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Rickshaw Boy, 骆驼祥子 (Guo Wenjing, 郭文景) - Teatro Regio Torino, Itália, junho/2016
Ópera legendada em português: vídeo; legenda.
A ópera chinesa Rickshaw Boy (骆驼祥子, Luòtuo Xiángzǐ) é uma grandiosa produção do National Centre for the Performing Arts (NCPA), baseada no célebre romance homônimo do escritor chinês Lao She. Considerada uma das obras mais importantes da literatura moderna chinesa, a história retrata com forte realismo social a dura vida das classes populares na antiga Pequim durante as décadas turbulentas do início do século XX.
Esta adaptação operística foi a quinta ópera chinesa original produzida pelo NCPA e levou cerca de três anos para ser desenvolvida. A equipe criativa reuniu o compositor Guo Wenjing, a dramaturga Xu Ying e o diretor e cenógrafo Yi Liming. A estreia ocorreu em junho de 2014, recebendo posteriormente uma versão revisada e aperfeiçoada apresentada em 2015.
Esta produção apresentada em Turim marcou a estreia europeia da ópera e preservou o caráter visual fortemente teatral e cinematográfico da montagem original do NCPA. Destacando-se pelas transições fluidas de cenário, a encenação transforma o palco em uma verdadeira “pintura viva” da antiga Pequim, retratando com riqueza de detalhes os becos, os mercados e o cotidiano dos cocheiros de riquixá. A atmosfera melancólica e socialmente crítica da obra é reforçada pela cenografia elaborada, pelo uso expressivo das luzes e pela integração entre a orquestra sinfônica e instrumentos tradicionais chineses.
A música de Rickshaw Boy combina a linguagem sinfônica da ópera contemporânea com elementos tradicionais chineses, recriando a atmosfera sonora da velha Pequim. Instrumentos típicos como o sanxian e a suona, além de estilos narrativos populares e pregões de rua, são incorporados à partitura para dar autenticidade cultural à obra. O compositor Guo Wenjing explora intensamente o lirismo e o drama psicológico dos personagens, criando uma música expressiva e profundamente emocional.
O libreto procura preservar o espírito do romance original de Lao She, mantendo sua crítica social amarga e seu profundo olhar humanista. A trajetória do protagonista Xiangzi representa o colapso dos sonhos individuais diante de uma sociedade injusta, marcada pela pobreza, pela exploração e pela degradação moral. Assim, a ópera não apenas conta uma história pessoal trágica, mas também retrata uma época inteira da história chinesa.
Informações sobre esta produção de Torino
Informações sobre esta ópera: Chinadaily; NCPA; Baidu.
Informações sobre o livro: link1, link2.
Review do livro
O riquixá popularizou-se rapidamente em Pequim após a sua introdução na China, tornando-se o principal meio de transporte público urbano no início do século XX. Entre as décadas de 1900 e 1920, milhares de condutores ("puxadores de riquixá") ganhavam a vida correndo pelas ruas de terra ou paralelepípedos da capital. Condições de vida: A vida desses trabalhadores era extremamente árdua. Muitos migravam do campo devido à fome e enfrentavam jornadas exaustivas sob invernos rigorosos e verões escaldantes.
Personagens principais: - Xiangzi (祥子): Jovem cocheiro de riquixá honesto, trabalhador e sonhador, que deseja conquistar independência comprando sua própria carroça. - Huniu (虎妞): Filha do proprietário da companhia de riquixás. Possui personalidade forte, dominadora e manipuladora, envolvendo Xiangzi em um casamento infeliz. - Xiaofuzi (小福子): Jovem mulher pobre e sensível por quem Xiangzi nutre verdadeiro afeto. Sua vida marcada pelo sofrimento simboliza a tragédia social da época. - Velho Liu (刘四爷): Dono da empresa de riquixás e pai de Huniu. Homem autoritário, rude e materialista. - Senhor Cao (曹先生): Intelectual de espírito relativamente humanista que oferece trabalho e abrigo a Xiangzi durante parte da história. - Detetive Sun (孙侦探): Policial corrupto que rouba as economias de Xiangzi, contribuindo para a destruição de seus sonhos. - Os soldados: Representam o caos político e militar da época, sendo responsáveis pela perda inicial da carroça de Xiangzi.
Sinopse: Na antiga Pequim, o jovem cocheiro Xiangzi vive puxando riquixás pelas ruas da cidade. Forte, disciplinado e trabalhador, ele sonha em conquistar independência financeira comprando sua própria carroça. Após anos de esforço e economia extrema, finalmente consegue adquirir o tão desejado veículo, acreditando que seu futuro começava a mudar.
Entretanto, em meio ao clima de instabilidade política e militar da época, soldados tomam sua carroça à força. Arrasado, Xiangzi retorna à companhia de riquixás do velho Liu e tenta reconstruir a vida do zero. Nesse período, aproxima-se de Huniu, filha do proprietário da empresa, uma mulher dominadora que acaba envolvendo-o emocionalmente e pressionando-o a casar-se com ela.
Na esperança de escapar dessa situação, Xiangzi procura trabalho na casa do senhor Cao. Porém, Huniu o encontra e afirma estar grávida, obrigando-o moralmente a assumir o relacionamento. Pouco depois, o dinheiro que Xiangzi havia novamente economizado é roubado pelo corrupto detetive Sun, destruindo pela segunda vez seu sonho de possuir uma carroça própria.
Sem alternativas, Xiangzi acaba se casando com Huniu. Utilizando as economias dela, compra outro riquixá, mas a felicidade dura pouco: Huniu morre durante um parto difícil, e Xiangzi é forçado a vender mais uma vez sua carroça para pagar o funeral.
A única esperança afetiva restante em sua vida é Xiaofuzi, jovem pobre e sofrida por quem Xiangzi realmente sente amor. Contudo, esmagada pelas humilhações e pela miséria, ela acaba tirando a própria vida.
A sucessão de perdas destrói completamente o espírito do protagonista. O antigo jovem trabalhador e idealista transforma-se em um homem sem rumo, cínico e derrotado, sobrevivendo apenas dia após dia nas ruas de Pequim. A ópera encerra-se como um retrato profundamente humano da destruição dos sonhos individuais em uma sociedade marcada pela pobreza, pela injustiça e pela violência social.
24º Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas - São Paulo, março/2026
Notícia Notas Musicais
Concerto de abertura (legendado): link1 ou link2.
Recital dos Vencedores do 24º Festival Callas: link1 ou link2.
Abertura do Festival Callas 2026 contou com a Orquestra Experimental de Repertório sob a regência de Wagner Polistchuk. Participaram como solistas as sopranos Maria Sole Gallevi e Anastassiya Kozhukharova e os tenores Richard Bauer e Anibal Mancini. Eles interpretam árias de Bellini, Donizetti, Verdi e Puccini.
O Concurso Maria Callas é o resultado de uma parceria entre a Cia Ópera São Paulo, Amigos da Ópera de Jacareí, Fundação Cultural de Jacareí, Prefeitura de Jacareí, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), Fundação Theatro Municipal de São Paulo, Instituto Italiano di Cultura San Paolo, Consulado Geral da Itália em São Paulo e Consulado Geral da Grécia em São Paulo.
Cabeça de Cuia (Eli-Eri Moura) - Campina Grande/PB, julho/2026
Estreia mundial desta linda ópera brasileira: libreto. Récita de 18/julho, à tarde: vídeo1 ou vídeo2. Récita de 18/julho, à noite: vídeo1 ou vídeo2. Récita de 19/julho: vídeo1 ou vídeo2. XVII FIMUS – Festival Internacional de Música de Campina Grande.
Cabeça de Cuia é uma ópera em um ato do compositor paraibano Eli-Eri Moura, que assina tanto a música quanto o libreto. A obra foi escrita por encomenda do Projeto SINOS – Sistema Nacional de Orquestras Sociais do Brasil, iniciativa da UFRJ em parceria com a FUNARTE.
Inspirando-se em uma das mais conhecidas lendas do imaginário popular piauiense, o compositor recria o mito do Cabeça de Cuia sob uma perspectiva contemporânea, transportando-o para um universo distópico marcado pela fome, pela desigualdade e pela degradação social. Ao mesmo tempo, a narrativa incorpora elementos do poema Ismália, de Alphonsus de Guimaraens, estabelecendo um diálogo entre a tradição oral brasileira e a poesia simbolista. Dessa combinação nasce uma obra de forte caráter dramático, na qual realidade, memória, delírio e elementos sobrenaturais se entrelaçam.
Escrita para conjunto instrumental de câmara, a ópera apresenta uma linguagem musical contemporânea que dialoga com o teatro musical e com referências da cultura popular nordestina, sem perder de vista a tradição operística. Ao transformar uma lenda regional em reflexão sobre questões universais, Cabeça de Cuia destaca-se como uma importante contribuição ao repertório da ópera brasileira contemporânea.
