseram com ele dentro da Divisão, e por mais nojo que ele tivesse daquele lugar, teria de permanecer se quisesse agir contra eles, mas não era como se só ele passasse por maus momentos. Pensava nas formas que Elliot se virava desde então, e mesmo com ajuda, pode sentir nas palavras de Alexis o quanto ele estava entretido em algo mais, talvez algo que fosse apenas da cabeça dele, porém igualmente importante. Não tirava o fato de que a vingança que ambos nutriam agora era igualitária, para tanto, Keith iria permanecer ao lado deles o tempo que fosse necessário, até que tudo isso acabasse. Todavia, em sua cabeça a possibilidade de encontrarem onde Elliot está por sua causa, era inteiramente inadmissível. Sabia que poderia conta com a amiga para o que fosse, até para guardar tal segredo, mas se perguntava até quando o guardaria? Até quando teria de agir assim? -- Não totalmente, mas confia. Por quê? -- Resumiu tudo o que pensava em apenas uma pergunta. Não era como se achasse aquilo estranho, até porque não conhecia o rapaz, e mesmo se conhecesse não confiaria. Keith, de fato, não teria em quem confiar além daqueles que estiveram com ele desde sempre, mas e Alexis? Ela sempre foi certa do que queria, qual motivo faria com que ela não acreditasse no outro? Ainda mais com Elliot daquele jeito que ela explicara. Não tinha nada com o que se impressionar se ele resolvesse uma coisa de uma hora para a outra, mas quem realmente sofria com o vazio de não saber o que está acontecendo à sua volta era a irmã mais nova. -- Se ele faz algo, tem um motivo concreto para tal. Apenas confie. Ele nunca faria nada que a machucasse e você sabe. -- Foi firme em todas as palavras, deixando claro que ele, Elliot, era alguém para se confiar e não temer, a menos que seja seu inimigo.
Deu uma breve olhada na outra e depois a viu desviar o rosto para o outro lado. Estava clara, nítida até demais, a preocupação que ela sentia quando o irmão não lhe contava os planos. Se fosse ele na pele de Alexis, certamente se sentiria deixado de lado, como se estivessem lhe incitando que ele não é de muita utilidade e que não precisa saber de tudo. Claro, seu pensamento era uma coisa muito abrangente e distorcida do que poderiam ou não pensar, mas era muito mais à frente do que imaginavam. Tais atitudes fariam com que ele apenas ficasse na defensiva, mas não por muito tempo e Keith sabia que Alexis era teimosa. Elliot poderia estar certo e evitar botar a irmã em alguma encrenca feita por ele, mas o Widmore se perguntava se era certo esconder isso dela. Tudo sempre era melhor se feito em grupo, e mesmo tendo essa vontade cada vez mais crescente dentro de si, de acabar com aquela organização, ele se preocuparia com seus aliados, apesar de tudo e acima de tudo, aliás. Vê-la ali, daquele jeito, só concretizava que aquilo estava tudo errado e que ele tinha "ido embora" na pior hora.
Ao ouvir o comentário dela, Keith assentiu devagar, mas com convicção e ainda prestando atenção no que ela dizia. Era normal que tivessem pensado que ele estava morto. Quer dizer, por que ter fé em alguém que não podia ser visto? Era completamente irrelevante perder tempo com esse alguém, mesmo que fosse uma pessoa próxima. Keith não ficava fulo por ouvir aquelas afirmações dos fatos que ele já sabia há anos, mas ficava alterado porque tinha passado tanto tempo longe deles que nem ao menos sabia como lidar com a amiga à sua frente. Não sabia mais como confortá-la do jeito certo ou falar com ela mais abertamente, sem saber se estaria ou não sendo vigiado. Aquela sensação de estar sendo perseguido era contínua, mas ele tinha suas cartas na manga e sabia muito bem fazer seu trabalho, além de que pensava muito em alguma coisa antes de pô-la em prática. Levou as mãos para os braços dela, alisando-os para cima e para baixo, como se confortando ela. -- Está tudo bem, Lex. Eles são, sim, piores do que podemos imaginar, mas em contrapartida eles não sabem do que somos capazes. Eles não fazem ideia do que criaram ao tentar me fazer de idiota, de estúpido por acreditar em uma vida que nem sequer existiu e nunca irá existir. -- Fez uma curta pausa apenas para umedecer os lábios, sentindo o frio londrino tocar-lhe o rosto suavemente. Sentiu também ela apoiar a cabeça em seu ombro e carinhosamente afagou seus cabelos, olhando em volta. -- Eu não sumirei, prometo. -- Falou com toda precisão que existia dentro de si, levando e conta que aquela afirmação valeria mais para Alexis do que para ele mesmo.
