À quarta-feira, quinzenalmente, o espaço de OPINIÃO na Antena Livre tem assinatura de PEDRO GRAVE. OPINIÃO 2ª a 6ª Feira | 08h45;...
22/11/2023 Boa 4a feira! -Hoje comento duas noticias locais, a primeira é o teste de um autocarro a hidrogénio pela região do Médio Tejo, com inicio no nosso município. Realço pela positiva o propósito de eliminar os combustíveis fosseis, mas fico com algumas duvidas em relação ao projecto. É que muito recentemente vi noticias sobre autocarros movidos a hidrogénio, no município de Pau, em França, pioneiro na sua utilização europeia. Diz-se na peça que teriam desistido deste tipo de autocarros depois de 4 anos de testes, optando por eléctricos a baterias. As razões apontadas foram os custos operacionais elevados, devido ao custo do hidrogénio e aos problemas nos próprios veículos, com avarias constantes e manutenção cara. Também em França, o município de Montpellier desistiu de um projecto já parcialmente subsidiado, para 51 autocarros a hidrogénio, em favor de eléctricos a baterias, mais simples e baratos de manter. Segundo a vice-presidente da câmara de Montpellier, os custos operacionais são de 95 cêntimos/km para o hidrogénio e de 15 cêntimos/km para o eléctrico. Mesmo com financiamentos da União Europeia, os apoios são para a instalação dos sistemas, com a operação a ficar totalmente a cargo de quem gere o transporte. O que não consegui perceber pela noticia do nosso teste é se aqui em Portugal, no Médio Tejo e na minha região, se está a contar com algum factor diferenciador positivo que permita alterar significativamente os números desfavoráveis dos casos pioneiros europeus. Os autocarros podem ser de tecnologia mais moderna e não ter tantos problemas, o hidrogénio pode ter custos de produção, transporte e armazenamento mais baixos ou ser mais subsidiado. Não sei, mas parece-me que quase sempre avançamos com atraso em relação a outros e sem ter em conta a informação de experiências anteriores, de forma a evitar problemas idênticos. O tempo dirá, mas com tanta informação a dar sinais não animadores para o hidrogénio, pelo menos que ainda é uma opção a amadurecer, enquanto as baterias têm cada vez mais autonomia, faria algum sentido haver um projecto com dois autocarros idênticos a fazer as mesmas rotas, um a hidrogénio e um eléctrico a baterias, de forma a perceber qual sistema seria mais rentável ou possível. Mas isto sou eu a dizer. A segunda noticia fala de uma suposta medida de redução do numero de javalis no município de Abrantes, envolvendo a colaboração de uma associação local de caçadores e respectivo apoio monetário da câmara municipal. Não sou especialista no assunto, mas na generalidade sei que há, ou deve haver, nas medidas para atingir um determinado fim, procedimentos que permitam avaliar a eficácia das referidas medidas. No caso em apreço não tenho duvidas que os números de indivíduos se podem reduzir com a caça. Mas já não consigo perceber quanto é a redução em relação ao numero total de indivíduos dessa espécie. Chega para travar a taxa de reprodução, seja a quantidade de novos indivíduos da espécie a cada ano, por exemplo? Para se perceber a eficácia de qualquer medida de controle de espécies é necessário saber pelo menos 3 vectores do problema: quantos indivíduos da espécie existem quando começa a medida, quantos se conseguem eliminar com a prática da medida e em quantos aumenta o seu numero a cada ciclo reprodutivo. Pelo menos os últimos 2 vectores para perceber se há eficácia na redução do ritmo reprodutivo. Se não for conhecida a real dimensão do problema podem chover chumbos e euros sem que a resolução fique mais próxima. Medidas avulsas, sem verdadeira estratégia e planeamento, digo eu, mas tirem as vossas conclusões.