Esta estreia mundial no Teatro Municipal Severino Cabral foi produzida pelo Estúdio de Criação Operística do FIMUS, com direção cênica de Luiz Kleber Queiroz e direção geral, direção artística e regência de Vladimir Silva.
(vídeo) Sobre a Ópera do Cabeça de Cuia
Revista Concerto
(vídeo) Reportagem no Globoplay
Reportagens: fimus; bancadejornalistas; gov.br; artedetodagente.
Lenda e mito "Cabeça de Cuia": sohistoria; tiktok;
(vídeo) A Maldição do Cabeça de Cuia
(vídeo) A lenda do Cabeça de Cuia + Curiosidades
Lei declara lenda "Cabeça de Cuia" um patrimônio cultural do Piauí (2023): cidadeverde.com; g1.globo.com.
Artesanato - Cabeça de Cuia
Jogo "A lenda do Cabeça de Cuia!"
O Cabeça de Cuia ganha versão em cordel
Monumento do Cabeça de Cuia
Personagens principais: - Crispim (tenor): Jovem pescador que luta para sobreviver em um mundo devastado pela fome e pela escassez. Após um ato impulsivo motivado pelo desespero, torna-se o lendário Cabeça de Cuia. - Maria Ismália (soprano): Jovem sonhadora e atormentada, inspirada na personagem do poema Ismália, de Alphonsus de Guimaraens. Vive dividida entre a realidade e o delírio. - Maria das Águas (mezzo-soprano): Mãe de Crispim. Sua maldição desencadeia a transformação do filho e determina o rumo trágico da história. - Mateus (barítono): Pescador e marido de Maria Ismália. Representa a opressão. - Isabel (soprano): Vizinha de Maria das Águas.
Sinopse: Em um cenário distópico assolado pela fome, pela miséria e pela violência, o jovem pescador Crispim tenta sobreviver às margens de um rio sem peixes. Depois de conseguir capturar seu único peixe do dia, é assaltado e retorna para casa sem nada. Consumido pelo desespero, envolve-se em uma violenta discussão com sua mãe, Maria das Águas, e acaba matando-a com um osso usado para preparar uma sopa. Antes de morrer, ela o amaldiçoa: sua cabeça crescerá como uma cuia, transformando-o em um monstro condenado a vagar pelo rio até encontrar e ser correspondido por uma mulher chamada Maria.
Apaixona-se por Maria Ismália, mulher sonhadora e atormentada, presa a um casamento opressor. Entre ilusões, delírios e desencontros, os dois são tragados pelas águas do rio. Seus corpos desaparecem, mas a lenda permanece: Cabeça de Cuia continua vagando eternamente em busca de amor e redenção.
A Prefeitura da cidade de Teresina instituiu, no ano de 2003, o Dia do Cabeça de Cuia, a ser comemorado na última sexta-feira do mês de abril. Existe esta estátua sobre a lenda do Cabeça de Cuia na cidade de Teresina, no bairro do Poti Velho, local onde supostamente a família de Crispim morava. [portal-dos-mitos]
"Cabeça de Cuia" x "O Navio Fantasma"
Há um paralelo temático e estrutural entre a ópera brasileira "Cabeça de Cuia" e Der fliegende Holländer (O Navio Fantasma) de Richard Wagner.
Ambas as obras utilizam o arquétipo do errante amaldiçoado que busca a redenção por meio do amor sacrificial, uma dinâmica clássica do Romantismo do século XIX.
A maldição e a errância aquática: O Holandês de Wagner desafiou os elementos e foi amaldiçoado a vagar eternamente pelos oceanos. Crispim é amaldiçoado por sua mãe após um matricídio e condenado a vagar eternamente pelas águas do rio. O elemento água funciona em ambos como o purgatório físico e espiritual dos protagonistas.
A condição de redenção: Em ambas as narrativas, a libertação do monstro/errante depende estritamente do amor de uma mulher. No caso do Holandês, ele precisa de uma mulher que lhe seja fiel até a morte. No de Crispim, a maldição exige o amor correspondido de uma mulher especificamente chamada Maria (o que adiciona um forte simbolismo místico/cristão à lenda piauiense).
A heroína atormentada e o triângulo amoroso: Senta (em Wagner) é uma jovem obcecada pela lenda do Holandês, vivendo em um estado de fixação romântica que se choca com a realidade de seu pretendente/noivo Erik. Maria Ismália (na ópera brasileira) é descrita como sonhadora e dividida entre a realidade e o delírio, sofrendo nas mãos de um marido opressor, Mateus.
O final trágico e a transcendência: Na ópera de Wagner, Senta se joga ao mar para provar sua fidelidade, o navio fantasma afunda e as almas dos dois ascendem ao céu, redimidas. Em "Cabeça de Cuia", o desfecho repete a tragédia aquática: Crispim e Maria Ismália são tragados pelo rio. Embora a lenda persista (sinalizando que a redenção pode ter falhado ou se tornado eterna), o desaparecimento conjunto nas águas mimetiza o sacrifício wagneriano.
The Lotus Lamp, 寶蓮燈 (1963)
Filme-ópera legendado em português: vídeo1 ou vídeo2; legenda.
The Lotus Lamp (寶蓮燈) é um filme-ópera do gênero Huangmei produzido pelos estúdios Shaw Brothers de Hong Kong. O longa-metragem teve direção e roteiro de Yueh Feng (岳楓), um dos mais prolíficos e respeitados cineastas da Shaw Brothers, conhecido por sua habilidade em equilibrar cenas de ação e drama em suas produções. A produção contou com supervisão de Runme Shaw (邵仁枚) e fotografia de Hsin Hsin. O filme é uma adaptação cinematográfica de um dos mais famosos contos da mitologia chinesa, o lendário romance entre a deusa da Montanha Hua e um mortal, uma história que atravessa gerações e que foi revisitada inúmeras vezes no teatro e no cinema chineses. As canções do filme foram interpretadas por cantores de bastidores, entre eles a lendária Ivy Ling Po (凌波) e a cantora 静婷, que emprestaram suas vozes aos personagens em cena. A produção deste filme, no entanto, foi marcada por uma tragédia que entrou para a história do cinema de Hong Kong. Durante as filmagens, a atriz principal Lin Dai, uma das maiores estrelas do cinema chinês e quatro vezes vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Asiático, faleceu em circunstâncias trágicas. Sua morte súbita interrompeu as gravações e colocou todo o projeto em risco. Para completar o filme, a produção recorreu a uma atriz com aparência semelhante, Hu Die (杜蝶), que gravou as cenas restantes. O filme foi finalmente concluído e lançado em 1965, no primeiro aniversário da morte de Lin Dai, tornando-se um de seus últimos trabalhos e um marco sentimental para o público da época. Além disso, The Lotus Lamp marcou a estreia no cinema de duas jovens atrizes que se tornariam gigantes do cinema de Hong Kong: Cheng Pei-pei (鄭佩佩), que viria a ser consagrada como a "rainha do cinema de artes marciais", e Li Ching (李菁), que mais tarde se tornaria a última atriz a conquistar o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Asiático. A produção foi meticulosamente restaurada pela Celestial Pictures, garantindo que a qualidade de imagem e som deste clássico seja preservada para as novas gerações de espectadores.
Personagens principais: - Santa Mãe da Montanha Hua (華山聖母) – Interpretada por Lin Dai (林黛) e, nas cenas finais, por Hu Die (杜蝶). É a deusa que governa a Montanha Hua. Bondosa e apaixonada, ela desafia as leis celestiais ao se apaixonar por um mortal, pagando um preço altíssimo por seu amor. É a personificação do amor materno e da devoção. - Liu Yen-chang (劉彥昌) – Interpretado por Cheng Pei-pei (鄭佩佩) em uma atuação travestida (papel masculino interpretado por uma atriz). É um jovem estudante que, após fracassar nos exames imperiais, perde-se na Montanha Hua e acaba conhecendo a deusa. Sua paixão por ela desencadeia todos os eventos da trama. - Chenxiang (沉香) – Interpretado também por Lin Dai. É o filho da Santa Mãe e de Liu Yen-chang. Criado em segredo pelo pai, cresce com o destino de salvar a mãe e restaurar a justiça. Lin Dai interpreta tanto a mãe quanto o filho, um feito notável de versatilidade. - Ling Chih (靈芝) – Interpretada por Li Ching (李菁). É a fada assistente e criada de confiança da Santa Mãe. Leal e corajosa, ajuda a deusa em seus momentos mais difíceis, incluindo o envio do bebê Chen Hsiang ao mundo dos mortais para salvá-lo. - Er Lang Shen (二郎神) – É o irmão da Santa Mãe e uma divindade poderosa. Representa a rigidez das leis celestiais e se opõe violentamente ao casamento da irmã com um mortal, tornando-se o principal antagonista da história.
