anastwsia:
Anastasia rolou os olhos de maneira exagerada, observando toda a postura de Gaoth com uma das sobrancelhas arqueadas. Foi impossível, porém, não sorrir ao notar o plano de fundo e, em uma brincadeira quase inocente, mostrou seu próprio celular a ele: 13:01, com um plano de fundo de um gatinho vestido de abelha. Sorriu, encolhendo os ombros e voltando a guardar o celular na bolsa. Repousou as mãos sobre a mesa e o observou atentamente mais uma vez, os lábios ainda curvados em um sorriso enquanto ele falava. “Bem, a não ser que você precise se ausentar por estar doente, o que não acho que seja possível…” começou, mas se interrompeu para dar uma risada ao ouvir a fala dele. Festa? Festa? Ela precisando se ausentar nos fins de semana para que pudesse caçar e ele pensando em festa? Balançou a cabeça para os lados, cética. “Eu não acredito que est….” parou em meio a frase, porém, mais uma vez. Poderia caçar na sexta, resolver seus problemas e aproveitar o sábado e o domingo para estudar. “Tudo bem.” respondeu, por fim, dando de ombros. Parecia, afinal, a melhor das ideias para os dois. “Não sei como vocês funcionam, mas você consegue não estar de ressaca no sábado? Vou aproveitar que você estará ocupado na festa para poder caç…” pela terceira vez, se interrompeu e balançou a cabeça para os lados. “Preciso resolver uma coisas, mas precisamos repor tudo no sábado. Consegue?”
Um gatinho vestido de abelha! Gaoth quase não conseguiu conter o sorriso. Ele e a vampira tinham, afinal, alguma coisa em comum. Num instante, porém, esqueceu-o. Detestava ser interrompido, ainda mais por alguém que estava rindo-se dele como se ele tivesse dito algo de muito absurdo. Franzindo a testa e fechando a cara mais uma vez, ao passo que balançava as asas irritada e freneticamente, chegou a abrir a boca para dizer-lhe algum impropério, alguma coisa grosseira que tirasse aquele quêzinho arrogante da cara dela. Antes que dissesse qualquer coisa, porém, Anastasia mudou de ideia. O rapaz estava perplexo. A vampira dificilmente mudava de ideia, e quase nunca cedia. Era isso mesmo que ela estava fazendo? Ah. Não, não era. Ela só precisava caçar. Parte de si sentiu-se ligeiramente derrotado pela verdade. Outra parte, sentiu-se enojado pela ideia de a moça sugar o sangue de algum cidadão sem sorte até transformá-lo em algo como uma uva passa. É claro que nenhum ser sobrenatural era gracioso e limpo como uma fada, e olha que os vampiros nem eram dos piores. Mas a questão da caça... O jovem estremeceu, afastando de sua cabeça os pensamentos gráficos que aquela breve reflexão provocara. Decidiu não tocar no assunto, ainda que estivesse realmente a fim de provocá-la um pouco. Bom, acharia outra oportunidade. Eles teriam bastante tempo pela frente naquela semana, pensou, deliciado antes de se lembrar que era ela e que estariam estudando. Seria terrível, isso sim. “Consigo, sim.” gostaria de dizer que não pretendia beber muito, mas seria mentira. “Fadas não têm ressacas. Muito fortes.” completou, dando de ombros. “Mas fico feliz que você tenha coisas a fazer. Fiquei preocupado de ter de convidar você para ir à festa comigo para poder cancelar na sexta.” disparou, sincero demais. Envergonhou-se e arrependeu-se, corando levemente. Preferia não ter dito aquela verdade, mas seu corpo de fada, atraído pela sinceridade grosseira, não lhe permitiu se segurar.
















