barbiedailha:
Reyhan agachou para amarrar o cadarço do tênis de Volkan, segundos antes de ouvir a voz de alguém ali por perto. Com a tarefa simples que exigia pouco foco seu, a atenção acabou recaindo aos dizeres do homem desconhecido, e foi inevitável ouvir e absorver cada palavra. Sem elevar muito a voz, terminou de ajustar as vestes do filho. “Pode ir lá no parquinho, meu amor. Mas já sabe né? Fica perto onde a mamãe te vê” A fala era quase um sussurro, porque não quis interromper ou constranger o homem que parecia desabafar. Tão logo a criança se afastou, Rey se levantou e devagar caminhou até o rapaz, observando sua figura. “Bom saber que eu não sou a única que fala com os animais.” Falou, finalmente, com um sorriso simpático ao se aproximar dele. Encarou as pombas um tempinho, antes de se inclinar na direção dele. “Uma pena que eles não respondam. Mas, sabe, acho que se pudessem, diriam que às vezes as pessoas saem da nossa vida por um bom motivo. Mesmo que no começo seja meio doloroso.” A ideia de não deixá-lo perceber que ela tinha escutado a conversa acabou ficando de lado, já que não resistiu em comentar. “E diriam também que o motivo, ou a falta dele, só diz respeito a você e ela. Para não se preocupar com fofocas.”
Se pudesse morrer de constrangimento, certamente Kitae seria vítima naquele momento. Encarou as próprias mãos por alguns segundos, o suficiente para tentar disfarçar a coloração vermelha que tomava conta de sua face. Quando por fim achou que conseguiu, voltou os olhos para a gentil moça loira, próxima o bastante para ter ouvido todo seu monólogo. “Acho que são bons ouvintes.”, comentou sobre os animais, olhando os pombos que ainda buscavam por pedaços de pão pelo chão. “Ou então eles diriam coisas horríveis, sobre como os humanos e seus dramas são chatos. Não estou certo quanto a natureza gentil dos animais...” Não queria soar tão negativo, mas tinha acontecido. “Me desculpe.”, pediu ele quando percebeu que tinha sido um grande mal humorado. “Talvez seja um mal de cidade pequena? Não há muitas opções de diversão por aqui, então falar da vida dos outros seja o diferencial para eles.” Suspirou Park, um pouquinho irritado. “Por sorte aconteceu antes que pudéssemos gerar outra vida.” Ele indicou o pequeno menino com a cabeça. “É seu? Ele é lindo.” Não que tivesse um instinto paterno ou algo assim, mas certo, tinha um fraco por crianças, embora não tivesse a mínima ideia de como cuidar de uma.