Sinopse: A história de The Lotus Lamp se passa durante a dinastia Song. O jovem estudante Liu Yen-chang viaja para a capital a fim de prestar os exames imperiais, mas falha em sua empreitada. No caminho de volta para casa, perdido em meio a uma densa neblina ao pé da Montanha Hua, ele se refugia em um templo dedicado à Santa Mãe da Montanha. Cansado, ele adormece, e ao acordar, vê a estátua da deusa e, impressionado com sua beleza, escreve um poema na parede do templo. A deusa, que habita uma gruta nas proximidades, e sua assistente Ling Chih descem para investigar o intruso. Ao ler o poema e observar o jovem dormindo, a Santa Mãe se apaixona profundamente por ele. Apesar dos avisos de Ling Chih sobre as leis divinas, a deusa não consegue conter seus sentimentos. Pouco depois, Liu Yen-chang é atacado e gravemente ferido pelo temível cão celestial de Er Lang Shen, o irmão da deusa. A Santa Mãe e Ling Chih salvam o rapaz e o levam para sua gruta, onde ela o cura. Durante a convalescença, os dois se apaixonam perdidamente e decidem se casar, desafiando todas as regras celestiais. A deusa engravida, mas a felicidade do casal é ameaçada quando Er Lang Shen, furioso ao saber do casamento de sua irmã com um mortal, aparece na gruta com seu exército celestial para prendê-la. Para salvar a vida de Liu Yen-chang, a Santa Mãe ordena que Ling Chih o conduza para longe dali, enquanto ela enfrenta a ira do irmão. Após o nascimento do filho, Chenxiang, a Santa Mãe entrega a criança a Ling Chih, que a leva em segurança ao mundo dos mortais, para que seja criada pelo pai. Er Lang Shen, ao descobrir que o bebê foi enviado para a Terra, prende a irmã e a aprisiona sob o peso da Montanha Hua como punição por sua transgressão. Quatorze anos se passam. Chen Hsiang cresce e, ao descobrir a verdade sobre sua mãe, jura libertá-la. Munido da lendária Lâmpada de Lótus, um artefato mágico de imenso poder, o jovem parte em uma jornada heróica para enfrentar as forças celestiais, desafiar o tio Er Lang Shen e, com coragem e determinação, quebrar as amarras que prendem sua mãe sob a montanha, restaurando assim a justiça e a harmonia entre o céu e a terra.

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Robinson Crusoé (Offenbach) - Opéra de Rennes, França, 18/junho/2026
Ópera completa legendada em português: vídeo1 ou vídeo2; legenda. Esta ópera não era encenada na França desde 1986!
Robinson Crusoé é uma opéra-comique em três atos composta por Jacques Offenbach, com libreto de Eugène Cormon e Hector-Jonathan Crémieux. A obra estreou em Salle Favart, sede da Opéra-Comique, em 23 de novembro de 1867. Inspirada livremente no célebre romance Robinson Crusoe (1719), de Daniel Defoe, a ópera toma grandes liberdades em relação à narrativa original, aproximando-se mais do espírito do teatro popular britânico e da aventura romântica do que do romance propriamente dito.
Embora Offenbach seja conhecido sobretudo por suas operetas satíricas e cômicas, Robinson Crusoé ocupa uma posição singular em sua produção. Escrita para a prestigiosa Opéra-Comique de Paris, a partitura apresenta dimensões mais ambiciosas do que muitas de suas obras anteriores, combinando números de grande brilho melódico, passagens líricas de tom sentimental e momentos de humor característicos do compositor. Como é tradicional na opéra-comique francesa, a obra alterna números musicais com diálogos falados.
O enredo acompanha o jovem Robinson, que abandona a Inglaterra em busca de aventuras, naufraga em uma ilha distante e reencontra, anos mais tarde, sua noiva Edwige. A história mistura romance, exotismo, comicidade e elementos de aventura, envolvendo piratas, canibais e o inseparável Vendredi (Sexta-Feira). Após boa recepção na estreia, a obra desapareceu gradualmente do repertório e permaneceu raramente encenada durante grande parte do século XX. Nas últimas décadas, entretanto, passou a despertar renovado interesse, sendo redescoberta como uma das partituras mais imaginativas e refinadas do catálogo de Offenbach.
A produção apresentada pela Opéra de Rennes em junho de 2026, dirigida por Laurent Pelly e regida por Guillaume Tourniaire, destaca justamente o equilíbrio entre humor, poesia e reflexão sobre o encontro com o desconhecido, revelando a riqueza dramática e musical desta obra pouco conhecida.
O diretor Laurent Pelly propõe uma leitura poética e contemporânea desta rara ópera de Offenbach, destacando sua singular mistura de humor, lirismo, fantasia e drama. Mais próxima do universo de Os Contos de Hoffmann do que das operetas mais conhecidas do compositor, a obra é apresentada como uma fantasia onírica, ao mesmo tempo sonhadora, sentimental e levemente mordaz, conduzida por uma grande história de amor. Consciente das dificuldades de transpor para o palco atual certos aspectos do exotismo presentes no libreto do século XIX, Pelly busca uma solução teatral e poética que dialogue com o público de hoje, reinterpretando temas como a solidão, a convivência com o desconhecido e a descoberta do outro. Sua encenação privilegia a relação íntima entre música e teatro, transformando o movimento e a presença dos cantores em extensões naturais da partitura, numa narrativa em que a expressividade musical é o principal motor da ação dramática.
Os diálogos falados foram completamente reescritos para esta produção. A responsável por esse novo texto é a dramaturga francesa Agathe Mélinand, parceira constante do diretor Laurent Pelly. No programa oficial, ela explica que o libreto original de Eugène Cormon e Hector Crémieux era longo demais, excessivamente sério e continha estereótipos datados. O trabalho dela foi uma operação de corte e concisão, trazendo um humor mais ácido, moderno e leve. Inclusive, em termos de sátira política, os canibais originais foram transformados em caricaturas sociais modernas (com referências a políticos atuais, perucas loiras e gravatas vermelhas).
Informações sobre esta produção - Opéra de Rennes
Programa da Opéra de Rennes
Informações sobre esta produção - Théàtre des Champs-Élysées
Programa do Théàtre des Champs-Élysées, com libreto atualizado
(vídeo) Entrevista com Laurent Pelly
Libreto original em francês
Libreto em inglês
Partitura
Personagens principais: - Robinson Crusoé: Jovem inglês aventureiro que abandona a família para buscar fortuna e acaba isolado em uma ilha deserta. - Edwige: Noiva de Robinson; apaixonada e determinada, parte em sua procura após anos de ausência. - Vendredi (Sexta-Feira): Habitante da ilha salvo por Robinson; torna-se seu fiel companheiro e amigo. - Sir William Crusoé: Pai de Robinson, homem respeitável que desaprova o espírito aventureiro do filho. - Lady Crusoé (Deborah): Mãe de Robinson, afetuosa e indulgente com o único filho. - Toby: Amigo de Robinson, inicialmente convidado a acompanhá-lo em sua aventura. - Suzanne: Criada da família Crusoé e interesse amoroso de Toby. - Jim Cocks: Antigo vizinho de Bristol que, após inúmeras peripécias, acaba vivendo entre os habitantes da ilha. - Atkins: Chefe dos piratas que desempenham papel importante no desfecho da trama.
Sinopse:
Ato 1 Na casa da família Crusoé, em Bristol, Lady Crusoé, sua sobrinha Edwige e Suzanne, a criada, preparam o chá de domingo, enquanto Sir William lê em voz alta, de modo bastante sugestivo, a parábola do Filho Pródigo em sua Bíblia. Robinson finalmente chega, vergonhosamente atrasado, mas, por ser o único e muito querido filho do casal, consegue facilmente persuadir os pais a perdoá-lo. Chamando Toby de lado, explica-lhe que reservou passagens para ambos naquela mesma noite, rumo à América do Sul, a bordo de uma escuna ancorada no porto. Edwige, percebendo que está apaixonada por Robinson, implora que ele fique. Ele se sente tentado a permanecer, mas ela compreende que o perderá se ele abandonar seu sonho por causa dela. Toby desiste da aventura — por insistência de Suzanne —, mas Robinson sabe que precisa partir sozinho para buscar a própria fortuna.
Ato 2 Seis anos depois, Robinson encontra-se em uma ilha deserta na foz do rio Orinoco, após escapar de piratas que atacaram seu navio. Ele tem apenas um companheiro, Vendredi, a quem anteriormente salvara de ser sacrificado aos deuses pela tribo canibal da ilha. Robinson sonha com Edwige e tenta explicar seus sentimentos a Vendredi.
