há um ano: meu primeiro círculo de mulheres
no início de 2015 eu descobri que tenho miomas no útero, um deles já estava com tamanho considerado bastante grande - o que me deixou assustada. o receituário médico indicou que eu tomasse injeções para tentar eliminá-los. eu decidi não tomar, pelo menos naquele momento não. minha intuição me levou a buscar tratamentos alternativos, embora eu não soubesse o que iria encontrar, algo que me dizia que eu precisa entender o verdeiro motivo destes tumores estarem no meu corpo, senti que era um alerta para rever alguns pontos da minha vida.
comecei a pesquisar sobre causas de problemas uterinos e cheguei, não sei dizer exatamente como, até um grupo sobre sagrado feminino: um lugar onde mulheres falavam abertamente suas experiências e descobertas, saúde física e emocional e, principalmente, compartilhavam seus conhecimentos sobre saberes e medicinas ancestrais, espiritualidade e harmonização com a natureza.
na troca com mulheres que falavam sobre a partir dessa perspectiva do sagrado feminino (estilo de vida essencialmente xamânico), eu comecei a me [re]encontrar. no primeiro círculo que participei, conduzido pela querida Vijaya Prem, eu tive a certeza de que aquele era o meu caminho. a energia que senti foi tão revigorante, tão amorosa… tudo era novo, mas ao mesmo tempo me parecia já conhecido. era o natural: olhares de afeto. abraços. ternura. compreensão. mulheres sentadas em círculo, se curando juntas, se conectando com a Mãe Terra e celebrando a natureza de ser mulher cíclica.
tem um ano só, mas não tenho dúvidas de que este primeiro círculo de mulheres foi o meu despertar para uma nova consciência. depois disso, o caminho do autoconhecimento, da desconstrução de padrões e da espiritualidade só se alargou. questionei hábitos, passsei a me aceitar completamente e fui deixando pra trás o que já não me servia -- o que é libertador, mas também dói bastante. passei a vivenciar sororidade com as minhas irmãs dentro e fora dos círculos. resignifiquei o meu olhar para com a minha mãe, minha irmã e todas as mulheres da minha família. aprendi a me amar com tudo que sou e tenho. aceitei e passei a amar meus ciclos, minha lua (mestruação), meus pelos (todos), meus cheiros. aprendi que como mulher estou inevitavelmente conectada com os ciclos da Lua.
estou aprendendo a honrar minhas ancestrais e resgatar a força criadora que existe em mim. hoje, eu sei que não foi por acaso que desenvolvi os miomas – que pararam de crescer nos últimos tempos. também não é por acaso que há dias estava com vontade de compartilhar tudo isso (entendi quando vi as lembranças aqui do Facebook, rs). não é por acaso que tomei coragem pra escrever na Lua Cheia e depois de fazer uma benção do útero: é preciso celebrar as mudanças e o começo de uma nova fase. eu sinto que essa caminhança tá só começando. há muito para buscar. muito. e só tenho a agradecer por todas as mulheres da minha linhagem que abriram caminhos para que eu chegasse até aqui, por todas as irmãs que estão na mesma busca e trazem essa energia para si mesmas e para o mundo. meu coração transborda de gratidão e de amor. pela cura de uma e de todas, seguimos. <3
"'O Círculo [de Mulheres] é um princípio e também uma forma. Ele age contra a ordem social, a compartimentalização, superior/inferior, a hierarquia que compara uma mulher às outras. (...) Cada mulher, em cada círculo, que se transforma através de sua experiência nele, leva estas mudanças para outras relações. Até que, em um determinado dia, um novo Círculo se formará e ele será o Milionésimo Círculo – aquele que faz a diferença – e nos levará a uma era pós-patriarcal.” Jean Shinoda Bolen, O Milionésimo Círculo.