​Às vezes me pego pensando sobre o destino, sobre esses acasos e encontros fortuitos que a vida teima em colocar em meu caminho.
É curioso como tendemos a associar o que denominamos "destino" a algo necessariamente generoso e bom. No entanto, ao menos para mim, alguns acontecimentos recentes têm indicado que as coisas nem sempre são assim: talvez essa grande aleatoriedade que batizamos de destino também nos arraste para territórios áridos, caminhos que nos machucam e alteram irremediavelmente a nossa vida.
​E não se engane... não caio aqui naquela velha promessa romântica alardeada por tantos posts de Instagram de que o sofrimento é necessário para que estejamos preparados para o que de fato é bom, comol se a felicidade estivesse, sempre, no porvir (e assim as pessoas vivem, sempre na esperança dessa felicidade vindoura - que, todvia, nunca chega).
Não acho que essas curvas tortuosas em nossos caminhos sejam necessárias para que cheguemos a uma vida melhor, embora acredite na relevância do caminho para qualquer viagem.
No meu caso, tem sido algo mais cru: é o universo simplesmente me obrigando, à força, a encarar o que tenho tentado evitar.
​É o tormento de cruzar repetidamente com quem se quer (e demonstra a todo tempo querer) distância - uma, duas, infinitas vezes -, sem que se consiga decifrar o motivo por trás de tantas ocorrências inexplicadas. Tenho pensado exaustivamente sobre isso... Às vezes, prefiro rotular esses episódios como mera má sorte, mas a equação envolve tantas variáveis silenciosas que a simples aleatoriedade passa a soar misteriosa demais, quase deliberada - e isso, confesso, me traz medo.
​Há dias em que sinto como se o universo, Deus, as entidades espirituais ou qualquer entidade ou coisa que o valha tivesse nos condenado a uma órbita mútua indesejada: como se estivéssemos gravitando ao redor do outro e vice-versa, mesmo quando isso infelizmente causa tanta tristeza para os envolvidos nessa triste dança nos salões do mundo.
É como se fôssemos duas retas paralelas que, juntas, se dirigem ao mesmo lugar, sem jamais se tocar verdadeiramente, pois o verdadeiro encontro, e assim confirma a matemática e a poesia, somente ocorre no infinito... Essa presença forçada desperta fantasmas, ressuscita velhos problemas e nos afoga em uma melancolia que, somada às dores cotidianas que a vida já nos impõe, torna o fardo (não só meu, mas, acredito, de todos os envolvidos) quase insustentável.
​No balanço final, se existe de fato uma força superior escrevendo as linhas dessa existência, só consigo chegar a duas conclusões: ou eu sou um péssimo leitor que ainda não compreendeu a metáfora do enredo, ou, mais simples ainda, não caà nas graças de quem o redigiu.