Em outra parte da ilha, Edwige, Suzanne e Toby chegam à procura de Robinson. Eles também foram atacados por piratas e conseguiram escapar. Toby e Suzanne são capturados pelos canibais e encontram seu antigo vizinho de Bristol, Jim Cocks. Tendo fugido para o mar dez anos antes, ele fora capturado pelos canibais e agora se tornou seu cozinheiro. Alegremente, informa a Suzanne e Toby que eles serão o jantar dos canibais naquela noite. Ao pôr do sol, Edwige é trazida pelos nativos, que acreditam que ela seja uma deusa branca. Ela será sacrificada ao deus Saranha. Vendredi observa tudo e fica encantado por Edwige. Quando a fogueira é acesa, ele dispara a pistola de Robinson; os nativos fogem, e ele resgata Edwige, Suzanne, Toby e Jim Cocks.
Ato 3 No dia seguinte, Robinson descobre Edwige dormindo em sua cabana, e os dois se reencontram em meio à maior felicidade. Vendredi explica que os piratas abandonaram temporariamente o navio, dando ao grupo inglês a oportunidade de tomá-lo e regressar à Inglaterra enquanto os piratas festejam e dançam. Robinson, fingindo estar louco, engana os piratas com uma história sobre um tesouro enterrado na selva. Eles partem para procurá-lo, mas acabam capturados pelos canibais. Robinson então se apodera das armas dos piratas, e estes imploram para ser salvos. Robinson concorda, e todos voltam a navegar rumo a Bristol. Durante a viagem, o chefe dos piratas, atuando como capitão do navio, celebra em alto-mar o casamento de Robinson e Edwige.
cantata "Venus and Adonis", HWV 85 (Handel) - soprano Gemma Bertagnolli, 2010
Cantata legendada em português: vídeo1 ou vídeo2; legenda. Para download do vídeo, sugiro usar o software JDownloader2.
Venus and Adonis (HWV 85), de Handel, composta em Londres 1711, trata-se de uma cantata secular baseada no célebre mito clássico de Vênus e Adônis, tema amplamente explorado na tradição artística europeia.
A obra foi concebida para voz solista com acompanhamento instrumental. Nela, Handel demonstra grande sensibilidade dramática e refinamento melódico, alternando recitativos expressivos com árias elaboradas. Mesmo sendo uma obra de pequena escala, já se percebem elementos que mais tarde se tornariam característicos de seu estilo operístico, como a intensa caracterização emocional, o contraste entre afetos e o uso expressivo da linha vocal.
O mito de Adônis, que morre tragicamente e renasce simbolicamente, oferece ao compositor a oportunidade de explorar contrastes entre dor e beleza, lamento e esperança.
Venus, Adonis and Cupid (Annibale Carracci, 1595): cena do primeiro encontro dos amantes. O sangue da flecha de Cupido ainda pode ser visto no peito de Vênus.
Venus and Adonis (Paolo Veronese, 1580): Retrata o caçador Adônis dormindo no colo de Vênus. À frente dela está seu filho Cupido, com um cão de caça. Cupido é retratado tentando saciar o desejo de caça do cão, pois Vênus havia previsto que Adônis morreria durante uma caçada.
Venus and Adonis (Ticiano, 1554): Uma das representações mais famosas do mito. Mostra Vênus tentando impedir Adônis de sair para a caça - momento anterior à tragédia.
Venus and Adonis (Thomas Phillips, 1808): Mostra Vênus tentando persuadir Adônis a não partir para a caça.
Personagens principais: - Vênus: Deusa do amor e da beleza; expressa dor profunda pela perda de seu amado. - Adônis: Jovem de extraordinária beleza, amado por Vênus; sua morte é o centro dramático da narrativa. - Cupido (Amor): Divindade do amor, frequentemente retratada como caprichosa; simboliza a dualidade entre prazer e sofrimento. - Prosérpina: Rainha do mundo subterrâneo; associada ao ciclo de morte e renascimento de Adônis. - Eco e as ninfas (náiades): Figuras secundárias que ampliam o lamento e a atmosfera poética da obra.
Sinopse: Narra o trágico destino de Adônis, amado da deusa Vênus. A obra se inicia com a descrição do profundo lamento de Vênus, que chora desesperadamente a morte de seu amado. A natureza ao seu redor — colinas, florestas e ninfas — participa desse luto, refletindo a dimensão universal de sua dor.
Vênus relembra a beleza e a importância de Adônis em sua vida, alternando entre desespero e súplica. Ela implora que ele retorne, expressando a intensidade de seu amor e sua incapacidade de aceitar a perda. Ao mesmo tempo, a figura de Cupido é evocada como símbolo das contradições do amor, capaz de gerar tanto alegria quanto sofrimento.
A narrativa então introduz o elemento mitológico da transformação: por intervenção divina, Adônis não desaparece completamente, mas renasce sob a forma de uma flor. Esse renascimento simboliza a continuidade da beleza e do amor, ainda que de maneira transitória. A alternância entre luz e sombra — associada a Vênus e Prosérpina — sugere o ciclo eterno de vida, morte e renovação.
Assim, a cantata encerra-se não apenas como um lamento, mas como uma meditação poética sobre a natureza do amor e sua ligação inseparável com a perda e a transformação.
Vênus chorando por Adônis (Poussin, 1627)
Uma Noite no Castelo (Une Nuit au Château) (Henrique Alves de Mesquita) - São Paulo, 03/maio/2026
Ópera brasileira completa legendada em português: vídeo1 ou vídeo2; legenda.
Uma Noite no Castelo (Une Nuit au Château) é uma opéra-comique em um ato composta por Henrique Alves de Mesquita (1830–1906), um dos mais importantes músicos brasileiros do século XIX. O libreto foi escrito pelo romancista e dramaturgo francês Paul de Kock (1794–1871), autor bastante conhecido no Brasil de sua época. A obra estreou em 30 de maio de 1870 no Teatro Lírico Francês (antigo Teatro Alcazar), no Rio de Janeiro, alcançando imediato sucesso de público e crítica. Segundo os jornais da época, Mesquita foi ovacionado e reconhecido como um dos compositores mais originais do país, sendo sua música descrita como bela, fresca e inspirada.
Esta ópera pertence ao gênero francês da opéra-comique, caracterizado pela alternância entre números musicais e diálogos falados. O gênero não se limita ao humor, mas costuma privilegiar tramas leves, personagens populares e situações de equívoco. Em Uma Noite no Castelo, Mesquita demonstrou profundo domínio da linguagem musical francesa adquirida durante seus estudos no Conservatório de Paris, onde foi aluno do compositor François Bazin. A partitura combina melodias elegantes, conjuntos vocais bem construídos e o refinamento característico do teatro lírico francês da segunda metade do século XIX.
A importância histórica desta obra também está ligada à trajetória de seu compositor. Henrique Alves de Mesquita foi o primeiro aluno do Conservatório de Música do Rio de Janeiro a receber uma bolsa do Império para aperfeiçoar seus estudos na Europa. Compositor, maestro, organista e trompetista, destacou-se tanto na música erudita quanto na música popular, sendo posteriormente associado à criação da expressão “tango brasileiro”. Apesar de ter sido amplamente celebrado em vida, sua produção caiu em relativo esquecimento ao longo do século XX. A redescoberta de Uma Noite no Castelo contribui para recuperar um capítulo importante da história da ópera brasileira.
Artigo "Limpando a poeira do esquecimento: a vida de Henrique Alves de Mesquita e sua opéra-comique Une Nuit au Château"
Revista Brasil-Europa: link1, link2.
(Vídeo) Entrevista em 2024: "Uma Noite no Castelo", ópera de renomado compositor do século XIX
Reportagens de outra produção em 2024: link1, link2, link3, folder.
(vídeo) Apresentação na UFRJ, março/2025 (reportagem)
Partitura
Cinco compositores brasileiros em perspectiva transnacional: ensaios sobre a música brasileira dos séculos XIX e XX
Personagens principais: - O Conde: Jovem aristocrata que retorna à sua aldeia natal para cumprir o último desejo de sua mãe e pagar o dote de Colette. Ingênuo e generoso, acaba envolvido nas confusões provocadas pelos aldeões. - Colette: Bela jovem camponesa muito estimada pela falecida condessa. Já é casada com Jérôme, mas precisa ocultar esse fato para receber o dote prometido. - Jérôme: Verdadeiro marido de Colette. Seu retorno inesperado desencadeia os principais mal-entendidos da trama. - Alain: Primo de Colette. Concorda em fingir ser seu marido diante do Conde para viabilizar o recebimento do dote. - Mathurine: Mãe de Colette e administradora das propriedades do Conde. É a principal articuladora do plano para enganar o nobre. - Dubois: Criado e homem de confiança do Conde. Ao interpretar equivocadamente uma conversa, provoca a crise que conduz ao desfecho da história. - Aldeões: Habitantes da aldeia que participam da farsa e ajudam a sustentar o engano montado por Mathurine.
Sinopse: Em uma aldeia francesa de meados do século XIX, um jovem Conde retorna ao castelo de sua família após longa ausência em Paris. Embora tenha desperdiçado boa parte de sua fortuna na capital, decide cumprir o último desejo de sua falecida mãe: conceder um generoso dote a Colette, uma jovem aldeã por quem a condessa nutria grande afeição.
