Era de conhecimento geral a incrível tradição dos Walrider que, sendo uma das famílias mais antigas da hierarquia sangue purista, ainda mantinham sua árvore genealógica intacta, longe de “frutos podres”, os nascidos trouxas e mestiços. Vlad Walrider era o último de seis irmãos, mas conforme os mais velhos foram falecendo - alguns em situações muito suspeitas, é válido citar -, acabou tornando-se o único herdeiro da fortuna familiar, responsável por dar continuidade à linhagem. Casou-se com uma moça de sangue tão puro quanto o seu, a jovem Monalisa, e ambos amavam-se. Nesta época, embora não tivesse o melhor dos caráteres, Vlad seria incapaz de fazer mal à esposa.
Um ano após a união, foi anunciada a vinda do primeiro herdeiro. Ou, ao menos, era isso o que esperavam. Uma menina veio ao mundo, Clementine, e mesmo com os sorrisos amarelos e o relacionamento balançado, o casal não desistiu. A mais velha foi criada com mimos e o melhor em todos os sentidos. Mas dois anos após seu nascimento, veio outra criança, Summer. Esta já não foi tão bem tratada. A terceira então, chamada Emmeline, chegada um ano depois… Quando via as herdeiras, mulheres, uma após a outra, Vlad limitava-se a torcer o nariz. Seu único desejo era ter um filho homem. Era muito difícil conceder-lhe isso? Culpava a mulher por causa deste infortúnio, e o relacionamento foi ruindo a cada novo bebê recebido na mansão. No entanto, a desistência não era uma opção.
Completamente desesperado, Vlad passou a consumir grandes quantidades de poções para fertilidade, todas compradas na Travessa do Tranco. Estas poções, no entanto, seriam as responsáveis por levá-lo à completa esterilidade mais tarde. Com medo de dar outra filha mulher ao marido, Monalisa procurou uma feiticeira, que lhe cobrou uma alta quantia e disse que a solução para os seus problemas viria em seus sonhos. Agarrada ao último fio de esperança lhe dado pela mulher, Monalisa sonhou naquela noite, de uma forma mais intensa do que jamais se lembra ter sonhado antes. No sonho, viu um homem alto e bem apessoado, e este disse que lhe concederia a maior benção, aquela com a qual sempre sonhara.
Três meses após o estranho e intenso sonho - que Monalisa não lembrou-se ao acordar, estranhamente -, descobriram a quarta gravidez da Sra. Walrider. Esperançosa, esperou pacientemente nos meses seguintes, sob as ameaças constantes de seu marido. Ele prometia coisas ruins se o próximo filho não fosse do sexo masculino, e ela tinha conhecimento suficiente para saber que Vlad não era uma pessoa brincalhona. Mas pôde respirar aliviada quando, alguns meses depois, deu à luz um garotinho, ainda que prematuro.
Pascal recebeu o nome do avô materno, uma espécie de recompensa dada por Vlad, que deixou a esposa escolher o nome da criança. Embora tenha nascido um tanto debilitado, com algumas doenças crônicas e uma aparência não muito saudável, foi feita uma grande festa para comemorar o primeiro herdeiro varão dos Walrider. Enquanto as irmãs eram esquecidas, Pascal virou o filho favorito dos pais, ainda que apreciasse muito mais a companhia da mãe, que não lhe exigia tanto. Seu pai costumava ser duro e severo, dizendo que o garoto herdaria seu posto como patriarca da família e deveria ser um homem de respeito. Mas Pascal não entendia isso muito bem. Afinal, era apenas um menino.
Sua mãe não possuía apenas o nome de uma obra de arte; ela também as apreciava. Ficou incrivelmente feliz ao constatar o talento do filho para os desenhos e pinturas. Como uma criança normal, ele gostava de desenhar paisagens e animais, pessoas e os mais variados objetos. Seus desenhos eram todos coloridos e belos, encantavam e deleitavam os olhos. No entanto, após completar oito anos, o pequeno Pascal foi atingido pela maldição de seu pai.
Acordava no meio da madrugada completamente encharcado de suor frio, a boca aberta em um grido mudo, o peito subindo e descendo rapidamente. Possuía ataques de pânico frequentes, crises de asma e ansiedade, pesadelos terríveis e uma tristeza tão grande que fazia seu pequeno coração apertar. Para sua mãe, era triste ver uma criança tão especial sofrendo daquela maneira, e seu pai já não tinha fé no filho. O único herdeiro varão que conseguiria, afinal, era um medroso. Pascal escondia-se mesmo durante o dia, e seus lindos desenhos viraram retratos dos monstros cheios de garras, presas e espinhos que via em seus sonhos, enquanto os quadros tomaram a forma de fotografias de rostos assustados, congelados em um eterno estado de puro pânico. Tudo o que desenhava era assustador, terrível e agressivo, ruim demais para uma criança como ele.
Quando completou onze anos, não queria ir para Hogwarts, temendo ficar longe da mãe. Seus pais também não achavam uma boa ideia, Vlad por não querer que Pascal envergonhasse a família, e Monalisa por ter muita pena do filho mais novo. Querendo dar um jeito no garoto, Vlad decidiu usar de seus próprios métodos.