Quando notou que estavam parados ali por tempo suficiente, Keith olhou para trás num movimento rápido e procurou alguém, mas estava escuro e apenas algumas luzes, bem mais ao longe, estavam acesas. Passou o braço pelos ombros de Alexis e se virou para andar até onde ela tinha antes corrido até ele, e num sussurro que apenas ela escutaria, ele se pronunciou. -- Não podemos ficar aqui. Eu creio que eles tenham um olho em cada agente de memória lavada, e não creio que eu seja o único a não receber tal privilégio. -- Foi sarcástico com todas as palavras e simplesmente começou a andar mais perto dela, olhando para o chão com a expressão tranquila, pois se realmente estivesse certo, deveria agir normalmente. -- Estou estudando aquele lugar há tempos... -- Comentou aleatoriamente, ainda mantendo o olhar baixo, analisando seus próprios passos. Não esperava que ela tivesse algo a dizer sobre aquilo, mas não sabia exatamente o que falar. Esperaria ela comentar algo para só então se pronunciar sobre, já como o que tinha a dizer era complexo demais e extenso o suficiente para só aquele dia. Depois de alguns segundos foi que se lembrou da sacola em sua mão. Ele tinha até esquecido depois de tanto falar, e sabia que seria assim, sabia que o impacto de vê-la seria mais forte do que ele imaginara. Ergueu rapidamente o saco na frente dela, agora esboçando um sorriso mais amplo. O que quer que tivesse acontecido com ele ou com ela, era passado. Ele acreditava que tinham de aproveitar o agora o quanto antes fosse tarde demais. -- AH! Olha o que eu trouxe! A água está aí também.
W E F E L L D O W N I N T O T H A T D A R K C H A S M ○ ○ ○
○ ○ ○ ○ ○ ○ B U T T H E F L A M E S B U R N E D O N A N D O N.
Hundred photos -- Challenge.
OO1. I N T R O D U C T I O N
Keith Widmore, a pusher with twenty-one years old, working for Division, but taking side with Elliot Blackburn.
é seu aniversário?
Não, mas eu sei que estou de parabéns em todos os aspectos.

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A character who reminds yours: Neji Hyuuga.
"Neji tem demonstrado ser extremamente sério e maduro para sua idade, e ter grande auto-controle. Na batalha, ele é capaz de permanecer relativamente calmo na maioria das situações e observar atentamente a situação. Como afirmado, Neji é ótimo, tanto no campo de batalha e como líder. Quando forçado a tomar decisões difíceis sobre as missões, ele mostra-se capaz de tomar uma decisão através da observação aguçada e análise. Neji, concluiu que o destino é algo decidido no nascimento e que não importa o que se faz, as pessoas não podem escapar do seu destino. Embora ele tenha manifestado o silêncio e os sentimentos controlados diante dos seus companheiros de equipe e sensei, [...] isso vai mostrar que ele passou a compreender melhor seus colegas de time, e ele mudou suas opiniões e crenças, a ponto de se abrir, às vezes."
Eu tô livre toda noite, é só você escolher.
Você só é apta pela noite? Tsc tsc… q Okay, então, é só me dizer horários, a menos que eu esteja ocupado em tal dia, que daí treinaremos.