O problema é que o benefício só poderá ser entregue mediante determinadas circunstâncias familiares. Para garantir que a recompensa não seja perdida, Mathurine, mãe de Colette, organiza um ardil. Como Jérôme, o verdadeiro marido da jovem, está ausente, Alain, primo de Colette, passa a se apresentar como seu esposo. Com a ajuda dos aldeões, a encenação convence o recém-chegado Conde.
A situação se complica quando Jérôme retorna inesperadamente. Em vez de revelar a verdade, ele aceita participar da farsa, assumindo uma identidade diferente para que o plano continue funcionando. A sucessão de disfarces, encontros secretos e equívocos gera uma série de situações cômicas típicas da opéra-comique francesa.
O ponto culminante ocorre quando Dubois escuta uma conversa entre Colette e Jérôme e chega à conclusão errada de que a jovem está traindo Alain. Convencido da suposta infidelidade, ele leva a história ao Conde, que começava a desenvolver sentimentos por Colette. A partir daí, os mal-entendidos atingem seu auge, colocando em risco o dote, a reputação da jovem e a harmonia da comunidade.
Após novas revelações e esclarecimentos, a verdade finalmente vem à tona. Os enganos são desfeitos, os casais legítimos são reconhecidos e a generosidade do Conde prevalece, conduzindo a obra a um final alegre e conciliador.
The Crimson Palm, 血手印 (1963)
Filme-ópera legendado em português: vídeo1 ou vídeo2; legenda.
The Crimson Palm (血手印) é um filme-ópera do gênero Huangmei, produzido em 1963 pelos estúdios Shaw Brothers (邵氏兄弟) de Hong Kong. O filme foi dirigido e roteirizado por Chen E-hsin (陳一新). Filmado em mandarim, The Crimson Palm é um dos exemplares mais representativos da vasta produção de óperas Huangmei cinematográficas que marcaram a era de ouro dos estúdios Shaw Brothers entre o final dos anos 1950 e meados da década de 1960. A obra foi meticulosamente restaurada pela Celestial Pictures, garantindo que sua qualidade de imagem e som seja preservada para as novas gerações. Uma das marcas registradas do filme é a canção “Country Road” (郊道), interpretada por Ivy Ling Po. Esta canção tornou-se um dos maiores sucessos da carreira da atriz e é lembrada até hoje como uma das mais emblemáticas do repertório Huangmei. Sua melodia, inspirada no estilo da Ópera de Pequim, foi composta por顾嘉辉 (Gù Jiāhuī) com letra do próprio diretor Chen E-hsin. O filme é uma adaptação para as telas de um dos famosos casos investigados pelo lendário juiz Bao Zheng (包拯), figura histórica da dinastia Song celebrada por sua integridade e habilidade em desvendar crimes.
Personagens principais: - Lin Shao-teh (林肇德) – Interpretado por Ivy Ling Po (凌波). É um jovem estudante pobre, filho de um antigo alto funcionário do tribunal. Após a morte do pai e a ruína da família, vê-se forçado a trabalhar como carregador de água para sustentar a mãe. Mantém um noivado com Wang Chien-king, mas sua condição humilde o coloca em situação delicada diante do sogro. - Wang Chien-king (王千金) – Interpretada por Chin Ping (秦萍). É a filha virtuosa e leal do milionário Wang Chun. Recusa-se a obedecer ao pai quando este tenta anular seu noivado com Lin Shao-teh, e faz de tudo para ajudá-lo a seguir com seus estudos e com o casamento. - Wang Chun (王春) – Interpretado por Yui Kwang-Chao (尤光照). É o pai rico e arrogante de Wang Chien-king. Despreza Lin Shao-teh por sua pobreza e força o jovem a anular o noivado, chegando a subornar as autoridades para incriminar o rapaz. - Hsueh Chun (雪春) – Interpretada por Li Ching (李菁). É a criada de confiança de Wang Chien-king. Encarregada de levar roupas, dinheiro e um grampo de ouro a Lin Shao-teh como sinal de ajuda, acaba sendo assassinada em circunstâncias misteriosas, tornando-se peça-chave na trama. - Juiz Bao Zheng (包拯) – Interpretado por Cheng Miu (井淼). É o famoso magistrado da dinastia Song, conhecido por sua imparcialidade e inteligência. Intervém no caso para reabrir a investigação, desvendar a verdade e fazer justiça. - Ministro Hsueh Chao – Interpretado por Tang Ti. É uma figura da corte que, por motivos escusos, tenta prejudicar Lin Shao-teh e impedir que a verdade venha à tona.
Sinopse: A história de The Crimson Palm se passa durante a dinastia Song. Lin Shao-teh é um jovem estudante cujo pai, um alto funcionário do tribunal, havia arranjado seu noivado com Wang Chien-king, filha do milionário Wang Chun. Com a morte do pai e o consequente empobrecimento da família Lin, Shao-teh passa a trabalhar como carregador de água para sustentar sua mãe. Diante dessa situação, Wang Chun convoca o rapaz e o força a anular o compromisso em troca de algumas moedas de prata. Profundamente magoado, Shao-teh concorda com a anulação, mas recusa o dinheiro.
Ao saber do ocorrido, Wang Chien-king desobedece ao pai e jura que não se casará com outro homem. Determinada a ajudar o noivo, ela envia sua criada Hsueh Chun à casa de Shao-teh com roupas, dinheiro e um grampo de ouro como sinal. A criada informa ao rapaz que ele deve voltar à mansão Wang à meia-noite para receber cem taéis de prata, que serviriam para custear sua viagem até a capital, onde pretendia prestar os exames imperiais.
Shao-teh comparece ao local combinado na calada da noite, mas, para seu horror, encontra apenas o corpo ensanguentado de Hsueh Chun, assassinada. Aterrorizado, ele foge, mas acaba deixando uma marca de mão ensanguentada no portão da mansão. Acusado pelo assassinato, Shao-teh é preso. Wang Chun, vendo a oportunidade de livrar-se de vez do genro indesejado, suborna as autoridades para que o jovem seja condenado à morte.
Wang Chien-king, desafiando abertamente a vontade do pai, vai ao local da execução para protestar e clamar pela inocência de seu amado. É nesse momento que o lendário juiz Bao Zheng passa pelo local e resolve reabrir o caso. Com sua sagacidade e imparcialidade características, o juiz Bao desvenda a teia de mentiras e corrupção, expondo o verdadeiro culpado e inocentando Lin Shao-teh. O filme termina com a justiça sendo plenamente restabelecida: o Ministro Hsueh Chao é punido com a perda de seu cargo e o exílio, enquanto Lin Shao-teh, agora inocentado, conquista o primeiro lugar nos exames imperiais e retorna para finalmente se reunir com sua amada Wang Chien-king.
The Song of Mount Kumgang, 금강산의 노래 (Kim Jong Il) - Pyongyang, Coreia do Norte
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The Song of Mount Kumgang ("Canção do Monte Kumgang") (em coreano 금강산의 노래, Kŭmgangsanŭi norae) é uma ópera revolucionária norte-coreana estreada em 1973. Oficialmente atribuída a Kim Jong Il, mas algumas fontes musicológicas atribuem a composição musical a Choe Sang-chol. A obra integra o ciclo das chamadas "óperas revolucionárias" desenvolvidas na República Popular Democrática da Coreia durante a década de 1970 e segue os princípios estéticos caracterizados pela integração entre música, canto, dança, coros e cenografia em uma narrativa de forte conteúdo ideológico.
Estruturada em um prólogo, sete atos (ou capítulos) e um epílogo, a ópera tem como cenário a região do Monte Kumgang (Geumgangsan), uma das paisagens naturais mais célebres da península coreana. A trama acompanha a família Hwang, separada durante o período da ocupação japonesa da Coreia e reunida mais de vinte anos depois. Ao longo da narrativa, o reencontro familiar é apresentado em paralelo às transformações sociais ocorridas no norte da península, retratando a reconstrução do país, a vida cultural nas comunidades locais e a valorização da arte como expressão da sociedade socialista.
Musicalmente, a obra alterna momentos líricos, coros monumentais, canções populares estilizadas e números de dança, incluindo peças como "The Song of Mount Kumgang", "With My Beloved Father Before My Eyes", "Does the Snow Fall Because Time Has Passed?", além de danças inspiradas na vida rural e nas festividades locais. A cenografia e as coreografias desempenham papel central na narrativa, enfatizando as paisagens do Monte Kumgang e os grandes quadros coletivos característicos da ópera revolucionária norte-coreana.
The Song of Mount Kumgang possui forte conteúdo propagandístico, exaltando a liderança de Kim Il-sung e apresentando o sistema socialista como responsável pela reunificação da família protagonista e pela prosperidade retratada na obra. Permanece como uma das óperas mais representativas da tradição operística desenvolvida na Coreia do Norte durante o século XX.