Em uma noite, adentrou o quarto da criança silenciosamente. Pascal, no entanto, que costumava resistir ao sono o máximo possível, o viu e perguntou o que queria. Vlad limitou-se a apanhar a varinha e jogar o primeiro feitiço contra a criança, fazendo com o copo com água em sua cabeceira se estilhasse, lançando cacos para cravar-se nas pequenas mãos do rapaz. Pascal sabia que algo pior aconteceria em seguida, e decidiu que aguentaria a surra do pai, mesmo que não tivesse força o suficiente para fazê-lo. No entanto, o próximo golpe não veio. Ele esperou por longos minutos até descobrir os olhos e enxergar o monstro à sua frente, um leão negro de juba, garras e olhos vermelhos. Ele deliciava-se com seu jantar: Vlad Walrider.
Pascal gritou com toda a força de seus pulmões, mas ao invés de sua mãe, quem o ajudou naquele momento foram as irmãs. Clementine auxiliou-o a deitar-se, explicando o incidente, enquanto Summer cuidava de apagar as marcas deixadas no local, e Emmeline… Bem, Emmeline cuidava para que ficassem órfãos. Pascal descobriu que suas irmãs também eram semideusas, sem exceção, e não pôde negar que gostou dessa ideia. Ao invés de Hogwarts, ele foi mandado para o Instituto, junto com as irmãs, que juraram protegê-lo, pois agora eram os únicos membros da família.
Pascal é uma pessoa adorável, mesmo parecendo apenas mais um medroso quando se vê pela primeira vez. Ele é muito desconfiado, devido aos seus pesadelos e a noite em que seus pais morreram (Pascal pediu para que Clementine manipulasse a história em sua mente, para que não se lembrasse das cenas mais agressivas), assim como é tímido. Possui medo que as pessoas lhe julguem por seu medo e covardia. Com frequência lembra que o homem que o recebeu no Instituto costuma repetir que “não há coragem sem medo”, mas embora ache que a frase é bonita, Pascal não se vê nela. Nunca teve coragem, então é claro que isso é uma incrível mentira, não?
Mostra-se um garoto divertido quando se consegue quebrar sua casca de proteção, a casca que criou para que as pessoas não o machuquem mais do que ele já é machucado. É sensível e sorridente, pode rir de qualquer brincadeira, contanto que não envolva outras pessoas - Pascal não ri de outros, pois já riram muito de si e ele sabe o quão ruim é. Qualquer coisa fora do normal pode surpreendê-lo, como um poder de um filho de um deus diferente, e quando isso acontece, assemelha-se a uma criança, com os olhos brilhantes acompanhados de uma série interminável de perguntas. As pessoas mal sabem, no entanto, que o pequeno garoto frágil e covarde é, sim, corajoso! O problema é que a coragem está enterrada tão fundo em âmago que nem o próprio Pascal foi capaz de achá-la ainda.
DEFEITO MORTAL: Covardia.
QUALIDADE HERÓICA: Criatividade.
ARMA: Ele não sabe usar armas, sempre acaba derrubando-as ou passando vergonha quando tenta, por isso seus poderes, por mais que não goste disso, são sua eterna e única opção em um combate. Os pesadelos de Pascal sempre incluem criaturas monstruosas, misturas estranhas de seres humanos, animais, monstros mitológicos e outras coisas. Sua válvula de escape, para que não enlouqueça com todas essas figuras assustadoras, é desenhá-las no papel. Seus desenhos, no entanto, possuem uma particularidade: podem criar vida. Assim que fica em perigo, Pascal invoca um de seus monstros, e o mesmo pode lutar por ele, usando todos os poderes que o garoto inventou para o mesmo.
PATRONO: Leão.
VARINHA: Ébano e pelo de unicórnio, 26 centímetros e meio, levemente flexível.
AMORTENTIA: Roupas limpas, maracujá e camomila.
PERTENCES: Um caderno de desenhos e uma caixa de canetas coloridas, sempre carrega ambos consigo.
MATÉRIA PREFERIDA: Astronomia.
MATÉRIA QUE MENOS GOSTA: Trato das Criaturas Mágicas.
ESPELHO DE OJESED: Vê-se abraçado a um leão, um grande animal de pelo negro, mas com juba, garras e olhos vermelhos. O leão ruge, mas não o ameaça, e ele não se sente amedrontado. Basicamente, vê a si mesmo após ter feito “as pazes” com os próprios pesadelos, tendo criado coragem suficiente para enfrentá-los e entendê-los.
DEMENTADORES: Quando se encontra com dementadores, as portas fechadas pelo feitiço de esquecimento de Clementine se abrem, e todas as memórias da noite em que seu padrasto morreu voltam.
BICHO-PAPÃO: O bicho-papão de Pascal adquire muitas formas, todas as que os monstros de seus pesadelos já adquiriram. O leão negro, no entanto, é o pior que ele conhece.
VÊ TESTRÁLIOS? Sim, mas não entende a razão.