1976 Postcard Set - Song of Mount Kumgang Revolutionary Opera
Vinyl, LP, Album
Leader Kim Jong Il in the time of creation of five revolutionary operas
Artigo “On the Art of Opera” (link alternativo)
Revolutionary Opera in North Korea
The artwork of the people: A history of the Gesamtkunstwerk from Richard Wagner to Kim Jong Il
Melodramatic Moods from Socialist Realism to Juche Realism
Tese 2023: Kim Jong Il Presents Juche, the Opera: North Korean Revolutionary Opera as Assemblage
Músicas populares na Coreia do Norte, legendadas em português
Coreia do Norte: Viagem de trem até a capital
Pelo interior da Coreia do Norte
Personagens principais: - Hwang Seok-min: Compositor. Separado da família durante a ocupação japonesa, retorna anos depois sem saber que reencontrará sua esposa e sua filha. - Suni: Filha de Hwang Seok-min. Jovem artista da Vila Kumgang, cresce sem conhecer o pai e torna-se a figura central do reencontro familiar. - Myeong-hui: Esposa de Hwang Seok-min e mãe de Suni. Após décadas de separação, preserva a esperança de reencontrar o marido. - Chang-su: Jovem da Vila Kumgang e namorado de Suni. Representa a nova geração formada no período posterior à libertação. - Integrantes do Grupo Artístico da Vila Kumgang: Cantores, músicos e dançarinos que participam dos festivais e das apresentações ao longo da ópera, contribuindo para o desenvolvimento da narrativa coletiva.
Sinopse: A ópera inicia-se com um prólogo dedicado ao Monte Kumgang, cuja beleza simboliza a renovação do país. Na Vila Kumgang, jovens artistas ensaiam canções e danças enquanto o compositor Hwang Seok-min chega à região em busca de inspiração para uma nova obra. Entre os moradores encontra-se Suni, jovem dedicada às atividades culturais da comunidade, sem imaginar que o visitante é seu próprio pai, desaparecido desde o período da ocupação japonesa.
À medida que a convivência entre ambos se intensifica, pai e filha estabelecem uma relação de grande afinidade, embora permaneçam sem reconhecer o vínculo que os une. Paralelamente, Suni e sua mãe, Myeong-hui, recordam com emoção o marido e pai ausente, enquanto Hwang Seok-min revive lembranças da família perdida. As canções e danças apresentadas pelos moradores e pelo grupo artístico reforçam o contraste entre as dificuldades vividas durante a dominação colonial e a prosperidade retratada no presente.
Quando os artistas da Vila Kumgang viajam a Pyongyang para participar de um festival nacional, antigos acontecimentos e objetos ligados ao passado permitem que Hwang Seok-min descubra a verdadeira identidade de Suni. O emocionante reencontro entre pai e filha culmina, pouco depois, no reencontro de Seok-min com sua esposa Myeong-hui, encerrando décadas de separação.
O epílogo celebra a reunião da família Hwang e associa sua felicidade ao renascimento da pátria e à transformação social apresentada ao longo da obra. A narrativa conclui com um grande coro dedicado ao Monte Kumgang, convertendo o reencontro familiar em símbolo da reconstrução nacional.

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Navalha na Carne (Leonardo Martinelli) - Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo, 9/junho/2025
Ópera brasileira cantada em português: link. Ópera em ato único a partir da peça de teatro de Plínio Marcos.
Neste texto icônico de 1967 da dramaturgia brasileira, Plínio Marcos evidencia o jogo de poder, a violência, os conflitos e agressões entre três personagens marginalizados dentro de um quarto de hotel decadente do centro da cidade: a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o empregado do hotel, Veludo.
Mais que a linguagem, a realidade exposta em Navalha na Carne provocou a ira da censura que imediatamente a proibiu. Junto veio a resistência dos artistas, Cacilda Becker, em São Paulo, e Tônia Carrero, no Rio, que lutaram até a liberação da peça.
“Um povo que não ama e não preserva suas formas de expressão mais autênticas jamais será um povo livre”. Plínio Marcos
Passados mais de 50 anos, a vil condição humana registrada pelo teatro de Plínio Marcos continua parte da nossa triste realidade, inspirando novas gerações de compositores e de intérpretes a fazer da sua arte um ponto de resistência e de esperança em uma sociedade mais solidária e amigável.
Os ventos do texto de Plínio Marcos migram das escadarias para o palco, retomando questões que permanecem atuais. Sua atitude insubmissa o levou a se proclamar “autor maldito”, mas não o fez parar. Graças à sua coragem e persistência, podemos hoje adentrar em seu universo e, com o ganho do arco do tempo, perceber o quanto de seu grito não só ecoava como prenunciava a profundidade do nosso desconforto social.
Espetáculo apresentado por ocasião dos 90 anos (in memorian) do escritor, autor, ator, diretor de teatro e jornalista brasileiro Plínio Marcos.
Neusa Sueli (soprano) – Cintia Cunha Veludo (barítono) – Fulvio Souza Vado (tenor) – Fernando Portari Ator – Rogério Bandeira
Direção musical – Karin Uzun (piano) Direção de cena, luz e concepção – Leo Lama
- VejaSP - Reportagem do ReinoLiterariobr - Libreto da peça de teatro - Filme de 1969 - Roda Viva | Plínio Marcos | 1988
Sinopse Neusa é uma prostituta casada com o gigolô Vado. Apaixonada pelo marido, submete-se a vergonhas e humilhações, já que enquanto vai às ruas para ganhar dinheiro, Vado sai com outras mulheres.
“As pessoas falam ´O poder corrompe’, mas a miséria corrompe absolutamente. Num lodo não vai nascer nenhum lírio”. Plínio Marcos no Roda Viva 1988.
Cantata "Ah crudel nel pianto mio", HWV 78 (Handel) - Shanghai Symphony hall
Cantata com legenda em português: vídeo1 ou vídeo2, legenda. Para fazer download do vídeo, sugiro usar o software JDownloader 2. Com: Jiayu Jin (soprano), La Risonanza e Shanghai Camerata.
Ah! crudel, nel pianto mio (HWV 78) é uma cantata secular em língua italiana composta por Händel durante sua estadia na Itália, provavelmente em 1708, período em que o jovem compositor absorvia intensamente os estilos vocais e instrumentais italianos que mais tarde influenciariam suas óperas e oratórios. Escrita para soprano solista, dois oboés, cordas e baixo contínuo, a obra apresenta uma estrutura típica das cantatas italianas do início do século XVIII, alternando árias e recitativos em uma narrativa de forte carga emocional. A partitura abre-se com uma extensa sinfonia instrumental, seguida por três árias ligadas por recitativos que aprofundam os sentimentos da protagonista.
A cantata retrata os sofrimentos de uma mulher abandonada ou desprezada por seu amado. Ao longo da obra, Händel explora contrastes expressivos entre dor, súplica, indignação e firmeza moral, demonstrando já o domínio dramático que caracterizaria suas futuras óperas. Embora não seja uma obra teatral propriamente dita, a intensidade psicológica do texto e da música aproxima a cantata de uma cena operística em miniatura, concentrada na voz de uma única personagem.
Personagens: - A Dama (soprano): Mulher apaixonada e profundamente ferida pela crueldade e indiferença do homem amado. Ao longo da obra, expressa tristeza, reprovação, esperança frustrada e, por fim, uma resolução digna diante do sofrimento. - O Amado (personagem ausente): Nunca aparece em cena nem canta, mas é o destinatário de todas as queixas e reflexões da protagonista. Sua frieza e insensibilidade constituem o centro do conflito dramático.
Sinopse: A cantata inicia-se com uma introdução instrumental que estabelece uma atmosfera de nobre melancolia. Quando a voz entra, a protagonista lamenta a crueldade do homem que ama, chorando sua infelicidade e a falta de compaixão daquele a quem dedicou seus sentimentos.
Nos recitativos seguintes, ela procura compreender a dureza do amado e insiste em que ele não deveria rejeitar um amor sincero. A segunda ária desenvolve esse apelo, lembrando ao amado os dons e virtudes que o céu concedeu a ele e sugerindo que tais qualidades deveriam ser acompanhadas de generosidade e sensibilidade.
À medida que a narrativa avança, a dor transforma-se em indignação. A protagonista compara a instabilidade dos elementos da natureza às mudanças do comportamento humano e reconhece a inutilidade de suas súplicas. Compreendendo que o amado permanece insensível, ela abandona a esperança de ser correspondida.
Na ária final, a personagem encontra uma espécie de triunfo moral. Embora continue sofrendo, decide transformar sua constância amorosa em motivo de honra e resistência. A cantata encerra-se, assim, não com a reconciliação dos amantes, mas com a afirmação da dignidade de uma mulher que permanece fiel aos seus sentimentos apesar da crueldade recebida.
Arabella (Strauss) - MET, 22/novembro/2025
Ópera completa legendada em português: vídeo; legenda.
Arabella é uma ópera em três atos com música de Richard Strauss e libreto de Hugo von Hofmannsthal, baseada em duas obras anteriores do próprio libretista: Lucidor e Der Fiaker als Graf. Estreou em 1º de julho de 1933, na Semperoper de Dresden, e tornou-se a última colaboração entre Strauss e Hofmannsthal, falecido em 1929, antes da conclusão da partitura. O compositor decidiu preservar integralmente o texto deixado pelo parceiro, transformando a obra em uma espécie de homenagem póstuma àquela que é considerada uma das mais importantes parcerias da história da ópera.
Ambientada na Viena da década de 1860, durante a temporada de bailes do Carnaval vienense, a ópera retrata uma família aristocrática empobrecida que tenta preservar sua posição social enquanto enfrenta sérias dificuldades financeiras. Para economizar, os Waldner criam a filha mais nova, Zdenka, como se fosse um rapaz, permitindo que todos os recursos da família sejam destinados à apresentação da bela Arabella à sociedade, na esperança de que ela faça um casamento vantajoso. A chegada do rico proprietário rural Mandryka desencadeia uma sucessão de mal-entendidos, ciúmes, identidades ocultas e revelações que conduzem a um desfecho marcado pelo perdão e pela reconciliação.
Embora frequentemente comparada a Der Rosenkavalier, também ambientada na antiga Viena e fruto da colaboração entre Strauss e Hofmannsthal, Arabella possui um caráter próprio. Em vez de privilegiar a comicidade farsesca, concentra-se no desenvolvimento psicológico de personagens profundamente humanos, explorando temas como a busca pelo amor verdadeiro, a fidelidade, a confiança, o amadurecimento e as convenções sociais da aristocracia em declínio. A atmosfera é nostálgica, mas sem idealização excessiva, e o humor surge de maneira discreta, subordinado ao retrato emocional dos protagonistas.
A partitura figura entre as mais refinadas do período final de Strauss. A escrita orquestral alia transparência e riqueza tímbrica, enquanto as linhas vocais privilegiam o lirismo e a expressividade da palavra. A protagonista recebe algumas das páginas mais inspiradas compostas pelo autor para soprano, incluindo seu grande monólogo do primeiro ato e o delicado dueto com Zdenka. Mandryka, por sua vez, representa um dos grandes papéis para barítono do repertório straussiano. Strauss também incorpora discretamente melodias folclóricas eslavas, associadas ao universo de Mandryka, conferindo uma identidade musical particular ao romance central da obra. O emocionante final, simbolizado pelo tradicional copo d'água oferecido pela noiva ao futuro marido segundo um costume eslavônio, encerra a ópera em um clima de serenidade, perdão e renovação do amor.
A produção apresentada pelo Metropolitan Opera é a clássica montagem concebida por Otto Schenk, estreada na casa em 1983. Fiel ao libreto e ao ambiente da Viena do século XIX, a encenação destaca-se pelo refinamento visual, pela elegância dos cenários e figurinos e pela direção tradicional de atores, preservando o delicado equilíbrio entre comédia, romance e emoção que caracteriza esta última colaboração entre Strauss e Hofmannsthal. Para a temporada 2025–2026, a produção foi retomada sob direção cênica de Dylan Evans, com regência de Nicholas Carter, tendo Rachel Willis-Sørensen no papel-título e Tomasz Konieczny como Mandryka.
Informações sobre esta produção
Sinopse do MET
Cast Sheet
Programa de 22/novembro/2025
Telecast Program
Arabella Transmission Transcript
Press-Release
Educator Guide (PDF)
Otto Schenk, 1930–2025
Role Model
(vídeo) “Aber der Richtige” (Rachel Willis-Sørensen)
(vídeo) “Die Wiener Herrn verstehn sich auf die Astronomie”
(vídeo) “Sie wollen mich heiraten”
(vídeo) “Das war sehr gut, Mandryka”
(vídeo) “Mein Elemer!”
(vídeo) “Herr Graf, Sie haben Ihrem werten Brief”
Personagens principais: - Arabella (soprano): Filha mais velha dos Waldner; bela e cortejada por diversos pretendentes, aguarda encontrar o homem que considera ser seu verdadeiro destino. - Mandryka (barítono): Rico proprietário rural da Eslavônia que se apaixona por Arabella ao ver seu retrato e viaja a Viena para pedi-la em casamento. - Zdenka (soprano): Irmã mais nova de Arabella, criada como rapaz sob o nome de "Zdenko"; ama secretamente Matteo e desempenha papel decisivo nos acontecimentos da trama. - Matteo (tenor): Jovem oficial apaixonado por Arabella, sem perceber que as cartas de amor que recebe foram escritas por Zdenka. - Conde Waldner (baixo): Pai de Arabella e Zdenka; aristocrata arruinado que deposita suas esperanças financeiras no casamento da filha mais velha. - Condessa Adelaide von Waldner (mezzo-soprano): Mãe das duas jovens; procura salvar a família da ruína e mantém em segredo a verdadeira identidade de Zdenka. - Conde Elemer (tenor): Um dos nobres pretendentes de Arabella e o mais persistente entre seus admiradores vienenses. - Conde Dominik (barítono): Outro dos jovens aristocratas que disputam a atenção de Arabella. - Conde Lamoral (baixo-barítono): Terceiro pretendente de Arabella, integrante do círculo social vienense. - Fiakermilli (soprano coloratura): Mascote do Baile dos Cocheiros; personagem de grande brilho vocal que anima a festa do segundo ato.
Sinopse:
Ato I Viena, no início da segunda metade do século XIX. Na suíte do hotel da família Waldner, a Condessa Adelaide von Waldner consulta uma cartomante sobre a crise financeira que aflige sua família. Enquanto as cartas são lidas, "Zdenko", o suposto filho dos Waldner, que na verdade é sua filha caçula, Zdenka, criada como um menino para evitar os custos de apresentar duas filhas à sociedade, ocupa-se em manter os credores à distância. A cartomante prediz que Arabella, a bela filha mais velha dos Waldner, se casará com um homem rico.
Quando as mulheres se retiram, Zdenka ouve os apaixonados apelos do jovem oficial Matteo, que lhe pede ajuda para conquistar Arabella. Ele ameaça tirar a própria vida caso não possa contar com seu amigo "Zdenko". Matteo acaba de sair quando Arabella retorna de um passeio. Depois de despedir-se de sua acompanhante, encontra presentes de outros três pretendentes: os condes Elemer, Dominik e Lamoral. Embora ame Matteo em segredo, Zdenka suplica à irmã que dê uma chance ao jovem oficial. Arabella responde que o homem certo ainda não apareceu. Elemer chega e convida Arabella para um passeio de trenó. Ela aceita e vai trocar de roupa, mas antes chama a atenção da irmã para um estranho que observa sua janela da rua.
O conde Waldner entra, abatido pela má sorte e pelas inúmeras dívidas. Como último recurso, explica à esposa que enviou uma fotografia de Arabella a um velho e rico amigo, um oficial chamado Mandryka. Pouco depois, anuncia-se a chegada do sobrinho desse amigo, que também se chama Mandryka. O jovem leu a carta de Waldner, apaixonou-se pela fotografia de Arabella e viajou até Viena, à residência de seu falecido tio, para pedir a mão da moça em casamento. Mandryka descreve suas vastas propriedades na Eslavônia e empresta dinheiro a Waldner.
Quando o aposento fica vazio, Arabella reaparece, tomada pela melancolia. Pergunta-se por que nenhum de seus pretendentes consegue satisfazê-la. Logo seus pensamentos se voltam para o Baile dos Cocheiros, ao qual comparecerá naquela mesma noite. Quando Zdenka se junta a ela, as duas irmãs saem para o passeio de trenó.
Ato II Ao pé da escadaria do saguão de um salão de baile, Waldner apresenta Mandryka à condessa e a Arabella, que o reconhece como o estranho que vira diante do hotel. Ela é tomada pela emoção. Quando ficam a sós, Mandryka, igualmente profundamente atraído por ela, fala de sua jovem esposa falecida, de suas terras e do costume de sua terra natal de selar uma promessa de fidelidade com um copo de água. Arabella retribui sua declaração de amor, mas diz que deseja primeiro despedir-se de sua juventude.
Fiakermilli, a mascote dos cocheiros, proclama Arabella rainha do baile. Exultante, Mandryka manda servir flores e champanhe para todos, mas se afasta para permitir que Arabella se despeça de seus pretendentes: Dominik, Elemer e, por fim, Lamoral. A jovem dança no salão, ignorando a presença de Matteo que, desesperado, implora a Zdenka por algum sinal do amor que acredita receber de Arabella. Zdenka coloca uma chave em sua mão, dizendo que pertence ao quarto de Arabella. Mandryka ouve a conversa e fica profundamente consternado. Furioso, passa a beber sem parar e flerta tanto com Fiakermilli quanto com a condessa, até que Waldner o faz recobrar a razão e sugere que retornem ao hotel.
Ato III Arabella, sem saber que Matteo passou uma hora em seu quarto, regressa do baile repetindo para si mesma a descrição da casa de Mandryka. Matteo, que tenta sair sem ser visto, surpreende-se ao encontrar Arabella no saguão. Incapaz de compreender a fria cordialidade da jovem, acredita ter acabado de tê-la em seus braços poucos instantes antes.
Mandryka chega acompanhado dos Waldner e, convencido de que Arabella lhe foi infiel, provoca Waldner para que o desafie para um duelo. Zdenka impede que isso aconteça ao descer correndo a escadaria, vestida apenas com uma camisola esvoaçante, e confessar que foi ela quem se entregou a Matteo para impedir que ele se suicidasse. Envergonhada, ameaça também tirar a própria vida, mas seus pais a perdoam, e Matteo a toma nos braços.
Quando todos se retiram, Arabella pede a Mandryka que mande seu criado levar um copo de água até seu quarto. Mandryka atende ao pedido e permanece no saguão, perguntando-se quais são agora os sentimentos de Arabella por ele. Então Arabella surge no alto da escadaria, trazendo um copo de água nas mãos, para jurar-lhe mais uma vez fidelidade.
La Sonnambula (Bellini) - MET, 18/outubro/2025
Ópera completa legendada em português: vídeo; legenda;
Um encantador idílio pastoral, com uma sucessão de árias e duetos de grande suavidade que compensa a falta de impacto dramático. A trama gira em torno do ciúme injustificado: a heroína, sonâmbula, vai para a cama errada. Enquanto se esclarece o mal-entendido, Bellini desenrola sua partitura mais lírica até então, tão melódica que certos críticos a consideraram excessivamente exuberante. Várias de suas árias são grandes favoritas dos recitais de sopranos.
Nova produção com interpretação psicologicamente aprofundada de La Sonnambula, criada pelo tenor que se tornou diretor Rolando Villazón. A radiante soprano Nadine Sierra interpreta Amina, a sonâmbula que dá nome à obra, cujos sonhos de amor são destruídos depois que ela, durante um episódio de sonambulismo, acaba nos braços do homem errado. Ao seu lado, o tenor Xabier Anduaga dá vida a Elvino, seu noivo inconstante. A regência fica a cargo do renomado maestro de bel canto Ricardo Frizza, conduzindo um elenco fascinante que inclui o baixo Alexander Vinogradov como Conde Rodolfo e a soprano Sydney Mancasola como Lisa.
- Sinopse: wikipedia; MET. - Informações sobre esta produção - Press-Release - Programa - Wake-Up Call - Educator Guide (PDF) - Educator-guide - Plot and Creation - Walk This Way - Banner - Palestra do ECAI - ária “Ah! non credea mirarti”: Natalie Dessay, Anna Netrebko, Lisette Oropesa, Maria Callas, Cecilia Bartoli. - cabaletta “Ah! non giunge”: Natalie Dessay, Anna Netrebko. - A ária “Ah! non credea mirarti” está escrita no túmulo de Bellini [visão detalhada] [visão geral], na Catedral de Catânia. Bellini morreu na flor da idade aos 33 anos: “Nunca pensei que elas pudessem murchar tão cedo flores doces.”
Juanita: una história de amor em portunhol (Pedro Pascoali) - São Paulo, junho/2026
Estreia mundial desta ópera brasileira legendada: link1 ou link2.
Juanita: una história de amor em portunhol é uma ópera brasileira contemporânea em um ato, com música de Pedro Pascoali e libreto de Lena Giuliano. A obra foi criada no âmbito do Atelier de Composição Lírica do Theatro São Pedro, projeto dedicado à formação de novos compositores e libretistas e ao incentivo da criação de repertório operístico inédito no Brasil.
Juanita é uma ópera baseada numa história real, a partir de reportagem em 2023 no Peru. Com Orquestra do Theatro São Pedro, elenco reduzido formado por três cantores, direção musical de Maíra Ferreira e direção cênica de Julianna Santos.
Informações sobre esta ópera
diretora cênica Julianna Santos fala sobre a obra
diretora musical Maíra Ferreira fala sobre a obra

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O Natal de Maria (Fermando Dias Gomes) - São Paulo, junho/2026
Estreia mundial desta ópera brasileira legendada: link1 ou link2.
O Natal de Maria é uma ópera curta brasileira em três cenas, composta por Fernando Dias Gomes sobre libreto de Isabella Luchi. A obra foi criada no âmbito do Atelier de Composição Lírica do Theatro São Pedro, projeto dedicado à formação de jovens compositores e à criação de novas óperas brasileiras. Com Orquestra do Theatro São Pedro, direção musical de Maíra Ferreira e direção cênica de Julianna Santos.
Concebida para um elenco reduzido de três cantores, a obra adota linguagem contemporânea e aborda a Doença de Alzheimer.
Informações sobre esta ópera
diretora cênica Julianna Santos fala sobre a obra
diretora musical Maíra Ferreira fala sobre a obra
The East Is Red, 东方红 (1965)
Obra legendada em português: vídeo1 ou vídeo2, legenda.
The East Is Red (Dongfang Hong) é um filme musical chinês lançado em 1965, dirigido por Wang Ping. A obra foi produzida pela República Popular da China durante o período maoísta e ocupa um lugar singular na história do cinema e das artes cênicas chinesas. Embora frequentemente associado à tradição operística chinesa, o filme não é uma "ópera de Pequim", nem um “filme-ópera” em sentido estrito. A classificação mais adequada é a de filme-espetáculo musical revolucionário, concebido como uma grandiosa encenação cênica e cinematográfica.
A produção deriva de um enorme espetáculo teatral apresentado em Pequim em 1964 para celebrar o 15º aniversário da fundação da República Popular da China. O filme combina música coral, dança, teatro, encenação histórica e elementos de diversas tradições performáticas chinesas. Em vez de desenvolver uma narrativa dramática centrada em protagonistas individuais, a obra apresenta uma visão coletiva da revolução chinesa, retratando trabalhadores, camponeses e soldados como agentes históricos.
Dividido em episódios históricos, o filme acompanha acontecimentos que vão desde o Movimento Quatro de Maio, em 1919, até a vitória comunista em 1949. Ao longo dessa trajetória, surgem referências à formação do Partido Comunista Chinês, à Longa Marcha, à resistência contra a invasão japonesa e à guerra civil chinesa. Mao Zedong aparece como figura simbólica central, mas o foco principal permanece na representação do povo revolucionário como protagonista coletivo da história.
Do ponto de vista artístico, The East Is Red impressiona pela escala monumental de sua produção: enormes formações coreográficas, figurinos coloridos, canções patrióticas e encenações grandiosas criam um espetáculo visual de forte impacto. Hoje, o filme é frequentemente estudado tanto como documento histórico e propagandístico quanto como importante exemplo da estética cultural da China maoísta. Sua mistura de política, música e teatralidade faz da obra um testemunho singular de um momento decisivo da história chinesa do século XX.
IMDb
Biografia de Mao
Personagens principais: - Mao Zedong: Líder revolucionário e principal figura simbólica da obra, representando a condução política da revolução chinesa. - Os trabalhadores: Representam a classe operária urbana e o surgimento da consciência revolucionária nas cidades chinesas. - Os camponeses: Simbolizam a população rural chinesa e seu papel central na revolução comunista. - Os soldados do Exército Vermelho: Retratados como força disciplinada e heroica durante a guerra revolucionária e a Longa Marcha. - Os estudantes revolucionários: Associados ao Movimento Quatro de Maio e ao despertar político da juventude chinesa. - O povo chinês coletivo: Mais do que indivíduos específicos, a obra enfatiza o protagonismo coletivo das massas populares como verdadeiro “personagem principal”.
Sinopse: Por meio de música, dança e encenações históricas monumentais, The East Is Red retrata a ascensão do movimento comunista chinês desde o início do século XX até a fundação da República Popular da China em 1949. O filme percorre eventos marcantes da história revolucionária chinesa, incluindo os protestos estudantis do Movimento Quatro de Maio, a organização inicial do Partido Comunista Chinês, as lutas camponesas, a Longa Marcha, a resistência contra a ocupação japonesa e a vitória final das forças comunistas na guerra civil.
Sem um protagonista individual definido, a narrativa apresenta trabalhadores, camponeses e soldados como expressão coletiva do povo chinês em luta por transformação social e independência nacional. Canções patrióticas, grandes coros e coreografias de massa conduzem o espectador por uma visão épica e idealizada da revolução, culminando na proclamação da nova China sob a liderança de Mao Zedong.